domingo, 23 de março de 2014

Duelo de ET's

Marc Márquez e Valentino Rossi. Cada um tinha sua dificuldade hoje, mas deram um show na primeira corrida da MotoGP em 2014. Segundo o próprio Márquez, uma semana atrás ele ainda nem conseguia andar por causa de uma perna quebrada. A Yamaha de Rossi teve problemas com os novos pneus para essa temporada e com o novo tanque de combustível reduzido. Usando seu talento impressionante, Márquez ainda conseguiu a pole, enquanto todos cravaram que Rossi está mesmo cada vez mais longe dos líderes, ao ficar em décimo no grid.

A MotoGP/2014 e seus três regulamentos num campeonato só mostrou-se bastante equilibrada e com vários pilotos que até o ano passado eram bastante coadjuvantes querendo ser protagonistas. Porém, na largada um dos protagonistas entrou em cena para um show rápido. Jorge Lorenzo, piloto que mais reclamou dos novos pneus da Bridgestone, fez uma largada relâmpago e pulou de quinto para primeiro ainda na primeira curva... para cair algumas curvas depois, chegando a machucar o seu cotovelo esquerdo, além de destruir sua Yamaha de fábrica. Teoricamente isso abria o caminho para Márquez, mesmo o espanhol tendo largando mal, mas quem liderava era Stefan Bradl, na Honda satélite, enquanto Marc sofria com as dores em sua perna fraturada e errava mais do que o normal. Enquanto isso acontecia, Rossi devolvia os sorrisos para a Yamaha oficial numa emocionante corrida de recuperação que o colocou na rabeta de Bradley Smith, numa Yamaha satélite, em terceiro. Ao deixar o inglês para trás e ver Bradl cair, Rossi se viu numa briga emocionante com Márquez pela primeira posição.

Mesmo com Pedrosa e Bautista por perto, as atenções ficaram todas na briga entre o velho e o novo. Rossi x Márquez. Dois extraterrenos brigando pela ponta da corrida e do campeonato. Duas gerações distintas disputando as mesmas curvas. O espanhol da Honda não tinha a confiança necessária e estava sem ritmo de corrida, mas sua moto era claramente melhor do que a Yamaha de Rossi, que cobria a desvantagem com raça e uma pilotagem usando só coração, mas também preocupado com o consumo de combustível de sua Yamaha. Como nos velhos e áureos tempos, Rossi tentou a ultrapassagem definitiva nas voltas derradeiras, mas Márquez imediatamente respondia e levou a bandeirada em primeiro, algo que o próprio piloto da Honda duvidava. Rossi foi um feliz segundo, enquanto Pedrosa só foi terceiro pela queda na penúltima volta de Bautista, que vinha fazendo uma ótima prova. Já começo a considerar Pedrosa o Felipe Massa da Repsol Honda, pois mesmo com seguidos fracassos, a montadora nipônica continua cedendo sua cobiçada vaga para Pedrosa.

Com muitas quedas, pilotos como Aleix Espargaró e sua Yamaha da categoria Open ficou em quarto, mas pelo o que vinha andando, até que o resultado do espanhol não surpreende. Correndo numa categoria híbrida, a Ducati colocou seus dois pilotos nas posições à seguir, apesar de que Cal Cruthlow aparentemente ficou sem gasolina na reta final, mesmo com o péssimo narrador do SporTV ter derrubado o inglês ainda na primeira volta. 

Mesmo com todos os seus problemas, Márquez lidera o campeonato seguido por Rossi, enquanto Lorenzo terá que remar para conseguir se igualar ao seu compatriota na luta pelo título. Pedrosa, cada vez mais introspectivo e até mesmo conformado, terá sorte se permanecer na Honda oficial depois de mais uma temporada obscurecido, mesmo que lutar com um piloto como Marc Márquez seja uma tarefa enorme para qualquer um.  

Revson, 40

Pegando emprestado do blog do Speeder76, o resgate que vitimou Peter Revson, que completa quarenta anos hoje. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Agora é a vez de Márquez

Uma semana após a estreia da F1 na Austrália, a MotoGP e suas duas categorias de base irão iniciar mais uma temporada em Losail no Catar tendo Marc Márquez como grande estrela. Após entrar para a história como o mais jovem a vencer o Mundial de MotoGP (incluindo a antiga 500cc), Márquez não será mais o garoto simpático com aparência frágil que derrotou um fortíssimo Jorge Lorenzo. Agora, Márquez será o piloto a ser batido e com um ano de experiência e conhecendo todas as pistas, o espanhol da Honda tende a melhorar nesta temporada, mas também aumentará a pressão para defender seu título.

Porém, uma perna quebrada num teste em uma pista de dirt-track pode atrapalhar Márquez nesse inicio de ano, pois o espanhol não treinou em dois terços da pré-temporada. Isso soa como música para Jorge Lorenzo, que teve exibições de gala em 2013, mas foi atrapalhado por dois sérios acidentes que o fez garantir admiração de muita gente quando correu apenas 30h após ser operado na clavícula direita. Como provavelmente Márquez não terá ritmo de corrida no Catar, Lorenzo pode se sobressair e iniciar bem sua caça ao terceiro título na MotoGP. Andando no mesmo nível de Márquez e Lorenzo, está Daniel Pedrosa e sua eterna busca pelo título mundial da MotoGP. Dani já se machucou inúmeras vezes tentando ser campeão, mas a realidade é que Pedrosa parece não ter a estrela de campeão e o espanhol, com o físico mais frágil que os seus rivais, não consegue se sobressair em disputas mano a mano, especialmente com Lorenzo, no qual foi derrotado inúmeras vezes nesse tipo de disputa. Com o final do seu contrato este ano, com nove temporadas nas costas dentro da equipe Honda, onde viu três companheiros de equipe se tornarem campeões, Pedrosa terá, mais uma vez, a pressão de ser campeão ou ficar na história do sempre 'quase'.

Valentino Rossi poderá protagonizar a maior história da temporada. O italiano não conseguiu acompanhar os espanhóis em 2013 e na base do desespero, dispensou Jeremy Burgess, engenheiro multi-campeão com ele e outras lendas, como Doohan e Gardner. Rossi já conta com 35 anos e seu contrato terminará este ano. Na pré-temporada, Valentino deu indícios de que está mais próximo do trio dominante espanhol, mas Rossi quer o título para, provavelmente, se aposentar por cima, com um oitavo campeonato na MotoGP, o que o faria entrar na história dos gigantes do esporte.

As demais equipes lutam com um regulamento confuso, que praticamente divide a MotoGP em duas, mas mesmo com Aleix Espargaró andando forte com sua Yamaha de produção e a Ducati preferindo utilizar a regra das motos de produção, dificilmente o título sairá das mãos dos quatro principais pilotos de fábrica da Honda e Yamaha. Márquez terá seu grande desafio em defender seu surpreendente título, mas terá Lorenzo cada vez mais forte, Pedrosa querendo se confirmar e Rossi querendo fazer história nesse seu capítulo final de uma longa e gloriosa carreira. Se 2013 foi um ano histórico com corridas de altíssimo nível e um campeonato emocionante e com algumas reviravoltas, 2014 poderá não ficar muito atrás.

terça-feira, 18 de março de 2014

Barbeiragem

É no mínimo imprudente uma categoria fazer uma corrida importante como as 12h de Sebring no mesmo final de semana em que a F1 estreava, mas a United SportsCar Championship o fez e privou boa parte das pessoas de verem a barbeiragem inacreditável de Gaston Kerby nesse final de semana.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Que pena...

Hoje faleceu Gary Bettenhausen, filho da lenda Tony Bettenhausen, aos 72 anos de idade. Mesmo sem repetir o sucesso do pai, Gary tem uma marca importante no automobilismo americano: o de largadas nas 500 Milhas de Indianápolis, com 21, a primeira em 1968 e a última em 1994. 

Figura(AUS): Nico Rosberg

Desde que entrou na F1 no já longínquo ano de 2006, Nico Rosberg nunca foi colocado como um do grandes da F1 atual, muito provavelmente por sua total falta de carisma. Veloz e inteligente, mas também um pouco inconsistente (não vou nem falar no jeitão de baitola que Nico tem, mas ao menos está noivo de uma gata), Nico Rosberg sempre pareceu estar à sombra dos seu companheiros de equipe ao longo desses seus anos na F1. Quando foi contratado pela Mercedes, viu a chegada de Michael Schumacher como a estrela da companhia, mas em três anos de convívio com o heptacampeão, Rosberg o derrotou de forma até chata para Schummy. Quando Michael se aposentou pela segunda vez, Nico viu a chegada de Lewis Hamilton para ser a estrela da companhia na Mercedes, mesmo com todo o bom trabalho já exibido pelo alemão não rendendo a confiança da Mercedes em transformar Nico em primeiro piloto da equipe. No primeiro ano juntos, Hamilton ficou à frente de Nico no campeonato, mas Rosberg teve três vitória para contar, contra apenas uma de Hamilton. Com essa mudança todo nos regulamentos e com seu estilo mais focado de trabalhar, Nico Rosberg vem aos poucos se sobressaindo em cima do rapidíssimo, mas instável Lewis Hamilton. Em Melboune, mesmo Hamilton mostrando muita velocidade, era de Nico que todos esperavam a pole e ela só não veio por que o alemão não teve uma chance final quando a pista estava em suas melhores condições. Largando na segunda fila, Nico fez uma largada sensacional e antes da freada para a primeira curva já estava liderando a prova, iniciando um 'sunday drive' pelo Albert Park, onde chegou a colocar 1.5s  por volta em cima de Ricciardo ou qualquer que fosse o segundo colocado. Pela primeira vez liderando um campeonato de F1, Nico Rosberg tem um ótimo carros nas mãos, um companheiro de equipe instável emocionalmente e zerado após a primeira corrida e uma chance para se colocar de vez entre as estrelas de sua geração.  

Figurão(AUS): Lotus

Após uma pré-temporada conturbada ao extremo, os clientes da Renault não tinham grandes expectativas para este final de semana em Melbourne, mas de modo geral, quase todas as equipes da Renault tiveram um desempenho aceitável neste primeiro final de semana competitivo da F1. Menos uma. Um ano depois de vencer em Albert Park com Kimi Raikkonen, a Lotus teve um desempenho ridículo na Austrália e seus dois pilotos nada puderam fazer num mar de problemas no qual a Lotus se meteu nesse 2014. Sem falar no bico horrível que tem, o novo carro da Lotus andou muito pouco em todos os treinos livres e quando andou, estava tão mal acertado que Romain Grosjean teria dito que o carro era uma porcaria no rádio e o pior tempo na classificação é uma prova da ruindade do carro. E o tempo é no singular mesmo, pois Pastor Maldonado não marcou tempos na classificação de sábado, já que o venezuelano começou o treino com algum atraso e quando foi à pista, a chuva deu as caras. Vide o tanto que andaram na sexta e no sábado, os abandonos de Grosjean e Maldonado até demoraram a acontecer, mas o futuro imediato da equipe de Enstone é sombrio, já que não há dinheiro para desenvolvimento e o cabeça da equipe até o ano passado, Eric Bouiller, hoje veste prata e responde a Ron Dennis na McLaren. Uma hora dessa, Felipe Massa e Nico Hulkenberg, favoritos a conseguir o lugar na Lotus no final do ano passado, devem estar mais do que aliviados por não estarem nessa banheira aurinegra.