quinta-feira, 30 de outubro de 2008

História: 20 anos do Grande Prêmio do Japão de 1988


O Campeonato Mundial de 1988 chegava ao oriente com dois grandes pilotos, que dominaram a temporada com um carro que entrou para a história, com chances de serem campeões. Alain Prost mostrou o motivo de ser chamado de Professor. Com um pilotagem acadêmica, o francês conseguiu impressionantes treze pódios e seis vitórias em onze corridas. Senna era o oposto. Desde que tinha entrado na F1 em 1984, o estilo agressivo do brasileiro tinha atraído vários fãs e mesmo que isso causasse alguns abandonos, o jeito de pilotar de Ayrton Senna lhe garantia boas vitórias e voltas de Classificação de cair o queixo. Prost tinha onze pontos de vantagem sobre Senna (90x79), mas sua regularidade tinha lhe custado um preço. Como naquela época existia os descartes, Prost teria que descartar alguns pontos, enquanto Senna, com incríveis sete conquistas, não tinha o que descartar graças a três abandonos. Por causa dessa bizarrice, tanto Senna, como Prost podiam ser campeões com uma vitória em Suzuka, que logo em seu segundo ano poderia decidir o segundo campeonato consecutivo.

Como foi comum em 1988, Senna batia o ponto na primeira posição do grid e abria uma vantagem psicológica em cima de Prost, que mesmo próximo do rival, ficou três décimos atrás. Como se não fosse mostrar o quanto tinha humilhado a concorrência durante toda a temporada, a McLaren deu outra demonstração de superioridade ao colocar 1.5s sobre o carro não-McLaren mais próximo. E como normalmente acontecia, era a Ferrari de Berger. A Lotus, que não esteve bem em nenhum momento da temporada, colocava seus dois carros na terceira fila, com o tricampeão Piquet à frente de Nakajima, que utilizava o seu vasto conhecimento de Suzuka.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:41.853
2) Prost (McLaren) - 1:42.177
3) Berger (Ferrari) - 1:43.353
4) Capelli (March) - 1:43.605
5) Piquet (Lotus) - 1:43.693
6) Nakajima (Lotus) - 1:43.693
7) Warwick (Arrows) - 1:43.816
8) Mansell (Williams) - 1:43.893
9) Alboreto (Ferrari) - 1:43.972
10) Boutsen (Benetton) - 1:44.499

O dia 30 de outubro de 1988 estava carrancudo em Suzuka. Havia ameaça de chuva e isso favorecia claramente a Senna. Mesmo tendo apenas cinco temporadas de F1, já tinha ficado claro a genialidade de Ayrton em pista molhada e o mesmo não acontecia com Prost. O francês vinha de duas vitórias seguidas e Senna precisava virar o jogo para conquistar o seu sonhado primeiro título. Se chegasse aumentasse em três pontos a vantagem sobre Prost, o título estava no papo. Com um carro como a McLaren MP4/4, a tarefa era quase óbvia, porém, uma conquista de Senna não seria tão enigmática sem emoção. E ela veio logo no início. Quando o brasileiro parou seu McLaren na posição de número 1 do grid de largada em Suzuka, o motor Honda diminuiu o giro e o propulsor nipônico silenciou-se. Senna entra em desespero, lembrando-se da primeira prova do Brasil, quando também ficou parado, mas desta vez a largada foi dada com Senna praticamente parado.

Vendo a situação ficar desesperadora, Senna parou de tentar paralizar a largada e tentou religar o carro. Como se os deuses cooperassem, a reta em Suzuka é feita em uma descida e Senna utilizou essa vantagem para tentar reiniciar o carro. Tentou uma... e nada! Tentou duas... e o motor Honda voltou a vida e Senna saiu rumo a uma das mais fantásticas corridas de sua carreira. Prost aproveitou a vantagem e assumiu a liderança e via a oportunidade ideal para tentar o tri, pois Senna aparecia apenas em décimo quarto. Com o melhor carro, disparado, do pelotão, Senna partiu para uma recuperação impressionante na tentativa de conquistar o título. O empenho em suas ultrapassagens, a forma como deixou os demais carros como se estivessem parados e a tenacidade em chegar logo próximo a Prost entrou para a história e no final da primeira volta o piloto da McLaren aparecia em oitavo! E continuava a subir!

Após deixar Patrese, ainda na curva 1, e Nannini para trás na segunda volta, Senna já entrava na zona de pontuação e em duas voltas consecutivas, deixou para trás Boutsen e Aboreto. Ou seja, quarto colocado em quatro voltas! Mais a frente, Prost parecia administrar a liderança, enquanto Capelli continuava impressionando em sua segunda temporada na F1 com um raquítico March. Brigando de forma animada com a poderosa Ferrari de Berger, o italiano deixou o austríaco para trás na quinta volta e partiu para cima da ainda mais poderosa McLaren de Prost. O piloto da Ferrari fica para trás e é ultrapassado por Senna na décima volta, mas todas as atenções se voltam para a disputa pela liderança entre Prost e Capelli. Os dois estavam longe de Senna, mas com o brasileiro mais rápido. A disputa entre a McLaren e a March era o típico caso de 'Davi x Golias', e Capelli quase conseguiu repetir a história do pequeno rei. Na volta 16, o italiano colocou de lado na McLaren na entrada da reta dos boxes e por apenas alguns metros, liderou a corrida. Esse momento sublime de alegria foi o início do fim da corrida de Capelli. O motor aspirado Judd falhou e Prost nem esperou o fim da reta para retomar a liderança. O fato interessante era que pela primeira vez em cinco anos, um motor aspirado liderava uma corrida de F1. Mesmo que por 200 metros...

Não demorou e o motor de Capelli se entregou e o italiano ficou pelo caminho. Isso significava o que todos esperavam. Um duelo direto pela liderança entre Senna e Prost. Se o brasileiro teve todo o seu drama na largada, Prost tinha dois dramas para se confrontar naquele momento. A chuva, tão esperada, apareceu em forma de uma pequena garoa. Não a ponto de encharcar a pista de Suzuka, mas transformou o asfalto bastante escorregadio. Era o habitat natural de Senna. Como se todas essas adversidades não fossem o bastante, Prost começou a ter problemas de câmbio e Senna se aproximava de forma gradual, desta vez. O brasileiro encostou no francês, mas parecia querer estudá-lo. Senna ficou algumas voltas atrás do seu companheiro de equipe até o final da volta 26. Usando a mesma tática de Capelli, Senna colocou sua McLaren ao lado de Prost. O motor Honda não era o Judd, mas o carro ao lado de Prost não era Capelli e o francês ainda esboçou uma reação, tentando fechar o brasileiro, mas Prost foi correto em sua defesa de posição e Senna completou a ultrapassagem na freada da curva 1.

Tudo o que Senna precisava dali adiante era levar seu carro até o final. E o fez com mestria. Não precisava forçar demais, pois o único carro que poderia lhe ameaçar estava com sérios problemas, já que Prost tinha seu problema de câmbio agravado e não podia fazer mais nada. Boutsen, Nannini, Berger e Patrese eram inofensivos perante a potência da McLaren. A chuva, que na verdade era uma pequena garoa, desapareceu e Senna tinha pista livre à frente. Nada podia atrapalha-lo. Na última volta, Senna levou seu McLaren rumo a bandeirada com extremo cuidado, sem querer brigar com retardatários, e recebeu a bandeirada para sua décima quarta vitória, mas com um gostinho especial. Era a vitória que lhe garantia o primeiro título mundial na carreira. Se não teve adversários longe da McLaren, Senna teve que derrotar um super-adversário, que se provaria ainda mais perigoso no ano seguinte, dentro da própria equipe e confirmou um dos maiores talentos que já apareceram nas pistas em todos os tempos.

Chegada:
1) Senna
2) Prost
3) Boutsen
4) Berger
5) Nannini
6) Patrese

domingo, 26 de outubro de 2008

Final de feira


Meu pai sempre falou que sente o ano terminando quando começa o Horário de verão e termina a F1. O novo horário brasileiro já começou e a F1 fecha as cortinas na semana que vem, mas duas importantes categorias fecharam suas temporadas hoje, dando uma sensação ainda maior de que 2008 já vai ficando na história.

Por uma enorme infelicidade, a última etapa da MotoGP em Valencia foi exatamente no mesmo horário da última corrida do DTM e por isso me dividi nos dois canais que transmitiam as corridas, com preferência para a MotoGP, pois já estava acompanhando as duas categorias de base desde cedo. Se as 125cc e as 250cc tiveram corridas empolgantes, principalmente a primeira, a MotoGP foi de uma monotonia de fazer inveja o Grande Prêmio da China da F1 na semana passada. Casey Stoner perdeu a liderança na largada para Dani Pedrosa, mas o australiano retomou a ponta do piloto da casa ainda nas primeiras curvas e foi embora. Pedrosa tentou acompanhar, mas não deu, porém isso lhe garantiu um tranqüilo segundo lugar. Só restava acompanhar a escalada de Valentino Rossi, que largava em décimo. Mas nem isso foi emocionante. Com muita facilidade, Rossi chegou a terceira posição e como já estava longe de Pedrosa, por lá ficou mesmo. Enquanto Rossi ultrapassava Hayden, Doviziozo também deixou o americano para trás e ficou na quarta posição até o final. E Hayden também em quinto! Ou seja, a corrida foi um tédio!

A temporada 2009 da MotoGP já começa amanhã, com todas as equipes testando em Valencia e algumas com as motos de 2009 e com seus novos pilotos, como é o caso da Ducati, que colocará Nicky Hayden em sua moto e Marco Melandri na Kawasaki. Além da estranha volta de Sete Gibernau por uma equipe satélite da Ducati ao Mundial após um ano fora. A próxima temporada marcará a chegada de novos pilotos e a saída de outros, mas Rossi entrará como franco favorito a mais um título. Após um ano de estréia cheia de altos e baixos, Lorenzo virá mais forte após uma temporada de experiência. Stoner, dependendo de sua recuperação da cirurgia no seu pulso, também será um fator importante, como prova as suas seis vitórias nesse ano, mas Hayden deverá fazer um papel menos vergonhoso do que Melandri dentro da equipe Ducati. Pedrosa, eterno protegido da Honda, terá seu desempenho em xeque. Mesmo com todo o apoio da montadora japonesa, o piloto espanhol ainda está devedendo um título a marca que sempre o apoiou na carreira e ainda terá Andrea Doviziozo ao seu lado na Repsol Honda, um piloto extremamente forte e que dará muito calor no espanhol. 2009 promete!

Já no DTM, o campeonato ainda estava em disputa entre Timo Scheider (Audi) e Paul di Resta (Mercedes). Como todo ótimo campeonato que se preze, o circuito de Hockenheim estava lotado (não por convidados uniformizados...) e os dois disputaram a prova até o final, com Scheider liderando a prova inteira, fora os momentos dos pit-stops obrigatórios. Como Di Resta precisava tirar três pontos de vantagem, o escocês teve que se contentar com o segundo lugar e ver Scheider conquistar o bicampeonato da Audi com uma vitória recheado de fogos de artíficio e zerinhos de todos. Porém, o ponto histórico dessa corrida fica pela aposentadoria da lenda Bernd Schneider. Para quem só acompanha a F1, devem estar perguntando de quem se trata, mas quem assisti o automobilismo em geral e gosta de corridas de turismo, devem conhecer esse alemão que venceu cinco campeonatos do DTM e um Mundial do FIA GT, sempre com a Mercedes.

Com essa crise econômica, o futuro do DTM sempre fica a perigo. Na mesma proporção em que são belos, os carros do DTM são extremamente caros e isso poderá pesar num futuro bem próximo. Apesar disso, o campeonato de 2008 mostrou um enorme equilíbrio entre Audi e Mercedes, provando que a mescla entre pilotos veteranos e jovens rende boas corridas. Na mesma medida que tem Schneider e Ralf Schumacher, o campeonato alemão também tem Bruno Spengler e Alexandre Prémat, jovens promessas do automobilismo mundial. Se o campeão Timo Scheider deverá ficar aonda está em 2009, o vice Paul di Resta pode aparecer na F1 no ano que vem na Force India, já que o escocês tem um longo contrato com a Mercedes.

Com o fim desses dois campeonatos, realmente 2008 vai ficando para trás, mas ainda falta a cereja do bolo. Interlagos fechará a F1 e poderá ver a maior zebra da história, maior até que a do ano passado, ou a consagração de um talento.

sábado, 25 de outubro de 2008

O diálogo da discórdia


Faz muitos anos que acompanho F1. Para ser mais exato, desde que me conheço como gente. Mesmo quando era criança (pois nunca fui pequeno...), sempre lia sobre tudo que tinha corrida e, principalmente, F1. Claro que o primeiro jornalista que me vem a mente é Reginaldo Leme, o eterno comentarista da TV Globo. Mas havia outros, que foram aparecendo nesses anos todos, principalmente na era da internet. Porém, havia Lemyr Martins. Sempre ligado a Quatro Rodas, suas reportagens cheias de poesia me fazia mergulhar dentro do paddock, apesar da falta de detalhes das corridas. Com o passar do tempo e a leitura de outros jornalistas, vi que Lemyr não era essa assumidade toda.

Erros em dados históricos e uma preferência escancarada por Senna me fez distanciar um pouco de Lemyr. O catarinense fazia questão de dizer, por debaixo de suas belas palavras, que não gostava nenhum um pouco de Schumacher. Me lembro de uma reportagem no final de 2003, quando Schummy conquistou o seu sexto título, onde Lemyr nos fazia acreditar que o alemão só conquistou o caneco daquele ano na pura sorte. Os exemplos para essa "sorte" eram ridículos e até não condiziam com a verdade. Mas quem sou eu para falar mal de Lemyr? Nem jornalista eu sou! Mas uma presepada inacreditável pode arranhar a carreira de Lemyr Martins. Comprei o primeiro livro dele, Os Arquivos da F1, e achei inúmeros erros, mas em sua nova obra, Lemyr coloca um diálogo entre Rubens Barrichello e a Ferrari no final do famoso GP da Áustria de 2002. Morri de rir quando li, mas quem não achará muita graça serão as partes envolvidas. Barrichello em particular. Mesmo em final de carreira (queira ou não), Barrichello deve estar cansado de ser tão zoado e esse diálogo pode ser a gota d'água.

Processos poderão rolar, pois Lemyr faz questão que esse diálogo existiu, apesar do conteúdo ridículo da teórica transmissão via rádio entre a Ferrari e Rubinho em Maio de 2002 e de já ter sido comprovado que toda essa baboseira não passa de uma brincadeira de um site inglês. Por essas e outras, que deixei de comprar a Quatro Rodas. A parte que mais me interessava, a seção sobre a F1, tem uma pessoa que não admite os próprios erros que, por sinal, são vários e só aumentam com o tempo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

História: 15 anos do Grande Prêmio do Japão de 1993


Com o campeonato já decidido a favor de Alain Prost, o mês entre as corridas em Portugal e no Japão foi recheado de anúncios para 1994. Com a saída do francês da Williams, Ayrton Senna finalmente teria caminho livre para ir para o seu sonho de consumo na época: o carro de outro planeta da Williams. Com o ainda inexperiente Damon Hill ao seu lado, poucos duvidavam do quarto título de Senna no ano seguinte. Enquanto a Ligier inaugurava uma bela pintura e alguns pilotos sem expressão estreavam na corrida japonesa (Jean-Marc Gounon e Toshio Suzuki), um irlandês com cara de doidão faria sua primeira corrida na F1. Eddie Irvine corria no Japão fazia alguns anos e conseguiu patrocínio para comprar o segundo cockpit da equipe Jordan para a corrida japones ao lado de Rubens Barrichello, que completava sua primeira temporada na F1.

A Williams dominava novamente, mas Prost não teria Damon Hill ao seu lado na primeira fila com o inglês rodando durante os treinos. Como resultado, o piloto da Williams teria Ayrton Senna ao seu lado. Um adversário perigoso, pois além de ser um piloto genial, o brasileiro andava muito bem em Suzuka. Mostrando o bom momento da McLaren e mostrando que uma futura estrela estava nascendo, Mika Hakkinen conseguia o terceiro posto no grid em sua segunda corrida na McLaren. Demonstrando seu enorme conhecimento da pista de Suzuka, o novato Eddie Irvine surpreende ao colocar seu Jordan na oitava posição, bem à frente de Rubens Barrichello, que tinha sido um piloto muito veloz em seu ano de estréia.

Grid:
1) Prost (Williams) - 1:37.154
2) Senna (McLaren) - 1:37.284
3) Hakkinen (McLaren) - 1:37.326
4) Schumacher (Benetton) - 1:37.530
5) Berger (Ferrari) - 1:37.622
6) Hill (Williams) - 1:38.352
7) Warwick (Footwork) - 1:38.780
8) Irvine (Jordan) - 1:38.966
9) Suzuki (Footwork) - 1:39.278
10) Patrese (Benetton) - 1:39.291

O dia 24 de outubro de 1993 começou com sol em Suzuka, mas havia uma forte ameaça de chuva e as nuvens pesadas contribuíam para isso. Prost e Senna tinham protagonizado incidentes nas oportunidades em que se encontraram em Suzuka e com os dois dividindo a primeira fila, tudo podia acontecer com os dois rivais, mesmo com ambos num clima bem menos tenso do que nos anos anteriores. Como se estivessem num mundo à parte, os dois gênios da F1 pareciam partir antes dos outros e já colocavam uma boa diferença para os rivais na largada, mas Senna parte ainda melhor e antes da primeira curva coloca sua McLaren por dentro e assume a liderança. Hakkinen mantém a terceira posição, mas Berger larga ainda melhor e deixa Schumacher para trás, enquanto o novato Irvine fazia uma largada assombrosa e pula para quinto! Porém, o irlandês foi superado por Schumacher e Hill nas voltas seguintes, mas sua marca já estava garantida para esta sua primeira corrida na F1. Mas ainda faltava mais...

Senna conseguia abrir uma diferença considerável, levando-se em conta sua desvantagem de equipamento para a Williams de Prost, que permanecia em segundo. Mais atrás, Berger estava mais lento que os demais e segurava Schumacher, que após ultrapassar Irvine, passou a atacar a Ferrari de forma feroz. O alemão sempre tentava ultrapassar na chicane antes da reta dos boxes, mas Berger se defendia muito bem. Com essa batalha, Damon Hill se aproximou e após mais uma tentativa frustrada de ultrapassagem de Schumacher na chicane, o inglês aproveitou a potência do motor Renault e ultrapassou a Benetton de Schummy na reta dos boxes na nona volta. Imediatamente, Hill passou a atacar Berger, com Schumacher logo atrás. No mesmo ponto em que Schumacher tentou várias vezes a ultrapassagem sobre Berger, Hill colocou por fora em cima da Ferrari, com os três se aproximando, colados, para a freada da chicane. A imagem era impressionante, mas algo podia dar errado. Hill tem que frear mais forte por estar por fora da curva e isso faz Schumacher acertar a traseira da Williams e quebrar sua suspensão. Era fim de corrida para o alemão.

Como estava previsto, o tempo estava se fechando em Suzuka e os primeiros pingos começavam a cair, mas a pista ainda permanecia seca. Senna faz sua primeira parada muito cedo na volta 13 e retorna à pista logo atrás de Prost, após uma parada de apenas 5.13s. Hakkinen fazia a volta mais rápida da prova, enquanto a chuva apertava e Senna, usando o seu usual talento debaixo d'água, ultrapassa Prost na volta 20. A pista fica encharcada e os pilotos correm para os boxes para colocar pneus para piso molhado. Senna permanecia à frente de Prost, Hakkinen e Hill. Então, a chuva foi embora e o sol volta com tudo para secar a pista. Era o pesadelo para qualquer piloto. Porém, Senna permanecia impávido na liderança, enquanto Hill se atrapalhava nas condições variáveis e estava a ponto de levar uma volta de Senna, enquanto brigava com Irvine. Após deixar Irvine para trás, Senna demora um pouco para passar Hill e o irlandês simplesmente devolve a ultrapassagem! Isso teria decorrências após a corrida...

Senna se vê envolto numa briga feroz entre Hill e Irvine, mas o brasileiro tinha 24s de vantagem para Prost, que tinha uma confortável vantagem sobre Hakkinen, que fazia uma corrida sólida pela McLaren. Mais atrás, Riccardo Patrese sofria um forte acidente em uma das suas últimas corridas na F1. Enquanto isso, nas voltas finais, Irvine voltava a protagonizar outro momento polêmico em seu primeiro Grande Prêmio. Derek Warwick, outro piloto que fazia suas últimas corridas na F1, estava em sexto lugar e estava a ponto de marcar pontos novamente, com o sexto lugar. Porém, o veterano inglês era fortemente pressionado pela intrépido Irvine. Faltando apenas quatro voltas, Irvine erra a freada da chicane e enche a traseira de Warwick, tirando o inglês da corrida! Eddie roda, mas traz seu Jordan de volta e após aprontar todas, conquista um ponto logo em sua estréia. Após Martin Brundle marcar a volta mais rápida numa pista praticamente seca e Pedro Lamy estatelar seu Lotus no guard-rail, Senna recebe a bandeirada para a sua vitória de número 40, com Prost e Hakkinen completando o pódio. Era o primeiro pódio de Mika! Era tudo festa para Senna, mas ainda faltava acertar algumas contas. Não com Prost, como era normal, mas com o novato Irvine. O brasileiro da McLaren ficou possesso com o irlandês e foi tomar satisfações com Eddie nos boxes da Jordan. Após chamar Irvine de idiota, Senna fica ainda mais irritado com a arrogância do novato e perde a paciência com o irlandês, acertando um murro na cara de Irvine! Anos mais tarde, Eddie Irvine, que se tornaria um dos pilotos mais carismáticos da F1 em sua época, disse que da sua estréia o que ele mais gosta de se lembrar foi o soco que levou de Senna...

Chegada:
1) Senna
2) Prost
3) Hakkinen
4) Hill
5) Barrichello
6) Irvine

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Figura (CHN): Lewis Hamilton

Exatamente um ano depois de fazer uma das maiores besteiras da história da F1 e começar a entregar o Mundial de 2007 para Kimi Raikkonen e para a Ferrari, Lewis Hamilton fez uma corrida perfeita em Xangai, coroando um final de semana que foi sensacional da primeira volta na sexta-feira, até a bandeirada em primeiro. Lewis chegou extremamente pressionado na China, tanto pelos seus erros em Fuji, como pelos outros pilotos, desconfiados com o excesso de agressividade do inglês nas disputas por posição. Mas isso não são corridas? Hamilton deu a resposta aos críticos com uma vitória categórica, após conseguir uma pole dominadora e marcar a melhor volta da corrida. Claro que o carro da McLaren ajudou, mas Hamilton não cometeu o mínimo erro em toda a corrida e abriu vantagem de forma constante para as Ferraris, que pareciam inofensivas diante do carro prateado de Hamilton. Com sete pontos de vantagem sobre Felipe Massa, Hamilton poderá administrar calmamente em Interlagos e mesmo tendo a mesma vantagem que tinha sobre Raikkonen em 2007 na mesma posição, o piloto da McLaren está com a moral lá em cima e tem tudo para ratificar o título numa temporada em que foi o mais rápido e agressivo.

Figurão (CHN): Heikki Kovalainen

Exatamente um ano depois de ser considerado mais um 'fly finn' a surgir na F1, Heikki Kovalainen vem sendo a grande decepção dessa temporada de 2008, apesar de uma vitória ocasional na Hungria, quando o triunfo caiu no seu colo faltando três voltas. Ser superado por Lewis Hamilton não chega a ser vergonhoso, mas a forma como o finlandês vem andando é verdadeiramente tenebrosa, com Heikki sempre largando atrás do seu companheiro de equipe e estando longe de ajudar Hamilton na briga pelo Mundial de Pilotos e, o que é pior, longe de ajudar sua equipe a brigar pelo Mundial de Construtores. A etapa chinesa não foi uma das piores para o finlandês, mas mostra bem o que foi essa temporada para ele. Após andar relativamente bem nos treinos, Kova errou no Q3 e deixou Hamilton largar na pole, sozinho, contra um bando de lobos querando tirar uma casquinha. Mesmo largando bem e chegando a brigar com Alonso pela quarta posição, Kovalainen se acomodou na quinta posição e desapareceu na corrida. As câmeras de TV só lembraram dele quando ele surgiu com o pneu dianteiro furado e abandonando logo depois, arruinando outra tentativa da McLaren em reassumir a liderança do Mundial de Construtores. Num momento em que as vagas nas equipes de F1 ficam cada vez mais dificéis, a ótima vaga de Kovalainen na McLaren começa a ser disputada por pilotos emergentes e não será surpresa ver Kova demitido rapidinho. Quiçá ainda em 2009!

domingo, 19 de outubro de 2008

O caça-fantasmas


Após o que aconteceu em Fuji, o piloto mais pressionado da F1 se chamada Lewis Hamilton. Não pela liderança do campeonato, mas pelos fantasmas de 2007. Ano passado, Hamilton liderava a temporada com folga e tinha duas chances de matar o campeonato que estava nas suas mãos, mas uma série inacreditável de erros o fez perder toda a vantagem que tinha para os rivais e o inglês acabou perdendo o título por apenas um ponto. Após largar na pole no Japão e liderando com sete pontos de vantagem para o rival mais próximo, Felipe Massa, Hamilton cometeu erros de fazer Ron Dennis perder o pouco de cabelo que tinha e ficou a pergunta no ar: o inglês faria a mesma besteira do ano passado. Como um exorcista, Hamilton mandou, pelo menos parcialmente, um fantasma embora e na mesma pista de Xangai que praticamente lhe tirou o título do ano passado com uma vitória dominadora, assegurando o favoritismo para a última corrida do ano.

Ao contrários das etapas anteriores, Xangai nos proporcionou uma corrida extremamente chata e burocrática. Antes que se argumente que a F1 só tem corrida boa quando chove ou o safety-car entra, não foi assim em Fuji e a corrida japonesa foi ótima. Havia expectativa de chuva, mas o céu carrancudo chinês não era sinal de precipitações pluviométricas, mas da forte poluição chinesa. Um dos primeiros fantasmas que Hamilton teria que espantar era a largada, onde estava cercado de rivais louco para tirá-lo dali, tentando imitar Fuji. Porém, Hamilton provou que 2008 não seria 2007 e largou muito bem, deixando as Ferraris para trás. As únicas emoções foram o toque entre Trulli e Bourdais e a animada briga entre Kovalainen e Alonso pela quarta posição. Por sinal, foi a única briga empolgante, com o espanhol retomando sua posição ainda na primeira volta. A partir daí, foi uma procissão, com Hamilton disparando de Raikkonen, que disparava com relação a Massa, que disparava com relação a Alonso, que disparava com relação ao resto. Nem os pit-stops mudaram isso e após a segunda parada, a Ferrari fez a justificada troca de posições entre Raikkonen e Massa, com o finlandês escancarando a troca de posições ao frear uns duzentos metros antes de Massa.

Porém, Hamilton não deverá reclamar dos dois pontinhos perdidos para Massa. O inglês dominou o Grande Prêmio chinês de forma fácil e não suou seu macação branco para vencer novamente, após três meses de jejum. Foi uma vitória para corroborar com todo o seu domínio em todos os treinos chineses, mostrando que a Ferrari não terá vida fácil em Interlagos. Em Xangai, pista onde a Ferrari venceu três das quatro edições anteriores a essa, até Hamilton admitiu um domínio dos carros vermelhos, mas o que se viu foi exatamente o contrário e foi a McLaren que dominou como quis. Em Interlagos, a previsão, pelos últimos anos, é um domínio da Ferrari e de Massa, mas pelo que se viu aqui, tudo pode mudar. Mas se a McLaren quiser ajudar ainda mais para ser campeã e sair da fila de nove anos sem título, será fazer Kovalainen acordar. Tirando a boa briga com Alonso na primeira volta, Kova foi um piloto apagado até aparacer com o pneu dianteiro direito furado, causando o seu abandono voltas depois. O Mundial de Construtores já está praticamente perdido por esses pontos perdidos de Kovalainen e Hamilton precisará de toda a ajuda possível no Brasil.

A Ferrari fez uma corrida de espera. Sem condições de briga com a McLaren de Hamilton, a Ferrari esperou por um erro do inglês e marcar o maior número de pontos possíveis. Só que Lewis não errou e o máximo que os italianos podiam fazer era dar o segundo lugar a Massa, numa troca de posições escancarada no final da prova, já que Raikkonen era claramente mais rápido do que o brasileiro. É impressionante o quanto Kimi pode fazer uma corrida muito boa e outra horrível. É um vaga-lume finlandês. Com claros problemas de aderência, Massa se manteve em terceiro e após receber a "ligação" da Ferrari, diminuiu o prejuízo com a segunda posição. Com sete pontos de desvantagem, Felipe tem o ótimo retrospecto em Interlagos a seu favor, mas a sua situação é muito difícil e sua cara no pódio demonstra o quanto ele sofreu o baque por essa derrota.

Carregando o seu carro nas costas, Alonso conseguiu outro bom resultado com a quarta posição, andando próximo do ritmo das Ferraris. Próximo, mas não igual. A Renault ainda está abaixo de McLaren e Ferrari e somente o talento de Alonso pode fazer com que a equipe francesa supere a BMW neste final de ano. Piquet fez uma prova correta, onde usou a estratégia para conseguir mais um pontinho no campeonato com um oitavo lugar. Com um péssimo final de campeonato, a BMW se despediu da luta pelo Mundial de Pilotos com Robert Kubica e agora só espera por 2009. Não restam dúvidas que esse ano foi ótimo tanto para a equipe, quanto para Kubica, mas se quiser brigar pelo título ano que vem, a BMW deverá não fazer corridas como a de hoje. Heidfeld foi discreto como sempre e mesmo punido na Classificação, conseguiu um ótimo quinto lugar, se aproveitando dos problemas de Kovalainen. Já Kubica, largando na sexta fila, fez o que pôde e em outra corrida cerebral e de recuperação, que já vem se tornando sua marca, o polonês conseguiu pular para sexto, mas os três pontos não garantiram a sua permanência na briga pelo título.

A Toyota ficou desfalcada do seu piloto mais bem colocado logo na primeira curva, com o toque de Trulli em Bourdais. O italiano ainda voltou à pista, mas abandonou logo depois. Restou a Glock, com um carro pesadíssimo, tentar algo. E ele conseguiu! O alemão vem fazendo uma ótima segunda metade de campeonato e mesmo sendo ultrapassado várias no início da prova, ter sido o último a parar nos boxes, Glock conseguiu uma ótima sétima colocação e marcou mais alguns pontinhos, mas isso não foi o suficiente para manter a Toyota na briga com a Renault pela quarta posição no Mundial de Construtores, principal meta da equipe para 2008. As equipes do clã Red Bull não foram nada bem na China e nenhum dos seus carros marcaram pontos. Após o toque com Trulli, Bourdais teve que fazer uma corrida de recuperação, mas esteve longe dos pontos. Destino semelhante teve Vettel, que mesmo largando na zona de pontuação, não pontuou. Largando muito leve, Mark Webber fez algumas ultrapassagens no início, mas quando reabasteceu, sua corrida entrou num marasmo e não brigou mais pelos pontos, coisa essa que Coulthard esteve longe de fazer. A Williams termina o ano de forma negativa, mas ao menos está à frente da Honda, que viu um Rubens Barrichello bem melhor do que Button, o penúltimo colocado.

Agora, só resta Interlagos. Foi um campeonato marcado por erros e corridas estranhas, muitas vezes decididas fora das pistas. Hoje a corrida foi mais tranqüila e Hamilton aproveitou o seu domínio para vencer novamente e espantar, parcialmente, o fantasma que lhe atormenta desde o ano passado. O inglês tem os mesmos sete pontos que tinha de vantagem com relação a Kimi Raikkonen no ano passado, mas não restam dúvidas de que psicologicamente Lewis está melhor posicionado em comparação a 2007. Massa pode usar o seu retrospecto para vencer em Interlagos, mas não depende unicamente de si para ser campeão. Resta torcer para que o fantasminha de 2007 volte a atormentar Hamilton no Brasil.

sábado, 18 de outubro de 2008

Duas caras


Olhando à primeira vista, o resultado de Hamilton pode ter sido decisivo para o Campeonato. Muito mais rápido do que Massa em todos os treinos, o inglês da McLaren conquistou a pole com muita facilidade numa volta, confessada pelo próprio inglês, perfeita. Porém, o desempenho de Hamilton nas últimas provas de 2007 e o que ele fez em Fuji não garante nada ao jovem piloto. Extremamente rápido, Hamilton precisará pôr a cabeça no lugar na largada de amanhã, onde não terá a ajuda de ninguém na perigosa primeira curva de Xangai de amanhã.


Mesmo largando em terceiro, Massa terá a ajuda providencial de Raikkonen amanhã, principalmente se o finlandês repetir a largada da semana passada, quando ficou à frente de Hamilton ainda antes da primeira volta. Se tiver juízo, coisa que não teve muita em Fuji, Massa deverá apenas marcar o que Hamilton irá fazer e tentar ultrapassar na hora dos pit-stops. Numa hora dessa do campeonato, quanto menor for o risco, melhor para ambos!

Alonso, que já declarou que irá ajudar Felipe, proderá fazer isso amanhã, pois largará em quarto e poderá ser um fator amanhã, principalmente se conseguir outra largada como a de Fuji. A Renault está em alta e Alonso está motivado como nunca. Com a sua fase, a da equipe e a possibilidade de atrapalhar seu desafeto Hamilton! Kovalainen demonstra cada vez mais que pode até ser rápido, mas não o suficiente para andar com uma McLaren. O finlandês está longe de ajudar Hamilton e verá de longe o seu companheiro de equipe tendo que se virar contra uma manada de pilotos louco para atrapalhá-lo.

Com um carro que nunca andou em Xangai, Kubica deverá se despedir definitivamente da luta pelo título hoje. Largando apenas em décimo primeiro, o polonês terá que fazer outros milagres se quiser, ainda, se manter com chances matemáticas de conquistar o título deste ano. De resto, Nelsinho Piquet corroborou com a boa fase da Renault, mas, mais uma vez, ficou no Q2, enquanto Barrichello, querendo um lugar na F1 em 2009 desesperadamente, conseguiu uma boa décima terceira posição, cinco posições à frente de Button. Suficiente? Acho difícil...

Amanhã, a penúltima etapa do ano poderá consagrar ou o talento de Hamilton ou o seu destempero. A estranha primeira curva chinesa, longa, mas ao mesmo tempo lenta, poderá nos trazer surpresas, como foi em Fuji. E é exatamente aí onde veremos como Lewis esta com a cabeça, fora que ainda há a possibilidade de chuva, algo que foi anormalmente comum esse ano. Acho difícil o título ser definido amanhã, mas se Hamilton perder pontos com relação a Massa para a última corrida do ano, podemos nos preparar para as baboseiras da TV Globo para o dia pós-título de Massa.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

História: 25 anos do Grande Prêmio da África do Sul de 1983


Após uma temporada equilibrada, dominada por Ferrari, Renault e Brabham-BMW, a F1 chegada a Kyalami decidindo quem seria o Campeão Mundial de 1983. Prost tinha tudo para ser o campeão na metade da temporada, mas tinha perdido terreno para Arnoux e, principalmente, para Piquet no final da temporada, com o brasileiro vencendo as duas últimas corridas. Na única corrida no continente africano, Prost e Piquet estavam praticamente empatados no campeonato, com o francês levando vantagem por apenas dois pontos, enquanto Arnoux ainda nutria esperanças, apesar de estar oito pontos atrás do seu compatriota, mas ele precisava de uma combinação esquisita para levar o trófeu para casa.

Na semana anterior ao Grande Prêmio, todos os pilotos participaram de um treino coletivo em Kyalami e o mais rápido foi a Lotus de Elio de Angelis, mostrando o grande desenvolvimento do italiano. A Ferrari também mostrava força, enquanto Piquet e Prost andaram bem. Quando os treinos começaram para valer, a Lotus perdeu rendimento para a Ferrari, porém, quem ficou com a pole foi Patrick Tambay! O francês tinha sido demitido pela equipe para a entrada de Michele Alboreto, mas tinha grande simpatia por parte dos mecânicos da Ferrari, que ficaram ainda mais felizes quando Tambay doou o prêmio pela pole para os mecânicos! Enquanto isso no outro do box, Arnoux sofria por causa de um dos acidentes mais bizarros da história da F1. Durante o treino da sexta-feira, o francês encostou sua Ferrari com problemas. René saiu do carro e caminhava em direção aos boxes, quando resolveu ajudar os comissários a tirar seu carro da pista. No entanto, Arnoux viu que os comissários já empurravam o seu carro e o resultado foi que o ferrarista foi atropelado pelo próprio veículo! Apesar de ter ficado com o pé direito muito inchado e quase não ter participado dos treinos, Arnoux ainda arranjou forças para conseguir o quarto lugar no grid.

Porém, os grandes favoritos não se vestiam de vermelho. A Brabham mostrava que estava numa ótima fase e seus pilotos eram constantemente rápidos durantes os treinos e Piquet fecharia a primeira fila, tendo Riccardo Patrese como um ótimo escudo em terceiro. Prost estava com problemas em seu turbo quando o mesmo atuava com grande pressão e por isso não brigou pela pole, tendo que se conformar com a quinta posição. Piquet estava muito relaxado durante o final de semana e chegou a dizer que não se importaria se não fosse o campeão. "Pelo menos não teria que responder um monte de pergunta feita pelos jornalistas". Prost parecia mais tenso e sua equipe exarcebava isso, tanto que o francês, para relaxar, procurava abrigo na... equipe Brabham! Prost teria Keke Rosberg ao seu lado na terceira fila, com o finlandês inaugurando o novo Williams-Honda, mostrando a grande potência do novo motor turbo japonês.

Grid:
1) Tambay (Ferrari) - 1:06.554
2) Piquet (Brabham) - 1:06.792
3) Patrese (Brabham) - 1:07.001
4) Arnoux (Ferrari) - 1:07.105
5) Prost (Renault) - 1:07.186
6) Rosberg (Williams) - 1:07.256
7) Mansell (Lotus) - 1:07.643
8) Winkelhock (ATS) - 1:07.682
9) De Cesaris (Alfa Romeo) - 1:07.759
10) Laffite (Williams) - 1:07.931

O dia 15 de outubro de 1983 estava ensolorado e quente. Dia perfeito para uma decisão de campeonato, mas o forte calor preocupava. Porém, o que trazia mais preocupação era a segurança em Kyalami. A pista tinha protagonizado duas mortes nos últimos nove anos na F1 e os boxes eram estreitos demais para as equipes pudessem fazer seus pit-stops com tranqüilidade. Num ato inimaginável hoje, as equipes se reuniram para decidir quando iriam parar, evitando um congestionamento dentros dos boxes. Por isso, muitos estranharam a parada de Piquet: décima sétima volta. Ele pararia duas vezes? Após a última corrida em Donington, Piquet foi enigmático ao já falar sobre sua estratégia para Kyalami. Ele e Gordon Murray estariam aprontando novamente? Logo na largada, isso ficaria claro que sim!

Piquet parte como um foguete e antes da freada para a primeira curva, já tinha aberto uma enorme diferença para o resto do pelotão! O brasileiro contornou a primeira curva na dianteira, mas o melhor era que Tambay não tinha feito uma largada brilhante e Piquet tinha seu companheiro de equipe Patrese em segundo. Andrea de Cesaris tinha feito uma largada-relâmpago e pulou de nono para quarto ainda na primeira volta. A Ferrari de Tambay parecia ter problemas e no final da grande reta dos boxes, foi ultrapassado por De Cesaris e Prost, que assumia a quarta posição. Prost estava perdendo o campeonato que estava nas suas mãos naquele momento e partiu para cima da Alfa Romeo de De Desaris, mas o italiano resistiu bravamente, até se ultrapassado na na nona volta. Na mesma volta, o campeonato começava a se definir. Escondido na oitava posição, Arnoux diminui a velocidade da sua Ferrari até chegar aos boxes com o motor quebrado. Era menos na briga. Faltavam dois!

Piquet estava num ritmo fora do comum, chegando a abrir 2s por volta para Patrese, que tinha Prost totalmente sobre controle. Num ritmo parecido, Niki Lauda fazia uma corrida surpreendente. A McLaren tinha sofrido bastante com os motores aspirados Cosworth, mas quando o novo motor TAG-Porsche turbo chegou no terço final da temporada, o carro deu um salto de qualidade, apesar das quebras e de ainda não ser tão competitivo quanto Ferrari, Renault e Brabham. Em Kyalami, Lauda estava andando como nos velhos tempos e ganhava posições de forma voraz, chegando a quinta colocação em apenas nove voltas. Isso após largar em décimo segundo! Na volta 11, o austríaco deixou a Alfa de De Cesaris para trás e partiu para cima de Prost. O piloto da Renault sabia que se sofresse essa ultrapassagem, o campeonato poderia escorrer por seus pequenos dedos, mas havia uma esperança. A volta 17 começou com Piquet com uma enorme vantagem e entrou nos boxes para uma parada decisiva. Todos esperavam por uma parada longa, mas a Brabham bate o recorde da temporada com 9.2s e Piquet volta à pista ainda na frente!

Para piorar as coisas para Prost, enquanto Piquet retornava à pista logo à frente de Patrese, Lauda completava a ultrapassagem sobre a Renault de Prost na freada da grande reta. Agora, Patrese teria a enorme pressão de Lauda, mas o italiano segura as pontas e permanece em segundo, com Piquet em primeiro, mas agora num ritmo mais brando. As posições permaneceram as mesmas até Lauda fazer sua parada na volta 33. Infelizmente a McLaren se atrapalha e o austríaco perde 25s na operação e caí para sétimo. Prost assumia a terceira posição, mas pára nos boxes duas voltas depois. Todos se olham assustados, pois aquela não era a volta que Prost pararia. O francês parece lento e encosta sua Renault nos boxes para o que parecia um pit-stop normal, mas engenheiros conversavam com Prost. Então, o francês abandona o seu carro e praticamente entrega o título a Piquet. A título de curiosidade, tem um vídeo muito engraçado no youtube com a transmissão da Rede Globo desta corrida. No momento da parada de Prost, Galvão se anima todo com a parada do francês. Porém, ele não percebe que o francês abandona o carro e berra, super-feliz, que a parada de Prost estava demorando demais. "E a Renault se atrapalha toda!"...

Voltando a corrida, Piquet é informado que Prost tinha abandonado e resolve diminuir o seu ritmo para cuidar do seu carro. No pit-wall, Prost assistia a corrida ainda de macacão, torcendo para que algo acontecesse com o Brabham de Piquet, que teimava em cruzar a reta dos boxes na liderança. Nelson só precisava de um quarto lugar para ser campeão. Então, acontece outra história bizarra, contada pelo próprio Piquet anos depois. Tentando economizar o máximo do seu carro, Piquet resolve baixar a pressão do turbo através de um botão giratório, mas eis que o botão se quebra e o brasileiro não tinha mais controle sobre a pressão do seu turbo. Piquet disse que passou o resto da prova procurando o bendito botão!

Na verdade, não era preciso tanto sufoco. Patrese se aproximava e na volta 59 ultrapassou seu companheiro de equipe. Mais atrás, Lauda fazia outra grande corrida de recuperação e passava quem via pela frente. O austríaco se aproximava rapidamente de Piquet e fez a ultrapassagem na volta 71, mas a McLaren tem problemas elétricos e Lauda abandona tristemente no final. Apesar da decepção, Lauda sabia que a McLaren tinha um enorme potencial para 1984. Piquet tinha diminuído tanto o ritmo, que acabou ultrapassado por De Cesaris três voltas após a quebra de Lauda e mesmo num ritmo mais lento, o quarto colocado Derek Warwick estava quase uma volta atrás e não representava mais perigo. Tudo o que Piquet necessitava era levar seu carro até o final. E assim o fez!

Patrese recebeu a bandeirada em primeiro, conseguindo sua primeira vitória em 1983, num ano bastante difícil para o italiano. Praticamente toda a equipe Brabham tinha invadido a pista e comemorou muito a vitória de Patrese, mas eles queriam ver o outro carro. Que apontou na última curva em terceiro e Piquet era Campeão do Mundo em 1983. Toda a equipe Brabham comemorou a façanha do seu piloto e F1 tinha certeza de que tinha visto um das melhores temporadas da história. Mesmo com a decepção, Prost declarava que tinha grandes esperanças para 1984 na Renault, mas alguns dias depois ele anunciou que estava abandonando a equipe e se juntava a McLaren para o ano seguinte, no lugar do aposentado John Watson. Muito se falou sobre a saída repentina de Prost da equipe Renault, mas segundos os boatos maldosos da época, Prost estaria tendo um caso com a esposa de Gerard Larrousse, chefe da equipe Renault... Porém, todos queriam ouvir o que tinha dizer o novo Campeão Mundial de F1. Quer dizer, o novo Bicampeão Mundial: "Não posso dizer o quanto estou satisfeito, pois venci esse campeonato por mim. Em 1981 eu disse que tinha vencido pela equipe, pelos mecânicos, mas agora venci por mim e espero vencer outros, pois comecei a correr a pouco tempo e sou muito jovem ainda." Este jovem de 31 anos ainda darias muitas alegrias aos brasileiros ao longo da década de 80.

Chegada:
1) Patrese
2) De Cesaris
3) Piquet
4) Warwick
5) Rosberg
6) Cheever

terça-feira, 14 de outubro de 2008

História: 5 anos do Grande Prêmio do Japão de 2003


Michael Schumacher chegou a Suzuka a ponto de vencer o seu sexto título mundial. Com nove pontos de vantagem sobre Kimi Raikkonen, o piloto da Ferrari não precisava muito para ser campeão, mas este título seria diferente. Ao contrários dos outros título, Schumacher sofre acidentes, brigou pela quarta posição, tomou volta numa corrida normal e... venceu apenas seis corridas! O ano de 2003 tinha sido marcado pela superioridade dos pneus Michelin ante os pneus Bridgestone da Ferrari e isso se refletiu em algumas grandes corridas do alemão, junto a outras apresentações medonhas.
Após sua vitória em Indianápolis, Schumacher nem precisava vencer para ser campeão e assim a Ferrari investiu no carro de Rubens Barrichello, fazendo com que o brasileiro vencesse e assim Schumacher nem suaria para ser campeão. Ledo engano. Naquela época a Classificação era decidida em uma série de voltas lançadas e uma chuva apareceu no final do treino, estragando os treinos dos irmãos Schumacher e de Jarno Trulli, que tinha sido o mais rápido na Pré-Classificação (lembram?). Michael largaria em décimo quarto e ainda via a dupla da McLaren apenas na quarta fila, mas o alemão ainda tinha Rubens Barrichello na pole, pronto para vencer e ajudar seu companheiro de equipe.

Grid:
1) Barrichello (Ferrari) - 1:31.713
2) Montoya (Williams) - 1:32.412
3) Da Matta (Toyota) - 1:32.419
4) Panis (Toyota) - 1:32.862
5) Alonso (Renault) - 1:33.044
6) Webber (Jaguar) - 1:33.106
7) Coulthard (McLaren) - 1:33.137
8) Raikkonen (McLaren) - 1:33.272
9) Button (BAR) - 1:33.474
10) Wilson (Jaguar) - 1:33.558

O dia 12 de outubro de 2003 estava carrancudo em Suzuka, mas a pista estava seca e a previsão não indicava chuva para as próximas horas. Por apenas 0.007s, a primeira fila não seria brasileira, com Cristiano da Matta ficando em terceiro, com seu Toyota bem leve, querendo aparecer em casa. Na volta de apresentação, o motor BMW soltava muita fumaça, mas o colombiano não apenas tomou a primeira posição de Rubinho, como disparava! Rubens permanecia em segundo, sendo perseguido pelo espanhol Fernando Alonso, que tinha deixado ambos Toyota para trás. As duas McLarens largam bem e logo na segunda volta, a equipe ordena para que Raikkonen ultrapasse Coulthard e assumisse a quinta posição. A missão era difícil, mas não impossível...

Lá atrás, tudo o que Schumacher precisava fazer era tentar se manter longe dos problemas e esperar pela primeira parada, donde podia conseguir várias posições no seu modo habitual de ultrapassar. Contudo, o experiente piloto parecia diferente naquele dia. Parecia, após tantos anos, nervoso. Após assumir a décima primeira posição, Schummy passou a atacar a BAR de Takuma Sato, que estreava em 2003 após substituir o demitido Jacques Villeneuve. Sato tinha feito uma corrida estupenda em 2002 na pista em que tinha feito suas primeiras corridas, mas o japonês era mais conhecido por suas trapalhadas. Mesmo sabendo disso, Michael partiu para cima de Sato na chicane como se aquela ultrapassagem decidisse seu título. O resultado foi um toque entre ambos e o bico da Ferrari quebrado. Tendo passado a entrada dos boxes, o alemão teve que se arrastar por uma volta até ter o nariz do seu carro trocado e voltar à pista na última posição. E falando em Schumacher, seu grande rival no kart e na F3 Alemã, Heinz-Harald Frentzen, encerrava sua carreira na F1 com o motor quebrado na nona volta.

Porém, nem tudo eram espinhos para o piloto da Ferrari, pois lá na frente, o motor de Montoya finalmente se entrega e Barrichello assumia a liderança. Depois de chegar a brigar com Schumacher pela liderança do campeonato, o colombiano acabava sua melhor temporada na F1 no lado de fora da pista. Provando o quanto estava leve, Da Matta mal aprecia o terceiro lugar e vai aos boxes reabastacer. Barrichello e Alonso param algumas voltas depois e usando a estratégia usual da McLaren, que era de sempre deixar para fazer sua primeira parada para depois, Kimi Raikkonen assumia a liderança e por apenas uma volta, ele seria campeão com a combinação de resultados. Como nada de extraordinário aconteceu, Kimi parou e entregou a liderança para Barrichello. Logo depois, outro piloto que vinha com pinta para brigar pela vitória abandonou com o motor quebrado: Fernando Alonso.

Como resultado da primeira rodada de paradas, a dupla da McLaren tinha dado um pulo para frente e Coulthard era o segundo colocado, escoltado por Kimi. A corrida permanecia na mesma toada até a segunda parada, quando a McLaren inverteu as posições em favor de Raikkonen e Barrichello seguia impávido na liderança da corrida. Mais atrás, Michael Schumacher seguia com fome de pontos e encostou na Toyota de Cristiano da Matta, que tinha parado três vezes e já tinha caído para sétimo. Mesmo com o título praticamente nas mãos com o oitavo lugar, o alemão resolveu atacar o mineiro da Toyota, tendo logo atrás de si a Williams de Ralf Schumacher, que tinha feito uma boa corrida de recuperação. No mesmo local do acidente com Sato, Michael tentou a mesma manobra em cima de Cristiano. O piloto da Toyota se segurou bem, mas Schumacher Sr. teve que frear forte para não bater, fazendo com que seu irmão tocasse na Ferrari e rodasse, estragando os seus pneus e sua corrida.

Após esse susto, Michael resolveu se aquietar e permanecer em oitavo, marcando um pontinho. Raikkonen era segundo e podia ter se aproveitado de um teórico problema de Schumacher, mas havia Rubens Barrichello para assegurar que o título iria mesmo para a casa de Maranello. Num ano cheio de altos e baixos, Rubens Barrichello conquistava sua terceira vitória no ano e sétima na carreira, garantindo assim o título no Mundial de Construtores para a Ferrari e o Mundial de Pilotos para Michael Schumacher, que cruzou a linha lentamente. No final do ano, foram apenas dois pontos que separaram o alemão de Raikkonen. Rubens fez sua festa no pódio, mas Schumacher faria uma festa de arromba nos boxes! Após tomar todas, Schumacher, seu irmão Ralf e Olivier Panis provocaram uma baderna no hotel, mas o alemão tinha garantido o título mais difícil da sua carreira. Após tanto tempo encarcerado em sua armadura vermelha, Schummy merecia um dia louco!

Chegada:
1) Barrichello
2) Raikkonen
3) Coulthard
4) Button
5) Trulli
6) Sato
7) Da Matta
8) M.Schumacher

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Figura (JAP): Renault

Claro que se não fosse o talento indiscutível de Fernando Alonso, a equipe gaulesa não estaria comemorando sua segunda vitória seguida no Japão, mas não restam dúvidas da grande melhora do desempenho da Renault neste final de campeonato. Se no estreante circuito de Cingapura a Renault já tinha melhorado e dado um bom carro aos seus pilotos, em Fuji a equipe se superou e deu um carro extremamente competitivo ao espanhol, a ponto de derrotar, sem interferências de safety-car ou da chuva, uma BMW e uma Ferrari, algo impensável a cerca de um mês atrás. Alonso teve sua cota com seu talento, mas a Renault trabalhou muito bem em todo final de semana, fez uma ótima estratégia e não errou nos pit-stops, fazendo com que Alonso superasse a BMW de Kubica e rumasse sem problemas a vitória. Provando a boa fase da equipe, Nelsinho Piquet fez sua melhor corrida do ano e poderia ter até conquistado um pódio, mas o quarto lugar, largando em décimo segundo, foi excelente para o jovem brasileiro. Após um início de campeonato claudicante, a Renault cresceu e hoje é a terceira força do campeonato, brigando com a BMW. Com isso, a escolha de Fernando Alonso para 2009 parece cada vez mais clara e com a forma da equipe, o espanhol poderá alçar vôos maiores ano que vem!

Figurão(JAP): Comissários

Na próximo reencarnação, a FIA será uma seita religiosa, onde seus praticantes são pessoas tenentes aos preceitos dessa organização e só fará o que ela manda, juntamente com seus bedeis. Nada de conta físico! Nada de fazer algo "extravagante"! É todo mundo na linha e "ai" de quem sair dela! Em Fuji, os comissários da FIA repetiram o erro de Spa e cometeram barbaridades que podem decidir o belo campeonato deste ano. Se a FIA for punir toda freada mais forte na largada, a F1 terá que ser igual ao Mundial de Rally, onde os pilotos partem um de cada vez e nunca se encontram. E isso poderia evitar punições como a de Massa, quando este tocou em Hamilton quando o brasileiro bateu no inglês de forma até mesmo irresponsável. Ou punir Bourdais, que saía do pit e foi fechado por Massa. Graças a Deus que não há mortes na F1 há mais de 14 anos e isso se deve em grande parte ao grande trabalho da FIA no quesito segurança, mas os comissários não precisam exagerar e punir todo e qualquer toque ou freada forte que ocorrer numa pista. Tirando o incidente provocado por Massa, as outras punições foram ridículas e tiraram, novamente, pontos de Hamilton. O inglês poderia estar onze pontos ou mais à frente do representante da Ferrari, mas devido ao excesso de zelo dos comissários de pista, a disputa está artificialmente apertada e colocaram uma sombra nas decisões dos comissários, que não podem mais ver ultrapassagens ou fumaça saindo dos pneus dos carros para se assanharem para punir alguém!

domingo, 12 de outubro de 2008

A Lei de Salomão


Alguém na FIA deve ter pensado após a segunda volta do Grande Prêmio do Japão. "Se punirmos só o Massa nessa altura do campeonato, vai dar uma confusão danada, pois vão pensar que protegemos o Hamilton. Mas temos que punir Massa! Então temos que inventar alguma coisa e punir o Hamilton também". Esse momento filosófico teórico deve ter tomada conta da Torre de Controle de Fuji neste domingo e isso pode definir o campeonato de 2008. Numa comparação ao Campeonato Brasileiro de 2005, quando o Corinthians foi campeão por manobras extra-campo, Felipe Massa pode ficar marcado por ter vencido o Campeonato desse ano por manobras extra-pista. A sigla FIA é conhecida na Inglaterra como "Ferrari Inconditional Aid" (Ajuda Incondicional a Ferrari) e deverá ser assim que a imprensa britânica baterá na Federação nesta segunda, mas quem vibrará será a imprensa espanhola com a segunda vitória seguida de Fernando Alonso e a demonstração de que a Renault está numa fase aguda e poderá incomodar em 2009, com Alonso cada vez mais forte.

A corrida em Fuji teve seus bons momentos, mas foi decidida na confusa largada. Raikkonen largou melhor e tomou a ponta de Hamilton, mas como a reta é a maior da F1, Hamilton pegou o vácuo e retardou a freada para tomar a ponta, porém o carro escapou e para não bater, Kimi teve que desviar, levando consigo Massa e mais uma penca de pilotos. Isso embaralhou as posições, com Kubica assumindo a liderança, seguido por Alonso, Kovalainen e Raikkonen. Nesse instante, Massa estava logo à frente de Hamilton e a briga prometia ser dura. Era uma disputa mano-a-mano entre os dois rivais pelo título. O carro da McLaren era mais rápido e Lewis não queria perder tempo. O inglês colocou por dentro antes da chicane e fez uma ultrapassagem limpa, mas como retardou a freada, deixou o carro escapar. Então, de forma estranha, Massa colocou duas rodas da sua Ferrari na grama e atingiu a roda traseira de Hamilton, fazendo o inglês rodar. Na minha terra, isso se chama colocar o seu principal rival para fora da pista. Punição na certa! E eis que ela veio pouco depois. Todavia, veio outra punição a Hamilton. Não pela disputa com Massa, mas pelo incidente na largada. Agora, a pergunta. Por que não puniram Massa pela largada no Grande Prêmio da Hungria? Por que não puniram Raikkonen pela disputa com Hamilton no Grande Prêmio da Bélgica, fazendo com que o mesmo Hamilton saísse da pista e fosse punido posteriormente? Por que não punem todos os pilotos que espalham na largada?

É uma coisa difícil de se aceitar! Carreras son carreras. E toda corrida tem seus riscos e uma ultrapassagem é uma manobra de risco. Podem criticar Hamilton pelo excesso de agressividade, o mesmo excesso que o fez perder o título de 2007, mas o inglês tinha que ficar atrás de Kimi na largada? E se ele batesse na traseira do finlandês? Hipótese, hipóteses... Mas o que me deixa mais triste é ver um ótimo campeonato, com várias corridas boas, como a de hoje, sendo estragado por manobras acontecendo não na pista, mas nas frias salas de controle de corrida.

Quem não tem nada com isso é Fernando Alonso. Muitos argumentaram que a vitória do espanhol em Cingapura foi baseado na sorte, mas no Japão não foi assim. Após se livrar com maestria da confusão na largada, Alonso se alojou na segunda colocação, atrás de uma problemática BMW de Robert Kubica e mantendo um finlandês a uma distância segura. Primeiro, Kovalainen, depois Raikkonen. Como fazia nos bons tempos de Renault, Alonso esperou a primeira bateria de paradas para dar o bote e mostrando o quanto a Renault cresceu, o espanhol estava uma volta mais pesado e quando Kubica fez sua parada, Alonso acelerou o quanto pôde para sair à frente do seu amigo polonês e controlar a corrida a seu bel-prazer, conquistando sua segunda vitória consecutiva, mostrando que sua casa é mesmo a Renault. Com esses resultados, a equipe capitaneada por Flavio Briatore demonstra que estará, no mínimo, ao nível da BMW em 2009 e com a genialidade de Alonso, poderá conquistar vitórias. Como que afirmando a boa fase da Renault, Nelsinho Piquet fez uma ótima corrida. Ele se aproveitou dos problemas da largada para dar um pulo na Classificação e com o carro mais pesado, extendeu ao máximo suas duas paradas. O resultado foi a ultrapassagem, nos boxes, em cima de Trulli e disputa interessante pela segunda posição com Kubica e Raikkonen. Um erro não mostrado na TV fez com que Nelsinho se distanciasse da Ferrari de Kimi, mas o quarto posto estava mais do que garantido e, quem sabe, o posto na equipe em 2009.

Kubica, sem sombra de dúvidas, é um dos pilotos mais regulares que já apareceram nos últimos tempos. O polonês da BMW está longe de ter o melhor carro e nesse final de semana, nem o terceiro tinha! Mas com um talento fora do comum, Kubica levou seu carro a patamares não imaginados e liderou com certa folga no início da corrida. Mesmo sem aderência e reclamando muito do carro, Kubica só foi ultrapassado por Alonso nos boxes e segurou Kimi sem grandes sobressaltos, garantindo um excelente segundo lugar numa corrida em que o pódio estava mais do que distante. Com esses resultados, Kubica se aproximou da briga pelo título. A doze pontos da liderança e com Hamilton e Massa se metendo em encrencas em praticamente todas as últimas corridas, o piloto da BMW pôde ser um fator na briga pelo título. Sempre falam que esse campeonato parece muito com o histórico ano de 1986, quando Prost foi um terceiro fator e derrotou Mansell e Piquet. Será Kubica esse terceiro fator? Muita gente estranhou a renovação de contrato de Haidfeld com a BMW e o alemão deu razão aos seus críticos com um final de semana medonho, em que esteve longe dos pontos e do seu companheiro de equipe.

Raikkonen só apareceu mesmo na largada. Ele parecia aceso, mas o chega para lá que levou de Hamilton o fez apagar de novo e o finlandês fez outra prova sem muito brilho, mas ao menos voltou ao pódio e ajudou a Ferrari a reassumir a liderança do Mundial de Construtores. Porém, Kimi não ajudou Massa ao não ultrapassar Kubica no final da prova, quando a Ferrari tinha um carro bem melhor do que a BMW. Raikkonen tentou na reta dos boxes, mas após duas tentativas frustradas, baixou a guarda e resolveu que por ali permaneceria. Demonstração clara de que Kimi vai fazer de tudo pela Ferrari. Nem tanto por Massa... Felipe deve ter tido seu carro afetado após o toque em Hamilton e por isso não demonstrou a agressividade na briga com Sebastien Bourdais. Após sua longa primeira parada, já que sabia que seria punido, Massa passou a andar melhor e era um dos mais rápidos na pista, mas suas duas ultrapassagens sobre inofensivos Heidfeld e Webber foi mais do que obrigação, apesar do australiano ter forçado uma barra até mesmo perigosa em sua defesa de posição. Com a punição a Bourdais, num toque entre o próprio brasileiro e o francês, Massa ganhou mais um pontinho e se aproximou timidamente de Hamilton.

Correndo em casa, a Toyota eserava muito mais do que a quinta colocação de Jarno Trulli. Claramente batida pela Renault como a quarta força da F1, a equipe japonesa ficou logo desfalcada do seu melhor piloto em Fuji, Timo Glock, e Trulli fez o que pôde, mas a quinta posição foi o máximo que podia. Já sua rival Honda foi um vexame grandioso, com seus pilotos só aparecendo quando iam sendo ultrapassados e com Barrichello numa posição em que tem que mostrar serviço, o brasileiro foi mais rápido do que Jenson Button, mas não significou briga por pontos. E falando no mercado para 2009, fico com pena de Bourdais. Toda vez que o francês anda bem melhor do que a sensação Sebastian Vettel, algo acontece com ele. Após liderar algumas voltas, Bourdais se envolveu num incidente com Massa na saída dos boxes e acabou punido após receber a bandeirada em sexto. Com isso, quem assumiu a posição foi Vettel, claramente batido pelo companheiro de equipe, e ainda ajudou outro componente da família Red Bull, pois Webber assumiu a oitava posição e marcou outro pontinho, mesmo com o pneu dianteiro esquerdo em frangalhos. Já David Coulthard só andou alguns metros, pois foi atingido na confusão da primeira curva, quebrou a suspensão e bateu muito forte na barreira de pneus. Isso fez com que o herói local, Kazuki Nakajima, perdesse o bico e garantisse a última posição na corrida. Com um carro ruim, Nico Rosberg nada fez do que levar seu carro ao final da prova.

A McLaren irá querer esquecer esse Grande Prêmio. Não bastasse ver a liderança de Hamilton diminuir, ainda perdeu a ponta do Mundial de Construtores, muito por causa da quebra prematura de Heikki Kovalainen quando o finlandês marcaria bons pontos para a equipe. Hamilton passou a semana dizendo que correria pensando no campeonato e a McLaren passou a semana dizendo que instruiria o inglês a não cometer os erros do ano passado. Pois Hamilton errou na largada. Forçou a Ferrari de Kimi a sair da pista na primeira curva, causando sua injusta punição, e levou um toque maroto de Massa ainda na primeira volta, quando tinha mais carro do que o brasileiro e podia esperar outro momento. Ou seja, Hamilton errou de novo! Será que além de talentoso, Lewis ficará com fama de amarelão? O piloto da McLaren deve ter dado outro apagão nas primeiras duas voltas e isso pode prejudicar decisivamente o seu campeonato, que parecia bem encaminhado após a pole de ontem. Agora só nos resta esperar qual será o comportamente de Hamilton daqui a uma semana em Xangai, quando chegará bastante pressionando pelos fantasmas de 2007. Massa também voltou aos tempos em que era afobado e ao se ver ultrapassado pelo seu principal rival, não pensou duas vezes em tentar dar o troco o mais rápido possível e tirou Hamilton da pista. Punição mais do que merecida, mas a FIA preferiu agir como Salomão e puniu Lewis injustamente. E de novo!

O campeonato permanece apertado e recheado de erros pelos seus protagonistas. Num campeonato em quem errar menos será campeão, Hamilton e Massa já tem vários pontos nas suas respectivas carteiras e isso deu chances a pilotos como Alonso e Kubica brilharem. O final do campeonato será nervoso, como foi a corrida de hoje, mas só espero que o "Race Control" apareça menos vezes daqui para frente.

sábado, 11 de outubro de 2008

Primeiro passo


Se você sete pontos de vantagem no campeonato, será pedir demais largar na pole e ver seu rival apenas em quinto? Para Hamilton, não! O inglês da McLaren conseguiu uma pole num momento crucial do campeonato de 2008 e pode ter dado um importante passo rumo ao título deste ano. Lewis, que não conquistava uma pole fazia muito tempo e não vence desde julho, pode conquistar um resultado importante e pela experiência que já tem, Hamilton dificilmente despediçará uma nova chance!

Por ter sido na madrugada, não assisti aos treinos, então vou emitir minha opinião apenas pelos resultados. Ao contrário do que todos esperavam, os treinos não foram no molhado, mas Hamilton, agora o principal favorito nesse tipo de piso, também se garantiu em um treino no seco. A Ferrari colocou um dos seus pilotos na primeira fila. Mas foi o errado! Voltando a primeira fila apó longo e tenebroso inverno, Raikkonen partirá ao lado de Hamilton nesse domingo, mas para ajudar Massa, ele terá que fazer sua parte, pois o brasileiro ficou num inexplicável quinta posição, atrás da segunda McLaren de Kovalainen e do animado Fernando Alonso. Claro que nem tudo está perdido, mas Felipe terá que fazer uma corrida cabeça para não se afobar largando um pouco mais atrás, posição que não está habituado a largar nesse ano.

Correndo em casa, a Toyota foi muito forte e poderá marcar pontos amanhã, ao contrário da sua rival, a Honda, que definitivamente está no mesmo nível do péssimo ano de 2007, quando sempre largava nas últimas posições. Quem sofre com isso é Barrichello, sem contrato para 2008 e desesperado para não ser aposentado. Pelas últimas declarações, Rubinho parece estar apelando, pois vê que sua situação não é nada boa tanto dentro da Honda, como no cenário atual do mercado de pilotos. Nelsinho Piquet, outro muito ameaçado, fez o que vem fazendo em 2008. Largará em décimo segundo, mas comparado a Fernando Alonso, é uma péssima posição! Provavelmente largará muito pesado e, com alguma sorte, poderá marcar um ou dois pontos. A Toro Rosso, com uma vaga visada pelos brasileiros, segue muito bem e colocou seus dois pilotos na Q3 e pelo que vem demonstrando, Bourdais merece uma vaga na equipe italiana em 2009. Azar de Barrichello, Nelsinho, Bruno Senna...

Para amanhã, correndo em piso seco, a perspectiva é de uma corrida menos movimentada do que ano passado, quando Fuji teve uma corrida marcada por um dilúvio. Se largar bem, Hamilton poderá sair do Japão mais líder do que nunca, enquanto Massa terá que se preocupar em se livrar rápido de Alonso e Kovalainen, algo que não será fácil, se quiser brigar pela vitória com Hamilton. Façam suas apostas, que a roleta pelo título já começou!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

História: 30 anos do Grande Prêmio do Canadá de 1978


A temporada de 1978 chegava ao fim com o gosto amargo da perda de Ronnie Peterson e da grande novidade do momento, os carros com efeito-solo projetados por Colin Chapman, que deram o título para a Lotus e Mario Andretti com enorme facilidade. Todas as demais equipes estudavam formas de se igualar a Chapman e desenhavam seus carros utilizando as idéias do dono da Lotus. Foi nesse clima, ainda tenso por causa do acidente de Peterson, que a F1 chegou ao Canadá, que teria casa nova em 1978. O circuito de Mosport Park era considerado inseguro por muitos, apesar de ser muito apreciado pelos pilotos. Para 1978, um projeto ousado seria feito. Um circuito de rua seria construído na Ile de Notre Dame, que tinha sido feito artificialmente em 1967 e serviu de palco para as competições de remo nas Olímpiadas de 1976 na cidade de Montreal. O novo circuito não era tão travado como Monte Carlo, mas ainda assim era estreito e os pilotos, inicialmente, não ficaram satisfeitos com o traçado.

Jean Pierre Jarier tinha substituído muito bem Peterson na Lotus em Watkins Glen e comprovou sua boa forma ao conquistar a primeira pole do circuito de Montreal, com Jody Schckter, de mudança para a Ferrari, fechando a segunda fila. O parceiro de Scheckter para 1979 ainda estava indefinido e por isso Gilles Villeneuve tinha que mostrar serviço. Andando praticamente em casa, o canadense mostrou sua garra habitual e colocou sua Ferrari em terceiro, bem à frente de Reutemann, que estava de mudança para a Lotus. Emerson Fittipaldi colocava seu Copersucar, nas melhor temporada da equipe brasileira, numa ótima sexta posição, enquanto a Brabham colocava seus dois carros entre os dez primeiros. Porém, um terceiro carro da equipe tinha sido deixado a disposição de um piloto que tinha demonstrado enorme qualidade na F3 Inglesa. Nelson Piquet tinha feito sua estréia na F1 com um McLaren de 1974 e mesmo sem mostrar grandes resultados, conseguiu um contrato com Bernie Ecclestone para 1979 e já estrearia pela equipe no Canadá. Piquet largaria em décimo quarto, duas posições atrás de Riccardo Patrese, de volta após a suspensão de uma corrida por ter sido considerado culpado pelo acidente que provocou a morte de Peterson.

Grid:
1) Jarier (Lotus) - 1:38.015
2) Scheckter (Wolf) - 1:38.026
3) Villeneuve (Ferrari) - 1:38.230
4) Watson (Brabham) - 1:38.417
5) Jones (Williams) - 1:38.861
6) Fittipaldi (Copersucar) - 1:38.930
7) Lauda (Brabham) - 1:39.027
8) Stuck (Shadow) - 1:39.081
9) Andretti (Lotus) - 1:39.236
10) Laffite (Ligier) - 1:39.381

Todos os treinos foram realizados debaixo de muita chuva e frio em Montreal e mesmo assim, a torcida canadense lotou as arquibancadas, torcando loucamente por Villeneuve. Mesmo não tendo chovido no dia 8 de outubro de 1978, o frio permanecia forte no Canadá e as nuvens carregadas. Na largada, Jarier larga melhor e dispara na frente com seu Lotus, enquanto Jones fazia uma largada-relampâgo e pula de quinto para terceiro, subindo para segundo quando Scheckter erra uma curva e o piloto da Williams sobe para segundo na primeira volta! Scheckter, Villeneuve e Watson ficaram logo atrás do australiano, enquanto Andretti, que largava muito mal para os seus altos padrões em 1978, pula para sexto ainda na primeira volta. Isso aconteceu também pela confusão envolvendo Stuck e Fittipaldi na largada, tirando o brasileiro imediatamente da corrida, enquanto Laffite cai para as últimas posições. Essa era uma corrida em que o bicampeão podia se dar bem pelas dificuldades naquele dia frio de outono.

As posições permaneciam as mesmas, com os pilotos bem comportados nesses momentos iniciais da corrida. Tentando um lugar para 1979, Jarier forçava o máximo que podia e aumentava a diferença para Jones, que segurava Scheckter e Villeneuve. Mais atrás, Watson e Andretti brigavam pela quinta posição. O americano tentava chegar mais à frente e atacava o piloto da Brabham de todas as formas. Isso não podia dar muito certo... O sempre agressivo Andretti acabou tocando rodas com Watson na quinta volta e os dois caíram para as últimas posições, promovendo a Tyrrell de Depailler na quinta posição. Jones segurava a segunda posição com toda a garra que lhe era peculiar, mas um furo lento em um dos seus pneus o fez perder a segunda e terceira posições para Scheckter e Villeneuve na volta 18 e 19, respectivamente. Mostrando que o asfalto não estava muito bom, Depailler também foi aos boxes logo depois para trocar os pneus.

Com a torcida a favor, Villeneuve atacou o futuro piloto da Ferrari na volta 24 e se alocava na segunda posição, enquanto Reutemann, que vinha fazendo uma corrida discreta, já assumia a quarta posição, trazendo a reboque Patrese, mostrando que o italiano já tinha colocado sua punição para trás. Mostrando o quanto o carro da Lotus era competitivo em 1978, Jarier, apenas em sua segunda corrida com o carro, já abria 30s para o segundo colocado, Villeneuve, que ainda mantinha Scheckter a um distância confortável. Considerado uma das grandes promessas da metade da década de 70, Jarier tentava conquista sua primeira vitória na carreira e estava bem próximo de conseguir conquistar seu objetivo. Porém...

O Lotus perdia rendimento e a torcida, já feliz em ver Villeneuve em segundo, começou a se agitar e então Jarier foi aos boxes totalmente sem freios. Na vã tentativa de consertar o seu carro, a Lotus se esforçou para mandar seu piloto de volta à pista, mas o sistema de freio estava fatalmente danificado e Villeneuve liderava uma corrida de F1 pela primeira vez na carreira! Ainda faltavam vinte voltas para o fim, mas as posições não mudaram até o fim e Villeneuve conquistava sua primeira vitória na F1 na frente dos seus torcedores, que fizeram uma grande festa apesar do frio que se fazia. Villeneuve conquistava sua primeira vitória logo em sua primeira temporada completa e iniciava a lenda que tomaria o seu nome nos próximos quatro anos. Foi um grande dia para o Canadá, bem diferente de hoje, com o cancelamento do seu Grande Prêmio em 2009 e nenhum grande piloto para torcer...

Chegada:
1) Villeneuve
2) Scheckter
3) Reutemann
4) Patrese
5) Depailler
6) Daly

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Au revoir, Montreal!


De forma supreendente, como ninguém esperando, a FIA anunciou que Montreal está fora da F1 a partir de 2009. O Canadá já ficou muito perto de ficar semsua corrida recentemente, mas o perigo parecia ter passado, mas as cifras cada vez mais altas devem ter interferido decisivamente nisso. Dona de belas corridas, o belo circuito urbano de Montreal deixará saudades, pois, se algo não ocorrer nas próximas semanas, dificilmente voltará ao calendário da F1. Com essa decisão, a F1 só passará pela América em Interlagos e muita gente já vê com receio a etapa brasileira para um futuro próximo, mas vejo algo bem diferente. As montadoras estão loucas para voltar aos Estados Unidos, pois seus mercados dependem da América, apesar da forte crise e do desinteresse dos americanos pela F1. Uma volta do Grande Prêmio dos Estados Unidos em breve pode ser possível, mas isso pode ter causado o sacríficio do tradicional Grande Prêmio caandense. Uma pena!

domingo, 5 de outubro de 2008

O Belo


"As curvas de uma pista são parecidas com as curvas de uma mulher. Porém, nunca devemos confundi-las". Para quem diz uma frase dessa, precisa entender bastante sobre ambos os assuntos e esse foi o caso de François Cevert. Além de ter sido um dos pilotos mais promissores a aparecer no início da década de 70 e ser um dos primeiros pilotos franceses a iniciarem uma era dourada para o automobilismo gaulês, Cevert era um dos homens mais belos do mundo, inclusive tendo casos amorosos com atrizes famosas. Um dos pilotos mais carismáticos a chegar a F1, sua breve passagem pela categoria deixou marcas profundas em todos que o conheceram, particularmente em Jackie Stewart e Ken Tyrrell. Trinta e cinco anos após sua terrível morte, iremos conhecer mais um pouco da carreira desse francês que marcou tanto por sua velocidade, como por sua beleza.

Albert François Cevert Goldenberg nasceu no dia 25 de fevereiro de 1944 em Paris, em meio a Segunda Guerra Mundial e sobre julgo nazista. Seu pai, Charles Goldenberg, tinha nascido na Rússia e tinha fugido do país ainda jovem por causa da Primeira Revolução de Russa de 1905. Judeu, Goldenberg fugiu para a França e se tornou um conceituado joalheiro. Contudo, a invasão nazista em 1940 fez com que Goldenberg escondesse sua ascendência judia e registrou seus filhos, inclusive o recém-nascido François, como Cevert, sobrenome da sua esposa, Huguette. Atuando ao lado da Resistência, Goldenberg voltou a cuidar dos seus negócios após a Guerra e criar seus quatro filhos. Tendo tudo do bom e do melhor, François Cevert estudou em boas escolas e se tornou um ótimo pianista. Ainda adolescente, o jovem Cevert passou a se interessar em corridas, primeiramente de motos e depois com carros, após servir o exército francês.

Já contando com 22 anos idade, François entrou em escolas preparatórias para corridas em Le Mans e Magny-Cours. Sentindo-se preparado para iniciar sua carreira no automobilismo, Cevert se inscreve no concurso Volante Schell, que dava ao seu vencedor uma temporada na F3 Francesa com patrocínio da petroleira. François leva o torneio com facilidade! Todavia, a Shell entrega uma verdadeira cadeira-elétrica para o francês. O chassi da Alpine se mostra um carro muito complicado e François sofre com sua falta de experiência em corridas, mas o jovem piloto compensa essas dificuldade com muita coragem e desenvolve uma técnica de derrapagens controladas. Isso chama a atenção da italiana Tecno, que tinha o melhor chassi de F3 da época, e contrata Cevert como piloto para a temporada seguinte. Com um ano de experiência, contando com o precioso patrocínio da Elf, e tendo a melhor equipe ao seu dispôr, Cevert se torna Campeão Francês de F3 em 1968 com quatro vitórias, derrotando Jean-Pierre Jabouille.

A equipe Tecno fica tão satisfeita com Cevert, que o contrata para o próximo degrau do francês. Apenas em sua terceira temporada no automobilismo, Cevert participaria do prestigiado Campeonato Europeu de F2 pela equipe oficial da fabricante italiana. Numa temporada marcada pelo domínio da Matra de Johnny Servoz-Gavin e Henri Pescarolo, François se destaca e termina o forte campeonato em terceiro, conseguido alguns pódios e uma vitória em Tulln-Langenlebarn, mas na verdade, o piloto da Tecno completou a prova em quinto, mas naquela época, os pilotos de F1 também disputavam algumas etapas do Campeonato de F2, mas não marcavam pontos. E foi justamente em uma corrida com participação de pilotos da F1, Cevert apareceu para o mundo. Numa corrida de F2 em Crystal Palace, Jackie Stewart travou um duelo espetacular com Cevert e ficou abismado com a habilidade do francês, indicando Cevert para o seu chefe, Ken Tyrrell. Inicialmente, François participaria unicamente do Campeonato de F2 e a Tecno não repete o mesmo desempenho do ano anterior e os únicos pontos marcados por Cevert seriam da vitória, novamente, em Tulln-Langenlebarn. Porém, Tyrrell e Stewart não tinham esquecido de Cevert!

Quando Johnny Servoz-Gavin abandonou a F1 ainda na metade de 1970, a Tyrrell precisou trazer um segundo piloto para a sua equipe. Na época, Ken Tyrrell ainda não construía seus próprios carros e utilizava um chassi cliente da March, tendo como patrocínio, a petroleira francesa Elf. Apesar de não estar fazendo uma boa temporada na F2, Cevert é chamado para ser segundo piloto da Tyrrell e faria sua estréia no trágico Grande Prêmio da Holanda, marcado pela morte de Piers Courage. Logo de cara, Cevert mostra seu enorme talento e anda, sempre que possível, próximo do campeão Jackie Stewart. Em outro Grande Prêmio trágico, o da Itália, marcado pela morte de Jochen Rindt, François conquistou seu primeiro ponto com um sexto lugar, após ter batido na trave em outras duas ocasiões, ao terminar em sétimo na Inglaterra e na Alemanha. Em 1971, a Tyrrell finalmente construiria um carro próprio, projetado por Derek Gardner. Muito mais alto do Stewart, Cevert simplesmente não cabia no Tyrrell 001 e por isso Gardner teve que projetar o modelo 002 exclusivamente para Cevert.

Além de ser segundo piloto de Stewart, Cevert aproveitou toda a experiência do seu companheiro de equipe e sempre era visto conversando com o escocês, tentando extrair o máximo de informação possível do campeão. Essa ligação formou uma enorme amizade entre os dois companheiros de equipe e Stewart não seria o único amigo do francês. Além da pinta de galã, François também era uma pessoa afável e extrovertido, fazendo com que todos na F1 o admirasse e ficasse amigo dele. O carro da Tyrrell provou ser um dos melhores do pelotão e juntamente com os pneus Goodyear, Stewart dominou a temporada 1971 com extrema facilidade, conquistando quase o dobro de pontos do vice, o sueco Ronnie Peterson. Mesmo terminando apenas cinco corridas em 1971, Cevert terminou a temporada em terceiro lugar. O francês não se importava em exercer a posição de segundo piloto e em duas oportunidades (França e Alemanha) chegou logo atrás do vencedor Stewart. Porém, na corrida final em Watkins Glen, Cevert se sobressaiu e conseguiu o que seria sua única vitória na F1. Ele se tornou o segundo francês a vencer na F1. Cevert também fez parte da famosa chegada do Grande Prêmio da Itália, terminando em terceiro 0.09s atrás do vencedor Peter Gethin.

Na F2, Cevert iniciou o seu último campeonato de forma avassaladora, conquistando duas vitórias (Hockenheim e Nürburgring) e um terceiro lugar, mas perdeu o foco da categoria e perdeu o título de 1971 para o seu amigo Ronnie Peterson. Para 1972, a expectativa era muito boa, mas essa temporada foi dominada pela Lotus de Emerson Fittipaldi e o novo carro da Tyrrel demorou muito a aparecer, só chegando às mãos de Cevert na metade do ano. No final da temporada, a Tyrrell mostra força com o novo carro e consegue uma dobradinha em Watkins Glen, com Stewart em primeiro e Cevert em segundo. Ainda em 1972, Cevert fez sua estréia no Mundial de Esporte-Protótipos e participou das 24 Horas de Le Mans ao lado do neo-zelandês Howden Ganley pela equipe Matra. O francês também participou do famoso Campeonato da Can-Am, terminando o campeonato em quarto lugar pela equipe McLaren, com uma vitórias e quatro pódios. Mesmo terminando apenas seis Grandes Prêmios, Cevert termina o campeonato de F1 em sexto lugar, com outro segundo lugar na Bélgica.

A boa fase da Tyrrell no final de 1972 se confirma com um ótimo início de 1973, com a equipe brigando fortemente com a Lotus de Emerson Fittipaldi e Ronnie Peterson. Ainda esperando sua vez, Cevert faz novamente seu papel de segundo piloto de Stewart e aprende cada vez mais com o escocês. Andando cada vez mais rápido, Cevert consegue seis segundos lugares, sendo que em três oportunidades, chegando logo atrás de Stewart. Quando Jackie conquista seu terceiro título mundial, as informações de que aposentaria eram fortes e Cevert seria o seu substituto natural e altura dentro da equipe Tyrrell para 1974. No Canadá, penúltima etapa de 1973, François tinha tudo para vencer pela segunda vez na carreira, mas acabou sofrendo um acidente provocado por Jody Scheckter. Furioso, Cevert partiu para cima do sul-africano e teve que ser contido para não protagonizar cenas de pugilato! A próxima corrida seria em Watkins Glen, local da única vitória de Cevert e por isso o francês estava extremamente confiante para essa prova. No intervalo entre as duas corridas norte-americanas, os casais Stewart e Peterson, juntamente com François Cevert, foram descansar nas Bermudas. Stewart brincava com Cevert, dizendo que os boatos da sua aposentadoria eram plantadas por Cevert e que só assim, o francês poderia ser Campeão Mundial. Cevert dizia que venceria o Mundial em 1974 com ou sem Stewart e que a sua nova fase se iniciaria em Watkins Glen.

Na sexta-feira, a Tyrrell mostra força e Cevert vai confiante para o segundo treino de Classificação, no dia 6 de outubro de 1973. Cevert sai dos boxes lentamente, estudando a pista e dois minutos depois, passa pela reta principal a toda velocidade, acenando para o box da Tyrrell. Então, quando se aproximou do complexo dos esses, Cevert perdeu o controle do seu carro, subiu por uma zebra e espatifou seu Tyrrell no guard-rail a 250 km/h. O impacto foi tão forte que o carro foi jogado para o outro lado da pista, se arrastando pelo guard-rail com o carro com as rodas para cima, esquartejando o corpo de Cevert. O francês de 29 anos morreu na hora. Os pilotos, quase todos muito amigos de Cevert, pararam os seus carros para tentar ajudar, mas quando viam o que tinha acabado de acontecer, se desesperavam. O brasileiro José Carlos Pace, que estava fazendo 29 anos naquele dia, sentou no chão e começou a chorar. Os médicos nem deram o trabalho de mexerem no seu equipamento e apenas tiraram o que restou do corpo do francês, que, inclusive, foi decapitado. Jackie Stewart foi um dos que presenciaram a cena e precisou ser medicado quando chegou aos boxes, juntamente com a sua esposa Helen. Então, Ken Tyrrell se dirigiu aos boxes da BRM. Ainda dentro do seu carro, Jean-Pierre Beltoise estava paralisado. Ele era casado com Jacqueline, irmã mais nova de François e teve que dar a trágica notícia para a família Cevert.

A Tyrrell se retirou do Grande Prêmio dos Estados Unidos e Stewart não pôde completar seu centésimo Grande Prêmio, resolvendo anunciar a sua decisão de que estava definitivamente fora da F1. A F1 perdia um piloto brilhante e extremamente carismático. François Cevert participou de 46 Grandes Prêmios, conseguiu uma vitória, duas melhores voltas, treze pódios e 89 pontos. Seu último ano na F1 foi o seu melhor, repetindo o terceiro lugar de 1971, e poucos duvidavam de que Cevert seria um dos grandes pilotos da metade dos anos 70, inclusive sendo campeão em 1974. Até hoje, nunca se soube ao certo o que causou a perda repentina do controle do carro de Cevert. Há uma teoria em que o francês teria passado mal pelas fortes ondulações que antecediam o local do acidente e, inclusive, ele teria vomitado no capacete antes da batida. Outra teoria foi que ele pegou uma irregularidade na pista, fazendo com que pegasse uma zebra alta (que só foi consertada em 2005, quando a IRL chegou a Watkins Glen...) e decolasse rumo ao guard-rail. Outra cena conhecida, gravada um pouco antes do acidente, mostrava Stewart dentro do carro conversando com Cevert, que estava praticamente deitado ao seu lado, conversando justamente sobre o complexo dos esses. Jackie indicava que o francês deveria entrar naquelas curvas com uma marcha mais alta, pois o carro estava muito nervoso na ocasião.

Porém, o maior dos mistérios envolvendo a morte de François Cevert estava fora das pistas. Tudo começou quinze anos antes. Anne Van Malderen, mais conhecida como Nanou, tinha 20 anos em 1959 e tinha acabado de se casar. Sua mãe chamou Nanou para a acompanhar em uma "consulta" a uma vidente. Nanou não acreditava nessas coisas do outro mundo, mas foi assim mesmo. A consulta era bem simples. A vidente olhava para a pessoa ou para uma foto por um longo tempo e depois dizia o que aconteceria num futuro próximo. Apesar de estar apenas acompanhando a mãe, Nanou foi surpreendida pela senhora, que pediu que a acompanhasse. Ela olhou nos belos olhos de Nanou e disse: "Seu casamento não vai durar, você vai encontrar um jovem que vai deixar marcas profundas em sua vida...você vai ser profundamente feliz...posso ver os olhos azuis dele...posso ver o mar...vocês vão se encontrar perto do mar". Não deu outra! Nanou se separou pouco depois e em 1964 se encantou com os olhos azuis de François Cevert na praia de Saint-Tropez. Dois anos depois, François Cevert tentava iniciar sua carreira no automobilismo e a chance para isso era vencer o torneio Volante Shell. Vendo a ânsia do amado e sabendo da importância desse torneio para Cevert, Nanou resolveu ir a vidente de sete anos antes.

Desta vez, Nanou apenas entregou uma foto de François num carro de corridas. A senhora se concentrou e disse: "Você já veio aqui antes! Você o encontrou! Que estranho, a foto dele está toda embaralhada com essa máquina estranha - tem rodas, mas não corpo - o que poderia ser?" Nanou respondeu dizendo que era um carro de corridas e que seu amado queria ser piloto de corridas. "Ele vai fazer algum tipo de teste, ele vai vencer facilmente. Vejo uma brilhante carreira à sua frente..." Depois, veio o baque. "Você vai ser muito feliz, mas não vai conseguir segurá-lo, o sucesso dele ficará entre vocês dois". Outro silêncio, e ela continua "Preciso lhe dizer outra coisa...Este jovem não viverá para completar seu aniversário de 30 anos". Nanou não sabia o que fazer, mas foi falar com Cevert. Ela falou-lhe que venceria o Volante Shell, mas que o sucesso faria com que eles se separassem. Cevert não acreditou na história e foi falar pessoalmente com a vidente. Que lhe contou a mesma história. Os dois resolveram deixar a história para lá, mas após conquistar o Volante Shell, Cevert ficou cada dia mais distante de Nanou e os dois acabariam se separando meses depois. François Cevert morreu com 29 anos e 224 dias e o Grande Prêmio dos Estados Unidos era a última corrida antes dele completar 30 anos. Alguns anos depois da morte de Cevert, com consentimento da família do piloto, Nanou voltou a casa da vidente, que a essa altura já era uma senhora de idade bem avançada. Para não entregar o jogo, Nanou levou uma foto de quando Cevert era apenas uma criança e não disse nada. A senhora olhou para a foto e ficou um bom tempo de olhos fechados. Então, ela abriu os olhos, olhou para Nanou e disse: "Ele está morto!"

sábado, 4 de outubro de 2008

Páginas policiais


Primeiro, os fatos. Hélio Castroneves foi acusado de sete crimes federais, inclusive por sonegação de impostos, podendo o colocar na cadeia pelos sete anos em que ficou em dívida com o disco, ou seja, o piloto brasileiro poderia ficar 35 anos atrás das grades. Nesta sexta-feita, Helinho se apresentou a Corte Federal de Miami jurando inocência e, algemado, pagou a milionária fiança de 10 milhões de dólares, foras os dois milhões que teve que pagar para a sua irmão Katiucia, acusada dos mesmos crimes. Porém, Castroneves teve o seu passaporte apreendido e ficará impossibilitado de sair dos Estados Unidos por 90 dias.

Agora, a opinião. Claro que torcemos pela inocência de Hélio Castroneves, mas a justiça americana não prenderia uma pessoa pública à toa, e alguma coisa ainda pode rolar contra o paulista em toda esta celeuma. Nos resta agora, esperar.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Flying Finn


Antes do "sueco" Keke Rosberg, o esporte a motor finlandês se resumia a Jarno Saarinen e as variadas lendas do Mundial de Rally, como Vatanen, Kankkunen e etc. Quando Rosberg foi campeão de F1 em 1982, os nórdicos passaram a prestar atenção também em corridas no asfalto e foi nesse cenário que Mika Häkkinen cresceu. Desde muito cedo, Hakkinen se mostrou um verdadeiro talento e isso foi confirmado nas categorias de base, fazendo com que Mika chegasse a F1 com toda a pompa e circunstância, mas um grave acidente quase pôs fim a sua carreira. Porém, Hakkinen tirou forças dessas adversidades para se tornar, sempre à bordo da McLaren, o maior rival de Michael Schumacher no final do século passado. Dez anos após o seu primeiro título com os prateados, Hakkinen vive uma aposentadoria feliz e completando quarenta anos essa semana, iremos conhecer um pouco mais de sua carreira na F1.

Mika Pauli Häkkinen nasceu em 28 de setembro de 1968 na cidade de Vantaa, próximo a Helsinque. Filho de um taxista e uma secretária, o pequeno Mika logo cedo se interessou pelas corridas e com apenas cinco anos já "brincava" de kart numa pista próximo a sua casa. Em sua primeira corrida, Hakkinen sofreu um acidente, mas ele já tinha decidido que seria um piloto e convenceu o seu pai a comprar o micro-carro de corrida. O interessante foi a procedência do veículo, pois o mesmo tinha sido utilizado por Henri Toivonen, que não seguiu a carreira nos monopostos e se tornou mais uma lenda do Rally mundial. Hakkinen obtém enorme sucesso no kart finlandês, conquistando cinco títulos, tocando rodas com J.J. Lehto e com seu xará, Mika Salo. Após todo o seu sucesso no kart, Mika tinha que tomar uma decisão importante na sua carreira no início de 1987. Ele tinha propostas para se mudar para o Rally, mas ele preferiu os monopostos, comprando um F-Ford 1600 que tinha percebido anteriormente a J.J. Lehto.

O início de carreira de Hakkinen nos monopostos é avassalador e ele conquista dois títulos de F-Ford, o Campeonato Sueco e Finlandês. No final deste ano ele é convidado pela Marlboro para participar de um mini-torneio em Donington Park e que teria no júri, entre outros, Ron Dennis e o ex-Campeão Mundial James Hunt. A essa altura, Keke Rosberg já ajudava Hakkinen a conseguir patrocínios e abria as portas ao seu pupilo na longa estrada do automobilismo. Mika não venceria esse torneio, que é vencido por um velho conhecido do finlandês: Eddie Irvine. Graças aos contatos de Rosberg, Hakkinen consegue o forte patrocínio da Marlboro e sobe para a F-Opel em 1988. Ao lado do escocês Allan McNish, Hakkinen disputaria o Campeonato Inglês e Europeu pela equipe Dragon. O campeonato era extremamente disputado e tinha carros iguais, para garantir uma igualdade entre os competidores. Mika perde o campeonato inglês para McNish, mas fatura o título europeu, derrotando o dinamarquês Henrik Larsen por apenas um ponto. No total, Mika disputa vinte corridas, onde consegue sete vitórias e seis poles, garantindo-se como um dos pilotos promissores no final dos anos 80.

Apesar de alguns convites para correr na F3000, Hakkinen prefere permanecer na equipe Dragon e disputar o fortíssimo Campeonato Inglês de F3. Esse seria um ano de aprendizado para Mika, mas ele ainda consegue bons resultados, terminando o ano com duas poles e na sétima colocação do campeonato. Graças ao seu talento e a grana da Marlboro, Hakkinen se muda para a melhor equipe da época, a West Surrey, e ainda em 1989 vence o Superprix de F3. Hakkinen era o principal favorito ao título em 1990, mas teria que enfrentar o seu velho rival do kart, Mika Salo. Os dois finlandeses monopolizaram o campeonato, mas Hakkinen acaba vencendo o campeonato naquele ano numa das temporadas mais disputadas da história do certame inglês de F3. Ainda em 1990, Hakkinen participa com sucesso de corridas isoladas do Campeonato Italiano e Alemão de F3, mostrando que era mesmo um dos pilotos mais promissores da época. Em sua passagem pela Alemanha, Mika conhece e derrota um alemão de queixo comprido e muito rápido, chamado Michael Schumacher. Esse seria o primeiro encontro deles no ano. No final da temporada, as equipes de F3 foram para Macau disputar a famosa corrida de rua e Hakkinen era o favorito natural. O finlandês teve como maior opositor o próprio Michael Schumacher e na penúltima volta da segunda bateria, que decidia o torneio, Hakkinen errou o cálculo de uma manobra de ultrapassagem e acabou acertando a traseiro do alemão. Mika acabou batendo forte no muro, enquanto Schumacher, sem a asa traseira, venceu a corrida. Há quem diga que Schummy tirou o pé de propósito para que Hakkinen enchecesse sua traseira. Pela fama que o alemão pegaria mais tarde...

Mesmo com essa derrota, Hakkinen chegaria a F1 na frente do seu rival alemão. A Lotus já via com binóculos seus dias de glória e no início da década de 90 era apenas uma caricatura da grande equipe que tinha sido. Precisando de dinheiro e de talento, a Lotus contrata Hakkinen e o finlandês estrearia na F1 com estilo. A sua estréia foi em Phoenix e Mika abandonou a corrida já próximo ao final, com o motor pegando fogo. O carro da Lotus era praticamente o mesmo do ano anterior e por causa disso, Hakkinen pouco podia fazer para levar o seu carro mais à frente. Era preciso uma corrida diferente para que Mika se destacasse. E ela aconteceu mais rápido do que o esperado. A terceira etapa do Mundial de 1991 seria realizado em Ímola e largando na última fila, Hakkinen tinha poucas esperanças de se sobressair, mas uma chuva forte um pouco antes da largada pegou a todos se surpresa, principalmente Alain Prost, que rodou na volta de apresentação. Andando com extremo cuidado, Hakkinen fez uma corrida de muita cautela e paciência para terminar a prova numa ótima quinta posição, marcando seus primeiros pontos na carreira. O carro era tão ruim, que Mika terminou três (!) voltas atrás do vencedor Ayrton Senna e esses seriam os seus únicos pontos do finlandês em seu ano de estréia.

Apesar de todas as dificuldades, Hakkinen permaneceu mais um ano na Lotus e provando que "camisa ganha jogo", a tradicional equipe construiu um bom carro e Hakkinen teria ao seu lado o inglês Johnny Herbert. Mika consegue bons resultados, marcando pontos de forma regular e termina o campeonato num surpreendente oitavo lugar, com dois quarto lugares (França e Hungria) como melhor resultado. Esses resultados chamaram a atenção das grandes equipes, principalmente da McLaren, que sofria uma forte reestruturação. A Honda tinha abandonado a equipe no final de 1992 e Ron Dennis tinha os fracos motores Ford a disposição. Senna estava louco para ir para a Williams e colocou enormes obstáculos para renovar com a equipe que tinha lhe dado todos os seus três títulos mundiais. Tentando reverter a situação, a McLaren trouxe a estrela da F-Indy, Michael Andretti, e contrata Hakkinen como terceiro piloto, já que Senna podia acordar não correr. Apesar de não ter feito parte da equipe ao longo do ano, Mika aprendeu muito em 1993, pois Andretti fez a besteira de ainda morar nos Estados Unidos e Hakkinen fazia todos os treinos para a equipe. O finlandês ainda teria a companhia de Senna na equipe. Andretti fazia uma temporada pífia e abandonou a F1 após o Grande Prêmio da Itália. Tudo o que Hakkinen tinha corrido naquele ano foi uma prova da Porsche Supercup em Mônaco, com vitória do finlandês, mas com a saída do americano, Hakkinen estrearia pela McLaren no Grande Prêmio de Portugal de 1993. Era o início de uma longa parceria.


Demonstrando um enorme conhecimento do carro, Mika surpreende ao superar Senna na Classificação para a corrida portuguesa e fazia uma bela prova até sofrer um acidente. Porém, Hakkinen se recuperaria em grande estilo na corrida seguinte, ao conquistar o seu primeiro pódio na F1 com um terceiro lugar no Grande Prêmio do Japão. Graças a esses resultados, Hakkinen garantia o seu lugar na McLaren em 1994. No entanto, a saída de Senna trouxe uma enorme desinstabilidade na equipe e a chegada da Peugeot mais atrapalhou do que ajudou. O motor francês fazia sua estréia na F1, mas ainda sofria bastante com a confiabilidade, mas Hakkinen ainda mostrava o seu talento, conquistando um terceiro lugar no nefasto Grande Prêmio de San Marino de 1994, que marcou a morte de Senna. Graças a sua impetuosidade, Hakkinen ainda sofria bastante acidentes e quando o finlandês provocou o acidente na largada para o Grande Prêmio da Alemanha, Mika foi suspenso pela FIA por uma corrida. Apesar de todos os problemas, Hakkinen fez uma ótima temporada de estréia na McLaren, conquistando vários pódios e terminando o ano na quarta colocação, com seis pódios.

Após um ano com a Peugeot, a McLaren foi seduzida pelos dólares da Mercedes-Benz e se aliou com a gigante alemã, iniciando uma parceria duradoura, que resiste até hoje. Contudo, como toda mudança, a equipe teria que se adaptar ao novo motor e Hakkinen sofreu com mais um ano de adaptação. No início do ano, Mika teria como companheiro de equipe Nigel Mansell, mas o inglês abandonou a equipe antes da metade do ano e Hakkinen teve como companheiro de equipe Mark Blundell. O finlandês sofreu várias quebras ao longo do ano, mas ainda conquistou dois pódios, inclusive no Japão, penúltima etapa do ano. Mika foi confiante para os treinos para o Grande Prêmio da Austrália, que seria realizado pela última vez em Adelaide. Nos treinos de sexta, Hakkinen tocou de leve num muro de concreto, mas o problema se manifestaria mais tarde. Poucas curvas depois, Hakkinen passa reto e bate no muro com violência. Mika bate a frente do seu capacete no volante, esmagando ossos da sua face e quase decepando sua língua. Hakkinen não respirava e uma traqueostomia foi realizada às pressas, salvando a vida do finlandês. Mika ficou alguns dias em coma e com algumas seqüelas, mas ele estava pronto para a temporada de 1996.

Tentando crescer frente as rivais, a McLaren trouxe o promissor David Coulthard como companheiro de equipe de Hakkinen, iniciando outra parceira de longa data na F1. Na época, o escocês ainda recebia a alcunha de voador e todos diziam que ele derrotaria o convalescente Hakkinen até mesmo com facilidade. Provando que não era bem assim, Mika marca pontos nas duas primeiras corridas da temporada, mostrando que estava completamente recuperado, mas uma série de quebras pôs todo o campeonato a perder. Coulthard se destacava mais na equipe e estava na frente do campeonato. Para piorar, Heinz-Harald Frentzen era o sonho de consumo de todas as equipes grandes e como era alemão e já correu pela montadora, a Mercedes ficou bastante interessada, mas Dennis se sobressaiu. Com o acidente no final de 1995, Dennis começou a ter uma forte ligação com Hakkinen e mantém o finlandês na equipe. No final do ano, Hakkinen sobe de desempenho e conquista mais alguns pódios e finaliza uma longa parceria de sucesso com um terceiro lugar. Após anos correndo sobre as asas da Marlboro, McLaren e Hakkinen não correriam mais com os famosos carros vermelho e branco.

Aos poucos, a McLaren encostava nas grandes equipes da época, Williams e Ferrari, e em 1997, começa a andar novamente no pelotão da frente. Logo na primeira corrida, estreando o prateado da equipe e do patrocinador West, a McLaren consegue sua primeira vitória desde a saída de Senna na Austrália, mas a honra coube a David Coulthard. Hakkinen chega em terceiro e um tabu já começava a incomodar. Mika já tinha quinze pódios e nenhuma vitória e já se tornava o piloto com o maior número de GPs a não subir ao lugar mais alto do pódio. E não faltaria oportunidades no ano. Num campeonato equilibrado, McLaren dividiu vitórias com Williams, Ferrari e Benetton e Hakkinen ficou às portas da vitória várias vezes. Em Silverstone, aproveitando uma estratégia difrente de boxes, Mika liderava no final da prova, pressionado pela Williams de Jacques Villeneuve. Quando o canadense já tinha desistido de lutar pela vitória, o motor Mercedes explodiu no final da prova. Na volta da Áustria a F1, Hakkinen conquistou a pole com autoridade e abandonou quando liderava na... primeira volta! Porém, a mais cruel foi em Nürburgring. Bem no dia do seu vigésimo nono aniversário, Hakkinen largaria pela primeira vez na pole e com os problemas de Ferrari e Williams, o piloto da McLaren liderava com autoridade e tinha tudo para vencer. E com dobradinha! Então, Coulthard apareceu com o motor Mercedes fumando, bem à frente do box da McLaren. Quando a imagem da TV mostrava Norbert Haug, chefe de competições da Mercedes, que corria em casa, o motor de Hakkinen explodiu no mesmo lugar, uma volta depois. Todos ficaram com pena do finlandês, mas a primeira vitória não demoraria a acontecer. E seria bastante polêmica. Em meio a disputa pelo campeonato entre Schumacher e Villeneuve, um acordo era traçado entre Williams e McLaren. Se os pilotos de Dennis ajudassem a atrapalhar Schumacher, a Williams pediria a um dos seus pilotos que cedesse a primeira posição a um piloto da McLaren. Após o famoso "acidente" entre Schumacher e Villeneuve, o canadense liderava à frente de Coulthard e Hakkinen. Enquanto as McLarens se aproximavam da Williams para cumprir o prometido, Dennis entrou no rádio pedindo a Coulthard que deixasse Hakkinen passar. O escocês tentou não argumentar, mas após ser ameaçado de demissão, Coulthard entregou a posição e a vitória para Hakkinen, que comemorou, muito timidamente, sua primeira vitória. E seria a primeira de muitas!

Com a chegada do multi-campeão Adrian Newey da Williams, a McLaren prometia um grande salto de qualidade. As regras tinham mudado radicalmente os carros eram praticamente novos para 1998. Usando sua magia, Newey construiu um carro excelente e a McLaren mostrou uma força incomum na primeira corrida da temporada. Andando 1,5s mais rápido do que qualquer um, a McLaren dominou a corrida e estabeleceu quem seria o vencedor. Hakkinen tinha conseguido uma pole muito apertada, mas se atrapalhou ao entrar nos boxes para uma parada fantasma e perdeu a liderança para Coulthard. Mais uma vez, Dennis entrou no rádio e lembrou a Coulthard do acordo feito antes da corrida, em que o primeiro a passar pela primeira curva seria o vencedor. Assim como tinha acontecido em Jerez, Coulthard deixou Hakkinen passar e vencer. Era a segunda vitória seguida. A segunda com a benção da McLaren. A primeira vitória de "verdade" seria no Brasil, onde Hakkinen não deu chances ao azar. O domínio da McLaren era tão grande, que, conta a lenda, Dennis teria feito uma aposta que venceria o campeonato sem perder uma única corrida, fato quem nem Senna/Prost fizeram em 1988. Porém, o imponderável chamado Michael Schumacher começou a aparecer e o que era para ser um campeonato tranqüilo decidido dentro do seio da McLaren, se tornou uma temporada acirrada. Com cinco vitórias nas primeiras oito corridas, Hakkinen se sobrepõem em cima de Coulthard e seria ele o piloto a lutar contra Schumacher. O alemão se aproveitava de todas as brechas possíveis e sempre que podia, vencia uma corrida num erro da McLaren ou de Hakkinen, que tinha o melhor carro disparado. Após ter problemas nos freios em Monza, Hakkinen estava empatado na liderança com Schummy. O alemão estava em vantagem psicológica com relação a Hakkinen e faria a penúltima etapa do ano em Nürburgring, casa de Schumacher. Numa corrida nervosa e tensa, Hakkinen superou seu antigo rival na primeira bateria de pit-stop e chegou a última etapa, em Suzuka, com vantagem. Todos temiam uma repetição da decisão do ano anterior, mas a Ferrari pôs tudo a perder quando não preparou corretamente o carro de Schumacher para a segunda largada (a primeira fora cancelada) e o alemão largaria em último. Hakkinen dominou a prova, enquanto Schumacher vinha que nem um foguete lá de trás. Quando já aparecia em terceiro, o pneu traseiro da Ferrari estourou e Hakkinen pôde comemorar, antes de levantar a taça de vencedor daquele GP, o primeiro Campeonato Mundial de F1.

Era a confirmação do talento de Hakkinen, mas todos sabiam que a Ferrari, após três temporadas com Schumacher, viria extremamente forte para 1999. Mais uma vez Newey projeta o melhor carro do pelotão, mas a McLaren se perde em um mar de inconfiabilidade e Hakkinen sofre para manter sua liderança. No Grande Prêmio de San Marino, o finlandês errou bestamente no início da corrida quando liderava com folga. Numa briga forte com Schumacher, Hakkinen parecia que garantiria a taça facilmente no Grande Prêmio da Inglaterra, quando Michael sofreu o acidente que lhe quebrou a perna e o tirou da disputa pelo título. Na mesma prova, Hakkinen abandonou e Irvine, segundo piloto destacado da Ferrari, empatava com Schumacher no campeonato. Mesmo tendo agora toda a equipe a sua disposição, poucos podiam imaginar Irvine lutando pelo título com Hakkinen. Porém, Mika é tirado da pista por Coulthard na Áustria logo na primeira volta e sofre um acidente na Alemanha e Irvine aproveita para conseguir duas vitórias consecutivas. O piloto da Ferrari liderava surpreendentemente o campeonato e Hakkinen precisava reagir logo. Após uma vitória dominante na Hungria, Mika estava extremamente forte no Grande Prêmio da Itália. Enquanto liderava com folga, Irvine brigava pela sexta posição. Então, como tinha acontecido na outra corrida da bota, Hakkinen erra bizonhamente enquanto estava numa tranqüila primeira posição. Normalmente frio, Mika explode e saí do carro extremamente irritado, jogando suas luvas no chão com raiva. Se em Ímola Hakkinen bateu em frente aos boxes, em Monza ele se acidentou no outro lado dos boxes, num bosque. De forma comovente, Hakkinen se ajoelhou e começou a chorar, sendo flagrado pelas câmeras de todo o mundo. Isso parecia um momento de fraqueza, mas era apenas o sinal do quanto Hakkinen queria vencer aquele campeonato. Na penúltima etapa do ano, Hakkinen vê a volta de Schumacher à F1 como escudeiro de Irvine e no novo Grande Prêmio da Malásia, Mika é humilhado pelo alemão, que detinha seu ritmo para ajudar o irlandês a vencer. A Ferrari chegou a ser desclassificada após a prova, mas a punição foi cancelada e o campeonato, mais uma vez, seria decidido em Suzuka, na última etapa do ano. Se quisesse conquistar o bicampeonato, Hakkinen teria que vencer de qualquer maneira. Porém, Schumacher apronta das suas e conquista a pole, deixando no ar que o título iria para a Ferrari. Então, com um garra incomum, Hakkinen tomou a ponta do alemão na largada e partiu rumo ao único resultado que lhe interessava. Enquanto Irvine era um obscuro terceiro colocado, Schumacher fazia de tudo para se aproximar de Hakkinen, mas quando o alemão foi atrapalhado por Coulthard, o ferrarista baixou a guarda e Mika era bicamepão Mundial de F1!

Mesmo com o reconhecido talento de Schumacher, a temporada 2000 seria uma espécia de tira-teima com Hakkinen. Ambos tinham dois títulos mundiais e corriam pelas duas melhores equipes da época. Schumacher estava com fome de título e conquista três vitórias nas três primeiras corridas, enquanto Hakkinen fazia uma corrida discreta. Muitos especulavam sobre a fase do finlandês, inclusive dizendo que o nórdico estava exagerando nas biritas! Contudo, Hakkinen chega a sua pista favorita, Barcelona, e volta a vencer, mas àquele altura, quem brigava mais seriamente com Schumacher era Coulthard. Parecia que Mika seria derrotado dentro da equipe, enquanto o escocês não apenas brigava com o alemão nas pistas, como também em polêmicas discurssões fora das pistas. Enquanto isso, Mika marcava pontos constantemente e consegue duas vitórias em três provas no meio do ano, enquanto Schumacher ficou várias provas sem marcar pontos. O resultado disso era que Hakkinen tinha superado, mais uma vez, Coulthard e se aproximava de Schumacher no campeonato. Quando a F1 aportou em Spa, Hakkinen estava em uma ótima fase e liderava a chuvosa corrida quando rodou sozinho. Schumacher assumiu a liderança. À medida em que a pista secava, Hakkinen foi se aproximando do seu rival e encostou no alemão no final da prova. Mika estava muito rápido na rápido reta Kemmel, mas Schumacher estava querendo aquela vitória de qualquer jeito e fechou perigosamente o piloto da McLaren. Hakkinen também estava disposto a correr riscos para conseguir a vitória e extender a liderança do Mundial. Então, Schumacher e Hakkinen se aproximam do retardatário Ricardo Zonta na reta Kemmel. O brasileiro da BAR deixa espaço para o alemão passar pela esquerda, mas Hakkinen acha uma brecha milimétrica pela esquerda, ultrapassa Zonta e fica por dentro do alemão na freada. Foi a ultrapassagem mais bonita de Hakkinen e uma das cenas inesquecíveis da F1 nos últimos dez anos.

No entanto, Schumacher ressurge e vence em Monza. Hakkinen permanecia forte, mas um motor quebrado em Indianápolis praticamente garantiu o terceiro título de Schumacher, que venceu mais três vezes. Mesmo sendo apenas um ano mais velho do que Schumacher, muitas pessoas especulavam sobre a aposentadoria de Mika. O finlandês tinha acabado de virar papai e ele mesmo admitiu que se conquistasse o terceiro título seguido, abandonaria a F1 no final do ano 2000. Não restavam dúvidas de que Hakkinen já não tinha a motivação de antes e o ano de 2001, marcado pela volta dos aparatos eletrônicos à F1, foi de dificuldades para o finlandês. O seu McLaren ficou parado no grid algumas vezes durante o ano e ele só foi conquistar seu primeiro pódio na oitava etapa do ano, enquanto Coulthard tomava as rédeas da equipe, mas não resistia a superioridade da Ferrari e de Schumacher. Na Espanha, Hakkinen mostra que seu talento ainda estava intacto e liderou a corrida praticamente de ponta a ponta, mas o seu carro passou na reta dos boxes na última volta soltando muita fumaça. O mundo inteiro prendeu a respiração, torcendo para que Hakkinen completasse a última volta, mas nas últimas curvas a McLaren parou definitivamente e Schumacher conquistou mais uma vitória. Podia-se esperar um piloto desesperado com sua falta de sorte, mas Hakkinen voltou aos boxes sorrindo, como se não se importasse o que tinha acontecido. Após conquistar uma vitória em Silverstone, os rumores sobre a saída de Hakkinen cresciam e no Grande Prêmio da Itália, Mika anunciou que passaria um ano sabático em 2002, pensando em voltar à F1 mais tarde. No entanto, Hakkinen ainda tinha mais uma grande vitória para nos mostrar. Em Indianápolis, em um país devastado pelo terrorismo, Hakkinen fez uma das grandes corridas de sua vida e venceu pela última vez na F1. Perguntado se essa vitória poderia mudar sua posição de deixar a F1 por uma ano, Hakkinen foi rápido na resposta. "Não, aqui é hasta la vista". Na última corrida de sua carreira na F1, Mika ainda teve tempo de retribuir todo o apoio recebido por Coulthard nos anos que passaram juntos e deixou o escocês passar nas últimas voltas do Grande Prêmio do Japão. Chegando em quarto lugar, Hakkinen encerrava uma carreira marcada por dificuldades e glórias. Foram 161 Grandes Prêmios, 20 vitórias, 26 poles, 26 melhores voltas, 51 pódios, 420 pontos e dois títulos mundiais.
Hakkinen nunca mais voltaria a F1 de forma competitiva, apesar de sido sondado pela Williams em 2004. Contudo, era impossível ver Hakkinen lutar contra a McLaren-Mercedes e Mika fez sua volta ao automobilismo via DTM, correndo pela equipe Mercedes com relativo sucesso e algumas vitórias. No final de 2007, com 39 anos, Hakkinen anunciou que estava abandonando definitivamente as corridas e hoje em dia, é garoto propaganda da Johnny Walker, patrocínio da McLaren, equipe com que mantém relações quinze anos após sua contratação. Hakkinen foi casado com Erja Honkanen, com que teve dois filhos (Hugo e Aina). Sempre ao lado do marido, Erja acompanhava Mika em todas as provas e era mostrada constantemente nas transmissões da F1. Porém, o casal se separou no início de 2008 e hoje Hakkinen mora em Monte Carlo, com uma dançarina. Muito respeitado no meio da F1, muitas pessoas disseram que a real razão do domínio de Schumacher nos anos seguintes foi que Hakkinen, piloto que o enfrentou ferozmente por três anos e venceu dois, estava de fora das corridas. E o próprio Schumacher confirmava isso! A saída de Hakkinen no final de 2001 foi uma espécie de passagem na F1, pois nesse ano estrearam Fernando Alonso, Juan Pablo Montoya e outro finlandês extremamente rápido chamado Kimi Raikkonen. Hakkinen ajudou Kimi chegar à McLaren em 2002 e hoje, mesmo em má fase, leva o bastão da Finlândia como sendo um dos países a ter um dos pilotos mais rápidos do mundo. Pessoa afável e respeitada no mundo da F1, a tocada suave de Hakkinen deixa saudade até hoje, principalmente dominando uma corrida à bordo de um McLaren-Mercedes prateado.
Parabéns!
Mika Hakkinen

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

História: 20 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1988


Após uma fase esplendorosa, Senna sofreu um enorme baque no Grande Prêmio de Portugal, uma semana antes. Depois de quatro vitórias consecutivas, o brasileiro da McLaren só tinha conquistado um ponto nas duas últimas corridas. Como não poderia deixar de ser, Prost começava a se aproveitar do pequeno declínio do seu companheiro de equipe e capitalizava o meu momento de Senna, tentando se aproximar da liderança após declarar que, para ele, o campeonato estava acabado. Porém, os primeiros conflitos da, até então, harmoniosa relação entre os pilotos da McLaren fora abalada em Estoril, quando Senna fechou Prost enquanto era ultrapassado pelo francês. Prost chiou bastante depois da corrida. Mal sabiam eles o que aconteceria nos próximos meses...

Jerez seria uma das poucas pistas em que as demais equipes poderiam incomodar levemente as incríveis McLarens MP4/4, pois o circuito espanhol era travado e curto. Apesar disso, a McLaren dominou a primeira fila, com Senna à frente. Mas a diferença tinha sido muito pequena para as demais equipes. Durante a Classificação houve um incidente envolvendo a Williams de Patrese e a Tyrrell de Julian Bailey. Após perder o seu melhor tempo ao ser atrapalhado pelo inglês, Patrese resolveu frear bem à frente da Tyrrell, provocando um acidente. Patrese foi multado em 10.000 dólares por isso. Percebendo o bom momento, Prost foi muito rápido e perdeu a pole por muito pouco. O francês estava crescendo!

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:24.067
2) Prost (McLaren) - 1:24.134
3) Mansell (Williams) - 1:24.269
4) Boutsen (Benetton) - 1:24.904
5) Nannini (Benetton) - 1:25.032
6) Capelli (March) - 1:25.115
7) Patrese (Williams) - 1:25.217
8) Berger (Ferrari) - 1:25.466
9) Piquet (Lotus) - 1:25.648
10) Alboreto (Ferrari) - 1:26.477

O dia 2 de outrubro de 1988 estava quente e seco para o Grande Prêmio da Espanha de F1 e tudo levava a crer que esta seria uma corrida tão interessante quando em Portugal uma semana antes, quando a McLaren de Senna apresentou alguns problemas e o brasileiro acabou em sexto. Uma das principais características de Senna em sua carreira eram suas grandes largadas, donde sempre capitalizava uma pole chegando bem na frente na primeira curva ou ganhando posições após a luz verde. Por isso, foi estranho ver Senna perdendo não apenas a liderança para Prost, como também a segunda posição para Mansell. E tudo isso antes da primeira curva!

Prost viu pista livre à frente e resolveu forçar tudo o que podia, disparando na frente de Mansell, que segurava Senna com relativa tranqüilidade. As corridas em Jerez, pela estreiteza do circuito e por ser muito travado, às vezes eram bem chatas e em 1988 foi o caso. Os oito primeiros permaneceram os mesmos da primeiras a décima quinta volta, até Alboreto, oitavo colocado, abandonar. Atrás dos três primeiros colocados, vinham Patrese, Capelli, Nannini, Berger e Piquet. Enquanto via Prost disparando, Senna se via em apuros ao começar a ter problemas com o computador que regularizava o seu combustível. A máquina hi-tech da Honda começou a colocar menos gasolina na câmara de combustão e Senna perdia rendimento.

Ao invés de pressionar a Williams de Mansell, Senna começava a ser pressionado pela outra Williams de Patrese, que trazia a reboque Ivan Capelli, que tinha feito uma corrida incrível em Portugal e estava em ótima fase. O italiano da March ultrapassou seu compatriota na volta 36 para ultrapassar a poderosa McLaren de Senna três voltas depois! Mas como diz o poeta, "toda alegria de pobre dura pouco", o motor Judd do March de Capelli quebrou logo depois, deixando Senna novamente em terceiro, segurando um trenzinho que tinha o italianos Patrese e Nannini. Da mesma forma que Senna ficou conhecido por ser extremamente difícil de ser ultrapassado, Patrese também ficou conhecido por ser um pouco, digamos, paciente demais para fazer uma ultrapassagem. Essa corrida foi a confirmação disso, pois Patrese passou a corrida inteira vendo o símbolo enorme da Marlboro à sua frente.

Nannini não teve toda essa paciência e assim como Capelli, o piloto da Benetton levou apenas quatro voltas para assumir a terceira posição, mas como a Benetton não era tão pobre assim, Nannini pssou o resto da tarde em terceiro, com Senna caindo para quarto, trazendo Patrese atrás de si. Prost liderou todas as voltas e venceu a corrida com o pé nas costas, enquanto Mansell apenas se preocupou em segurar sua posição, talvez com medo de forçar demais o carro e o ver quebrado novamente, algo corriqueiro para o inglês naquele ano. Era a segunda vez que Mansell pontuava no ano! Por causa do esquisito regulamento da época, que trazia descartes para os piores resultados, o Campeão Mundial de 1988 seria conhecido no Grande Prêmio do Japão. Enquanto Senna já tinha descartado todos os seus resultados ruins, Prost só tinha deixado de pontuar uma vez e assim, quem vencesse em Suzuka, independentemente do que o rival fizesse, seria declarado o campeão. A tensão estava no ar!

Chegada:
1) Prost
2) Mansell
3) Nannini
4) Senna
5) Patrese
6) Berger