sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Day after

Como se nada tivesse ocorrido em Paris ontem, a McLaren veio a Spa-Francorchamps para mostrar que tem mesmo o melhor carro e irá faturar o título de pilotos. O Mundial de Construtores? Deixa para esses italianos chatos e mau-perdedores. A sexta-feira só não foi melhor para a McLaren por que foi o inimigo íntimo Fernando Alonso e não o queridinho Lewis Hamilton o dono da melhor marca do primeiro dia no belo circuito de Spa. Para os que ainda sonhavam numa reviravolta ferrarista, é melhor começar a pensar em 2008 e secar o finlandês, pois Massa cometeu mais uma besteira no primeiro treino livre na manhã belga, mas ainda se recuperou à tarde e foi mais rápido do que Raikkonen. Mas longe de ameaçar a McLaren.

A sexta-feira em Spa foi bem parecida com os treinos livres italiano oito dias atrás, com a Ferrari dominando com tranqüilidade pela manhã para serem esmagado pelos pilotos da McLaren. Alonso foi muito rápido logo de cara, tanto com pneus duros como com os compostos mais moles e é o favorito a ser o vencedor no domingo. Hamilton demorou a se aproximar do companheiro de equipe e passou boa parte do treino em sexto, até que colocou os pneus moles e marcou um tempo bastante próximo ao de Alonso, apesar de um pequeno erro do inglês. Felipe Massa teve uma sexta-feira bem atribulada com um acidente bem esquisito (acho que foi erro de Massa) que o tirou de todo o treino da sexta. Após voltar a andar bem à tarde, Felipe errou várias e várias vezes, mas pelo menos superou Raikkonen.

A surpresa do dia foi o ótimo rendimento da Toyota, corroborando com os bons testes da equipe nipônica em Spa no mês de julho. Como normalmente acontece Trulli deu um banho em Ralf, mas o alemão ainda ficou sexto, uma posição atrás de Trulli. Heidfeld ficou com a sétima marca do dia com o tempo da primeira sessão, sendo um dos poucos a não melhorar à tarde e mesmo com Kubica em décimo, ninguém duvida da posição de terceira equipe na F1 da BMW. Fisichella deu um suspiro dentro da equipe Renault e ficou em oitavo, bem à frente de Kovalainen, que hoje voltou aos péssimos desempenhos do começo do ano onde ficava mais fora do que dentro da pista.

Mark Webber ficou entre os dez primeiros após um longo e tenebroso inverno da Red Bull, mas a equipe austríaca também voltou a ter problemas, desta vez no carro de Coulthard. Nico Rosberg foi um dos pouco a não melhorar na seguda sessão de hoje e foi décimo primeiro e nem assim Alex Wurz pode se aproximar do jovem alemão, ficando em décimo quinto. Só mesmo o Lito Cavalcanti vê qualidades em Wurz... Após marcar mais um pontinho em Monza, a Honda voltou as profundezas da Classificação com Button em décima quarto e Barrichello duas posições depois, sendo que o brasileiro passou boa parte da sessão da tarde em último!

Outra surpresa positiva foi a boa performance do novo carro da Spyker com Yamamoto superando seu rápido companheiro de equipe pela primeira vez no ano. Ao contrário do que normalmente ocorre a equipe holandesa não ficou nas duas últimas posições e ainda viu Yamamoto ser o mais rápido da terceira parcial da pista na primeira sessão! Uma pena foi o problema do japonês no final da primeira sessão e do acidente de Sutil na segunda sessão. Claramente desmotivadas, Super Aguri e Toro Rosso parecem ter "alcançado" a Sypker e com ela brigam pelas últimas seis posições do grid. Liuzzi, mais desmotivado do que nunca, foi o último após sair da pista logo no começo da primeira sessão.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Saiu o resultado do escandâlo


Por um instante, senti calafrios após o Senado Federal ter dado um "exemplo" a todo o Brasil ao absolver Renan Calheiros das múltiplas maracutais de que foi acusado. Será que a FIA faria o mesmo com a McLaren? Será que haveria um PT (não apenas o PT, mas principalmente o Partido dos Trabalhadores ajudou a absolver Calheiros e envergonhar o país ontem) dentro do Conselho Mundial? Fui durmir pensando nisso. Após o almoço fui direto ao PC acompanhar o julgamento da McLaren. Esperava até que já houvesse veredicto, mas a reunião ainda acontecia. Então surgiu a notícia de que a McLaren estaria excluída de 2007 e 2008. Será? Não passava de boato, mas as coisas não pareciam boas para o pelotão de elite mandado pela McLaren à sede da FIA em Paris. Algumas horas depois, o resultado oficial: a McLaren perde todos os pontos do Mundial de Construtores deste ano, paga uma multa pesadíssima de 100 milhões de dólares e o carro prateado de 2008 ficará sob júdice, enquanto a FIA investiga se o carro tem alguma semelhança com a Ferrari 2007.

Antes que soltem os cachorros em cima da FIA, a McLaren foi, sim, bastante punida. Primeiro terá que pagar uma multa nada leve, mesmo para a equipe mais rica da atual F1. Cem milhões de dólares esses que poderão fazer muita falta a partir do próximo ano, já que a McLaren não receberá o pomposo cheque da FOM pelos direitos de televisão pela desclassificação desse ano. Mesmo não gostando de Alonso a McLaren precisa do espanhol, mas esse veredicto praticamente tira Alonso da equipe de Ron Dennis e o provável destino dele será sua ex-equipe, que estava de olho na julgamente representado por Flavio Briatore.

Nem a confissão de Mike Coughlan dada hoje numa entrevista divulgada pela Autosport livrou a cara da McLaren, mas ficou um gostinho de quero mais. Os pilotos deveriam ter sido punidos também e a McLaren talvez nem entrasse na pista amanhã, mas Paulo Scaglione, presidente da CBA que estava presente à reunião em Paris, contou que tanto Alonso como Hamilton tiveram uma delação premiada e por isso não perderão seus pontos no campeonato deste ano. Se eu entendi essa afirmação de Scaglione, se por acaso Alonso não tivesse entregado sua própria equipe, ele também estaria punido, assim como Hamilton.

Após tanta especulação, o resultado deixa a sensação de que essa punição agradou a todos, até mesmo para a McLaren, pois a equipe deverá vencer o campeonato de pilotos de 2007, mas lutará por alguns anos para se reerguer política e financeiramente desse escandâlo, enquanto a Ferrari partirá para um math-race em 2008, sem nenhum rival decididamente forte o suficiente para incomoda-la. Salvo a McLaren não apelar.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Figura(ITA): Os pilotos da McLaren

Alheios ao que vem acontecendo fora das pistas, Fernando Alonso e Lewis Hamilton vem mostrando quem são os melhores pilotos da F1 atualmente. A performance de Alonso em Monza não foi nenhuma surpresa, pois vem de um bicampeão do mundo, mas Alonso foi imperial em todo o final de semana ao marcar o melhor tempo da sexta-feira, dominar as três partes da Classificação e vencer a corrida no domingo com direito a melhor volta. Só não foi de ponta a ponta, por que o espanhol perdeu a ponta nos seus pit-stops e agora está apenas três pontos atrás de Hamilton, sendo que dois meses atrás essa desvantagem era de quatorze. Se não teve condições de se aproximar do seu companheiro de equipe na Itália, Hamilton fez duas manobras que simplesmente humilharam a Ferrari dentro do próprio quintal. Se aproveitando da superioridade da McLaren (mas não das informações de Alonso) Hamilton largou em segundo no grid e saiu da parte suja da pista. Hamilton perder sua posição para Massa na partida, mas quando se aproximou da freada para a primeira curva, o inglês colocou seu McLaren por fora num espaço mínimo entre a Ferrari de Massa e a grama e efetuou a ultrapassagem, mesmo cortando a grama após um toque com o brasileiro. Com problemas em seus pneus durante a perseguição a Alonso, Hamilton antecipou suas paradas e com isso perdeu a segunda posição para Raikkonen. Sem tomar conhecimento do finlandês, saiu do vácuo da Ferrari e numa manobra desmoralizante retomou a segunda posição frente a um surpreso Raikkonen e toda a multidão italiana estupefata. Com essa manobra Hamilton não permitiu que Alonso encostasse de vez no campeonato de pilotos, mas todo esse esforço dos seus pilotos podem ir por água abaixo depedendo do julgamente de quinta-feira.

Figurão(ITA): Os veteranos

Nem sempre ter experiência em sua atividade profissional significa sucesso. Se juntarmos os anos de F1 de Giancarlo Fisichella, Alexander Wurz, Ralf Schumacher, Rubens Barrichello e David Coulthard, com certeza estaríamos comemorando bodas de ouro, mas se somarmos o que eles vem fazendo nesse anos de 2007, eles seriam sumariamente demitidos por total insuficiência técnica. Em Monza, os pilotos citados acima mostraram o porquê dificilmente estarão alinhando em 2008 ou 2009. Fisichella está numa equipe que foi campeã do mundo por dois anos e nesses dois anos passou longe de incomodar seu companheiro de equipe Fernando Alonso e quando se livra do espanhol, eis que apanha impiedosamente de Heikki Kovalainen, apenas um novato ainda aprendendo as manhas da F1. Correndo em casa, Fisichella esteve longe de ameaçar seu jovem companheiro de equipe durante todo o final de semana, que marcou pontos pela quinta vez consecutiva, coisa que Fisichella esteve longe de conseguir. Wurz prova que piloto precisa de sorte para se manter na F1, pois se não fosse o pódio em Montreal dificilmente o austríaco teria resistido as seguidas surras que vem levando do seu jovem companheiro de equipe Nico Rosberg e em Monza não foi diferente. Ralf Schumacher é até mais novo do que seu companheiro de equipe Jarno Trulli, mas suas atuações se igualam aos seus pares e pela segunda corrida consecutiva o alemão não consegue passar sequer para a Q2, enquanto Trulli é useiro e vezeiro da Q3. Rubens Barrichello ainda tem a atenuante de estar num carro muito ruim construído pela Honda, mas os dois suados pontos da equipe foram todos conquistados por Jenson Button e no melhor final de semana da escuderia nipônica, Barrichello foi novamente uma figura apagada. Já David Coulthard teve um final de semana para esquecer. Por sinal, mais um entre suas dezenas de finais de semana de F1. Não bastasse sempre ser mais lento que Mark Webber todo o ano, o escocês rodou na Classificação e com isso superou apenas os dois Spykers. A corrida de Coulthard corrida durou 1km, pois tocou Fisichella na primeira curva e se acidentou fortemente na Curva Grande. Pelo jeito que vai a F1 irá sofrer uma forte renovação de seus quadros, mas não pelo talento das jovens promessas, mas pela ruindade que vem demonstrando as velhas figuras da F1.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

História: 35 anos do título de Emerson

Após sua vitória em Zeltweg, Emerson Fittipaldi estava com a taça nas mãos e somente uma cataclisma poderia tirar o primeiro título do brasileiro. Emerson Fittipaldi tinha uma vantagem de 25 pontos em cima do vice-líder Denny Hulme, assim o piloto da McLaren precisava vencer todas as três corridas restantes, contando com Monza, e torcer para que Fittipaldi marcasse no máximo dois pontos. A equipe Lotus ainda estava tendo problemas com a justiça italiana pela morte de Jochen Rindt em 1970 e por isso Colin Chapman não inscreveu a John Player Special Lotus para o Grande Prêmio da Itália e sim a World Wide Racing. Apenas Emerson estava inscrito pela Lotus para tentar garantir o título antecipado com um quarto lugar. Porém, as coisas começaram a complicar na quinta-feira quando o caminhão de levava o carro de Emerson capotou nas proximidades de Milão e o Lotus 72 que seria usado pelo brasileiro em Monza estava destruído.

Precavido, Chapman deixou um segundo caminhão, com um Lotus 72 reserva, na fronteira com a Itália com medo de algum problema judicial e rapidamente Emerson mandou que um mecânico pegasse seu carro de passeio e trouxesse o Lotus reserva. O caminhão só chegou na sexta-feira com os primeiros treinos já iniciados. E foi nesse treino que os pilotos tiveram o primeiro contato com o novo circuito de Monza. Tentanto diminuir a incrível velocidade do circuito e aumentar a segurança, os organizadores construíram duas novas chicanes. A primeira chicane era logo após os boxes, onde fica até hoje, e a segunda chicane ficava na velha Curva del Vialone, após a reta oposta. Após uma série de reformas, essa curva seria chamada depois de Variante Ascari. Os pilotos criticaram a estreiteza das chicanes, mas eles teriam que se adaptar a um novo estilo de pilotagem, onde os freios seriam bastante exigidos.

O carro que Emerson tentaria ser campeão no domingo tinha sido construído em 1970 e não repondia aos acertos que Emerson e Chapman introduzia nele e a preocupação era grande nos boxes da Lotus. Correndo em casa a Ferrari voltaria a ter três carros para Ickx, Regazzoni e Mario Andretti. John Surtees resolveu sair de sua aposentadoria e se juntou aos seus pilotos num quarto carro de sua equipe.

Mesmo com as mudanças no traçado, Monza ainda privilegiava os motores V12, sendo assim Ferrari e Matra dominaram os treinos. Stewart, ainda com chances matemáticas de ser tricampeão, conseguia um bom terceiro lugar, o melhor piloto com motor Cosworth V8 e à frente de uma Ferrari. Mesmo com todos os problemas, Emerson ainda conseguiu a sexta posição e largaria ao lado de Hulme, seu adversário mais próximo no campeonato.

Grid:
1) Ickx(Ferrari) - 1:35.65
2) Amon(Matra) - 1:35.69
3) Stewart(Tyrrell) - 1:35.79
4) Regazzoni(Ferrari) - 1:35.83
5) Hulme(McLaren) - 1:35.97
6) Fittipaldi(Lotus) - 1:36.29
7) Andretti(Ferrari) - 1:36.32
8) Revson(McLaren) - 1:36.42
9) Hailwood(Surtees) - 1:36.50
10) Wisell(BRM) - 1:36.68

Se Emerson pensava que todo seu drama estava terminado ele estava redondamente enganado. Pouco antes de entrar no carro, Emerson foi avisado pelo seu mecânico chefe de que foi encontrado uma rachadura no tanque de combustível e que seria preciso retirar todo o combustível e trocar o tanque. O tempo era muito restrito e Fittipaldi chegou a pensar que não largaria. No entanto a Lotus foi rápida e fez todo o serviço a tempo e Emerson foi o último a alinhar no grid, porém não era conhecido se o conserto fora realizado com 100% de confiabilidade.

Os ventos começaram a mudar para Emerson quando Jackie Stewart, o piloto mais temido pelo brasileiro apesar da situação do escocês no campeonato, quebra a transmissão ainda na largada. Os pilotos tem que desviar da Tyrrell lenta durante a largada e Ronnie Peterson tem que fazer um milagre para não encher a traseira de Stewart. Quando encostou seu carro e se encaminhava para os boxes, que estavam logo ali, Stewart acenava para o público italiano levantando os ombros, como ser dissesse "o que posso fazer?". Chris Amon não larga bem e Ickx dispara na frente e para delírio da massa italiana, Clay Regazzoni pula para segunda, formando uma dobradinha ferrarista em casa!

Emerson, ao contrário do que costuma fazer, larga bem e sobe para terceiro e para melhorar sua situação, Hulme não faz o mesmo e cai para sétimo. Enquanto seguia de perto as Ferraris, Emerson via uma boa recuperação de Amon que ultrapassara Mario Andretti para asusmir a quarta posição ainda na segunda volta e no outro giro, Hailwood deixa Andretti para trás. Ao contrário dos anos anteriores, não havia mais a guerra de vácuo e os pilotos se comportavam como nos outros circuitos e assim as posições ficam inalteradas. Na volta 14 Ickx erra e Regazzoni assume a liderança, com as duas Ferraris já se distaciando da Lotus de Emerson. Com Hulme apenas em sexto e Stewart fora, Fittipaldi claramente corre pensando no campeonato.

Três voltas depois de assumir a liderança, Regazzoni se aproxima da chicane da Curva de Pialone trazendo Ickx colado em sua Ferrari, mas para azar do suíço José Carlos Pace acabara de rodar na chicane, e na ansia de se distanciar do companheiro de equipe, Regazzoni acaba tocando de leve na March do brasileiro, quebrando a suspensão traseira da Ferrari. Rega estava fora. Ickx voltava a liderar a corrida com Emerson logo atrás, com Amon e Hailwood não muito distantes. Para sorte de Fittipaldi, ele não precisou se preocupar muito com seus perseguidores. Hailwood perdeu o airbox e perdia rendimento, enquanto o freio de Amon pega fogo e o neozelandês abandona a corrida na volta 38.

Tudo conspirava para que Emerson saísse de Monza com o título no bolso, mas um verdadeiro campeão precisa da vitória para ratificar sua conquista. Mesmo andando próximo a Ickx, Emerson não pressionava intensamente, mas o motor Ferrari do belga começou a falhar na reta oposta e faltando apenas nove voltas Ickx entrou nos boxes imediatamente. Para desespero dos tifosi Ickx estava fora da corrida, pois tinha forçado seu carro em demasia para se manter à frente de Emerson e vencer na casa da Ferrari. Fittipaldi não tinha nada com isso e tinha uma vantagem de 11s em cima de Hailwood quando abriu a última volta.

Na voz do Barão Wilson Fittipaldi nas ondas da Rádio Jovem Pan, o Brasil ouvia emocionado o título da F1 vindo para o Brasil com uma vitória conseguida na base da raça e da sorte. Com apenas 25 anos Emerson quebrava o recorde de Jim Clark e se tornava o piloto mais jovem a se tornar campeão mundial de F1. Emerson foi recebido com muita festa por Colin Chapman, Peter Warr e sua esposa Maria Helena. Com uma enorme bandeira brasileira Emerson comemorou sua quinta vitória na temporada com muito champanhe no alto do pódio. Emerson Fittipaldi foi recebido com muita festa e uma carreata em São Paulo e abria as portas para que o automobilismo brasileiro conquistasse oito títulos mundiais nos próximos vinte anos.

Chegada:
1) Fittipaldi
2) Hailwood
3) Hulme
4) Revson
5) Hill
6) Gethin

domingo, 9 de setembro de 2007

Na última curva!

Se um dia eu visitar a casa dos Franchitti, tomara que não precise usar o banheiro, pois todo o estoque de papel higiênico deve estar terminado até o Natal. De 2008! Se não bastasse a forma venceu as 500 Milhas de Indianápolis, Franchitti teve ainda ajuda da Senhora Sorte para se tornar campeão da IRL em 2007 na última curva, da última volta, da última corrida. Apesar do rótulo "venceu na sorte" possa soar pejorativo algumas vezes, Franchitti teve seus méritos ao faturar o caneco esse ano, pois venceu quatro corridas, foi regular em todo tipo de traçado e, principalmente, teve que lutar contra sua própria equipe em determinados momentos.


A corrida em Chicago foi uma partida de xadrez, com as equipes tendo que lidar mais com a estratégia de boxes do que com a velocidade de carros no rapidíssimo circuito de Illinois. Logo no começo da corrida as escassas chances de Tony Kanaan acabaram quando teve um pneu furado (ou vazado, como foi dito na transmissão da corrida) e visitou os boxes mais cedo do que o normal e perdeu uma volta. Marco Andretti foi o primeiro a encher o muro e os primeiros lances de xadrez começaram.


A corrida foi inteiramente dominada pelos pilotos da Penske e da Chip Ganassi, com Franchitti logo atrás. A ruinzinha da Danica Patrick atacava de forma até mesmo irresponsável seu companheiro (?) de equipe Franchitti, demonstrando que o escocês teve mesmo que derrubar até mesmo seus colegas de trincheira. A bandeira amarela provocada pelo acidente de Vitor Meira, inexplicavelmente longa, decidiu a disputa. Como nos roteiros de suspense, Franchitti e Dixon lideravam e foram os últimos a reabasteceram, teoricamente tendo combustível até o final, ao contrário dos demais.


Nas últimas voltas, os pilotos da Penske e Dan Wheldon assumiram a ponta, mas foram parando nos boxes um a um, até que Danica Patrick cometeu a asneira da corrida ao rodar na entrada dos pits. Até agora não entendo o que Luciano do Valle e Flávio Gomes enxergam na Danica. Que ela é bonita, isso tá nada cara! Mas ela não anda nada! Com apenas Franchitti e Dixon na mesma voltas, os dois protagonistas foram para o tira-teima nas últimas três voltas com clara vantagem para Dixon. O neozelandês permanecia na parte de dentro e Franchitti não conseguia ultrapassar. Na última volta, o título era de Dixon, mas eis que o carro fica sem combustível e Franchitti pode assumir a liderança na última curva!


Sem sombra de dúvida foi o final de campeonato mais emocionante dos últimos tempos e Franchitti nunca se esquecerá do que ocorreu no dia hoje, não apenas pelo título, mas como ele foi conseguido. Dentro e fora das pistas. Franchitti não continuará na Andretti-Green em 2008, se transferindo para a NASCAR, contudo sua despedida da IRL foi com chave de ouro. Melhor dizendo, um chaveiro inteiro!

Simplesmente Bruno

Bruno Giacomelli não foi exatamente um piloto vitorioso nos seus anos de F1, mas com certeza era um dos mais carismáticos e populares pilotos do grid. Esse italiano baixinho e muito rápido sempre correu sobre as asas da Marlboro, mas por escolhas erradas em sua carreira não teve em mãos carros competitivos que lhe permitisse brigar por vitórias. Mesmo muitos anos fora da F1, Giacomelli fez uma volta nada triunfal no início dos anos 90, mas isso não apagou sua popularidade na Itália. Na véspera de completar 55 anos, vamos olhar um pouco a carreira de Bruno Giacomelli.

Bruno Giacomelli nasceu no dia 10 de Setembro de 1952 na cidade de Brescia, na Itália e era filho de fazendeiros na zona rural da cidade. Bruno não era um garoto rico e por isso não subiu pelas categorias de base com a mesma velocidade que mostrava nas pistas. Sua estréia no automobilismo se deu em 1952, com 20 anos, no caminho natural dos jovens pilotos da época, a F-Ford, ao volante de um Tecno. No ano seguinte Giacomelli foi chamado pelo exército italiano para cumprir com o serviço militar e assim interrompeu suas atividades automobilísticas por um ano. Saindo do quartel Bruno sobe de categoria e passa a disputar a F3 italiana, onde consegue ótimos resultados, que o faz mudar para a Inglaterra, onde tinha o campeonato de F3 mais forte do mundo da época. No final de 1976 Giacomelli se torna campeão inglês de F3 e de bandeja vence o tradicional GP de Mônaco de F3.

O nome de Bruno Giacomelli começa a circular nos paddocks da F1, mas Bruno prefere um ano na F2 em 1977 pela equipe oficial da BMW. A marca alemã investiu pesado para derrotar a Renault, que vinha dominando a categoria a um bom tempo e se juntou com a March para fazer sua equipe a mais forte do campeonato. Giacomelli participava da equipe BMW Junior Team ao lado de Eddie Cheever e Manfred Winkelhock. Um dado curioso é que Giacomelli não falava inglês e nem seu engenheiro, o inglês Robin Herd, falava italiano. Católicos fervorosos, Gicomelli e Herd se comunicam em latim para se entenderem. Graças aos seus contatos com a Marlboro, Giacomelli fez sua estréia na F1 no Grande Prêmio da Itália de 1977 pela McLaren, onde correu com o mesmo chassi que Gilles Villeneuve tinha feito sua estréia mais cedo Silverstone. Após largar em décimo quinto, Giacomelli não impressiona tanto quando Villeneuve (mas era pedir demais!) e o italiano sobe até a nona posição quando tem o motor estourado na volta 37 e faz Patrese e Reutemann rodarem no seu óleo. Na F2, Giacomelli vence três corrida (Thruxton, Hockenheim e Pau) e acaba o campeonato na quinta posição.

Para 1978, Giacomelli resolve ficar mais um ano na F2, mas tinha feito um acordo com a McLaren para fazer cinco corridas durante a temporada, onde ganhou o apelido de Jack O'Malley dos mecânicos da McLaren. Sua primeira corrida foi na Bélgica onde consegue um promissor oitavo lugar, mas sua melhor corrida é em Brands Hatch, circuito que conhecia muito bem nos tempos de F3. Bruno larga na frente do piloto titular Patrick Tambay e faz uma corrida tranqüila até ser alcançado pelos líderes Niki Lauda e Carlos Reutemann, que brigavam pela liderança. Tentando dar passagem aos líderes, Giacomelli coloca seu carro por dentro e quase acerta Lauda, enquanto Reutemann passava pelos dois e vencia a corrida inglesa. Apesar da presepada, Giacomelli termina em sétimo, no que seria seu melhor resultado no ano. Na F2 Bruno Giacomelli se aproveita de sua experiência e de ter o melhor carro da categoria para se tornar campeão da competitiva categoria vencendo oito das dozes corridas da temporada.

Se sentindo mais preparado do que nunca, Giacomelli encara o desafio de estar à frente da nova equipe Alfa Romeo. Esse não seria uma boa escolha de Bruno. A Alfa Romeo dominou os primeiros anos da F1 e retornara a categoria em 1976 cedendo seus motores V12 para a Brabham. Em 1979 a equipe decide construir uma equipe própria com o seu braço automobilístico, a Altodelta, preparando os carros. A equipe italiana resolve usar a temporada de 1979 como laboratório e Giacomelli faz poucas corridas no ano com resultados poucos animadores, apesar da beleza questionável dos carros vermelhos.

Com o suporte financeiro da Marlboro e a chegada do experiente Patrick Depailler, a Alfa Romeo evolui em 1980 e Giacomelli começa o ano pontuando, com uma quinta posição na Argentina. Porém, o carro não era nada confiável e tanto Depailler como Giacomelli raramente chega ao final das corridas. Na véspera do Grande Prêmio da Alemanha, a Alfa Romeo sofre um grande revés com a morte de Depailler num terrível acidente em Hockenheim. Por uma coinscidência cruel, Giacomelli pontua novamente em Hockenheim. Por algumas etapas Giacomelli anda sozinho até a chegada de Vittorio Brambilla, mas com a chegada do final da temporada, o carro da Alfa Romeo começa a andar mais à frente do pelotão e Giacomelli larga em quarto na Itália e no Canadá.

No Grande Prêmio dos Estados Unidos-Leste, Giacomelli consegue uma surpreedente pole no seletivo circuito de Watkins Glens. Essa seria a única pole de Giacomelli na F1. Bruno põe quase 1s sobre o segundo colocado Piquet na Classificação. Giacomelli larga bem e toma a ponta à frente de Piquet, que não conseguia manter o ritmo do italiano. Aquela era a primeira vez que um carro da Alfa Romeo liderava uma corrida de F1 desde 1951! Bruno parecia ter a corrida sobre controle e tinha 12s de vantagem em cima de Alan Jones quando as velhas falhas da Alfa se manifestam e Bruno tem problemas elétricos em seu carro e tem que abandonar na volta 32. "Aquele corrida era minha. Foi o mais próximo que estive de ganhar," falou Giacomelli anos depois.

Com a boa performance na última corrida e a contratação de Mario Andretti, a temporada da Alfa Romeo tinha tudo para ser boa, mas novamente problemas de confiabilidade acabam com os sonhos da equipe e de Giacomelli. Claramente como segundo piloto, Giacomelli não marca pontos em nenhuma corrida e o carro além de lento, dificilmente completava as corridas. As coisas começam a melhorar no final do ano quando a Alfa Romeo contrata o ex-projetista da Ligier Gérard Doucarouge. Assim como tinha acontecido no ano anterior, a Alfa dá um salto no final da temporada e Bruno se aproveita da pouca motivação de Andretti, que anunciara sua volta aos Estados Unidos no final do ano, para tomar as rédeas da equipe. Bruno anda muito tempo em terceiro em Monza até seu câmbio quebrar e então marca seus primeiros pontos na chuvosa corrida do Canadá com um quarto lugar. Com o carro já melhorado, Giacomelli faz uma bela corrida em Las Vegas e consegue o terceiro lugar, seu primeiro e único pódio na F1.

Pelo terceiro ano seguido Bruno Giacomelli teria um companheiro de equipe novo. Agora era a vez do desastrado Andrea de Cesaris, que destruíra dezenas de McLarens em 1981. Porém, o italiano era rápido e tinha o apoio irrestrito da Marlboro, patrocinadora da Alfa Romeo. Com isso, Giacomelli novamente fica em segundo plano dentro da equipe. O carro não era ruim e De Cesaris consegue uma pole em Long Beach e um pódio em Mônaco, enquanto Giacomelli não conseguia sequer completar as corridas, mas desta vez uma série de acidentes atrapalha o italiano. Em Long Beach, enquanto seu companheiro de equipe liderava a prova, Giacomelli se envolvia num acidente bizonho, ao atingir René Arnoux após não segurar seu carro enquanto ultrapassava Niki Lauda. O melhor resultado de Giacomelli foi um quinto lugar em Hockenheim e seus dois pontos o garantiram apenas a vigésimo segunda posição no campeonato.

Os ótimos resultados de Giacomelli ficavam cada vez mais para trás e poucos se lembravam do piloto campeão de F2. Bruno resolve sair da Alfa Romeo e se junta a equipe Toleman, que usava o motor turbo da Hart. O problema é que a maioria das equipes já usavam turbo e a pequena preparadora Hart não era páreo para as montadoras que começavam a investir na F1. Como resultado a equipe dificilmente chegava ao fim das corridas com problemas relativos ao motor e ao turbo. Para piorar, Bruno levava um verdadeiro banho do seu companheiro de equipe Derek Warwick, que sempre se Classificava entre os dez primeiros, ao contrário do italiano. Apenas na penúltima prova do ano, em Brands Hatch, Giacomelli marcou seu primeiro ponto do ano e o último da carreira. Em Kyalami Bruno abandona no final da corrida com seu Toleman em chamas. Isso parecia o fim da carreira de Giacomelli na F1.

Giacomelli então atravessa o Atlântico e desembarca na CART, inspirado nos bons resultados do seu compatriota Teo Fabi. Ainda com algum pretígio, Bruno estréia nos Estados Unidos na equipe oficial da Theodore, que abandonara a F1 no ano anterior, e construíra um chassi para a categoria americana. Para azar de Giacomelli o carro não era nada bom e o italiano não conseguiu se classificar para as 500 Milhas de Indianápolis. Vendo a ruindade da equipe Theodore, Giacomelli consegue um lugar na tradicional equipe Patrick e consegue como melhor resultado um oitavo lugar em Laguna Seca. Bruno permanece na equipe Patrick em 1985 e se torna companheiro de equipe de Emerson Fittipaldi, mas novamente falha na tentativa de participar das 500 Milhas. Giacomelli só anda bem nos circuitos mistos e consegue um quinto lugar em Meadowlands, mas novamente é eclipsado pelo seu companheiro de equipe e abandona as corridas americanas.

Após mais um fracasso nos Estados Unidos, Giacomelli fica quase aposentado, apenas testando carros tanto na CART como na F1. Porém, de forma surpreendente, Giacomelli faz um retorno à F1 em 1990, já com 38 anos de idade ao volante do carro da equipe Life. A equipe tinha como trunfo o motor em formato de W projetado por Carlo Chiti, porém o motor era muito pesado e tinha nada menos do que 200 (!) cavalos a menos de potência em comparação aos motores mais fortes. Para completar, o chassi era os restos de uma equipe italiana que não chegou a estrear, a First. A equipe tinha como piloto Gary Brabham e quando o filho do tricampeão se apercebeu da roubada que estava entrando, saiu de fininho e Giacomelli foi chamado para tentar, ao menos, sair da Pré-Classificação. A primeira tentativa foi em Ímola e nem precisa dizer que nem todo o talento e experiência de Giacomelli foi capaz de fazer o carro andar. E assim foi em todas as corridas e nem mesma a aquisição de motores Judd no final do ano foi capaz de dar um upgrade na equipe. No final da temporada européia, a equipe Life acababou e Giacomelli se aposentou definitivamente.

Hoje Giacomelli mora na pequena cidade de Roncadelle, perto de onde nasceu, e vive com a esposa e as duas filhas. Contudo, Giacomelli se lembra com mais saudades da corrida em Watkins Glen, onde tinha a vitória nas mãos com sua Alfa Romeo patrocionado pela Marlboro.

Parabéns Bruno Giacomelli!