domingo, 16 de junho de 2013

Trio Iraquitana

O Mundial de MotoGP está sendo amplamente dominado por três pilotos espanhóis e correndo em casa, no já tradicional circuito de Barcelona, Jorge Lorenzo, Daniel Pedrosa e Marc Márquez, nessa ordem, deixou seus adversários para trás e completaram as 25 voltas da corrida nessa formação. A proximidade entre os três trouxe uma certa apreensão do que poderia acontecer, mas a realidade foi que o trio se respeitou bastante e na única tentativa mais séria de ultrapassagem, Márquez quase caiu quando colocou por dentro de Pedrosa, mas o jovem de 20 anos deve ter se lembrado que Pedrosa não apenas é o líder do campeonato, como também é seu companheiro de equipe, ao contrário do que aconteceu em Jerez com Lorenzo.

Conhecendo Pedrosa desde criança, Jorge Lorenzo sabe que se o compatriota e rival ficar na frente nas primeiras voltas, a tendência é Dani disparar e vencer a corrida. Por isso Lorenzo tirou forças não se sabe da onde e anulou a principal característica de Pedrosa, que é a largada, e superou o piloto da Honda, que largara na pole, ainda antes da freada da primeira curva. Essa ultrapassagem, onde Pedrosa ainda tentou ir para cima em alta velocidade no retão, praticamente definiu a vitória para Lorenzo, pois Pedrosa ficou na indecisão se atacava Lorenzo, ou se defendia de Márquez, dono da segunda melhor largada do dia, pulando de sexto para terceiro. E assim os três passaram a corrida toda, com a diferença não passando de 1s entre eles, até os pneus de Pedrosa irem embora e Dani ser ameaçado por Márquez no final.

Mesmo com a Yamaha sendo inferior a Honda, Lorenzo vai tirando a diferença no braço e se aproxima de forma cristalina de Pedrosa no campeonato. Já para Dani, a situação vai se complicando. Sempre tive a sensação de que Pedrosa teve um certo medo de Lorenzo. Talvez algum psicólogo pode explicar isso, mas são raras as vezes em que Pedrosa derrota Lorenzo numa disputa corpo a corpo. Talvez por Lorenzo aparentar ser mais forte fisicamente, mas a realidade é que Pedrosa viu Lorenzo se igualar em vitórias a ele e para piorar as coisas, Marc Márquez vem que nem um furacão para cima dele. A tirada de mão de Márquez na sua tentativa de ultrapassagem foi uma forma de respeito, mas Marc já está no mesmo nível de Pedrosa com o mesmo equipamento, mas com a tendência de crescimento. Ao contrário de Valentino Rossi, um quarto colocado distante, que parece sem forças para enfrentar a força dos jovens espanhóis.

E assim a banda toca na MotoGP, com o hino espanhol sendo tocado domingo após domingo para o vencedor da corrida. Ou até mesmo com a bandeira vermelha e amarela dominando o pódio, como foi hoje. Lorenzo, Pedrosa, Márquez. O título de 2013 sairá impreterivelmente destes três grandes pilotos.

sábado, 15 de junho de 2013

Briga à dois

O final de corrida em Milwakee pode ter sido de sentimentos ambíguos para Helio Castroneves. Largando em 17º, o piloto da Penske ousou na estratégia e no desenrolar da corrida estava brigando pela vitória junto a Takuma Salo e Ryan Hunter-Reay, recebendo a bandeirada em segundo. O outro lado é ter sido superado por Hunter-Reay no final da corrida e ter visto a diferença para o americano diminuída e com o representante da Andretti agora em segundo lugar no campeonato. Hunter-Reay é bem mais confiável do que Marco Andretti, então segundo colocado no campeonato, e o time Andretti vem bem mais forte do que no ano passado, além do fato de Ryan ser mais experiente e já ter um campeonato no currículo, como não é o caso de Castroneves, zerado em número de títulos na carreira.

A prova em Milwakee teve uma corrida sem muitos sobressaltos, com poucas bandeiras amarelas. Marco Andretti, mesmo vice-líder do campeonato, provou que não tem estrela de campeão quando teve um problema no reabastecimento em sua primeira parada e logo depois parou seu carro com problema mecânico. Marco foi um pole dominante, mas mesmo sem sua culpa, ele ainda se mete em confusões e perdeu pontos importantes na luta pelo campeonato. Com duas bandeiras amarelas nas primeiras trinta voltas, alguns pilotos mudaram sua estratégia, como foi o caso de Takuma Sato e Helio Castroneves que, no desenrolar da corrida, estariam na ponta da corrida. Sato chegou a perder o controle do carro e apesar da torcida do pessoal da Bandsports para o japonês bater no muro, Takuma não satisfez os anseios de Celso Miranda e acabou se mantendo em primeiro, segurando Helio. 

Porém, os carros da Andretti eram os melhores desde os treinos e Ryan Hunter-Reay atropelou no final, ultrapassando Sato e Helio, disparando na frente. Uma última bandeira amarela provocada por Bia Figueiredo (o que essa moça ainda faz na Indy?) estragou a estratégia de Sato, que havia acabado de parar, mas não fez com que Hunter-Reay diminuísse o ritmo, disparando na relargada e deixando Castroneves na poeira, que ainda foi pressionado fortemente por um surpreendente Will Power, muito bem no oval de Milwakee. Demonstrando o quão o campeonato é dominado pelo binômio Penske-Andretti, Ernesto Viso e Jamie Hinchcliffe completaram o top-5. Só Marco Andretti não estava nas primeira posições, devido a problemas em seu carro.

Hunter-Reay agora lidera a equipe Andretti na luta com a Penske de Helio Castroneves. Com a Ganassi tendo problemas com os motores Honda, só essas duas equipes lutarão pelo titulo a partir de agora, muito provavelmente com Hunter-Reay e Castroneves.

Que pena (II)

Se as duas mortes que tivemos nos automobilismo na última semana teve como característica tristes acidentes, a de hoje foi por causas naturais, mas nem por isso será menos triste e deverá ser até mesmo mais lembrada. José Froilan González, conhecido como Touro dos Pampas ou 'El Cabezón', faleceu hoje aos 90 anos de idade na sua amada Argentina. González fez parte da trupe argentina, capitaneada por Juan Manuel Fangio e financiada por Perón, que se aventurou à Europa no final da década de 40 e se tornaram os melhores pilotos da Europa, com claro destaque para Fangio.

González era conhecido pela coragem e por estar sempre acima do peso. Seu porte físico seria impraticável na F1 atual. Porém, como o preparo físico não era uma característica importante naqueles tempos, González era um dos pilotos de ponta naqueles primórdios da F1, junto com o próprio Fangio, além de Giuseppe Farina e Alberto Ascari. Em 1951 González foi contratado pela Ferrari para ser segundo piloto de Ascari. Naquele tempo, a Alfa Romeo tinha o melhor carro e havia se tornado a primeira campeã da história da F1 no ano anterior, mas a Ferrari se aproximava perigosamente da equipe no qual Enzo fora chefe antes da guerra e tentava a sua primeira vitória oficial na F1. A Ferrari havia batido na trave com Ascari na França e na Alemanha, mas em Silverstone, José Froilan González não desperdiçou a oportunidade e numa luta emocionante com a Alfa Romeo de Fangio durante a prova toda, González escreveu seu nome na história ao vencer pela primeira vez com uma Ferrari uma corrida oficial de F1.

González sempre teve seu nome ligado a escuderia, onde conquistou seu melhor resultado em 1954, sendo vice campeão e conquistando sua segunda e última vitória na F1. Abalado pela morte do jovem compatriota Onofre Marimón no mesmo ano, González perdeu a motivação de permanecer na Europa até sair da F1 em 1957, fazendo um breve retorno em 1960 para uma corrida única em Buenos Aires. Com o aumento da aura ferrarista, González se tornou uma lenda da Ferrari e do automobilismo, sendo sempre lembrado quando sua conquista em Silverstone completava uma data fechada. Em 2001, nos 50 anos da vitória de González, Michael Schumacher andou no carro do argentino em Silverstone, o mesmo fazendo Fernando Alonso dez anos depois. José Froilan González foi convidado a ambos eventos, mas sua saúde debilitada não o deixou fazer a longa viagem. Hoje, aos 90 anos, ele se juntará aos amigos Fangio e Ascari em seus carros vermelhos pelas pistas do céu. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Que pena...

Poucos dias após a morte do fiscal em Montreal logo depois do Grande Prêmio do Canadá no domingo, o automobilismo é abalado por mais uma morte. O americano Jason Leffler morreu após sofrer um grave acidente numa pista oval de terra, em Nova Jersey. Pelo o que sobrou do carro, foi realmente uma pancada e tanto. O piloto de 37 anos era muito conhecido nas categorias inferiores da Nascar, como Nationwide e Truck Series, mas não obtivera sucesso na principal, hoje conhecida como Sprint Cup. Leffler fazia sua volta às origens, já que a maioria dos pilotos da Nascar começam suas carreiras em ovais de terra, mas Jason Leffler acabou encontrando seu destino lá. Uma pena.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Morte na F1

É sempre muito chato quando alguém relacionado às corridas morre. Por isso, a morte de Mark Robinson, de 38 anos, no último domingo logo após a corrida em Montreal doeu bastante para quem acompanha a F1.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Figura(CAN): Sebastian Vettel

Mesmo os grandes campeões tem tabus a derrubar. Sebastian Vettel e a Red Bull nunca haviam vencido o tradicional Grande Prêmio do Canadá no belíssimo circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. Em 2011 o alemão da Red Bull esteve bem próximo da vitória, mas um erro de Sebastian pôs tudo a perder na última volta. Vettel estava engasgado com isso. Nesse fim de semana Vettel foi para Montreal determinado a acabar com esse jejum e com uma vitória categórica, marcou seu nome como um vencedor em Canadá, agora restando apenas três corridas aonde não venceu no calendário atual da F1. Porém, além de vencer pela primeira vez em Montreal, Vettel deu uma demonstração clara que é o principal favorito ao título, podendo se tornar o quarto tetracampeão da história. Vettel foi soberano em todo o final de semana, seja no seco ou no molhado, venceu a corrida com sua marca de desaparecer nas primeiras voltas e administrar nas seguintes e com isso, abriu 36 pontos para seu maior rival, Fernando Alonso. Se continuar com esse ritmo, Vettel deverá se sagrar, também, o mais novo tetracampeão mundial da F1.

Figurão(CAN): Williams

Quando Valtteri Bottas conseguiu um surpreendente terceiro lugar na classificação para o Grande Prêmio do Canadá no sábado, todos comemoravam uma possível sobrevida nesse que é o pior ano da história da tradicional equipe de Frank Williams, agora dirigido pela sua filha, Clarie. Porém, mesmo Bottas tendo demonstrado um enorme talento ao conseguir esse lugar não correspondente com o carro que tem, essa terceira posição veio por causa da chuva que molhou a pista e embaralhou tudo no sábado. No domingo, com sol e pista seca, a carruagem virou abobora e ainda na primeira volta Bottas já havia caído para sexto, algo até normal vide as feras com quem o novato enfrentava no momento. Porém, a ruindade do carro apareceu ainda mais forte quando o finlandês foi perdendo rendimento ao longo da corrida, desaparecendo paulatinamente enquanto seu ritmo piorava e era engolido pelos rivais. O sonho dos primeiros pontos da Williams em 2013 se transformou num pesadelo com a 14º posição do finlandês, enquanto Pastor Maldonado não fez melhor, ficando duas posições atrás de Bottas, com quase um minuto de desvantagem para o companheiro de equipe após cometer outra besteira durante a corrida e duas voltas atrás do vencedor da prova. Hoje a Williams é uma mera caricatura do time vencedor de quinze anos atrás e só sobrevive graças ao amor de Frank pelo time que leva seu nome. Mesmo com todos os problemas, tanto técnicos como financeiros, a equipe cheia de tradição e glórias ainda tem muitos fás que torcem por ela, mas a realidade é que a Williams está apenas se arrastando para o mesmo destino de Lotus (a antiga...) e Brabham: a extinção, enquanto briga pelas últimas posições.