sábado, 6 de setembro de 2008

Equilíbrio



Vou ser sincero. Não assisti nada desde Grande Prêmio da Bélgica. Afinal, o dever me chama. Porém, analisando friamente os números de ontem e hoje, dá para perceber um surpreendente equilíbrio entre Ferrari e McLaren, apesar deu achar que Hamilton estar ligeiramente mais leve. Após a Ferrari dominar na sexta, a McLaren deu o bote na hora mais importante e colocou a equipe vermelha no bolso, apesar de que em ritmo de corrida, a Ferrari esteja, teoricamente, melhor. Não nos esqueçamos que o inverso tinha acontecido em Valência e Massa venceu como quis.

Numa pista em que o piloto faz a diferença e a coragem pode dar alguns centésimo aos pilotos, Hamilton mostrou que é mesmo o melhor da atual geração da F1 e apenas um piloto ultra-motivado e com o melhor carro do momento como Massa pode enfrentá-lo. Por isso que os dois irão largar na primeira fila amanhã e dificilmente a vitória sairá das mãos de um deles. Se Kovalainen, o terceiro colocado de hoje, já era considerado um coadjuvante de luxo desde o início do ano, ver Raikkonen, perdoem pela expressão, levando fumo todo o final de semana é surpreendente. Kimi tem seus últimos cartuchos para usar e somente uma vitória sobre os seus rivais pode lhe dar oxigênio na disputa pelo título.

Na "segunda divisão", o pressionado Nick Heidfeld foi o mais rápido, superando o surpreendente Fernando Alonso na briga pela terceira fila, ou a primeira da segunda divisão. Cada dia mais contestado dentro da BMW, Heidfeld superou com folgas seu companheiro de equipe Kubica, que ainda se viu atrás de Mark Webber, que até então vinha num final de semana sofrível. O melhor da equipe das latinhas de enérgeticos foi a Toro Rosso, novamente com seus dois pilotos no Q3, mas desta vez com Bourdais à frente de Vettel. O francês está cada dia mais pressionado e se não andar bem nas últimas corridas, terá seu cargo ameaçado para 2009. Palavras do chefão Gerhard Berger!

Mostrando o quanto a F1 muda rapidamente, a Toyota saiu de equipe que estava desafiando a BMW para o meio do pelotão, com Trulli e Glock ficando na Q2, com Nelsinho Piquet os separando. Coulthard continua seu turnê de aposentadoria, enquanto um cada vez mais desapontado Nico Rosberg vê sua carreira se despedaçando com a Williams. Por sinal, a tradicional equipe está na linha tênue entre as equipes médias e as pequenas, que é composta por Force India e a Honda. A equipe nipônica se vê num buraco difícil de sair e hoje em dia supera, por muito pouco, a equipe indiana. Coitados do Button e de Barrichello...

Contudo, tudo isso aconteceu com pista seca. Num clima mutável como o de Spa, tudo pode acontecer e a chuva se fazer presente, tornando essa corrida ainda mais disputada. Até esse momento, em corridas confusas ou com chuva, Hamilton leva vantagem, se aproveitando da pouca criatividade estratégica da Ferrari e a pouca feição de Massa por água. Mas tudo pode acontecer!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Injustiça...


Sinceramente, não simpatizo muito com Hélio Castroneves. Sempre o achei um piloto superestimado, que há dez anos corre pela melhor equipe dos Estados Unidos e nunca fez nada demais, apesar das duas vitórias nas 500 Milhas. Pois o que aconteceu no domingo com Helinho foi totalmente inacreditável e deixou qualquer pessoa que entenda minimamente de automobilismo estupefata!

Após dominar quase que de ponta a ponta a corrida de ontem da IRL nas ruas de Detroit, Castroneves sujou seus pneus e sofreu ataque cerrado de Justin Wilson. O inglês fez de tudo, mas o piloto da Penske fechou a porta de forma legitíma, até por que é fácil fechar a porta num circuito de rua apertado como o de ontem. Porém, a direção de prova achou que o Helinho tinha exagerado e fez com que o brasileiro cedesse a liderança faltando poucas voltas para o fim da prova. Apesar da alegria na entrevista, estava claro que Castroneves estava fumando numa quenga, como se diz por aqui. Além de perder uma vitória certa, sua situação no campeonato ficou crítica, pois lhe foi tirado dez pontos na luta pelo título com Scott Dixon, que mais uma vez foi vítima de sua própria equipe, que tentou inventar e acabou tirando-o da liderança.

Mas se teve uma coisa boa nessa vitória de Justin Wilson foi a equipe Newman-Hass vencer novamente. A equipe tem sérios problemas extra-pista com a doença do dono da equipe Paul Newman. Ele estaria em estado terminal pelo câncer e uma vitória assim, no primeiro ano da equipe no campeonato unificado, uma vitória sem a desculpa da chuva, como foi com Graham Rahal, dará um pouco de ânimo ao veterano e carismático ator, dono de equipe e, principalmente, apaixonado por corridas.

A Stock promoveu sua corrida do Milhão, que apesar de toda a macacada, foi legal, pois é um evento diferente num campeonato que vem sendo marcado pela chatice das corridas. Mesmo assim, a corrida foi chata e com poucos lances de emoção, apesar da bela atravessada de Ingo Hoffmann após um toque com Luciano Burti. Assim como ocorreu no Grande Prêmio da Hungria deste ano, uma quebra no finalzinho da prova trouxe a dramaticidade a prova. Cacá Bueno liderava tranqüilamente quando, faltando cinco voltas, teve problemas elétricos e cedeu o Milhão a Valdeno Brito, que venceu pela primeira vez na carreira. Claro que ninguém pode tirar os méritos de Valdeno, assim como ninguém tirou os méritos de Kovalainen na Hungria, mas que foi injusto, foi!

domingo, 31 de agosto de 2008

O que eu vou dizer lá em casa, Stoner?



Do que adianta ser o melhor na sexta, no sábado, no warm-up para acabar tudo num errou banal? Stoner pode muito bem escrever esse ano a tese de "Como perder um campeonato tendo o melhor equipamento". Após conquistar a sétima pole consecutiva, o australiano da Ducati sofreu a terceira queda consecutiva em corrida e praticamente entregou o campeonato nas talentosas mãos do fenômeno Valentino Rossi.

O erro bisonho de Stoner não tira em nada os méritos de Rossi, que com a benção de Diego Armando Maradona, conquistou uma vitória que entrou para a história por vários motivos. Primeiro, por que foi a vitória de número 700 de um piloto italiano na história do Mundial de Motovelocidade, quase o dobro do perseguidor mais próximo, a Grã-Bretanha. Segundo, por que Rossi se igualou a lenda Giacomo Agostini como o maior vencedor da principal categoria do Mundial, com 68 vitórias no total. E por último, pelo emocionante festa proporcionada pelos italianos, tanto na corrida como depois dela. O canto emocionado do hino italiano foi de arrepiar!

Com mais esse triunfo, Valentino já começa a fazer as contas de quando irá faturar o campeonato desse ano matematicamente, pois seus perseguidores mais próximos já estão abatidos. Enquanto Dani Pedrosa ainda sofre com o grave acidente na Alemanha, Stoner teve um baque ainda mais forte e que dificilmente cicatrizará: o golpe psicológico. Caindo duas vezes sozinho e quando liderava, Stoner pôs a luta pelo campeonato na lata de lixo e até mesmo a corrida ficou monótona quando o australiano da Ducati caiu. Rossi administrava calmamente a vantagem que tinha sobre seu companheiro de equipe Jorge Lorenzo, que volta ao pódio após inúmeros acidentes. Pedrosa chegou a ameaçar no início, mas o espanhol da Honda ainda não está 100% e nem no pódio ficou, superado pelo supreendente Toni Elias, que conseguiu seu segundo pódio consecutivo.

História: 10 anos do Grande Prêmio da Bélgica de 1998


O ano de 1998 era o típico confronto entre a máquina e o homem. A máquina em questão era a McLaren, que tinha o melhor carro disparado do ano nas mãos de Mika Hakkinen. O homem era Michael Schumacher, que tirava a diferença de sua Ferrari com sua extraordinária habilidade atrás do volante. Cinco anos após a saída de Senna, a McLaren finalmente voltava a disputar um título, mas isso parece ter trazido um enferrujamento da estratégia da equipe prateada, pois mesmo tendo o melhor carro, a equipe ainda perdia para o talento de Schumacher, como na corrida anterior na Hungria, onde o alemão da Ferrari conseguiu levar sua Ferrari a uma incrível vitória.

Mesmo estando em território Schumacher, a McLaren dominou amplamente em Spa Francorchamps, com Hakkinen tendo que se virar para tirar a pole do seu companheiro de equipe David Coulthard, já nos minutos finais da Classificação. Para melhorar as coisas para a equipe prateada, o terceiro colocado, com mais de 1s de atraso, não era Schumacher. A Jordan vinha fazendo uma temporada sofrível, mas demonstrava sinais de recuperação com Ralf Schumacher. Damon Hill fazia uma temporada bastante discreta, mas em Spa teve o prazer de superar seu antigo e ferrenho rival na Classificação, colocando sua Jordan em terceiro.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:48.682
2) Coulthard (McLaren) - 1:48.845
3) Hill (Jordan) - 1:49.728
4) M.Schumacher (Ferrari) - 1:50.027
5) Irvine (Ferrari) - 1:50.189
6) Villeneuve (Williams) - 1:50.204
7) Fisichella (Benetton) - 1:50.462
8) R.Schumacher (Jordan) - 1:50.501
9) Frentzen (Williams) - 1:50.686
10) Alesi (Sauber) - 1:51.189

A previsão de tempo para o dia 30 de agosto de 1998 em Spa era de sol e calor. Porém, a meteorologia na região da floresta das Ardennes falhava bastante e uma chuva torrencial se abateu naquele dia. Michael Schumacher tinha vencido a corrida em Spa no ano anterior debaixo de chuva e mostrou seu talento debaixo d'água sendo o mais rápido no warm-up (lembram dele?). Houve um pedido de alguns pilotos para que a largada fosse dada atrás do safety-car, mas como a chuva tinha diminuído minutos antes da largada, resolveu-se iniciar a prova normalmente. Foi o prenúncio de um dos maiores acidentes da história da F1!

Quando as luzes apagaram, Hakkinen fez uma boa largada, mas Coulthard não o fez. Villeneuve fez a melhor largada e estava brigando com Hakkinen pela liderança na La Source. Hill também sofreu muito com seu carro patinando e estava em 7º largando de 3º. Michael Schumacher fez uma boa largada e estava logo atrás de Villeneuve e Hakkinen, mas quando os líderes saíram da La Source, logo atrás deles as coisas não estavam parecendo muito boas. O forte spray impedia a visão dos demais e o que aconteceu entrou para a história. Aparentemente Irvine tocou em Coulthard, que rodou, bateu no muro à direita, atravessou a pista para bater novamente no outro lado. Foi o início do caos!

Com vários carros freando à frente numa cortina de spray, os que vinham atrás não tinham o que fazer e foi o início de uma longa cadeia de fortes acidentes que envolveu um total de quinze carros, na maior carambola desde a primeira volta do Grande Prêmio da Inglaterra de 1973. Afora os milhões de dólares de prejuízo, os pilotos estavam bem. Apenas Barrichello, com o cotovelo machucado, e Irvine, com uma pancada no joelho, estavam levemente feridos. Na confusão, houve algumas histórias inusitadas. Ao sair do carro, Barrichello viu uma mancha vermelha no seu macacão branco. Quando percebeu que o "sangue" não era seu, procurou de quem era! Mas não passava de óleo que escapou de algum carro perdido. Ralf Schumacher, que estava bem no meio do pelotão, freou seu carro, colocou em ponto morto e viu vários carros baterem à sua frente, mas seu Jordan não sofreu um único dano. Muitas equipes perderam seus dois carros na confusão e tiveram que escolher quem iria utilizar o único carro reserva disponível. Com isso, sobraram na segunda largada Rosset, Panis e Salo, que sofreu três fortes pancadas e falou que se sentiu dentro de um enorme pesadelo.

Após uma hora de atraso, a segunda largada foi autorizada. Novamente com os carros parados e com pista molhada. Hill e ultrapassa as duas McLarens e contorna a La Source em primeiro. Hakkinen contorna a apertada curva ao lado da Ferrari de Schumacher e os dois se tocam, com o finlandês rodando na frente do pelotão. Os primeiros carros passaram... menos Herbert! O piloto da Sauber acertou a McLaren do finlandês e os dois abandonaram na hora, para desespero de Ron Dennis, que colocou as mãos na cabeça quando viu a cena. E poria novamente quando Coulthard se estranha com a Benetton de Wurz e saí da pista. O escocês não teria mais chances de vencer, mas seria protagonista momentos mais tarde.

Hill tinha feito o set-up seu carro com um acerto intermediário, esperando que a chuva não voltasse mais, mas não tardou e a chuva voltou com força. Após segurar Schumacher nas voltais iniciais, Hill seria ultrapassado na Bus Stop na volta 7. Imediatamente o piloto da Ferrari mostrou sua exuberância em pista molhada e aumentava a vantagem sobre Hill a uma taxa de 2s por volta. A maioria dos pilotos estavam com pneus intermediários nesse momento e tiveram que ir aos boxes colocar pneus para chuva forte. Villeneuve preferiu ficar mais uma volta na pista e sofreu um forte acidente, após aquaplanar. Fora o segundo acidente forte do canadense, que a essa altura já tinha anunciado que não ficaria mais na Williams.

Quando todos os carros completaram suas paradas, Hill estava num sanduíche de Schumacher, com Michael 22s à frente e Ralf 22s atrás. Ralf começava a se aproximar de Hill, enquanto Michael se aproximava de colocar uma volta em cima da McLaren de Coulthard. Mesmo com 30s de vantagem para o segundo colocado, Schumacher vinha andando muito forte e quase tinha se estranhado com Pedro Diniz quando colocava uma volta nele. E mesmo tendo uma McLaren na frente, Schumacher não queria perder tempo e ficou sinalizando com o punho para que Coulthard saísse da frente. Jean Todt foi falar com Ron Dennis sobre o problema e, segundo Coulthard, recebeu a ordem para ceder a passagem para o líder.

E condições tão ruins de visibilidade, uma ultrapassagem teria que ser muito cautelosa. Coulthard tirou o pé na parte mais veloz do circuito e não vendo nada atrás dele, enquanto Schumacher não aliviou tendo pouca visibilidade. O resultado foi um acidente bisonho, com o alemão jogando a corrida fora. Coulthard, sem a asa traseira, e Schumacher, sem uma roda dianteira, se arrastaram para os pits. Quando parou no box da Ferrari, Schumacher saiu do carro furioso e antes que os mecânicos fechassem a porta, saiu em direção aos boxes da McLaren. Um mecânico da Ferrari ainda tentou impedir a caminhada do alemão. Coulthard estava fora do carro e de capacete quando Schumacher chegou aos boxes acusando o escocês de ter tentando matá-lo! Jean Todt pegou Schumacher pelo braço e passaram por dentro dos boxes da Jordan, que com toda aquele confusão, nem perceberam que estavam na liderança!

Mas havia outro problema. Ralf Schumacher estava se aproximando rápido e Hill estava com o carro nitidamente desequilibrado. Eddie Jordan tinha ordenado que seus pilotos permanecem nessas posições, para comemorarem uma dobradinha, mas Ralf estava brigando com Jordan para sair da equipe no final do ano e se transferir para a Williams. E o carro de Hill estava claramente mais lento, com o inglês saindo da pista na Bus Stop. Quando parecia que poderia haveria uma briga dentro da equipe Jordan, outro acidente marcou aquele conturbado GP. Na freada da Bus Stop, Fisichella atingiu a traseira da Minardi de Nakano a alta velocidade e trouxe o safety-car a pista. Mesmo saindo mancando da sua Benetton, o italiano estava bem e Nakano ainda pôde continuar na prova.

O período em bandeira amarela parece ter esfriado a cabeça de Ralf Schumacher, que após a saída do safety-car apenas comboiou Hill e se defendeu, com enorme tranqüilidade, dos ataques da Sauber de Alesi. Enquanto o sol começava a se abater em Spa, Eddie Jordan vivia momentos de agonia. Após sete anos e 127 GPs, a Jordan estava prestes a vencer sua primeira prova. E com dobradinha! Quando Hill recebeu a bandeirada, toda a F1 parecia feliz com a vitória do velho roqueiro. E depois do seu título em 1996, ninguém mais esperava uma vitória de Damon Hill, mas o inglês de 37 anos se superou e conseguiu a sua vigésima segunda e última vitória na F1. "É um grande sentimento - todo mundo está tão contente. Eu nunca vi um grupo tão feliz e eles mereceram isto completamente".

Chegada:
1) Hill
2) R.Schumacher
3) Alesi
4) Frentzen
5) Diniz
6) Trulli

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

God Bless you, Phil


Para quem olha a carreira na F1 de Phil Hill, o leigo pode pensar de que se tratava de um piloto sortudo, que venceu o título apenas por que tinha o melhor carro daquele ano, o belo Ferrari 156, nariz de tubarão. Porém, se essa mesma pessoa fizer uma pesquisa mais aprofundada, verá que esse americano nascido na Flórida, mas criado na Califórnia, é um dos grandes pilotos da história e um dos melhores pilotos de endurance de todos os tempos.

Sempre ligado a Ferrari, Hill começou sua carreira nos chamados sport-cars para depois de transferir para a F1, sempre correndo com um carro da casa de Maranello. E foi com a Ferrari que Hill conquistou suas três vitórias na F1 e o único título mundial da sua carreira, a primeira de um piloto americano, após uma briga com Wolfgang Von Trips. No entanto, Hill venceu várias corridas importantes do Mundial de Esporte-Protótipos no início dos anos 60, inclusive, por três vezes a mítica 24 Horas de Le Mans. Por ter morado muito tempo na Itália, Phil passou a gostar de ópera e foi um dos primeiros pilotos a se preocupar com a preparação física. Contudo, Phil foi um digno cavalheiro dentro e fora das pistas e não hesitava em dizer que sentia medo de morrer, tendo, inclusive, interrompido sua carreira de piloto antes de se mudar para a Europa definitivamente devido ao momento sombrio em que o automobilismo vivia na época.

Após se aposentar no final da década de 60, sem sofrer uma única fratura em seu corpo devido a um acidente, Phil passou a se dedicar aos automóveis antigos e ajudou o seu filho Derek a correr na F3000, mas ele não tinha o mesmo brilho do pai. Em 2003, Hill descobriu que estava com o mal de Parkinson e ontem nos deixou aos 81 anos de idade. Foi uma enorme perda para o automobilismo mundial e toda a F1 ficou de luto, principalmente a Ferrari.

Vá com Deus, Phil Hill!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

História: 25 anos do Grande Prêmio da Holanda de 1983


Na medida em que a temporada 1983 ia chegando ao fim, o campeonato caminhava lentamente na direção das pequenas e habilidosas mãos de Alain Prost. Após a sua vitória na Áustria, o piloto da Renault tinha uma confortável diferença para os seus perseguidores diretos, Piquet, Arnoux e Tambay. No entanto, movimentos de bastidores poderiam mudar o cenário daquele campeonato emocionante. Satisfeitos com os franceses que tinham atrás do volante, a Ferrari estaria interessada em trazer Prost, para reeditar a explosiva dupla com Arnoux nos tempos da Renault. O problema era que Prost e Arnoux não se bicavam e Tambay era extremamente popular entre os tifosi. No pelotão intermediário, a McLaren tentava uma volta ao pelotão da frente e estreava no circuito de Zandvoort o motor TAG-Porsche turbo. Inicialmente apenas Niki Lauda teria esse motor a disposição, enquanto John Watson ainda sofreria com o motor Cosworth aspirado.

E sofreria ainda mais na enorme reta dos boxes de Zandvoort, que garantia uma dominação das equipe com motores turbo. Durante os treinos, Patrese e Andrea de Cesaris quase brigaram nos boxes por causa de uma confusão dentro da pista. A cena só não foi pior porque Patrese permaneceu sentado em seu carro, enquanto De Cesaris esbravejava! Nelson Piquet conquistou a pole, ficando à frente de Patrick Tambay, outro que brigava pelo título. Prost, naquele momento o maior favorito ao título, ficava num conservador quarto lugar, enquanto René Arnoux teve problemas de motor durante os treinos e teve que se contentar com a décima posição. Lauda, ainda se acostumando com o novo motor, teve que se contentar com a décima nona posição.

Grid:
1) Piquet (Brabham) - 1:15.630
2) Tambay (Ferrari) - 1:16.370
3) De Angelis (Lotus) - 1:16.411
4) Prost (Renault) - 1:16.611
5) Mansell (Lotus) - 1:16.711
6) Patrese (Brabham) - 1:16.940
7) Warwick (Toleman) - 1:17.198
8) De Cesaris (Alfa Romeo) - 1:17.233
9) Winkelhock (ATS) - 1:17.306
10) Arnoux (Ferrari) - 1:17.397

O dia 28 de agosto de 1983 estava nublado no litoral holandês e o circuito de Zandvoort estava preparado para mais uma corrida decisiva do campeonato. A maior preocupação dos organizadores era com o pouco espaço do pit-lane, já que o reabastecimento estava na moda, os boxes sempre estariam movimentados, podendo causar um acidente. Porém, a primeira preocupção dos pilotos era com a largada. E ela seria surpreendente! Piquet larga muito bem e disprava rumo a famosa curva Tarzan. Porém, Tambay quase deixa sua Ferrari empacada na primeira fila e isso causou uma grande confusão nas filas posteriores. O resultado foi que Eddie Cheever, que largava em décimo segundo (!), completou a primeira curva confortavelmente sem segundo, com o seu companheiro de equipe Prost logo atrás.

Piquet começou a disparar, enquanto as duas Renaults ficavam para trás e já eram ameaçadas pela segunda Brabham de Patrese. Era preciso que algo fosse feito pela equipe francesa e Cheever cedeu sua posição para Prost ainda na quarta volta. Mais atrás, Arnoux tinha feito uma grande largada e pulara para sétimo e em apenas cinco voltas já estava em quinto. E pressionando Patrese! Tambay, que completara a primeira volta na longuínqua vigésima primeira posição, teria que fazer uma longa e penosa corrida de recuperação.

Sem ritmo para se segurar entre os primeiros, Cheever foi perdendo rendimento e foi ultrapassado por Patrese e Arnoux, mas não antes vender caro sua posição. Patrese e Arnoux continuavam a briga pela terceira posição e só apenas na volta 22 foi que o piloto da Ferrari conseguiu ultrapassar Patrese e consolidar uma bela corrida. No entanto, todas as atenções estavam lá na frente. Piquet e Prost eram os pilotos do momento e o francês começava a se aproximar do brasileiro. Prost usava a potência do seu motor Renault para mostrar seu carro por dentro na entrada da curva Tarzan. Piquet fazia uma trajetória normal, como se ignorasse a presença do piloto da Renault. Era uma briga fascinante! Prost sabia que teria que efetuar a ultrapassagem na freada para a curva Tarzan. O problema era que Piquet também sabia disso. O resultado não podia ser outro. Na volta 38, Prost colocou de lado no meio da reta e Nelson ficou por dentro. Prost recolheu e por um átimo de segundo, Piquet pensou que Prost não tentaria mais nada naquele momento. No entanto Prost tentou uma manobra desesperada e colocou por dentro, deixando sua Renault totalmente de lado. Era aquela história de que, se Piquet não estivesse ali, Prost teria passado reto. Mas como a Brabham do brasileiro estava lá, Piquet acabou atingido por Prost e batendo forte na barreira dos pneus, acabando sua corrida ali.

Parecia que Prost teria uma vantagem injusta, após colocar Piquet para fora da corrida. Porém, a asa dianteira do Renault estava danificada e poucas curvas depois Prost passou reto e bateu forte no guard-rail, terminando sua corrida naquele momento. Era tudo que Arnoux precisava! Após largar em décimo, o piloto da Ferrari estava em primeiro e com seus dois maiores rivais agora como espectadores. A partir daí, a corrida transcorreu normalmente, com Arnoux à frente de Patrese e de um impressionante Tambay. Contudo, nas voltas finais, o turbo de Patrese quebrou e o italiano apenas se arrastava pela pista até o final. Mostrando o seu lado moleque, Piquet foi ao muro dos boxes, já de roupa trocada, e ficou brincando com Patrese, como se estivesse pedindo uma carona ao companheiro de equipe.

No final, a Ferrari conseguia uma improvável dobradinha com Arnoux assumindo a vice-liderança do campeonato, apenas oito pontos atrás de Prost. Porém, a Ferrari não era a única equipe feliz em Zandvoort. Logo atrás de John Watson, a Toleman marcava seus primeiros pontos com Derek Warwick em quarto lugar, após várias tentativas frustradas em que bons treinos sempre acabavam em quebras mecânicas. Após a corrida, todos queriam saber a opinião dos dois protagonistas da corrida, mas quem esperava uma polêmica, se enganou. "Não estou chateado pois ele errou, mas não acho que ele fez isso de propósito, pois ele é um ser humano e pode errar e também está brigando pelo título", declarou Piquet. Prost, como não poderia deixar de ser, assumiu toda a culpa pelo incidente. "Claro que não foi culpa dele, mas foi culpa minha. Eu vi uma chance naquela curva e errei. Sinto muito por ele, mas deveria ter pensado que o segundo lugar seria melhor para o campeonato". Piquet e Prost eram e continuam bons amigos, mas o campeonato começava a se distanciar, pouco a pouco, de Prost.

Chegada:
1) Arnoux
2) Tambay
3) Watson
4) Warwick
5) Baldi
6) Alboreto

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Enquanto isso no domingo...


Apesar das vitórias e títulos das equipes Chip Ganassi e Andretti-Green nos últimos anos, sempre achei a Penske a melhor equipe dos Estados Unidos e neste final de semana, a equipe capitaneada por Roger Penske mostrou todo o seu potencial e força. Enquanto se encaminhava para a Califórnia, o caminhão da equipe pegou fogo, destruindo os carros titulares de Hélio Castroneves e Ryan Briscoe. Parecia que o final de semana no belo circuito misto californiano estava fadado ao fracasso.

Porém, a Penske fez um trabalho impressionante e deu carros rápidos e constante para os seus pilotos, que responderam com um inesquecível dobradinha, com Hélio voltando a escalar uma grade após 29 corridas de jejum. Para melhorar, o brasileiro se aproximou de Scott Dixon na luta pelo campeonato, que atualmente está restrita aos dois. O neozelandês fez uma péssima corrida, mas ainda lidera o campeonato com uma certa folga, podendo ser campeão no próximo final de semana em Detroit. Por sinal, ele merece. Dixon é um dos melhores pilotos da Indy e depois de perder o campeonato do ano passado na última curva, merece sorte melhor neste ano.