A Nascar está se caracterizando cada vez mais pela cabeça quente de seus pilotos e neste sábado, na tradicional pista de Darlington, a coisa virou até cômico. Kyle Busch é o que podemos chamar de Bad Boy, normalmente se envolvendo em toques e polêmicas, fazendo ser odiado pelos torcedores apesar do seu talento. Já Kevin Harvick cismou que seria o novo Intimidador, substituindo Dale Earnhardt no coração dos seus torcedores, por sinal, a maioria na Nascar. Harvick é aquele tipo de piloto da velha guarda, sempre com cara de mal e pronto para uma briga. Em Darlington, Busch (carro 18) e Harvick (carro 29) se tocaram nas últimas voltas, com desvantagem para o último. Lógico que ele queria tomar satisfações. O vídeo abaixo mostra uma das cenas mais engraçadas do automobilismo mundial dos últimos tempos.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
Mais uma do perfeitinho
E ele não deu chance! Sebastian Vettel largou bem, administrou nas primeiras voltas, viu brigas pelo segundo lugar, a Red Bull fez paradas perfeitas e não errou na estratégia. Tudo isso resultou na tranquilissima vitória de Vettel, elevando o alemão da Red Bull a favorito absoluto para conquistar o título deste ano. Porém, como o próprio Vettel profetizou no sábado, a corrida foi muito disputada do segundo lugar para trás, com muitas ultrapassagens (algumas até covardes...) e briga por posições. Enquanto muitos já colocam a pecha de gênio na testa de Sebastian Vettel, ainda falta, em minha opinião, uma vitória vinda de trás, de recuperação, pois o alemão só vence quando larga na pole e sai bem no apagar das cinco luzes vermelhas.E quando isso acontece, vimos o que vimos hoje. Vettel largou bem, ainda foi ajudado pela boa largada de Rosberg, que atrasou um pouco Mark Webber e desapareceu no horizonte turco. Vettel foi tão perfeito, que pouco foi visto na transmissão d
e hoje, já que seu domínio foi avassalador. Com receio de perder uma vitória certa por causa da estratégia, como ocorrido na China, a Red Bull fez até uma quarta parada para Vettel apenas por segurança, para não ocorrer nenhum incidente ou queda de desempenho. Vettel venceu pela terceira vez em quatro corridas e com mais um segundo lugar, disparou no campeonato. Já Mark Webber largou mal pela quarta vez consecutiva e foi engolido por Rosberg e ainda teve que se defender de Hamilton. Porém, o australiano não demorou em ultrapassar o piloto da Mercedes, mas acabaria surpreendido por Alonso, que o ultrapassou e passou a maior parte da prova em segundo. Quando a Ferrari colocou os pneus duros, permitiu a Webber partir para cima de Alonso e numa bonita ultrapassagem, deixou o espanhol para trás e completou a dobradinha da Red Bull. Porém, a realidade para Webber é que a sua situação é bem diferente de um ano atrás, quando quase venceu na Turquia até se envolver num acidente até cômico com seu companheiro de equipe. Hoje, Webber vê Vettel numa situação bem confortável dentro da equipe e no campeonato e com o melhor carro, o alemão já começa a pensar no bicampeonato.Fernando Alonso era todo sorriso no pódio, pois sabia que tinha feito muito mais do que o esperado. Após a Classificação no sábado, todos diziam que a Ferrari era a quarta força do campeonato e espanhol já começava a reclamar. Porém, Alonso mostrou sua magia e se aproveitou da escapada de Hamilton para subir ao quarto posto, e com duas ultrapassagens, se elevou à segunda posição, fican
do num sanduíche da Red Bull, andando na mesma balada dos carros azuis. Mesmo perdendo a 2º posição quando colocou os pneus duros e o seu rendimento caiu, Alonso garantiu o primeiro pódio da Ferrari no ano e mostrou que ele ainda faz a diferença. Já Massa perdeu a chance de brigar por algo a mais quando errou ontem e teve que largar em 10º. Mesmo com uma boa largada e ótimas ultrapassagens, Felipe passou a ser prejudicado pela Ferrari nos pit-stops, chegando a perder 9s em uma de suas paradas. A comparação que o Galvão fazia era enganadora, pois o narrador emparelhava os tempos de parada de Massa com a Red Bull, que foi praticamente perfeita nas paradas hoje, e não com Button e Rosberg, que também perderam tempo nos boxes, mesmo que nem tanto quanto o brasileiro. Juntando tudo isso a uma saída de pista, Felipe Massa ficou fora dos pontos e sua posição dentro da equipe, que havia melhorado por ter ficado à frente de Alonso duas vezes seguidas, voltava a estaca zero, pois via Alonso sorrir para sua equipe do alto do pódio.A McLaren não apareceu bem na Turquia e ficou longe da equipe que parecia ser a única a brigar com a Red Bull. Hamilton, outro que teve uma parada desastrosa, ficou mais de 40s atrás de Vettel, enquanto Button tentou uma tática para parar uma vez menos e acabou se arrependendo no final da prova, sendo ultrapassado como se estivesse parado pelo próprio Hamilton e por Rosberg. O único ponto positivo da McLaren foi a boa batalha entre seus pilotos no início da corrida, após Hamilton ter errado mais uma vez enquanto at
acava Webber na primeira volta e ficou atrás de Button. Os dois pilotos ingleses trocaram de posições algumas vezes, numa emocionante batalha, mas que foi decidida a favor de Hamilton mais por causa da estratégia. A Mercedes tinha dado pinta que poderia lutar pelo menos pelo pódio, mas a boa largada de Rosberg foi apenas uma ilusão. O alemão foi ultrapassado facilmente por Webber e Alonso, ficando bem atrás de alguma tentativa de pódio. Porém, a maior decepção vem sendo Schumacher. O ótimo terceiro treino livre do alemão foi apenas um sonho de verão e o heptacampeão fez uma de suas piores corridas de sua volta, sendo ultrapassado várias vezes, ainda que defendendo sua posição com unhas e dentes, como o toque que deu em Petrov logo no início da prova que estragou sua corrida. Longe dos pontos e do companheiro de equipe, Schumacher deveria pensar sobre o que está fazendo verdadeiramente na F1. A Renault fez outra corrida discreta e eficiente, com Heidfeld e Petrov marcando pontos importantes, ficando logo atrás de McLaren e a Mercedes de Rosberg. O interessante é o equilíbrio entre os dois pilotos, com Petrov e Heidfeld chegando a se tocar na metade da prova, mas desta vez o alemão ficou à frente, mesmo Petrov tendo ficado um bom tempo liderando o time francês.Se o boato de que Mark Webber irá mesmo se aposentar no final do ano se confirmar e a Red Bull querer alguém de sua ‘escolinha’ Toro Rosso, o piloto escolhido deverá ser Sebastien Buemi. O suíço fez uma prova sólida e marcou pontos novamente em 2011, enquanto Alguersuari, que parece falar mais do que correr, ficou nas posições intermediárias. Outro destaque entre os que marcaram pontos foi Kobayashi, po
is o japonês largou em último, passou os pilotos das equipes nanicas rapidamente e com seu ritmo forte de corrida, Koba ficou apenas esperando os erros dos pilotos de ponta para subir a zona de pontuação, o que acabou acontecendo com Schumacher e Massa. Já começo a achar que há um certo preconceito com Kobayashi pelo fato de ser japonês, pois se ele fosse europeu, com certeza já haveria uma enorme gama de equipes boas querendo o serviço dele. Pérez só apareceu em momentos distintos da corrida, quando quebrou o bico no começo e quando lutava com Sutil no fim, enquanto levava uma volta de Vettel na última volta. O mexicano é rápido, mas ainda necessita de mais experiência para andar no nível de Kobayahi. A Force Índia teve o único abandono da corrida com Paul di Resta, mas para sorte de Sutil, ele estava à frente do escocês nesse momento, escapando de levar outro couro do novato. A Williams vive uma enorme crise técnica e nem mesmo a boa performance de Barrichello no Q2 foi suficiente para que o brasileiro ficasse próximo dos pontos. Maldonado é apenas café-com-leite e nem sua loucura mostrada na GP2 vem dando as caras para animar um pouco. A Lotus já começa a se aproximar das equipes estabelecidas nos treinos, mas em ritmo de corrida o buraco ainda é mais embaixo, mas está bem à frente das outras duas. Por sinal, vale destacar que a Hispania está mais próxima da Virgin do que poderia supor, principalmente no quesito confiabilidade, vide que Timo Glock nem largou hoje.Ano passado muita gente reclamou que o campeonato foi espetacular, mas as corridas foram chatas. Em 2011, o inverso pode acontecer. As corridas estão
muito boas, mas Vettel tende a dominar o campeonato por completo e hoje, pode até ter uma dor de barriga daqui a duas semanas que ainda ficará na liderança. Com uma reta grande, hoje deu para perceber que a asa traseira faz muita diferença nas ultrapassagens e talvez fosse interessante uma mudança nas regras. Na verdade, apenas um retoque. Ao invés de poder usar a asinha apenas numa reta pré-determinada, mas por toda corrida, seria interessante que o piloto pudesse usar a asa onde quisesse, mas com um número limitado de vezes. Seria uma forma do piloto administrar essa variável e dar uma chance de defesa ao pobre que está sendo atacado em certas oportunidades. Porém, parece que Vettel não irá utilizar isso muitas vezes, pois ele dificilmente terá que fazer ultrapassagens nesse ano se a Red Bull e ele próprio manter esse ritmo.sábado, 7 de maio de 2011
Contra o mal olhado

Sebastian Vettel começou mal o final de semana em Istambul. No molhado primeiro treino livre, o jovem alemão bateu forte no guard-rail e os danos foram tais que Vettel não participou do decisivo segundo treino livre, com pista seca. Parecia que o piloto da Red Bull perderia sua invencibilidade com relação às poles. Porém, num circuito com grande pressão aerodinâmica como o de Kurtkoy, os carros da Red Bull se sobressaíram e numa fase esplendorosa, Sebastian Vettel deixou Mark Webber para trás e os carros azuis só precisaram de uma tentativa no Q3 para completarem a primeira fila.
O treino de hoje não foi dos mais emocionantes, começando pelo afastamento de Kamui Kobayashi da Classificação de hoje, praticamente garantindo todos os pilotos de equipes ditas estabelecidas no Q2, mesmo com a aproximação da Lotus. Isso permitiu, por exemplo, a Rubens Barrichello guardar um jogo de pneus moles para o Q2 e tentar o milagre da passagem para o Q3. Não deu. Hoje, está claro a elitização da F1 em cinco equipes grandes: Red Bull, McLaren, Mercedes, Ferrari e Renault. E os dez representates dessas equipes passaram ao Q3. A McLaren mostrou na China que guardar um jogo de pneus moles para a corrida pode ser decisivo e foi apenas a dupla mclariana que foi a pista duas vezes, não sendo muito efetivos. Vettel e Webber foram à pista, marcaram seus tempos e saíram dos seus carros. A primeira fila estava garantida. A Ferrari foi ainda mais radical. Felipe Massa, que sempre anda bem na Turquia, sequer completou uma volta no Q3 e largará amanhã com um jogo de pneus moles guardadinhos para ser usados. Quem surpreendeu foi a Mercedes, com Nico Rosberg se metendo entre Red Bull e McLaren, conquistando o primeiro top-3 da Mercedes, enquanto Schumacher amargava mais uma peia para o companheiro de equipe.
A Red Bull claramente tentará imitar a tática que deu a vitória à Lewis Hamilton na China e andará o máximo possível com os pneus macios, mas como amanhã deverá estar quente e a curva 8 sempre desgasta bastante a borracha no lado direito, é imprevisível dizer como será a prova amanhã. As novas regras trouxeram mais emoção às corridas, mas a estratégia está muito mais decisivo este ano. Por vias dúvidas, Sebastian Vettel tem desenhado no seu capacete um símbolo contra o mal-olhado.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
História: 30 anos do Grande Prêmio de San Marino de 1981
Quando Ronnie Peterson sofreu seu acidente fatal na largada do Grande Prêmio da Itália de 1978 em Monza, o tradicional circuito italiano passou a ser considerado um dos piores do calendário da F1, com várias pessoas querendo seu banimento. Em 1980, Monza foi substituído por Ímola, mas os tifosi fizeram pressão, junto com a Ferrari e Monza retornou ao calendário da F1 em 1981, mas Ímola havia deixado uma boa impressão e para agradar os italianos, foi criado o Grande Prêmio de San Marino, pequena república encravada no meio da Itália. Após o ‘invento’ da suspensão hidropneumática por parte de Gordon Murray no começo da temporada, todas as equipes resolveram copiar o sistema e num piscar de olhos as várias reclamações das demais equipes contra a Brabham cessaram. Quem não estava nada satisfeito era Colin Chapman, que viu seu invento, o chassi-duplo sendo proibido e tendo que construir um novo carro para poder correr àquela temporada, tirando a Lotus da corrida em Ímola para mais testes na Inglaterra do novo modelo 87.Se a Ferrari já se sentia a vontade em Monza, imagine num circuito chamado Autodromo Enzo e Dino Ferrari. Gilles Villeneuve colocou sete décimos em todo mundo e conquistaria sua segunda (e última) pole na carreira, enquanto era seguido pela Williams de Carlos Reutemann, cada vez mais decidido em ser campeão em 1981, mesmo contra a vontade da equipe, que ainda apoiava Alan Jones, mesmo o australiano mais lento após seu título. Mais atrás, a novidade desta corrida, a nova equipe Toleman, não conseguiu tempo para se classificar, como era esperado, mas o jovem italiano Michele Alboreto, que correria pela primeira vez na F1 com a Tyrrell, partiria em 17º, duas posições à frente de Eddie Cheever, seu vizinho de box.
Grid:
1) Villeneuve(Ferrari) – 1:34.523
2) Reutemann(Williams) – 1:35.229
3) Arnoux(Renault) – 1:35.281
4) Prost(Renault) – 1:35.579
5) Piquet(Brabham) – 1:35.733
6) Pironi(Ferrari) – 1:35.868
7) Watson(McLaren) – 1:36.241
8) Jones(Williams) – 1:36.280
9) Patrese(Arrows) – 1:36.390
10) Laffite(Ligier) – 1:36.477
O dia 2 de maio de 1981 amanheceu
chovendo em Ímola, numa clara diferença com relação a prova em Monza, sempre realizada com o sol de outono italiano. Porém, para complicar a vida dos pilotos, a chuva tinha cassado no momento da largada e mais uma vez em 1981, os pilotos teriam que escolher os pneus certos se quisessem conseguir uma boa posição na corrida. Todos os pilotos largaram com pneus de chuva e os dois representantes da primeira fila saíram muito bem na luz verde, com Villeneuve e Reutemann vindo lado a lado na entrada da Tamburello. Mais atrás, Piquet ultrapassa uma das Renaults, enquanto Pironi queima claramente a largada, pulando para 3º. Piquet fica encaixotado atrás de Villeneuve na rápida curva Tamburello e Pironi aproveita para ultrapassar o brasileiro e Reutemann usando a potência do motor turbo da Ferrari, assumindo o 2º posto antes da curva Tosa, fazendo uma dobradinha para a Ferrari, deixando a torcida italiana delirando.Durante a primeira volta, Piquet se atrasa e cai para 9º, enquanto Jones pula para 4º, partindo em perseguição a Reutemann. Mais atrás, o argentino Miguel Ang
el Guerra tem um enrosco com o chileno Eliseo Salazar na Tosa e Guerra acaba levando a pior, tendo quebrado uma perna e ficando alguns minutos preso dentro do seu carro. Tentando manter o status de primeiro piloto dentro da equipe Williams, Jones parte ao ataque em cima de Reutemann, mas o argentino resiste e acaba entortando a asa dianteira do companheiro de equipe. Jones vai aos boxes e não seria mais um fator na briga pela ponta da corrida. A pista secava a olhos vistos e um pit-stop na hora certa seria crucial para o andamento da prova. Ainda na décima volta, a Ferrari chama Villeneuve para os boxes para colocar os pneus slicks. Para incrível azar do canadense, assim que sai dos pits, a chuva volta a cair forte e todo o esforço de Villeneuve em liderar a corrida no início seria em vão.Com tudo isso, Pironi assumia a liderança da corrida, seguido por Patrese e Piquet. Reutemann fazia uma corrida cuidadosa depois do toque em Jones e parecia concentrado unicamente em marcar pontos. A diferença entre os três primeiros não era grande, com Piquet partindo para cima de Patrese, mas o italiano não tinha a
torcida dos tifosi naquele dia. Longe disso. Todos rezavam para que Pironi (leia-se Ferrari) vencesse a prova. As preces não pareciam ter sido ouvidas, pois depois de várias tentativas, Nelson Piquet ultrapassa Patrese na volta 22 e parte para cima de Pironi. As posições ficam estáticas por muito tempo, com Pironi-Piquet-Patrese andando próximos, mas sem atacar um ao outro. Por volta do giro de número 40, os líderes se aproximam do retardatário Patrick Tambay, da Theodore. O francês abre docilmente para Pironi, mas dificulta a vida de Piquet de forma escancarada. Nesse momento, o francês da Ferrari parecia ter problemas com seus pneus de chuva e a presença de Tambay acabaria por estragar os planos da Ferrari em médio prazo, pois Patrese começava a se aproximar de Piquet. Imediatamente após deixar Tambay para trás, Piquet iniciou o ataque em cima de Pironi, com Patrese logo atrás.Os três ‘Ps’ andavam juntos, numa emocionante briga pela ponta da corrida, Piquet tentava ultrapassar Pironi em todos os lugares possíveis, enquanto Pa
trese observava tudo de perto, sendo que Tambay estava colado na traseira do italiano de forma surpreendente. Na volta 46, Piquet finalmente ultrapassa Pironi na Variante Alta e começava a abrir vantagem, enquanto o ferrarista segurava Patrese. A luta entre Patrese e Pironi dura apenas duas voltas, com o italiano ultrapassando a Ferrari na Variante Baixa. Até Tambay tira uma casquinha da Ferrari lenta com os pneus totalmente acabados. Fazendo uma corrida de espera, Reutemann se aproxima lentamente de Pironi e faltando dez voltas assegura seu lugar no pódio. Piquet diria mais tarde que essa prova em Ímola seria um de suas melhores e a vitória lhe garante o 2º lugar no campeonato, apenas três pontos atrás de Reutemann. Era a certeza que o campeonato seria decidido entre esses dois pilotos sul-americanos.Chegada:
1) Piquet
2) Patrese
3) Reutemann
4) Rebaque
5) Pironi
6) De Cesaris
terça-feira, 3 de maio de 2011
História: 35 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1976
A primeira corrida européia da temporada 1976 trazia a maior novidade nos regulamentos da Formula 1 nos últimos tempos. Para aumentar a segurança, várias medidas foram tomadas pela FIA e uma delas falava sobre a nova dimensão da asa traseira, que seria determinante nesta corrida em Jarama e no campeonato. Alguns carros haviam estreado os novos regulamentos nas corridas anteriores, mas Ferrari, Brabham e, principalmente, Tyrrell chegavam à Espanha com novos carros. O grande destaque era claramente o novo projeto de Derek Gardner para a escuderia de Ken Tyrrell. Desde o final de 1975 a Tyrrell havia anunciado que construiria um carro de seis rodas, o P34. Muitos acharam que isso não passava de um golpe publicitário, enquanto Patrick Depailler testava o novo modelo radical de forma extensiva na França. Para surpresa de muitos, o P34 estava pronto para correr em Jarama, mas apenas Depailler teria o novo carro à disposição.Dias antes dos primeiros treinos oficiais, as equipes treinaram em Jarama seus novos carros (ou adaptados) e a McLaren se destacou com o melhor tempo. Na Classificação, James Hunt confirmou a boa fase e marcou o melhor tempo, à frente de Lauda. O austríaco havia sofrido um pequeno acidente doméstico, quando capotou um trator e quebrou algumas costelas, por isso, não se sabia ao certo qual era a situação de Lauda. Depailler dissipou todas as dúvidas em cima do novo carro da Tyrrell e ficou em terceiro. O P34 era bastante desequilibrado nas entradas de curva, mas com duas rodas a mais, tinha excelente aderência nas saídas de curva, podendo iniciar uma nova era de carros com seis rodas na F1. Se fosse vencedor.
Grid:
1) Hunt(McLaren) – 1:18.52
2) Lauda(Ferrari) – 1:18.84
3) Depailler(Tyrrell) – 1:19.11
4) Mass(McLaren) – 1:19.14
5) Regazzoni(Ferrari) – 1:19.15
6) Brambilla(March) – 1:19.27
7) Nilsson(Lotus) – 1:19.39
8) Laffite(Ligier) – 1:19.39
9) Andretti(Lotus) – 1:19.59
10) Amon(Ensign) – 1:19.83
O dia 2 de maio de 1976 amanhec
eu quente e ensolarado na pista próximo a Madri, mas o que estava quente mesmo era nos bastidores. A FIA fez uma vistoria técnica antes da corrida e encontrou irregularidades nos carros da Brabham e da March. Assim, todas as equipes foram avisadas que após a corrida, seria realizada uma vistoria geral, ainda mais rigorosa, liderada pelo comissário espanhol Jimenez Aranelli. A largada aconteceu de forma tranqüila na primeira fila, com Hunt e Lauda saindo bem na luz verde, mas o piloto da Ferrari acabaria se sobressaindo na primeira curva e assumindo o primeiro posto.Um fato decisivo para a prova foi a ótima largada de Vittorio Brambilla, pulando de 6º para 3º, mas o italiano da March não tinha condições de se
segurar naquele ritmo e atrapalharia Jochen Mass e Patrick Depailler. Quando estes dois se livraram de Brambilla, Lauda e Hunt já estavam mais afastados, andando num ritmo muito forte. Jacques Laffite também ultrapassa Brambilla, assumindo o 5º posto e assim, as cinco primeiras posições ficaram estáticas, com as duas Lotus começavam a atacar Brambilla, após um mau início da equipe de Colin Chapman, que trazia como novidade a reestréia de Mario Andretti. Uma das dificuldades do Tyrrell de seis rodas era justamente com os freios, pois todo o sistema teria que ser redimensionado e Depailler sabia disso. O francês estava confortavelmente em 3º, quando o pedal de freio do seu carro foi até o fim sem funcionar numa freada e Depailler fez seu carro rodar. Ele não bateu forte, apenas quebrando a asa traseira, mas teve que abandonar.Enquanto isso, Hunt perseguia Lauda implacavelmente, colado na traseira da Ferrari do austríaco, enquanto Mass subia de
rendimento sem a presença de Depailler e encostava no duo principal. O inglês da McLaren sabia que Lauda não estava nas melhores das condições e por isso teria problemas mais cedo ou mais tarde. Na volta 32, James Hunt colocou sua McLaren por dentro no final da reta dos boxes e efetuou a ultrapassagem vitoriosa. Mass se aproveitou do embalo e deixou Lauda para trás duas voltas depois, fazendo uma dobradinha da McLaren. Mais atrás, Laffite tem problemas em sua Ligier e perde várias posições, enquanto Gunnar Nilsson subia para 4º, seguido por Regazzoni, Andretti e Scheckter. Esses três acabariam abandonando nas voltas seguintes, fazendo com que pilotos que haviam largado fora do top-10, como as Brabhams de Reutemann e José Carlos Pace, ficassem nas posições pontuáveis.
Após ultrapassar Lauda, James Hunt desapareceu na frente e a McLaren só não completou a dobradinha porque Jochen Mass teve seu motor fundido nas voltas finais, mas o que importava para a McLaren era que a Ferrari de Lauda estava 30s atrás e, definitivamente, a equipe chefiada por Teddy Mayer estava na briga pelo título. Então, veio o baque. Após James Hunt receber o seu troféu das mãos do rei Juan Carlos e estourar o champanhe, foi anunciado que o aerofólio traseiro da McLaren estava 1,8cm mais largo do que os novos regulamentos diziam. Hunt foi desclassificado sumariamente e Lauda foi anunciado como o novo vencedor. Mayer apelou da decisão e ameaçou deixar a F1. Após muita controvérsia, Hunt teria sua vitória devolvida dois meses depois e esses nove pontos acabariam por fazer uma enorme diferença na contagem de pontos no Mundial.
Chegada:
1) Hunt
2) Lauda
3) Nilsson
4) Reutemann
5) Amon
6) Pace
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Potência de azar
A corrida da Indy em São Paulo começa a ter a sina do azar. Ano passado, a prova aconteceu na correria, com tudo sendo feito às pressas e problemas que pareciam até mesmo simples se tornando algo próximo a um vexame histórico. Porém, a corrida em 2010 se realizou e os erros foram corrigidos para este, como as várias ondulações, o piso no sambódromo e etc. Até mesmo a data anterior foi mudada para evitar as famosas águas de março. No primeiro domingo de maio, dificilmente haveria tantos problemas pluviométricos em São Paulo. Mas uma frente fria...Após a terrível interpretação de Luan Santana do hino nacional, a chuva se fez presente e a largada aconteceu debaixo de muita chuva, provocando incidentes logo na primeira curva. Então a chuva se tornou um dilúvio e a bandeira vermelha apareceu. O tempo passou, a chuva diminuiu e Luciano do Valle ficava com uma narração de velório, vendo a grade da Bandeirantes indo pro brejo com relação as semifinais do Campeonato Paulista e Carioca. Dario Franchitti dava a péssima notícia que a pista ainda tinha muitas poças d'água. Os carros ainda foram para pista, com a visibilidade já bem prejudicada com o cair da tarde e o óbvio aconteceu, com a corrida ficando para segunda. Mesmo com previsão de chuva. E pelo segundo ano consecutivo, não tivemos uma corrida sem sobressaltos em São Paulo, sendo que desta vez, por causa de motivos em que os promotores nada ou pouco podiam fazer.
Mas quem não se importou muito com tudo isso foi Will Power. O australiano da Penske já tinha marcado uma pole impressionante, tinha segurado muito bem seu carro ontem, nas quatro voltas em bandeira verde e hoje não se afobou em nenhum momento, mesmo quando foi ultrapassado por Takuma Sato numa relargada. Assim como ontem, a chuva apareceu, mas não da forma assustadora de ontem. O problema foi que ela apareceu bem no momento em que os pilotos estava se alinhando para largar. Usando a cautela, ninguém tentou nada a mais numa pista molhada com pneus slicks e a prova começo de verdade. Era até esperado outros acidentes, mas a turma se comportou muito bem e afora algumas rodadas sem grandes consequencias, a corrida, encurtada, pois foram contadas as 14 voltas de ontem, teve uma boa sequencia. A primeira bandeira amarela provocou a bandeira amarela que definiu a corrida. Takuma Sato já aparecia em 2º, com a rodada de Dario Franchitti, e numa relargada arrojada (bem ao estilo do japonês), o piloto da KV assumiu a liderança, deixando Power falando sozinho. Sato vinha se mantendo bem na liderança, enquanto Ernesto Viso, outro piloto da KV, galgava posições e não destruía outro carro, já que este seria usado em Indianápolis e em caso de outro problema, a participação do venezuelano estaria comprometida.
Mesmo com um bom ritmo, Sato acabaria sendo traído pela falta de experiência de sua equipe. Em outra bandeira amarela, a grande maioria dos pilotos foram aos boxes reabastecer e assim terminar a corrida. A KV resolver deixar seus dois pilotos na pista, junto com Marco Andretti e Sebastian Saavedra. Isso acabaria sendo fatal. Mesmo com o asfalto secando e a aderência mudando rapidamente, nenhuma bandeira amarela foi mostrada e o pessoal que ficou na pista precisou de outra parada. Graças ao trabalho da equipe Penske, Power liderava os pilotos que pararam, mas havia um problema. Com a saída de pista, Franchitti antecipou sua parada e não pararia mais. Justo Franchitti, que brihava com Power pelo campeonato. Pois na relargada, Power saiu de sua cautela e partiu para cima do escocês, conseguindo a ultrapassagem ainda no S do Samba. Power ainda ultrapassou Saavedra e apenas esperou Sato, Viso (este ainda foi punido) e Marco Andretti (numa tática suicida de colocar pneus de chuva) para reassumir a liderança e vencer pela segunda vez no Anhembi.
Com essa vitória, Will Power, com certeza o melhor piloto em circuitos mistos na Indy, também reassumiu a liderança do campeonato, mas o problema para o australiano é que a Indy agora começa uma mini-temporada em ovais, começando pela principal corrida do ano, as 500 Milhas de Indianápolis, no final deste mês. E Power ainda não se senta tão a vontade só virando para a esquerda. Sorte de Franchitti, que foi 4º e se mantém próximo de Power e agora correrá num tipo de circuito que sua equipe adora. Já os brasileiros não se aproveitaram do fator casa e fizeram corridas terríveis. Kanaan e Castroneves se envolveram no acidente da primeira curva de ontem e ainda machucaram a mão esquerda. Com nove voltas de atraso, pouca coisa fizeram hoje. Vítor Meira sofreu um acidente perigoso na hora do dilúvio e foi outro que começou em desvantagem de voltas hoje. Quem sobrou foram justamente os pilotos tupiniquins com menos recursos. Raphael Mattos acabaria quebrando dois bicos e abandonando por falta da peça. Já Bia Figueiredo também foi tocada, mas o certo é que ela é bem fraquinha, só andando nas últimas posições, enquanto seu companheiro de equipe, Justin Wilson, constantemente está no top-10. Falando em mulher, se Simona de Silvestro não tivesse se envolvido no acidente com Helio e Danica Patrick, provavelmente ela teria brigado pela vitória, pois a suíça imprimiu um ritmo tão forte, que ficou com a volta mais rápida da corrida de hoje.
Entre mortos e feridos, a Indy precisa rever alguns procedimentos, pois ontem não se sabia que a corrida seria reiniciado e iniciada do zero, e a bandeira branca (aviso de última volta) foi anunciada várias vezes, pois a contagem de tempo não saiu exata. E tomara que a etapa brasileira da Indy seja menos traumática do que as duas primeiras.
domingo, 1 de maio de 2011
Vitória da paciência

Não faltou quem começasse a criticar Daniel Pedrosa na metade do Grande Prêmio de Portugal, hoje pela manhã. Claramente com uma moto melhor, o piloto da Honda passou 80% da corrida atrás de Jorge Lorenzo sem ameaçar seriamente o rival. Apenas colocava de lado no final de reta dos boxes, mas Lorenzo freava mais forte e se mantinha na ponta sem maiores dramas. A fama de amarelão e de piloto que só vence quando tudo está dando certo a seu favor já começava a pipocar, de forma merecida, por sinal, em cima de Pedrosa. Então, faltando cinco voltas, quando todos esperavam que o ombro machucado do espanhol começasse a incomodar, Pedrosa saiu mais forte da curva Parabólica, colocou de lado em Lorenzo ainda na metade da reta e completou a ultrapassagem. Disparando em seguida.
Esse resumo pode descrever bem a chata corrida no Estoril e a vitória de Daniel Pedrosa. O espanhol da Honda foi paciente, não deixou Lorenzo disparar e quando o atual campeão da MotoGP pareceu mostrar um maior desgaste de pneus, Pedrosa utilizou sua melhor moto para ultrapassar e mostrando o quanto era mais rápido, empilhou uma série de voltas mais rápidas e ganhou com uma boa vantagem sobre Lorenzo. Foi a primeira vitória de Pedrosa no ano, dando um pouco mais de moral ao espanhol que já tinha feito uma boa segunda metade de temporada em 2010 até sofrer o seu acidente no Japão, que tanto problema lhe causou ao ombro. Casey Stoner, piloto dominador na pré-temporada e nas primeiras corridas, foi discretíssimo durante todo o final de semana português, não brigando pela pole e se colocando num solitário 3º lugar, que manteve da primeira a última volta. Com a vitória de Pedrosa, o status de salvador de Stoner para Honda diminua um pouco.
Quem pode se aproveitar dessa pretensa briga dentro da Repsol Honda é Jorge Lorenzo. Mesmo antipático, o espanhol da Yamaha é mesmo um piloto diferenciado e a forma como controlou Pedrosa, mesmo numa moto inferior, a maior parte da corrida notável. Mesmo em segundo, Lorenzo se manteve na liderança do campeonato e com Stoner e Pedrosa tirando pontos entre si, Lorenzo pode ser o grande beneficiado na luta pelo título. Andrea Doviziozo completou o bom final de semana da Honda com um quarto lugar tirado a fórceps de Valentino Rossi na bandeirada. O italiano ainda sofre com a falta de acerto da Ducati, que tem um baita motor, mas um chassi terrível. Como nos tempos da Ferrari nos anos 80...
Daniel Pedrosa se emocionou quando estacionou sua moto e comemorou a vitória com sua equipe, mas apesar das grandes dificuldades do espanhol com seus problemas físicos, quem teve uma atuação emocionante foi mesmo Yuki Takahashi. O japonês sofreu um grande baque semana passada quando seu irmão mais novo, Koki, sofreu um acidente e morreu. Mesmo sofrendo, o japonês conseguiu ânimo para disputar o Grande Prêmio de Portugal na Moto2 e com uma corrida cerebral, chegou em 3º, atrás de Stefan Bradl e Julian Simon. As cenas emocionantes após a corrida de Takahashi valeu o final de semana do Mundial de Motovelocidade.
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