domingo, 12 de junho de 2011

Tirando a casca

Will Power perdeu o campeonato do ano passado pelo seu (pouco) desempenho em circuitos ovais, pois nos mistos, o australiano dominava. O piloto da Penske sempre dizia que seu problema nos circuitos ovais era o azar, mas os resultados mostravam o contrário. Neste sábado à noite, Power finalmente deu a resposta aos seus críticos com uma bela exibição na rodada dupla no perigoso circuito do Texas, onde conquistou sua primeira vitória num oval, depois de ter chegada em terceiro lugar na primeira bateria.

Com mais essa invenção da IRL, Texas abrigou a 17º corrida na história da Indy dividida em duas, sendo que a última ocorreu a mais de trinta anos atrás. A idéia seria boa se não houvesse algumas marmotas, como o sorteio definindo o grid de largada da segunda bateria. Sem tirar os méritos de Power, isso praticamente definiu sua vitória. Como era esperado, a Ganassi chegou ao velocíssimo circuito de Fort Worth com um belo acerto e o resultado foi a dobradinha da equipe na primeira bateria, com Franchitti superando Scott Dixon por uma diferença mínima, algo comum no Texas. Mostrando sua evolução nos ovais, Power chegou colado nos carros vermelhos do gordo chefe de equipe e até poderia ter brigado mais seriamente pela vitória.

Então, veio o sorteio e a equipe de Chip Ganassi foi ‘agraciada’ com a 19º posição de Dixon e a 28º de Franchitti. Com um carro bem acertado, Power largaria em terceiro, tendo em Tony Kanaan, o ‘pole’ da segunda bateria, como maior adversário. Se na primeira bateria só houve uma bandeira amarela, os pilotos foram ainda mais cautelosos na segunda corrida, onde a prova não teve uma única interrupção. Assim, ficou fácil para Power, pois quando se viu livre de Kanaan disparou na ponta. Dixon ainda evoluiu e chegou em segundo estragando o que seria uma tripleta da Penske, que viu Briscoe e Castroneves nas posições seguintes. Uma bela recuperação da equipe Penske após o fiasco em Indianápolis. Franchitti não teve as bandeiras amarelas para fazer da estratégia um fator, mas ainda assim o escocês conseguiu uma bela corrida de recuperação e chegou no top-10.

Porém, o que deve ter preocupado mais Franchitti foi a primeira vitória de Power num oval, algo que deve ajudar muito para o psicológico do australiano, já que com esse triunfo, misturando com suas belas exibições nos circuitos mistos, deve lhe dar ainda mais confiança rumo ao seu primeiro título na Indy.

sábado, 11 de junho de 2011

Mais do mesmo

Destacar mais uma pole de Sebastian Vettel é chover no molhado, mas desta vez o alemão teve um pouquinho a mais de trabalho neste sábado com a boa performance da Ferrari, que viu o ressurgimento de Felipe Massa. A chuva que ameaçou cair não veio, mas o tempo frio criou alguns problemas de aquecimento de pneus e freios, com destaque para as fritadas de pneus dadas pelos pilotos, que se não trouxe os vários acidentes que houve na sexta-feira, deixou o treino mais espetacular.
Vettel marcou o tempo de 1:13.0 e não deu chances a Ferrari, muito forte desde os treinos livres e com Massa chegando a marcar o tempo mais rápido do Q2. Apesar da aparência de fogo de palha, até por que o brasileiro completou uma segunda volta com os pneus supermacios, o Q3 mostrou que Massa vem forte nesse final de semana. Sem a incômoda companhia de Mark Webber, que nem treino pela manhã por uma problema no Kers, Vettel se preocupou apenas com as Ferrari e se o piloto da Red Bull esperava apenas Alonso, também tinha que observar o bom desempenho de Massa, sempre mais rápido do que o companheiro de equipe na Classificação. Após não conseguir melhorar seu tempo na volta final, Vettel viu as duas Ferraris encerrarem o treino juntas, com Alonso tirando o doce de Massa por apenas 18 milésimos de segundo, largando mais uma vez à frente do companheiro de equipe. De tão acostumada com a pole, a Red Bull mal comemorou mais essa pole de Vettel, enquanto Massa voltava à foto dos três primeiros após longo e tenebroso inverno. A McLaren ficou claramente abaixo das duas equipes e nem o polêmico Hamilton se aproximou de Webber, que fechou a segunda fila. Na verdade os carros prateados ficaram embolados com a Mercedes, ficando com a terceira e quarta fila, com a Renault fechando o Q3, mas com uma diferença de apenas 1s para o pole. Muito equilíbrio!

O resto, foi literalmente o resto. No final do Q2, Paul di Resta, o 11º, ficou quase meio segundo atrás da Renault de Petrov, mostrando o abismo das cinco primeiras equipes e o resto. Barrichello sofre com um carro pode lhe dar uma despedida melancólica da F1, até porque começa a ser superado por Pastor Maldonado, mostrando que é mais do que um pay-driver. Lá atrás, a Virgin mostra que a saída de Nick Wirth da equipe tem algum fundamento, com o time de Richard Bronson claramente alcançado pela mambembe Hispania, inclusive com Jerome D'Ambrosio fora do limite de 107% da Classificação, atrás de Liuzzi e Karthikeyan.

Se a chuva não veio hoje, segundo a metereologia, é certeza vir amanhã. E as coisas mudam completamente de figura, pois até o momento não se viu o comportamento dos pneus Pirelli com pneus biscoito e os vários acidentes que marcaram os treinos livres podem se repetir com muita frequencia na corrida. Resultado imprevísivel amanhã!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Gilles Villeneuve?

Lendo edições antigas da revista Quatro Rodas (um dos meus hobbies favoritos), achei essa pérola na edição de Setembro de 1990. Uma reportagem falava sobre os jovens pilotos brasileiros que invadiam a F3 Sul-Americana, antes uma categoria reservada a piloto experientes, como Guillermo Maldonado e Leonel Friedrich. Num perfil sobre os novos 'botas' brasileiros da F3, a revista assim escreveu sobre Pedro Paulo Diniz:



É o nosso Gilles Villeneuve. Rápido e ousado como poucos, precisa saber programar melhor sua estratégia nas corridas, pois um bom piloto não precisa saber apenas acelerar. Tem potencial para crescer.


Cinco anos depois, o autor deste texto deve ter ficado definitivamente arrependido pela comparação...

terça-feira, 7 de junho de 2011

MMA na Nascar



Alguns dias atrás, postei um vídeo de uma briga de trânsito entre Kyle Busch e Kevin Harvick após a corrida no circuito de Richmond. O primeiro é considerado o bad boy da Nascar, se metendo em confusões em praticamente toda semana pelo seu estilo agressivo dentro das pista e extremamente temperamental fora delas, a ponto de não aceitar se tocado ou ultrapassado nas últimas voltas das provas das três principais categorias da Nascar, algo que ele faz muito. Mal visto pela grande maioria dos demais pilotos da Nascar, Busch finalmente teve o que merecia, segundo seus críticos.


Na prova da Truck Series em Kansas, na última sexta-feira, Kyle Busch foi ultrapassado pelo jovem piloto Joey Coulter no final da corrida e não gostou da atitude do representante da equipe de Richard Childress, reclamando com ele quando estacionaram seus trucks nos pits. Childress, que também é chefe da equipe de Harvick, explodiu em fúria e partiu para cima de Busch, lhe acertando socos que, segundo as más línguas, teria deixado Buschinho (como é conhecido no Brasil) com um dente a menos. Claro que a Nascar suspendeu o chefe de uma das mais tradicionais equipes da Nascar, mas a pergunta que ficou foi: como um senhor de 65 anos pode espancar um jovem de 26?

domingo, 5 de junho de 2011

Monotonia australiana

Casey Stoner chegou na Espanha, deu um tchauzinho para os donos da casa e passeou no circuito de Montmeló, vencendo praticamente de ponta a ponta, não dando chances a Jorge Lorenzo, o único piloto atualmente a ameaçar o australiano e ainda lidera o campeonato, mesmo com a segunda vitória seguida de Stoner.

Com perspectivas de chuva, chegando até mesmo a aparecer as bandeiras brancas autorizando a trocaro para as motos acertadas para piso molhado, os pilotos maneiraram e a corrida foi extremamente monótona. O grande personagem do final de semana, o ameaçado Marco Simoncelli, largou mal saindo da pole e após seguidas chamadas de atenção, o italiano não exibiu seu tradicional estilo agressivo e praticamente se acomodou a corrida inteira em sexto. Não ameaçou ninguém e não partiu para cima de Rossi, o piloto que vinha à sua frente. Lorenzo assumiu a ponta na largada após uma ótima saída, mas o espanhol não foi capaz de completar duas voltas na frente de Stoner, que utilizou o incrível poderio de sua Honda e disparou rumo a vitória.

Claro que a ótima fase da Honda ajuda, e muito, o sucesso da montadora em 2011 na MotoGP, mas Stoner está fazendo o que Pedrosa não fez nos últimos anos e parte como grande favorito rumo ao bicampeonato, mesmo tendo como maior adversário um osso duríssimo na pessoa de Jorge Lorenzo, um piloto mais cerebral este ano, mas sem Valentino Rossi para acertar sua Yamaha. O italiano ficou atrás dos segundos pilotos de Yamaha (Ben Spies) e Honda (Andrea Doviziozo), chegando ao máximo do que pode fazer a Ducati. Sem Pedrosa, Stoner praticamente representa sozinho a Honda e com a melhor moto, não será muito tempo para o australiano assumir a ponta do campeonato.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

História: 15 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1996






Após a surpreendente vitória de Olivier Panis em Mônaco, a F1 partia para um circuito completamente diferente e que favorecia de forma decisiva quem tinha o melhor chassi. No caso, a Williams iniciava o final de semana como a grande favorita para vencer no domingo, enquanto Schumacher havia dito ao Rei Juan Carlos que não apostaria uma única peseta nele mesmo no domingo.


Porém, havia uma grande possibilidade de chuva para aquele final de semana, mas enquanto a pista estava seca, a Williams confirmava o seu domínio e como a chuva não deu as caras no sábado, Damon Hill consegue mais uma pole dominante no ano, seguido de perto por Jacques Villeneuve. Usando todo seu talento, Schumacher ainda colocou sua Ferrari em 3º, mas praticamente 1s atrás da Williams. O péssimo rendimento de Ricardo Rosset na Footwork-Arrows já trazia boatos de que o brasileiro seria substituído ainda durante a temporada pelo sueco Kenny Brack, destaque da F3000. Panis continuava a boa fase ao colocar sua Ligier em 8º, mas numa pista em que o equilíbrio do carro é tudo, o francês não foi tão incisivo como em Monte Carlo.


Grid:
1) Hill(Williams) – 1:20.650
2) Villeneuve(Williams) – 1:21.084
3) Schumacher(Ferrari) – 1:21.587
4) Alesi(Benetton) – 1:22.061
5) Berger(Benetton) – 1:22.125
6) Irvine(Ferrari) – 1:22.333
7) Barrichello(Jordan) – 1:22.379
8) Panis(Ligier) – 1:22.685
9) Herbert(Sauber) – 1:23.027
10) Hakkinen(McLaren) – 1:23.070


O dia 2 de junho de 1996 amanheceu chuvoso em Barcelona e pela segunda corrida consecutiva, os pilotos teriam que enfrentar o piso molhado sem nenhum treino prévio. Assim como ocorreu em Mônaco, um piloto perdeu o controle do seu carro teria largar com o seu bólido reserva: Heinz-Harald Frentzen. A pista estava tão encharcada que se considerou a possibilidade de uma largada atrás do safety-car, mas para infelicidade de Damon Hill, principal favorecido pela medida, resolveu-se largar normalmente. O inglês da Williams sai lentamente e é facilmente ultrapassado por Villeneuve e Alesi. O estrago só não foi maior porque Schumacher, que vinha imediatamente atrás de Hill, largou ainda pior e caiu para sétimo ainda na primeira curva. Atrás da enorme cortina de spray, vários pilotos bateram e nada menos que cinco carros estavam fora da corrida, incluindo Olivier Panis, que não repetiria sua surpreendente vitória em Barcelona.


Após seu erro em Mônaco, quando bateu ainda na primeira volta, Schumacher tinha que se recuperar e aproveitar a chance de bater a Williams numa pista desfavorável à Ferrari, mas em condições climáticas no qual Schumacher já era um dos maiores da história. Mesmo com Irvine rodando ainda na segunda volta, Schumacher partiu rapidamente ao ataque e na quarta volta ele ultrapassou Berger, subindo para quarto. Na volta seguinte o alemão ganharia outra posição com o início do pesadelo de Damon Hill. O inglês da Williams saiu da pista na 5º volta, algo que repetiria na 7º e finalmente na 10º passagem da corrida. Ou seja, em dez voltas, foram três erros de Damon Hill e o inglês, após bater seu Williams no muro dos boxes, estava fora da prova e deu munição aos seus críticos. Ou Damon Hill disparava e vencia, ou o inglês se atrapalhava totalmente. Após ultrapassar Berger, Schumacher imprimiu um ritmo alucinante, marcando voltas em média 2s mais rápido que os demais pilotos e na sétima volta o ferrarista ultrapassou Alesi na curva Seat, um ponto de ultrapassagem improvável. Provando que não era sorte, rapidamente Schumacher encostou em Villeneuve e no mesmo local, assumiu a liderança da corrida.


A partir de então, Schumacher começou a disparar na frente, colocando em média 4s de vantagem sobre Villeneuve por volta. A exibição de Schumacher naquele chuvoso começo de junho em Barcelona foi para entrar na história. O alemão fez duas paradas e em nenhum momento foi ameaçado pelos adversários, chegando a abrir mais de um minuto para o segundo colocado. Villeneuve e Alesi pararam apenas uma vez e foi nesse momento que houve a troca de posições, com o piloto da Benetton antecipando sua parada e com a chuva aumentando, pôde ganhar o tempo necessário para ‘ultrapassar’ Villeneuve quando este foi aos boxes. Apesar de Alesi e Villeneuve passaram o resto da prova andando próximos, nenhum dos dois arriscaram uma saída de pista e permaneceram nessas posições. Berger rodou e quando estava em quarto Barrichello foi aos boxes com problemas de câmbio. Já de roupa trocada, o brasileiro foi chamado pela Jordan para pôr novamente o macacão e retornar à pista, mas finalmente o câmbio da Jordan quebrou e Barrichello passou a semana seguinte surdo, pois na pressa de colocar seu equipamento de corrida, ele se esqueceu de colocar os protetores auriculares... Com apenas seis carros restando na pista, o criticado Pedro Paulo Diniz marcava seu primeiro ponto na F1, mas essa não era a principal notícia do dia. Mesmo liderando com folga, Schumacher tinha que enfrentar uma pane no motor Ferrari e passou a metade final da corrida com menos cilindros funcionando, mas isso não parou o alemão, que ganhava assim sua primeira corrida com a Ferrari. Com certeza, naquele momento Michael Schumacher não sabia que abria a contagem de uma parceria que resultaria em cinco títulos mundiais e quase 70 vitórias!

Chegada:
1) Schumacher
2) Alesi
3) Villeneuve
4) Frentzen
5) Hakkinen

6) Diniz

quinta-feira, 2 de junho de 2011

História: 20 anos do Grande Prêmio do Canadá de 1991

A pequena pausa na temporada européia trouxe várias novidades na F1 quando o circo chegou à Montreal para o Grande Prêmio do Canadá. Dentro das pistas, Alex Caffi, que havia sofrido um fortíssimo acidente durante os treinos livres em Mônaco, voltou a se acidentar, desta vez num acidente de transito e ficaria de fora da prova canadense, com a Arrows trazendo no seu lugar o sueco Stefan Johasson. Na Lotus, um fato que cinco anos antes ninguém poderia prever. Com sérias dificuldades financeiras e um carro quase todo branco, a Lotus teve que tirar Julian Bailey porque o inglês não tinha pago seu cockpit, tendo que trazer de volta para a corrida em Montreal Johnny Herbert. Era o início do fim da Lotus, que nunca mais se recuperaria. Fora das pistas, a coisa pegava fogo na Benetton e, principalmente, na Ferrari. John Barnard, o metódico projetista inglês que ainda vivia das suas glórias na McLaren, se desentende com Flavio Briatore, outra pessoa de personalidade forte, e o resultado é a saída de Barnard da Benetton. Esse resultado também ajudaria Piquet a pensar em sua aposentadoria, pois via em Barnard uma chance de a Benetton brigar pela ponta. Falando em McLaren, conta-se que após a quarta vitória de Senna na temporada em Monte Carlo, foi descoberto uma irregularidade no carro da McLaren e para não ter os resultados anulados, o time inglês retirou a falcatrua (dizem que no radiador). Sempre acho graça quando as pessoas dizem que Schumacher só vencia com o carro irregular e esquecem-se da importância das quatro vitórias nas primeiras corridas de 1991 para o tricampeonato de Senna...

Porém, mais espalhafatosa era a crise da Ferrari. Como sempre. O time italiano era favorito ao título no começo do ano, mas fora o pódio de Prost em Phoenix, a Ferrari estava tendo um desempenho pífio em 1991 e Prost já havia se desentendido com Cesare Fiori, pivô da sua contratação em 1989 e agora desafeto. Como sempre acontece nesses casos, a corda partiu no lado mais fraco e Fiori foi demitido, entrando em seu lugar Claudio Lombardi, chefe da equipe Lancia no Mundial de Rally, que teria supervisão pessoal de Piero Lardi Ferrari. Como não podia deixa de ser, os resultados não apareceram para os italianos em Montreal e quem se aproveitou disso foi a Williams. Com a Ferrari em crise e a McLaren com problemas fora das pistas, o time de Frank Williams voltou ao posto de protagonista e ficou com a primeira fila do grid, algo que não ocorria desde 1987. Porém, foi o segundo piloto Riccardo Patrese quem ficou com a pole, derrotando Mansell, que havia sido o mais rápido na sexta. Patrese havia destruído seu carro titular na sexta-feira e usou no sábado o carro reserva de Mansell. Coincidência? Assim como parecia não ser coincidência a queda repentina de desempenho da McLaren, com o ás da Classificação Senna ficando apenas na segunda fila. Piquet foi muito discreto na confusão que também tomou conta da Benetton e o tricampeão ficou atrás até mesmo de Roberto Moreno.

Grid:

1) Patrese(Williams) – 1:19.837
2) Mansell(Williams) – 1:20.225
3) Senna(McLaren) – 1:20.318
4) Prost(Ferrari) – 1:20.656
5) Moreno(Benetton) – 1:20.686
6) Berger(McLaren) – 1:20.916
7) Alesi(Ferrari) – 1:21.227
8) Piquet(Benetton) – 1:21.241
9) Modena(Tyrrell) – 1:21.298
10) Pirro(Dallara) – 1:21.864

O dia 2 de junho de 1991 amanheceu lindo em Montreal e o dia estava perfeito para uma corrida de F1. Única equipe grande em paz, a Williams sabia que uma largada boa seria essencial e seus pilotos não cometeram erros quando chegaram à primeira curva, mas Mansell freou mais forte e assumiu a liderança da corrida, escoltado por Patrese. E o inglês disparou num ritmo alucinante!

O dia da McLaren se inicia mal com Berger parando ainda na quarta volta com problemas de transmissão, mas o pior era ver a Williams dominando a corrida, algo que eram os carros brancos e vermelhos havia feito nas duas corridas iniciais. Se servia de consolo, Senna também abriu uma boa distância para Prost, seu grande rival e que no momento parecia ser o piloto que poderia lhe tirar o terceiro título. Porém, o francês estava tendo sérios problemas com seu câmbio semi-automático e permitiu a aproximação de Alesi e Piquet, que fez uma boa largada.

Prost é ultrapassado praticamente ao mesmo tempo por Alesi e Piquet, que andavam a corrida inteira juntos. Prost abandonaria mais tarde, logo depois da primeira rodada de paradas para trocar pneus. Contudo, Senna também tinha que enfrentar seus problemas. Desde o início da corrida o seu McLaren havia desenvolvido um problema elétrico que fazia Senna não ter muitas informações do seu carro. A primeira dificuldade foi em passar as marchas no momento correto, pois o brasileiro não tinha a leitura de RPM do seu carro em seu painel. Infelizmente, o problema foi piorando a ponto de fazer Senna abandonar bem no momento em que a corrida havia passado da metade. E Piquet atacava Alesi! Quando a dupla deixava a lenta McLaren para trás, Piquet mostrava sua velha arte em ultrapassar Alesi e assumir o terceiro lugar, o que parecia o máximo para tricampeão.

Porém, os deuses das corridas estavam a ponto de aprontar uma naquela ensolarada tarde de junho no Canadá. Primeiramente, Patrese teve um pneu furado, tendo que ir aos boxes para uma troca não-programada. Claro que o italiano teria totais condições de reaver seu segundo lugar, ainda mais com pneus novos, mas o calcanhar de Aquiles da Williams naquele ano, o câmbio semi-automático, resolve dar problemas e Patrese não apenas é superado por Piquet, como se vê acossado por Stefano Modena, que havia assumido o quarto lugar com a desistência de Alesi. Lombardi e Ferrari teriam muito que fazer... O final da corrida se aproximava e Mansell tinha uma incrível diferença de 50s para seu eterno rival Piquet. Patrese já havia sido ultrapassado por Modena e a corrida parecia que terminaria daquele jeito. Mansell abre a última volta. Era a chance de se aproximar de Senna, que não pontuaria pela primeira vez, além de voltar a vencer pela Williams depois de quatro anos. Mansell era muito querido em vários lugares e no Canadá não era diferente. Quando o inglês se aproximar do hairpin, local de maior concentração de torcedores, Mansell acena para os canadenses, que vibram emocionados. Alegria, alegria. Então... puff! O carro da Williams pára misteriosamente. Mansell se desespera. Oh, my god! Enquanto isso, Piquet passa pelo Williams para receber a bandeirada de primeiro colocado pela vigésima terceira vez. Piquet ri bastante no pódio. Era uma felicidade genuína, ainda mais pela forma como conseguiu aquela vitória sortuda sobre seu maior rival. Perguntado o que sentiu quando viu Mansell parado, Piquet não deixou de lado sua galhardia: Quase tive um orgasmo!

Chegada:
1) Piquet
2) Modena
3) Patrese
4) De Cesaris
5) Gachot
6) Mansell