terça-feira, 19 de abril de 2011

Enquanto isso no domingo...

O comentarista de futebol Paulo Cesar Vasconcellos é mestre em criar bordões e um deles era que “o futebol é uma benção”. Ele se referia a jogadores de futebol medianos que conseguiam lugar em grandes clubes e acabam por conquistar títulos importantes. Um exemplo que ele dava era o atual comentarista Caio Ribeiro. Parafraseando PC Vasconcellos, “o automobilismo é uma benção” no que se refere a Helio Castroneves.

Castroneves nunca foi campeão em nenhuma categoria por onde passou, mas conseguiu alcançar a CART em 1999 graças aos contatos que o seu então empresário Emerson Fittipaldi tinha. Não fez nada demais, mas com a morte de Greg Moore no final daquele ano, a tradicional Penske ficou com um lugar vago para o ano seguinte. Praticamente desempregado por nada ter feito, Castroneves foi para a melhor equipe dos Estados Unidos graças a Fittipaldi e com a Penske conquistou várias vitórias, inclusive nas 500 Milhas de Indianápolis, fama e dinheiro. Contudo, Hélio levou pau de todos seus companheiros de equipe sem exceção (Gil de Ferran, Sam Hornish Jr., Ryan Briscoe e mais recentemente Will Power) e nunca faturou o título da Indy mesmo estando na fortíssima Penske há onze anos. Mostrando o quanto Castroneves está abaixo dos seus companheiros de equipe ficou claro em Long Beach, neste domingo. A Penske dominava a corrida, com seus três pilotos entre os quatro primeiros. Numa relargada, Briscoe, Ryan Hunter-Reay (da Andretti) e Power disputavam a freada, enquanto Castroneves, longe da briga e com medo de um ataque de Franchitti, apertou o pedal de freio o mais forte possível. Atrasou o máximo a freada e conseguiu bater no líder do campeonato Power e ainda estragar sua própria corrida.

Como resultado da barbeiragem de Helio Castroneves a Penske começou a perder o domínio que exercia na prova. Power havia feito a sua habitual pole no tradicional circuito de rua em Long Beach, mas perdeu a ponta após um acaso do destino numa bandeira amarela causada por Simone di Silvestro. Ryan Briscoe tinha acabado de fazer sua parada e liderava a corrida quando a bandeira verde foi mostrada novamente. E então Helio fez seu desastroso strike. Mesmo ainda tendo Briscoe na pista, a Penske perdeu a corrida para a grande surpresa do dia. Mike Conway já havia mostrado algum talento nos circuitos mistos e havia largado em 3º, quando teve problemas em seu pit-stop. O inglês da Andretti começou sua recuperação e na última relargada já aparecia em 4º, atrás de Briscoe, Hunter-Reay e Franchitti. Conway não tomou conhecimento do tricampeão da Indy e deixou Franchitti para trás e no momento em que se aproximava do seu companheiro de equipe, Hunter-Reay tem problemas elétricos e Michael Andretti se desesperava. Michael acahava que havia perdido seu principal piloto e que Conway, que passou o ano passado se recuperando de um forte acidente em Indianápolis, não aprontaria em cima do experiente Briscoe. Pois no mesmo local em que ultrapassou Franchitti, Conway deixou Briscoe para trás e iniciou um impressionante ritmo de corrida e venceu com folga, novamente arrancando o sorriso de Michael Andretti. Para quem não conhece, Conway foi o principal rival de Nelsinho Piquet e Bruno Senna na F3 Inglesa e após duas temporadas infrutíferas na GP2, se mudou com mala e cuia para a América. De forma até surpreendente, ele conseguiu uma transferência para a Andretti, sendo uma espécie de piloto-junior da equipe, mas Conway já superou o desastrado Marco Andretti (que aprontou das suas em Long Beach...) e a ruinzinha da Danica, ficando atrás apenas do regular Hunter-Reay. A primeira vitória de um estreante não ocorria desde 2008, mostrando o quanto a Indy permanece nas mãos dos mesmos, tanto que Franchitti reassumiu a liderança do campeonato e após ser atropelado por Castroneves, Power ainda conseguiu se recuperar e chegar em 10º, se segurando na vice-liderança. Precisando de muitos pontos nos mistos por causa de sua fraqueza em ovais, essa errata de Castroneves pode custar caro ao australiano.

Como último destaque fica a emocionante chegada na corrida da Nascar em Talladega. Os pilotos descobriram que conseguiam mais velocidade andando em dupla, empurrando um ao outro durante toda a prova. As longas filas deixaram de existir e a possibilidade de um ‘Big One’ diminuiu bastante, mas o final da corrida fica extremamente emocionante, como nesse domingo. Quatro duplas chegaram praticamente lado a lado na curva 4 da última volta da corrida e Jimmie Johnson superou Clint Bowyer pela mínima margem de um milésimo de segundo, provavelmente a menor diferença na Nascar. Uma vitória abençoada!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Figura(CHN): McLaren

Mesmo com a espetacular reação do time após uma pré-temporada preocupante, o início do final de semana chinês foi preocupante para o time capitaneado por Martin Whitmarsh. Lewis Hamilton disse que estava perdendo a paciência sobre a capacidade do time lhe oferecer um carro capaz de ser campeão e o que parecia inacreditável, podia ocorrer, com a saída de Hamilton da McLaren. A resposta da tradicional escuderia veio na pista e fora dela. Derrotada pela Red Bull nos treinos livres, a McLaren colocou seus dois carros logo atrás de Vettel, mas mostrando o quão determinados estão seus funcionários foi dado pouco antes da abertura dos boxes, faltando poucos minutos para a largada. Um vazamento foi encontrado no carro de Hamilton e os mecânicos trabalharam freneticamente para consertar o problema e ainda mandar o inglês para o grid antes do pit ser fechado, conseguindo o objetivo faltando apenas 30s. Como resposta, Hamilton e Button fizeram ótimas largadas e o campeão de 2008 deu um show de perícia e agressividade num ritmo de corrida incrível, juntamente com a ótima estratégia da McLaren e ótimas paradas. A McLaren deu uma resposta ao seu primeiro piloto em grande estilo na China.

Figurão(CHN): Williams

Assim como a protagonista da coluna anterior, este time também tem muitas glórias e tradição, mas ao contrário da McLaren, a Williams inicia 2011 de forma péssima, apesar das últimas atuações não condizerem com a estrada vitoriosa do time de Frank Williams. A verdade é que desde a saída tumultuada da BMW no final de 2005 a Williams nunca mais brigou por vitórias e após perder patrocinadores de forme sucessiva, o time vem se colocando no pelotão intermediário quase que conformadamente. Mesmo tendo um bom know-how, engenheiros vitoriosos como Patrick Head, uma estrutura de fazer inveja a mais da metade do grid e um piloto rápido, experiente e motivado como Rubens Barrichello, o time vê em 2011 a acumulação de baixo orçamento com falta de apoio e a o resultado é a Williams ter o pior início de temporada desde sua criação na metade da década de 70. Em Xangai, Barrichello e Pastro Maldonado estiveram longe de se colocarem no top-10 e o venezuelano ainda passou pelo vexame de ficar atrás da Lotus de Heikki Kovalainen sem nada demais ter acontecido com ele. Após três corridas, quatro abandonos e nenhum ponto, a Williams tem a exata noção do buraco em que se meteu com um carro mal nascido e a necessidade mais do que urgente em conseguir se recuperar neste ano e até mesmo para assegurar seu futuro.

domingo, 17 de abril de 2011

Uma cara diferente em 2011

Que as novas regras melhoraram as corridas da F1, isso ficou claro na semana passada na prova na Malásia. Contudo, a corrida deste domingo foi ainda melhor do que a agitada prova malaia e as táticas provocadas pelos novos pneus que se desgastam bem mais não confirmou o amplo favoritismo de Sebastian Vettel e quem se aproveitou disso foi Lewis Hamilton, que começou a semana criticando a McLaren, mas viu sua equipe lutar contra o tempo para consertar um problema de última hora e vencer pela primeira vez no ano também utilizando a sua já tradicional garra e talento para efetuar várias ultrapassagens durante a emocionante corrida chinesa.


As emoções do Grande Prêmio da China começaram antes mesmo da largada, quando a McLaren de Hamilton apresentou um vazamento de combustível e os mecânicos trabalharam freneticamente para fazer o inglês não perder sua 3º posição no grid. A pressa foi tal que Lewis saiu dos boxes ainda sem um pedaço de sua carenagem e com escassos 30s faltando para o box fechar. Mas ficou a dúvida. A McLaren superaria o problema apresentado ainda nos boxes? A resposta veio na ótima largada dos seus dois pilotos, com Button e Hamilton superando Vettel ainda antes da primeira curva e não serem ameaçados pelo alemão da Red Bull. Button comandou o início da prova, com Hamilton sempre muito próximo quando começaram as paradas de boxe. A nova dinâmica da corrida viu várias alternativas sendo criadas e mudanças de comportamento nos carros. Após a primeira parada, Nico Rosberg liderava com boa vantagem, enquanto a Ferrari de Felipe Massa parecia prestes a escalar o pelotão rumo a uma provável briga pela vitória. No entanto, táticas diferentes entraram no tabuleiro. Mercedes e McLaren resolveram parar três vezes, considerado normal para a atual temporada, enquanto Ferrari e Vettel parariam duas vezes. Isso mudou o panorama da prova, com Vettel liderando à frente de Massa, com os três carros prateados de Rosberg, Button e Hamilton logo atrás. Porém, foi nesse momento que Hamilton começou seu show de pilotagem e de ultrapassagens, deixando para trás Button, Massa e Vettel (faltando cinco voltas) em emocionantes disputas na pista e a corrida veio para o inglês de forma sensacional. Hamilton chegou a ameaçar que não aturaria por muito tempo a McLaren e seus carros regulares e confiáveis, mas não tão rápidos quanto a concorrência. O time prateado respondeu com um bom carro em ritmo de prova, uma dedicação para colocar Hamilton na pista antes do fechamento dos boxes, no qual se a equipe fosse menos competente, faria o inglês largar dos boxes, que poucos times fariam e ótimas paradas de boxe. Lewis pode deveria estar mais do que agradecido por ter uma equipe de ponta em torno de si e mostrou que pode, em determinadas condições, superar a Red Bull e brigar pelo título com Vettel. Jenson Button proporcionou o momento pastelão da corrida ao simplesmente errar seu pit e entrar no meio da equipe Red Bull, com sua equipe lhe esperando mais à frente. O erro do inglês lhe custou a posição de Vettel na primeira rodada de paradas, mas Button foi o piloto eficiente de sempre, chegando em 4º lugar, nos mostrando gana em segurar um agressivo Hamilton e também um muito mais rápido Webber.


Se a Red Bull perdesse uma corrida como a de hoje ano passado, haveria motivos suficientes para criticar o time por falta de experiência e erros estratégicos. Porém, o time tentou uma forma fórmula para Vettel reconquistar a vantagem vista nos treinos e por cinco voltas ela não funcionou, mas os pneus duros da Pirelli não permitiram ao alemão segurar por mais tempo o nitidamente mais veloz Hamilton. Não restam dúvidas que o Kers começa a fazer falta a equipe e a largada, momento em que Vettel se viu ultrapassado pelas duas McLarens, foi nítido que o alemão ficou vendido. Mesmo assim a equipe acertou em cheio na estratégia que permitiu a espetacular recuperação de Mark Webber na corrida, que fez o australiano sair da obscura 18º posição rumo ao pódio, apenas 7s atrás do líder Hamilton e dois de Vettel. Webber começou a prova com pneus duros e foi discreto a ponto de ser ultrapassado pelo atirado Sergio Pérez, mas no decorrer da corrida, sempre com pneus moles e mais rápido do que os demais, o australiano foi galgando posições e conseguiu uma das corridas de recuperação mais espetaculares dos últimos anos, dando uma moral incrível a Webber para o resto do ano, podendo fazer com que o australiano volte a ser o piloto de ponta do ano passado. Nico Rosberg foi outro a fazer uma grande apresentação e por um certo momento o alemão parecia lutar seriamente pela vitória graças a estratégia de Ross Brawn, mas o piloto da Mercedes perdeu um pouco de rendimento na medida em que a corrida passava e terminou em 5º lugar, mas a boa corrida do alemão foi a prova de que a Mercedes pode crescer muito mais e lutar pela ponta durante o campeonato. Michael Schumacher não emulou o desempenho do seu jovem companheiro de equipe, mas ao menos chegou nos pontos e brigou bastante durante a prova, quase superando a Ferrari de Alonso.


Após um longo e tenebroso inverno, Felipe Massa fez uma grande corrida e suplantou completamente Alonso desde a largada. O brasileiro enfrentou praticamente sozinho carros bem mais rápidos do que o seu e ainda assim o pódio era algo palpável para Felipe no final da prova. A Ferrari tentou uma estratégia de duas paradas e foi Massa a liderar a equipe, levando o carro nas costas, ficando em 2º na parte final da corrida, quando as limitações da Ferrari fizeram com que o brasileiro fosse engolido por McLarens, Rosberg e Webber. Porém, a boa atuação de Massa lhe deu um pouco mais de moral frente a um apático Alonso, que mais pareceu Massa em seus piores (e recentes) dias. O espanhol foi uma pálida sombra de si mesmo e na comparação a Massa, gerenciou bem pior seus pneus, ficando muito atrás do seu companheiro de equipe. Com a próxima corrida sendo na Turquia, onde Massa sempre andou muito bem, as perspectivas são boas para o brasileiro. A Renault não repetiu as ótimas atuações das duas primeiras corridas do ano e Petrov teve que se contentar com a nona posição, marcando pontos importantes num dia em que o time francês não se encontrou e teve que largar em posições intermediárias por causa de problemas, o mesmo afetando Heidfeld, que ficou desta vez longe dos pontos. Mais uma vez superado por Petrov...


Nas equipes médias, Kamui Kobayashi é disparado o melhor piloto e com as suas já tradicionais ultrapassagens, mas também mostrando paciência e regularidade, o japonês vai marcando seus pontinhos, enquanto Sergio Pérez mostrou uma agressividade desvairada, provocando dois toques com alemães (Heidfeld e Sutil), ganhando com isso um drive-though e mostrando que precisa segurar um pouco mais sua impetuosidade. A Force Índia até começou bem com Paul di Resta se segurando na sua boa posição de largada, enquanto Sutil, que largou bem, estava logo atrás do seu companheiro de equipe, mas o time foi perdendo rendimento durante a prova e Di Resta não marcou pontos pela primeira vez em sua curta passagem pela F1, enquanto Sutil foi vítima de uma manobra banzai de Pérez e caiu várias posições, ficando longe dos pontos. A Toro Rosso deu pinta que poderia mostrar que os bons resultados na pré-temporada não era blefe e teria chances de marcar bons pontos hoje, mas já na largada Buemi e Alguersuari foram perdendo posições e após a primeira parada, o espanhol seria o único a abandonar com um pneu traseiro saindo do seu carro. Buemi fez uma prova apagadíssima e ficou bem longe dos pontos, enquanto a dupla da Toro Rosso vê a sombra de Daniel Ricciardo bem grande perto deles. A Williams errou na mão esse ano e a tradicional equipe, de tantas glórias no passado, se viu brigando para não ser a pior das equipe já estabelecidas, conseguindo o objetivo pela metade, pois se Barrichello conseguiu ficar á frente da Lotus, Pastor Maldonado não o fez e passou o vexame de ficar atrás de Kovalainen. Se a Lotus já começa a entra na briga pelas posições intermediárias, Virgin e Hispania mostraram mais confiabilidade e completaram a corridas com seus dois pilotos, com destaque negativo para Liuzzi, que ficou atrás de Narain Karthikeyan na corrida, depois do hindu ter ficado cinco anos (!) fora da F1.


A F1 termina sua primeira temporada asiática mostrando que a Red Bull continua tendo o melhor carro e um Vettel cada vez mais seguro e não menos veloz, mas também que equipes como McLaren, Mercedes e, um degrau atrás, Ferrari continuam se mexendo e podem impedir um fácil título dos energéticos. A McLaren mostrou o quanto cresceu já na primeira corrida após uma pré-temporada pífia, enquanto a Mercedes já mostrou sua garra ao ver Rosberg liderar com seus próprios méritos. A Red Bull que se cuide, pois o título ainda não está ganho e há muita gente boa querendo impedir isso.

sábado, 16 de abril de 2011

Igual a 2004?


Vou comentar a Classificação apenas vendo os resultados e por causa disso fica mais clara o cheiro de repetição da temporada 2004, quando todos sabiam que Schumacher seria campeão com apenas 20 minutos de treino livre da corrida de abertura em Melbourne. Sebastian Vettel conseguiu abrir sete décimos sobre as duas McLarens, pelo o que deu para ler, longe do seu limite. A Red Bull tende a ser a equipe dominante nesta temporada e com um Vettel cada dia melhor, não será surpresa ver o jovem alemão sendo bicampeão com facilidade.


Para diminuir as possibilidades de que algo possa dar errado para o alemão, Mark Webber vem tendo problemas a rodo nesse início de ano e o australiano, com problemas em seu Red Bull, largadá nas últimas posições, só à frente das equipes nanicas. Em 2011, Vettel parece correr livre, leve e solto. As McLaren são as únicas com alguma chance de impedir a Red Bull de dominar neste ano, já que a Ferrari continua a sofrer com a falta de desempenho nas Classificações. Alonso e Massa largarão em 5º e 6º novamente, já que Nico Rosberg foi o piloto da vez que ficou entre McLarens e Ferraris. Mas se no time italiano a diferença entre os pilotos foi mínima, na Mercedes a coisa começa a ficar feia para Schumacher, outra vez muito longe do seu companheiro de equipe. O bom desempenho da Red Bull trouxe até mesmo a Toro Rosso para voos maiores e o time-filial ficou no top-10. Paul di Resta começa a chamar atenção por andar constantemente na frente do experiente Sutil na Force India, enquanto Barrichello periga ter um provável ano de despedida melancólico com a decadente Williams.


Assim como na Malásia, há possibilidade de chuva e as corridas chinesas se mostraram bastante chuvosas nos últimos anos. Somente isso para dar uma segurada em Vettel que, para desespero das rivais, também é ótimo em ritmo de chuva. Button foi mais rápido do que Hamilton e como o campeão de 2009 tem um ritmo de corrida melhor do que o campeão de 2008, pontos para Jenson, enquanto a Ferrari tenta repetir o bom desempenho em ritmo de corrida na Malásia. Tudo isso é pela briga pelo 2º lugar. Pois o primeiro lugar parece ter dono...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

História: 25 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1986

Após a já tradicional corrida de abertura no Rio de Janeiro, a F1 retornava à Europa para a primeira grande novidade do calendário de 1986. A Espanha sediou por muitos anos corrida de F1, mas principalmente em Jarama e no malfadado circuito de rua em Mointjuich, nos arredores de Barcelona. Desde 1981 não havia uma corrida no país ibérico, mas os responsáveis resolveram construir um novo autódromo para atrair novamente a F1, mesmo a motovelocidade sendo bem mais popular do que o automobilismo na Espanha. O circuito de Jerez de la Frontera não agradou aos pilotos e aos críticos, pois o achavam muito travado e estreito.

Como já comum desde 1985, Senna conquistava a pole com larga vantagem sobre os demais, mas assim como aconteceu em Jacarepaguá, Nelson Piquet era o mais próximo, mostrando a rápida adaptação do brasileiro ao carro da Williams, que crescia a olhos vistos e Mansell era a prova disso, ao ficar logo atrás do companheiro de equipe. Não devemos nos esquecer que Mansell, mesmo com duas vitórias na carreira, não era considerado uma estrela na companhia até então. Em decadência ou não, a McLaren vinha logo a seguir, enquanto as Ferraris decepcionavam amargamente, com nenhum carro vermelho entre os dez primeiros do grid.

Grid:

1) Senna (Lotus) – 1:21.605

2) Piquet(Williams) – 1:22.431

3) Mansell(Williams) – 1:22.576

4) Prost(McLaren) – 1:22.886

5) Rosberg(McLaren) – 1:23.004

6) Arnoux(Ligier) – 1:24.274

7) Berger(Benetton) – 1:24.501

8) Laffite(Ligier) – 1:24.817

9) Fabi(Benetton) – 1:25.052

10) Dumfries(Lotus) – 1:25.107

O dia 13 de março de 1986 estava quente e ensolarado em Jerez, mas o público não lotou o novo autódromo. Esse clima lembrava um pouco a famosa corrida na Espanha, em Jarama, cinco anos atrás quando houve uma histórica chegada com Villeneuve recebendo à bandeirada na frente de outros quatro carros. Senna sempre dizia que largava bem para poder aproveitar sua pole e evitar problemas que sempre ocorrem nas largadas e assim o brasileiro da Lotus fez, deixando para trás os outros quatro concorrentes à briga pela corrida, com os cinco primeiros permanecendo na mesma posição no contorno da primeira curva. Teo Fabi tem o bico de sua Benetton quebrado na primeira curva, enquanto Alan Jones e Jonathan Palmer batiam no meio da primeira volta, mostrando que ultrapassar no estreito circuito de Jerez não seria tarefa fácil.

Ainda durante a primeira volta, Rosberg ultrapassa seu companheiro Prost, mas os cinco primeiros permanecem no mesmo ritmo, colados um ao outro. O finlandês, campeão mundial em 1982, sempre foi conhecido por sua agressividade e logo na 2º volta deixa Mansell para trás, subindo para terceiro. Numa tática de tentar preservar os pneus, Mansell praticamente permite Prost o ultrapassar na 6º volta, mas o inglês não desgarrava do pelotão da frente. Senna, Piquet, Rosberg, Prost e Mansell andavam como um relógio atrás do outro. Cada um com no mínimo um título de campeão. Era uma briga de cachorro grande! A Ferrari conseguia galgar algumas posições, sempre com Johansson à frente de Alboreto, mas o sueco tem problemas com os freios de sua Ferrari, passa reto numa curva e bate forte, machucando seu pé direito e tendo que ser levado ao hospital. Após ficar algum tempo atrás das McLarens, Mansell ataca e ultrapassa os dois carros brancos e vermelhos em poucas voltas, se aproximando do seu companheiro de equipe. Não era segredo que Piquet foi para a Williams tentando ficar com o status de primeiro piloto da equipe e nunca imaginou ser importunado por Mansell, até 1985 um piloto mediano. O inglês queria provar que 1986 seria seu ano de virada e na volta 32 faz uma tranqüila ultrapassagem sobre Piquet no final da reta dos boxes. O próximo alvo seria Senna. Porém, Mansell e Senna haviam protagonizados toques nas duas últimas corridas e o inglês havia se dado mal. Na abertura da volta 40, Mansell estava colado na traseira de Senna no início da reta dos boxes e no momento em que colocavam uma volta da Tyrrell de Martin Brundle, o inglês usou a potência do seu motor Honda, colocou de lado e efetuou a ultrapassagem, assumindo a ponta da corrida.

Quase ao mesmo tempo, Nelson Piquet abandonava com o motor quebrado e era Prost quem assumia o 3º lugar. O francês fazia sua corrida de espera, usando a velha tática de resguardar seu equipamento para dar o bote na hora certa. Jerez era um circuito novo e o desgaste de pneus era desconhecido para todo mundo. Rosberg, um piloto agressivo, fez sua parada nos boxes. Mansell, após abrir uma boa diferença, começava a perder rendimento e permitiu a aproximação de Senna, que já trazia Prost na sua traseira. Mansell queria se segurar na ponta até a bandeirada, mas estava claro que o Williams do inglês dificilmente seguraria na frente de Senna e Prost, que davam sinais de que não parariam nos boxes. Após ser ultrapassado pelos seus perseguidores praticamente na mesma manobra, Mansell se dirigiu aos boxes, totalmente sem pneus, na volta 62. Faltavam apenas dez para o final. Mansell parecia ter perdido a corrida nesse momento, enquanto Prost esperava um cada vez mais desequilibrado Senna também fosse aos boxes. Porém, naquela tarde de março de 1986 vimos pela primeira vez duas exibições que surpreenderam o mundo da F1. Senna só havia vencido duas corridas na chuva, mas no forte calor de Jerez tinha gerenciado tão bem seus pneus Goodyear, que não apenas faria toda a corrida sem parar nos boxes, como estava segurando sem grandes sustos o rei da tática Prost. Mais atrás, Mansell iniciava uma empolgante recuperação e sua atitude de não desistir nunca era mostrada a todos naquele dia ensolarado em Jerez. Mansell estava 16s atrás dos líderes, mas vinha 3s mais rápido do que eles. Era volta mais rápida em cima de volta mais rápida. Com pneus novos, o piloto da Williams ultrapassou Prost como se o francês estivesse parado quando faltavam quatro voltas para o fim. Rapidamente Senna estava nas visões de Mansell. O inglês da Williams parecia se aproximar a cada curva e Senna nada poderia fazer para segurar o Leão. Quando o piloto da Lotus abriu a última volta, sua diferença havia caído para perigosos 1.5s. Mansell não achava muito espaço para ultrapassar, mas chegou na curva Ducados, a última antes da reta dos boxes, colado em Senna. Com melhor aderência, o inglês foi para a esquerda e colocou de lado. Senna só podia acelerar seu Lotus-Renault e rezar para que a linha de chegada chegasse o mais rápido possível. Os dois cruzaram a bandeirada lado a lado. Nenhum dos dois comemorou com muito entusiasmo, pois não sabiam se haviam vencido. Na chegada mais apertada da história da F1 (já que a final do GP da Itália de 1971 pode ter sido 0.010s ou 0.019s, nunca saberemos ao certo), Senna ainda cruzou à frente de Mansell por 0.014s. Como havia acontecido cinco anos antes, a Espanha vinha outra chegada histórica.

Chegada:

1) Senna

2) Mansell

3) Prost

4) Rosberg

5) Fabi

6) Berger

terça-feira, 12 de abril de 2011

Enquanto isso no domingo...


Para quem reclama das transmissões da Rede Globo na F1, é bom assistir algum dia uma corrida na Bandsports. Eu tive essa experiência neste domingo, na Formula Indy. Primeiro colocaram um narrador inexperiente e totalmente sem tempo em suas intervenções, confundindo nomes e ‘vendo’ momentos da corrida na hora errada. Sinceramente não me lembro do nome do rapaz, que nem tanta culpa, pois caiu de pára-quedas na transmissão.


O pior foi o experiente comentarista Eduardo Homem de Mello. O acompanho desde a Copa Corsa na ESPN, mas na Bandsports ele está exagerando em opiniões infelizes e pachequismo. Antes da largada no Alabama, Bia Figueiredo deu uma pequena entrevista à dupla que estava no Brasil e Homem de Mello rasgou a seda para Bia, dizendo que ela botaria Danica Patrick e Simona de Silvestro no bolso, e rapidinho estaria entre os seis melhores pilotos da Indy. Ser melhor que a Danica nem é tão difícil, mas Simona vem se mostrando amplamente superior à Bia e na prova do Alabama o talento da suíça ficou claro. Porém, o engraçado não foi nem isso. O substituto de Bia, o francês (não belga, como o narrador cansou de dizer...) Simon Pagenaud ficou entre os dez primeiros e fez uma prova bem mais consistente em sua primeira prova na Indy do que as quatro provas realizadas por Bia até agora. Mas não se preocupem, ela estará entre os seis melhores da Indy em breve...


Contudo, a pior opinião de Homem de Mello foi com relação a nova regra das relargadas. Isso foi uma das piores ações da IRL nos últimos tempos e todo mundo está reclamando. Só não há unanimidade porque nosso querido comentarista acha que é emocionante largar em fila dupla e que a regra antiga, com relargadas em fila indiana, transforma a corrida em procissão. Realmente é super emocionante ver aquelas sessões intermináveis de bandeira amarelas causadas pelos acidentes nas relargadas...


Na corrida propriamente dita, a beleza do circuito de Barber infelizmente contribui para a falta de ultrapassagens durante a prova, e o único local de ultrapassagem nos trouxe algumas bandeiras amarelas. Lá na frente, Power só se preocupou em se manter na frente nas relargadas, com Scott Dixon sempre fungando no seu cangote, mas o piloto da Chip Ganassi nunca pressionou de verdade o piloto da Penske em bandeira verde. Dario Franchitti é um ótimo piloto, mas sua sorte parece aumentar com os anos, pois o escocês sempre ganhava alguma posição nas confusas relargadas neste domingo e acabou a prova em 3º, só não ficando na liderança do campeonato por que Power foi 2º em St. Petersburg. Pelo andar da carruagem, a temporada pode ser uma repetição de 2010, com Power e Franchitti disputando o título, com o piloto da Pesnke dominando nos circuitos mistos, enquanto o escocês consegue bons resultados nesse tipo de pista e tenta sempre a vitória nos ovais, enquanto Power sofre. Quanto aos brasileiros, Tony Kanaan pode muito bem ir à equipe de Michael Andretti e mostrar o quanto foi errado ter dispensado-o ao final do ano passado. O baiano fez uma prova espetacular, largando em 24º para chegar em 6º, após uma primeira volta digno de nota, ganhando dez posições. Helio Castroneves é o pior piloto do trio da Penske e sua fase anda tão braba que levou ultrapassagem até da Danica Patrick. Algo muito desabonador num circuito misto... Raphael Mattos e Vitor Meira ficaram retidos pelas limitações dos seus equipamentos.


Foi uma corrida cheia de bandeiras amarelas e isso foram os únicos momentos de emoção e Power sentiu um pouco de pressão de Dixon, sempre o 2º colocado. Se na F1 houve ultrapassagens a granel em Sepang, a Indy, a Formula da Emoção, como gosta de dizer a TV Bandeirantes, ficou devendo bastante. E com transmissões como a deste domingo, a Globo se consolidará na liderança por muito tempo.