sexta-feira, 12 de setembro de 2014

História: 20 anos do Grande Prêmio da Itália de 1994

As polêmicas envolvendo a Benetton e Michael Schumacher continuavam em 1994. Após a desclassificação do alemão na Bélgica devido a uma rodada de Michael sobre uma zebra alta, que acabou estragando a prancha de madeira regulamentadora debaixo do carro, Schumacher recebia uma suspensão de duas corridas pelo problema na corrida inglesa, onde foi desclassificado infantilmente, quando Schummy ultrapassou Hill durante a volta de apresentação e Briatore foi dar uma de macho, deixando Schumacher na pista, enquanto o alemão era punido, além do problema na válvula de reabastecimento do carro da Benetton que provocou o espetacular incêndio no carro de Verstappen na Alemanha. Porém, muito se falava que a suspensão de Schumacher foi mais política do que propriamente técnica, pois com o alemão dominando uma temporada triste para a F1, um pouco de emoção (Schumacher ficando duas corridas de fora...) não faria mal a ninguém. J.J. Lehto substituiria o alemão, enquanto Alessandro Zanardi voltava ao cockpit da Lotus para tentar melhorar a competitividade da tradicional e decadente equipe inglesa, que teria um novo motor Mugen na rápida pista de Monza.

Se preparando para a sua corrida caseira, a Ferrari montou uma força de trabalho para garantir um ótimo resultado em Monza. Testes foram feitos em mais de duas frentes e o resultado foi uma primeira fila inteira vermelha, para completo delírio dos tifosi, que ainda vibraram com a primeira pole do seu ídolo Alesi na F1. Hill, principal beneficiado com a suspensão de Schumacher, ficava em terceiro e Johnny Herbert surpreendia a F1 ao colocar seu Lotus em quarto. O novo motor Mugen mostrava serviço! Correndo sem Schumacher, a Benetton teve um final de semana para esquecer, com Lehto apenas em vigésimo no grid e passou-se a reconhecer que o domínio da equipe ítalo-inglesa tinha muito do braço do alemão.

Grid:
1) Alesi (Ferrari) - 1:23.844
2) Berger (Ferrari) - 1:23.978
3) Hill (Williams) - 1:24.158
4) Herbert (Lotus) - 1:24.374
5) Coulthard (Williams) - 1:24.502
6) Panis (Ligier) - 1:25.455
7) Hakkinen (McLaren) - 1:25.528
8) De Cesaris (Sauber) - 1:25.540
9) Irvine (Jordan) - 1:25.568
10) Verstappen (Benetton) - 1:25.618

O dia 11 de setembro de 1994 tinha o típico clima do Grande Prêmio da Itália, com um tempo firme e ameno, mas com os torcedores da Ferrari lotando o Autodromo Nazionale no Parque de Monza para torcer para os carrinhos vermelhos, mas o dia não começou muito bem para a Ferrari quando Berger sofreu um forte acidente no warm-up e teve que ir ao hospital para fazer exames que o liberassem correr, porém o austríaco largaria com o carro reserva. Outro que largaria com o carro reserva era Hill, que tem um vazamento de óleo no carro titular enquanto alinhava no grid. A largada em Monza sempre foi tensa devido a apertada primeira chicane. Havia uma torcida para uma boa corrida do simpático Johnny Herbert e a Lotus, mas tudo foi pelos ares quando Irvine errou na freada e atingiu a traseira de Herbert, fazendo-o rodar e trazendo a bandeira vermelha pela confusão resultante. O inglês quase chora ao perceber que sua corrida estava automaticamente arruinada, pois teria que largar dos boxes, mas nem todos os britânicos estavam tristes com o incidente. David Coulthard tinha rodado de forma bizarra na volta de apresentação e com uma segunda largada, teria uma nova chance, mas com o carro que seria o titular de Hill.

Mais escaldados, a segunda largada acontece de forma tranquila com as duas Ferraris liderando à frente das duas Williams. Gianni Morbidelli bate seu Arrows ainda na primeira volta na reta oposta e os detritos do seu carro causam nada menos do que quatro furos de pneus, inclusive de Verstappen, que abandona com seu Benetton bem no início da prova. Alesi imprimi um ritmo muito forte e liderava com boa vantagem sobre Berger, que chegou a cortar uma das chicanes e fazia o papel de tampão, para segurar os dois carros da Williams, com Hill à frente de Coulthard. Ukyo Katayama largara em 14º e pulara espetacularmente para quinto, mas o japonês estava longe de acompanhar o ritmo dos líderes, segurando a McLaren de Hakkinen. Líder absoluto da corrida, Alesi vai aos boxes na volta 14, indicando que seu ritmo feroz significava uma estratégia de duas paradas. Pit-stop completo e Alesi continuava parado. O câmbio da Ferrari travou e mesmo com todos os esforços da equipe, Alesi teve que abandonar, deixando o francês furioso, jogando suas luvas e capacete longe, mas as esperanças ferraristas permaneciam em Berger, que ainda liderava, agora com alguma folga graças a um pequeno erro de Hill na primeira chicane. Katayama também foi vítima de um pit-stop mal feito e cai para 14º após sua parada.

Berger liderava à frente das Williams quando o momento da única parada dos três líderes se aproximava, na metade da prova. Tudo seria decidido nos boxes e o primeiro a tomar à direita após a saída da Parabolica foi Berger. O austríaco tinha o retardatário Olivier Panis à sua frente e no afã de não perder muito tempo, quase bateu no francês. Berger retorna à pista em quarto, enquanto que as Williams faziam o serviço que viram Schumacher fazer tantas vezes e os derrotar naquele ano: voar na pista nas voltas pré-parada. Hill parou uma volta depois de Berger e saiu à frente do austríaco. Na volta 25 foi a vez de Coulthard fazer seu único pit-stop e o escocês se deu ainda melhor, pulando de terceiro para primeiro após as paradas, com Berger alguns segundos atrás das Williams em terceiro, para tristeza dos tifosi. Quando Hakkinen faz sua parada, Coulthard liderava à prova, mas com Damon Hill melhor colocado no campeonato, o escocês cedeu sua posição para Damon. Hakkinen volta à pista em quarto, mas logo é ultrapassado por Katayama, que se recuperava do seu péssimo pit-stop, enquanto o companheiro de equipe do japonês, Mark Blundell, fechava o top-6 e fazia um dia feliz para a Tyrrell, mas o inglês acabaria errando na Variante Ascari para entregar o sexto lugar para Barrichello. Poucas voltas mais tarde Blundell abandonaria com problemas nos freios, o mesmo acontecendo, tristemente, com Katayama, estragando o que poderia ter sido uma ótima corrida da Tyrrell.

A corrida fica estática, com os seis primeiros andando espalhados na pista, mas faltando cinco voltas para o fim, Coulthard diminui dramaticamente seu ritmo e Berger encosta no escocês na última volta. Porém, o piloto da Ferrari nem se dá o trabalho de ultrapassar Coulthard quando o piloto da Williams fica sem combustível na última curva da corrida, entregando o segundo lugar para Berger, diminuindo um pouco a tristeza dos tifosi. Damon Hill capitalizou a suspensão de Schumacher e com essa segunda vitória consecutiva, recortou sua desvantagem para apenas onze pontos no campeonato. Hakkinen conseguia seu quarto pódio e Coulthard ainda termina em sexto, uma volta atrás. Hill agora partia para as próximas corridas com uma boa chance de diminuir o déficit para Schumacher e decidir tudo nas provas finais.

Chegada:
1) Hill
2) Berger
3) Hakkinen
4) Barrichello
5) Brundle
6) Coulthard 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

História: 25 anos do Grande Prêmio da Itália de 1989

Como é tradicional para a Ferrari, o time italiano escolheu Monza para o seu grande anúncio para 1990: a contratação de Alain Prost, numa super-dupla com Nigel Mansell. Profundamente irritado com um pretenso favoritismo da Honda para com Ayrton Senna, além das brigas com seu 'companheiro' de equipe, Prost já havia anunciado que estaria saindo da McLaren após seis anos na equipe em sua corrida natal. Após negociar uma volta com a Renault através da Williams, Prost aceitou uma ótima proposta da Ferrari, mesmo o francês tendo ao seu lado outra estrela da F1 na época, Mansell. Com bem menos pompa, a Lotus anunciou antes da corrida em Monza uma nova parceria com a montadora italiana Lamborghini a partir de 1990 e a dispensa dos seus dois pilotos, o que deixava o tricampeão Nelson Piquet no mercado.

Senna gostava da alta velocidade de Monza, mas ainda não tinha conseguido uma vitória na Itália e para quebrar esse tabu, além de melhorar suas aspirações ao bicampeonato, o brasileiro conquistou uma tranquila pole, 1s à frente do seu futuro companheiro de equipe na McLaren, Gerhard Berger. Após ter problemas nos treinos e agora recebendo menos atenção da McLaren por motivos óbvios, Prost teve que se conformar com uma pálida quarta colocação no grid, com a Williams formando a terceira fila e a surpresa Phillippe Alliot colocando seu Lola em sétimo.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:23.720
2) Berger (Ferrari) - 1;24.734
3) Mansell (Ferrari) - 1:24.739
4) Prost (McLaren) - 1:25.510
5) Patrese (Williams) - 1:25.545
6) Boutsen (Williams) - 1:26.155
7) Alliot (Lola) - 1:26.985
8) Nannini (Benetton) - 1:27.052
9) Pirro (Benetton) - 1:27.397
10) Alesi (Tyrrell) - 1:27.399

O dia 10 de setembro de 1989 amanheceu belo e o Grande Prêmio da Itália teria seu tradicional tempo seco e sem estar muito quente, ao contrário das arquibancadas, quentes pela Ferrari e por seu 'terceiro' piloto. Com a contratação de Prost pela Ferrari, o francês, mesmo ainda correndo pela McLaren, passou a ter a simpatia dos tifosi em Monza, que em contrapartida passaram a torcer contra Senna, mas na largada a torcida pouco pôde fazer contra uma largada praticamente perfeita do brasileiro da McLaren, que manteve tranquilamente a ponta, seguido pelos dois pilotos da Ferrari, com Mansell atacando Berger, mas o austríaco, ainda tentando completar sua primeira corrida em 1989, se segurando na segunda posição. Prost acompanhava tudo em quarto, enquanto que na apertada primeira chicane, apenas Mauricio Gugelmin saída levemente da pista e todos partiam para as 53 voltas ilesos.

Como era sua característica, Senna imprimi um ritmo alucinante nas primeiras voltas e mesmo Berger tentando manter uma distância razoável para o brasileiro, Ayrton já abria 4s em oito voltas. Mansell ficava para trás em terceiro, enquanto Prost perseguia o inglês com pouco mais de 1s de desvantagem. A boa perspectiva de corrida para Alliot termina ainda na segunda volta quando o francês roda, enquanto Nannini faz uma corrida agressiva no início e já ameaça o quinto lugar de Boutsen. A corrida fica estática na frente, mas na volta 21 Prost parece despertar de um sono profundo e ultrapassa Mansell na Variante Della Roggia, mas o piloto da McLaren já se encontrava 9s atrás de Berger e então outros 7s atrás de Senna, que liderava soberano a prova. Prost teria que trabalhar dobrado se quisesse mostrar aos tifosi que ele tinha sido a contratação capaz de tirar a Ferrari do seu cada vez maior jejum de títulos, que completaria dez anos no final daquela temporada.

Passando da metade da prova, Senna aumenta ainda mais seu ritmo e faz volta mais rápida em cima de volta mais rápida, fazendo sua vantagem sobre Berger subir para 19s, enquanto Prost cortava a distância para o austríaco e Mansell era alcançado pela Williams de Boutsen. Nannini, que tinha feito várias ultrapassagens durante a corrida, tem problemas de freios quando se aproximava do belga, abandonando a corrida. Faltando pouco mais de quinze voltas, Prost aumenta o seu ritmo na perseguição a Berger e na volta 41, o francês pega o vácuo da Ferrari na saída da Parabolica e Prost completa a ultrapassagem no final da reta dos boxes. Mesmo correndo em dobradinha pela McLaren, Prost se viu 23s atrás de Senna e somente uma hecatombe tiraria a primeira vitória de Senna em Monza. E foi o que aconteceu. Logo quando Senna recebeu a mensagem de que Prost estava em segundo e fazendo a volta mais rápida da corrida, o brasileiro imediatamente aumentou seu ritmo e passou a trocar voltas mais rápidas com o francês. O lógico era administrar a grande vantagem em cima do rival, mas numa guerra psicológica como aquela de vinte e cinco anos atrás, Senna não pensou em administrar e tirou tudo do seu McLaren-Honda, mas na volta 45, na reta oposta, o motor Honda de Senna estoura. Quando o brasileiro ia tomar a Parabolica, o óleo cai sobre os pneus da McLaren e Senna roda levemente, abandonando seu carro ali mesmo, para delírio da torcida italiana, já apaixonada por Prost, o novo líder da prova.

Prost consegue uma vitória importante para o seu campeonato, além de entregar o Mundial de Construtores para a McLaren, enquanto Berger finalmente marca seus primeiros pontos em 1989. Mansell tem problemas de câmbio no final da prova e quem fica com o lugar mais baixo do pódio era Boutsen. Com vinte pontos de vantagem no campeonato, Prost começava a fazer contas para conquistar o tri, mas um pequeno gesto no pódio quase provoca a demissão do francês da McLaren. Pouca gente sabe, mas quando Ron Dennis contratava um piloto para a McLaren, ele colocava no contrato que os troféus conquistados pelos pilotos nas vitórias também ficavam com a McLaren. Vaidade pura e simples. Vendo a torcida italiana ensandecida em frente ao pódio e descontente com a política dentro da McLaren, Prost pega o seu troféu de vencedor e joga para a torcida italiana. Dennis, ao lado, olha com cara de tacho a cena e, conta a lenda, ficou tão irritado com atitude de Prost, considerada até mesmo provocativa, que pensou em demitir o francês. Mais calmo, Ron Dennis iria para as provas finais com seus dois pilotos ainda brigando num final de campeonato imprevisível e que seria histórico!

Chegada:
1) Prost
2) Berger
3) Boutsen
4) Patrese
5) Alesi
6) Brundle 

Fim de uma era

Com esse título, Luca di Montezemolo anunciou essa manhã que está deixando a presidência da Ferrari após vinte e três anos. As especulações começaram antes do Grande Prêmio da Itália e mesmo com o próprio Montezemolo negando a notícia, se confirmou hoje. Mesmo com a crise nas pistas, a Ferrari vinha bem no mercado, mas não restam dúvidas de que sem Luca no paddock da F1, a política da categoria poderá sofrer mudanças, já que o antigo presidente da Ferrari era o mais eloquente em algumas críticas à F1. Principalmente aquelas em que a Ferrari é atingida... 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

História: 30 anos do Grande Prêmio da Itália de 1984


A F1 chegava à Monza com algumas novidades no line-up de pilotos e sem uma de suas mais tradicionais equipes. O julgamento da apelação da Tyrrell sobre o problema do peso abaixo do limite da equipe inglesa não foi favorável ao time de Ken Tyrrell e por isso a tradicional esquadra britânica estava desclassificada de todas as corridas até aquele momento e também ficaria de fora de todas as provas até o final de 1984. Porém, Stefan Johannson, piloto da Tyrrell no lugar do machucado Martin Brundle, não ficou muito tempo desempregado. Furioso com a confirmação da saída de Senna para a Lotus, mesmo o brasileiro ainda tendo um contrato com a sua equipe, Ted Toleman e Alex Hawkridge suspenderam o brasileiro do Grande Prêmio da Itália, chamando Johansson para o lugar do brasileiro, enquanto o novato Pierluigi Martini assumia o segundo carro da Toleman em casa.

Mesmo com todos esses problemas extra-pista, todo o mundo da F1 estava mesmo de olho na luta encarniçada pelo título entre Lauda e Prost, dentro da equipe McLaren. Lauda chegou à Itália com dores nas costas e chegou a ser colocado em dúvida sua participação na corrida, mas o austríaco correu normalmente e nos treinos ficou em quarto lugar, com Nelson Piquet tirando o doce da boca de Prost ao ficar com a pole pela sétima vez no ano, superando o francês por um décimo. Correndo em casa, a Ferrari decepcionava os tifosi com nenhum dos seus pilotos no top-10, enquanto Martini teria que esperar mais um pouco para estrear na F1, pois o italiano não conseguiu tempo no grid.

Grid:
1) Piquet (Brabham) - 1:26.584
2) Prost (McLaren) - 1:26.671
3) De Angelis (Lotus) - 1:27.538
4) Lauda (McLaren) - 1:28.533
5) Fabi (Brabham) - 1:28.587
6) Rosberg (Williams) - 1:28.818
7) Mansell (Lotus) - 1:28.969
8) Tambay (Renault) - 1:29.253
9) Patrese (Alfa Romeo) - 1:29.382
10) Cheever (Alfa Romeo) - 1:29.797

O dia 9 de setembro de 1984 amanheceu ensolarado e belo em Monza, um típico dia para um Grande Prêmio da Itália. Quando ia alinhar seu carro no grid, Manfred Winkelhock, que largaria em 22º, tem problemas em seu câmbio e é o primeiro abandono do dia, numa corrida conhecida por ter sua chegada com poucos carros. Na luz verde, Elio de Angelis faz uma ótima largada e parte para cima dos ocupantes da primeira fila, mas Piquet permanece na ponta, com o italiano tomando o segundo lugar de Prost, enquanto, mais importante para o campeonato, Lauda faz outra má largada e perde quatro posições, ao contrário de Tambay, que ganha quatro postos.

Enquanto Piquet apontava na frente ao final da primeira volta, Prost já recuperava sua segunda posição ainda na primeira volta no aproche da curva Parabolica, enquanto Tambay já partia para cima de Elio de Angelis, com o francês assumindo o terceiro lugar ainda na segunda volta. Mais à frente, Piquet comete um pequeno erro e coloca suas duas rodas esquerdas na grama na saída das curvas de Lesmo. Um pequeno erro que nem custou a primeira posição do brasileiro, mas que se mostraria fatal mais tarde. Com o erro de Piquet, Prost e Tambay encostaram no líder, enquanto De Angelis não mostrava um bom ritmo e era pressionado por Teo Fabi e Lauda, sendo ultrapassado por ambos na volta seguinte. Porém, a maior alegria de Lauda na quarta volta não era a sua ultrapassagem sobre um lento De Angelis, mas era mais à frente. Logo após cruzar a linha de chegada, o motor de Prost fumou de forma clamorosa e alguns metros depois o francês abandonou seu McLaren na chicane, bem em frente a maior parte da torcida, que comemorou a adversidade do francês.

Piquet começa a abrir vantagem sobre Tambay, que era pressionado por Teo Fabi, fazendo uma boa corrida em casa. O italiano já tinha mostrado velocidade, principalmente em seus tempos na Indy, mas pouca paciência. Ainda na oitava volta, Fabi tentou uma ultrapassagem otimista em cima de Tambay da Variante Della Roggia e o francês da Renault não se importou muito em fechar Fabi, que para evitar um toque, acabou rodando, sendo ultrapassado por Lauda, Alboreto, que acabara de ultrapassar um hesitante Elio de Angelis, o italiano da Lotus, Cheever e Warwick, em prova discreta no segundo Renault. A velha raposa felpuda Lauda, comendo pelas beiradas, já aparecia em terceiro e pronto para amealhar o maior número de pontos possíveis frente ao abandono de Prost, enquanto mais atrás Fabi remava tudo de novo e em três voltas ultrapassa Warwick, Cheever e De Angelis para chegar ao quinto lugar. Sendo ultrapassado por todo mundo, Elio de Angelis deixa a prova na décima quinta volta, enquanto Mansell deixava o dia da Lotus ainda mais triste ao abandonar após uma rodada. Mais importante na corrida era uma visão bastante usual de 1984: o motor BMW de Nelson Piquet fumando... O brasileiro foi ultrapassado por Tambay quase que imediatamente, e antes de completar a 16º volta, Piquet entrou nos boxes para abandonar. A passagem de Piquet na grama no começo da corrida furou um dos radiadores do Brabham-BMW do brasileiro, ocasionando outro final de semana decepcionante para Piquet.

Contudo, para a Brabham as coisas não estavam tão ruins com a boa corrida de Fabi, que ultrapassou Lauda na volta 17 para assumir o segundo lugar e mesmo estando 5s atrás do líder Tambay, o italiano era o piloto mais rápido na pista. Desde que se tornou um piloto de ponta, Patrick Tambay ficou conhecido pela velocidade e também pela dificuldade em negociar ultrapassagens com retardatários e por isso, a vantagem de Tambay nessa corrida para a dupla Fabi e Lauda logo desapareceu, com os três primeiros colocados andando juntos na metade da prova. Lauda observava tudo à uma distância segura, vendo o desenvolvimento da corrida, mas sabendo que aquela oportunidade era vital para o seu terceiro campeonato. Faltando pouco mais de vinte voltas para o fim da prova, Lauda viu Fabi passar a ter alguns problemas em seu motor e o austríaco ultrapassou o italiano da Brabham na volta 40. Após marcar a volta mais da corrida, Lauda encostou em Tambay duas voltas depois e assumiu a ponta como se estivesse indo na esquina comprar pão, tamanha a eficiência de Lauda, além de sua brilhante leitura de corrida.

Com seus principais adversários de fora da prova, Lauda imediatamente despacha Tambay e as coisas só melhoram quando, numa mesmo volta, a 44º, Tambay (acelerador) e Fabi (motor, oh! novidade...) abandonam e um urro surge das arquibancadas. Muito longe, correndo praticamente sozinho, Michele Alboreto levava a Ferrari ao segundo lugar, para alegria dos tifosi. Para aumentar a festa, a problemática Alfa Romeo de Eddie Cheever subia ao terceiro lugar, mas o americano acabaria sem combustível quando restavam apenas quatro voltas para o fim, só que a Alfa não se lamentaria tanto, pois Patrese ultrapassa Johansson, em boa prova de estreia na Toleman, e assume o terceiro lugar. Johansson diminui bastante seu ritmo para terminar a prova e acaba perdendo o quarto lugar para a surpreendente Osella de Piercarlo Ghinzani, mas o italiano fica sem gasolina na volta final e o sueco confirma o quarto lugar se arrastando pela pista, seguido pelos também surpreendentes Jo Gartner, na outra Osella e o seu compatriota, o austríaco Gerhard Berger da ATS. Porém, o austríaco mais feliz do dia era Niki Lauda, que venceu de forma metódica, seguido por dois italianos, garantindo a alegria dos tifosi, em particular com Alboreto, após um ano desastroso da Ferrari. Com duas corridas pela frente, Lauda abre 10,5 pontos sobre Prost e começa a enxergar seu terceiro título com mais facilidade.

Chegada:
1) Lauda
2) Alboreto
3) Patrese
4) Johansson
5) Gartner
6) Berger

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Figura(ITA): Mercedes

Após toda a turbulência vista em Spa, com seus dois pilotos jogando fora uma dobradinha por causa de um incidente evitável, a Mercedes mostrou em Monza todo o seu potencial com um 1-2 enfático. Desde Melbourne a Mercedes vem provando ser o melhor carro disparado, mas um inesperado problema de relacionamento entre seus pilotos, além de alguns problemas técnicos, vem impedindo que todo o potencial da Flecha de Prata de 2014 aparecesse em todo o seu esplendor. Querendo mostrar serviço e, principalmente, diminuir a diferença para o seu 'companheiro' Nico Rosberg no campeonato, Lewis Hamilton esteve impecável durante o final de semana, sendo o mais rápido em praticamente todas as sessões em que esteve presente e vencendo com uma pilotagem soberba. Quando Lewis largou mal, Rosberg tomou a primeira posição e mesmo sofrendo com alguns problemas nos freios traseiros que o fizeram errar duas vezes quando era pressionado por Hamilton, o alemão fez uma corrida correta pela a sua situação e fechou a dobradinha com Hamilton sem maiores problemas ou lutas dentro da pista. Foi um final de semana tranquilo nos boxes da Mercedes, mas com o final do campeonato se aproximando e a tensão entre Hamilton e Rosberg aumentando, fica a pergunta de até quando essa calmaria irá permanecer. 

Figurão(ITA): Ferrari

Quando era vivo, Enzo Ferrari tinha um enorme orgulho da potência dos motores dos seus carros de corrida. O chassi era algo secundário. Se ainda estivesse entre nós, Il Comendatore estaria sofrendo de um enorme desgosto pela apresentação dos seus carros vermelhos no quintal de sua casa, no mítico circuito de Monza. Única dentre os três motores da F1 atual sem vencer esse ano, a Ferrari viu na pista onde a potência é mais exigida que está mesmo atrás de Mercedes e Renault, além do chassi Ferrari também estar longe de ser o melhor do pelotão. Nas longas retas de Monza, Alonso e Raikkonen tiveram que se rebolar para conseguir ficar no top-10 durante a corrida e o espanhol teve sua longa confiabilidade em seu carro quebrada com um problema no ERS fazendo Alonso abandonar tristemente na reta dos boxes, na frente da maioria dos tifosi. Ainda tentando achar uma melhor forma de se adaptar ao carro, Raikkonen pelo menos foi até o fim da corrida, mas amealhando apenas o décimo lugar, que se transformou em nono com a punição de Kevin Magnussen. Muito, muito pouco para a Ferrari no Grande Prêmio da Itália e isso só pode significar uma coisa: crise, e das brabas!  

domingo, 7 de setembro de 2014

Tranquilidade

Após toda a turbulência desde Spa, a Mercedes teve uma corrida bem tranquila hoje em Monza e seus dois pilotos completaram uma dobradinha com Lewis Hamilton à frente, mesmo o inglês tendo que fazer uma mini-corrida de recuperação após uma má largada, mas para sorte da cúpula da Mercedes, Nico Rosberg deve ter tido problemas de freios após o alemão ter vazado a primeira chicane duas vezes e não houve a tensão de uma briga íntima entre os dois pilotos da Mercedes. Confirmando ser o melhor do resto, a Williams ficou com as duas posições subsequentes, mas com Felipe Massa finalmente tendo um final de semana limpo e derrotando seu combativo companheiro de equipe para ser terceiro e conquistar seu primeiro pódio em 2014 e também seu primeiro pódio sem ser um piloto Ferrari.

O Grande Prêmio da Itália começou com uma largada complexa, mesmo que sem os famosos acidentes que sempre marcaram a apertada primeira chicane de Monza. Hamilton largou de forma pavorosa, atrapalhando Bottas. Rosberg aproveitou bem para assumir a primeira posição, mas quem subiu mais foi Kevin Magnussen, que pulou de quinto para segundo, enquanto Massa mantinha a mesma posição de largada e Bottas caía para décimo. Em outros tempos, Hamilton ficaria desesperado com o quarto lugar, após sair da pole, na primeira volta. O inglês reclamou com a equipe, perguntando se havia algo de errado no carro, mas como felizmente nada estava afetando seu Mercedes, Hamilton foi a luta. Esperou Massa atacar Magnussen, que está se mostrando um dos pilotos mais largos da F1 atual, para ir no embalo do brasileiro e quando pôde se concentrar unicamente no piloto da Williams, fez uma tranquila ultrapassagem sobre Massa e passar a se aproximar Rosberg. À essa altura, Nico já havia cometido seu primeiro erro na primeira chicane, perdendo um tempo precioso para os dois pilotos que vinham atrás dele. Hamilton tirava a diferença de forma constante, mas ambos os pilotos da Mercedes andavam com um tempo parecido, indicando uma briga complicada pela primeira posição. Logo após a única rodada de paradas, Hamilton foi para cima de vez e quando ele já se aproximava da região do DRS, Rosberg passou reto novamente na
primeira chicane, mas desta vez com prejuízo para o alemão, que viu Hamilton assumir a primeira posição e ir embora. Lewis conseguiu abrir tranquilos 4s de vantagem sobre o 'companheiro' de equipe e vencer pela 28º vez, desempatando no ranking histórico da F1 com Jackie Stewart e agora é o segundo piloto britânico com mais vitórias na F1. Se não fosse a Globo inventar de mostrar a esposa de Felipe Massa num lance infeliz da emissora e de sua repórter fraquinha, poderíamos ver a reação entre Hamilton e Rosberg na ante-sala do pódio. Como não foi o caso, achei tímida a comemoração de Hamilton, enquanto Rosberg esboçava um sorriso amarelo, mas ambos tocaram a garrafa de champanhe no pódio. Nico ainda lidera de forma até confortável o campeonato, mas Hamilton mostrou hoje que seus tempos de desespero após uma adversidade estão passando e o inglês andou mais forte o final de semana inteiro, podendo indicar que Lewis irá com tudo para essas corridas finais do campeonato, com a Mercedes no meio disso tudo tentando segurar seus pilotos.

As mãos postas de Felipe Massa após a bandeirada mostrava bem o alívio do brasileiro após tantos percalços ao longo desta temporada que deveria ser bem melhor pelo potencial do novo carro da Williams. Com o anúncio da equipe que manterá seus dois pilotos em 2015, esse terceiro lugar de Massa foi uma boa demonstração que tem potencial para trazer bons resultados para o time, principalmente no Mundial de Construtores, pois com o péssimo final de semana da Ferrari em Monza, a Williams reassumiu a terceira posição do campeonato. Massa fez uma corrida cirúrgica, começando da largada, onde não se meteu em confusões, algo que fez bastante esse ano, não se afobou em ultrapassar Magnussen e sabendo que não tinha carro para segurar Hamilton, foi ultrapassado e a partir de então fez uma corrida solitária, onde garantiu com méritos seu primeiro pódio em mais de um ano. Ao contrário de Felipe, Bottas teve uma corrida agitada muito pela péssima largada que teve. O finlandês ficou encaixotado atrás de Hamilton e se viu na décima posição, sendo que ele ainda foi ultrapassado por Raikkonen no decorrer da primeira volta. Com um ótimo carro em mãos, Bottas passou a ultrapassar quem vinha pela frente, mas sempre com uma briga, principalmente com Sergio Pérez e Kevin Magnussen, que acabou punido mais pelo histórico do que pela manobra. Porém, Bottas ainda assegurou um quarto lugar que foi importante para a Williams no Mundial de Construtores e o manteve muito bem no campeonato. A Red Bull foi a terceira força do dia ao ficar em quinto e sexto lugares, mas com especial destaque para o stint final de Daniel Ricciardo. Passando em décimo segundo na primeira volta e sem muito destaque nas primeiras voltas, Ricciardo parecia que teria um final de semana burocrático e de poucos pontos, mas o australiano arriscou em esticar o máximo sua única parada. Com pneus em melhor estado do que os demais nas voltas finais, o australiano emulou o desempenho de Bottas e foi ultrapassando quem via pela frente, com belas ultrapassagens na variante baixa, tirando seu carro para dentro da curva bem no limite, deixando seus adversários sem ter muito o que fazer para defender a posição, sendo que a última vítima foi seu companheiro de equipe Vettel, que fez uma corrida inversa ao de Ricciardo e não deu muito certo, pois o alemão foi o primeiro a fazer seu pit-stop e ficou sem pneus no final da corrida.

A McLaren poderia ser a quarta força, mas como Kevin Magnussen não cumpriu sua exagerada punição e Button não conseguiu ultrapassar Sergio Perez, os ingleses não confirmaram essa expectativa. Magnussen fez a melhor largada do dia, mas não tendo condição de acompanhar as Mercedes e Felipe Massa, ficou em quarto boa parte da prova, mas perdeu a posição nos boxes para Vettel, começando seu repertório de fechadas em quem quer que fosse, particularmente em Bottas, onde definiu sua punição. Magnussen acabou em sétimo na bandeirada, mas como não cumpriu sua punição, quem deverá herdar a posição será Pérez, que fez uma corrida muito superior ao do seu afamado companheiro de equipe Nico Hulkenberg, que esteve longe de pontuar, e o mexicano enfrentou de igual para igual seu antigo companheiro de equipe Button, protagonizando com o inglês as melhores disputas da corrida. Raikkonen fechou a zona de pontuação no dia em que Alonso deixou de pontuar pela primeira vez em 2014 graças a um problema em dos motores elétricos de sua Ferrari. O time italiano está, segundo dizem, a ponto de uma profunda revolução técnica e administrativa e com a equipe fazendo o papelão que fez em seu quintal de casa, não seria surpresa isso acontecer nos próximos dias. Era impressionante como os carros vermelhos não conseguiam segurar os motores Mercedes e Renault no retão de Monza, sendo ultrapassados na potência de ponta, algo que Enzo Ferrari tinha orgulho de ter em seus carros. Kvyat, apesar do erro na última volta, mostrou porquê a Toro Rosso lhe deu um sinal de confiança ao sair da última posição para encostar em Raikkonen na briga pela décima posição, enquanto Vergne fazia uma corrida anônima e sem impressionar ninguém que queira o trabalho do francês em 2015. Lotus e Sauber fizeram corridas ruins e o toque no final da prova entre Gutierrez e Grosjean pelas últimas posições mostra bem a decadência dessas duas equipes que acabaram tão bem ano passado. Após completar várias corridas seguidas, Max Chilton bateu logo no começo da prova e esse foi o único momento onde as nanicas apareceram hoje.

Se a leitura labial de Rubens Barrichello estiver certo no momento em que Toto Wolff apareceu após o segundo erro de Nico Rosberg, a Mercedes respirou aliviada com o não embate entre seus dois pilotos. Existe uma tensão enorme entre os dois pilotos e com 175 pontos (contando a pontuação dobrada em Abu Dhabi) até o fim do campeonato, a F1 estará com os olhos bem abertos de como será a briga entre Rosberg e Hamilton até o fim do ano e como a Mercedes irá administrar esse embate. Quem pode se aproveitar disso serão os pilotos da Williams, pois se estiverem no momento certo na hora de algum entrevero, poderá imitar Daniel Ricciardo. Contudo, a F1 espera que, como hoje, Rosberg não 'resolva a situação' da Mercedes e que a briga seja animada e na pista.