domingo, 12 de julho de 2009

O grande voo de Webber


Durante muitos anos, Mark Webber foi um dos pilotos mais odiados pelos brasileiros, principalmente pela transmissão Global (que hoje esteve impagável), por que o australiano cometeu o ‘crime’ de ter derrotado Antonio Pizzonia, o queridinho de todos no começo da década. Webber ficou conhecido como político, anti-ético, antipático e de que era um piloto fraco e que só andava bem nas Classificações, caindo durante as corridas. O tempo passou e Webber foi evoluindo como piloto e até mesmo como pessoa, demonstrando ser um líder entre a desunida classe dos pilotos de F1. Já com 32 anos e vindo de uma recuperação traumática de um atropelamento em um evento promovido por ele mesmo, Webber parecia fadado e ter uma passagem obscura peã F1, mas a Red Bull lhe deu um ótimo carro e Mark superou todos os obstáculos acima, além de um companheiro de equipe do nível de Sebastian Vettel para conseguir sua primeira vitória na F1, 28 anos após o último triunfo de um piloto da Oceania, numa prova em que foi definitivamente o mais rápido.

A corrida de hoje foi, na verdade, um grande jogo de xadrez, com Red Bull e Brawn fazendo seus movimentos na medida em que se preparavam para suas estratégias pré-determinadas. Largando mais leve, a Brawn tinha que largar bem e o fez com Barrichello, proporcionando o único momento discutível de Webber, quando o australiano tocou no carro do brasileiro. Aqui vale um detalhe. Não reclamam tanto que a F1 está sem emoção, então por que punir Webber por um leve toque na lateral de um adversário? Foi perigoso? Bastante, mas toda disputa o é! Enquanto Rubens e Mark disparavam, Kovalainen segurava todo mundo, inclusive Button e Vettel, praticamente os tirando da briga pela vitória. Quando as paradas começaram, ficou claro porquê Adryan Newey tem um dos maiores salários da F1, pois, mesmo com Webber cumprindo uma punição, o australiano nunca saiu da contenda pela vitória e o australiano sempre foi o mais rápido da corrida, apenas esperando que a Brawn completasse as três paradas de Barrichello para completar a segunda dobradinha seguida, desta vez invertida, com um insuperável Mark Webber na ponta da corrida, enquanto um irreconhecível Vettel ficando em segundo. Com esse resultado, a Red Bull entra de vez na briga pelo campeonato e com os dois pilotos da marca austríaca ultrapassando Barrichello, Button terá mesmo que cuidar da ótima fase de ambos, se quiser permanecer na liderança.

O problema crônico da Brawn em aquecer os pneus ficou evidente quando, já no terço final da prova, Barrichello e Button precisaram ficar fazendo zigue-zague durante a reta, para ter os pneus ainda aquecidos. Contudo, uma boa estratégia precisa ajudar nas adversidades e Ross Brawn, cuja fama ficou justamente pela sua genialidade na ora de fazer a estratégia dos seus pilotos, vem pecando exatamente nisso, ao insistir na tática arriscada de três paradas. Quando algo ocorre com um dos seus pilotos à frente, essa tática vai para os ares e foi exatamente o que aconteceu em diferentes momentos com Button e Barrichello. Largando mal, Button ainda ultrapassou rapidamente Massa, mas ficou preso atrás de Kovalainen e quando parou, já estava mais de 10s atrás dos líderes, no caso Barrichello, que tinha feito sua parte na estratégia inicial, que era ultrapassar Webber, mas quando o brasileiro voltou à pista, ele ficou empacado atrás de Massa por várias e várias voltas, sem poder ultrapassar. Por sinal, toda vez que Barrichello tem que ultrapassar para ganhar tempo na estratégia, ele acaba ficando atrás do oponente. Um problema no reabastecimento não ajudou Rubens, que ainda se viu ultrapassado por Button na terceira parada. Com a Red Bull cada vez mais forte, não é de se admirar que a Brawn comece a favorecer Button nas corridas, como aconteceu hoje e Rubens, novamente pensando na equipe, terá que colocar isso na sua cabeça, pois hoje a única vantagem da Brawn em cima da Red Bull é justamente não haver dentro da equipe uma briga mais encarniçada pela primazia do time. Difícil é Rubens compreender isso...

Felipe Massa subiu ao pódio pela primeira vez em 2009 com uma corrida sólida, mas que foi praticamente definida com mais uma bela largada da Ferrari, graças ao Kers, ou, como diria Sebastian Vettel, o ‘botãzinho mágico’. Felipe foi rápido nos momentos certos e, ao contrário do que disse Galvão, não perdeu o segundo lugar por causa de sua parada, mas o terceiro lugar ficou de ótimo tamanho para Massa e a Ferrari, que tenho a impressão, virá fortíssima em 2010. Raikkonen abandonou quando estava logo atrás de Massa, mas sem ameaçar. O finlandês parece cada vez mais “To nem aí” com tudo e é exatamente por isso que a Ferrari está querendo se livrar dele para a entrada de Alonso já no próximo ano. Aqui vale um adendo para a presepada de Galvão Bueno na corrida. Claramente Massa não tinha chance de vencer hoje, apesar do Galvão insistir nisso, mas o pior foi ter dito que o Raikkonen venceu o Mundial de 2007 de forma circunstancial e que Felipe merecia mais aquele título. É por essas e outras que o Galvão é xingado em todos os estádios brasileiros...

Nico Rosberg foi outro destaque positivo da corrida de hoje com a 4º posição após largar em 15º. O alemão fez uma prova discreta, praticamente sem ser notado e quando a TV prestou atenção nele, Rosberg já estava nas primeiras posições, brigando com Massa e a dupla da Brawn. Com a Williams cada vez menor para seu talento, Rosberg deverá aparecer em um cockpit melhor no ano que vem, algo que Nakajima, que não comprometeu, mas também não fez nada demais, não deverá ter. A Renault definitivamente deu um passo à frente neste final de semana e Alonso teve a honra de ter feito a melhor volta da corrida, mesmo com o mico de ter rodado na volta de apresentação. Assim como ocorreu ano passado, não é descartável ver a Renault crescendo na metade final do ano e a forma como Alonso atacou Barrichello no final da corrida prova que o espanhol está com tudo. Nelsinho fez uma corrida decepcionante, em que seu nome não mencionado em nenhum momento e após a péssima largada, nas últimas posições ficou até o fim. Outro que deve estar se despedindo é Sebastien Bourdais, mas o francês parece ter deixado algo melhor para a equipe. Todos da Toro Rosso pareciam tristes com a saída do francês e insisto em dizer que não vimos na F1 o melhor de Sebastien Bourdais, para azar da própria F1.

A McLaren poderia ter um bom final de semana em 2009 finalmente, mas a ótima largada de Hamilton lhe rendeu um pneu traseiro furado na segunda curva e o inglês passou a prova andando em último, enquanto Kovalainen, também largando muito bem, fez a melhor prova dele esse ano, ao ficar muito tempo em terceiro, segurando sem muitas dificuldades a Brawn de Button. Após a sua parada, Kova ficou em oitavo e por lá ficou a prova inteira, marcando mais um pontinho para a McLaren. Surpresa maior do que o bom desempenho da McLaren foi o que fez Adrian Sutil. O jovem alemão fez a corrida da sua vida e chegou a andar em segundo, acompanhando carros de mais grife estando mais pesado, mas Sutil jogou sua corrida fora ao trombar com Raikkonen na saída dos pits, acabando com as chances de marcar pontos. Foi uma pena, mas a Force Índia está numa ótima fase e a prova disso foi as ultrapassagens de Fisichella no pelotão intermediário. A Toyota vem sendo a grande decepção desta metade de temporada, com Trulli rapidamente caindo no pelotão e Glock tendo que fazer uma corrida de recuperação após largar dos boxes. Por sinal, o alemão ainda ficou perto de beliscar um ponto. A BMW continua com seu sofrimento e nem correndo em casa resolveu seus problemas de falta de velocidade crônica, com Heidfeld e Kubica sempre andando nas últimas posições.

Se a corrida de hoje não foi um primor de emoção, pelo menos garantiu alguns indicativos para a segunda metade da temporada. A Brawn não exibe mais a mesma forma de antes e com um orçamento limitado, dificilmente terá como recuperar a exuberâncias das primeiras corridas, apesar do circuito de Hungaroring favorecer a equipe. O que pode ajudar a equipe de Ross Brawn é a subida de rendimento de outras equipes, como Ferrari, McLaren e Renault, além de Nico Rosberg em seu Williams. Se Massa ficou com o pódio hoje para corroborar com a boa fase da Ferrari, a boa Classificação da McLaren e a melhor volta de Alonso podem indicar novos ares para essas equipes. Já a Red Bull tem hoje o melhor carro da F1, mas terá que domar sua dupla, se quiser se aproximar de Jenson Button na briga pelo título. Se inicialmente Vettel era o favorito de todos, Mark Webber provou hoje que pode vencer corridas e brigar por vôos maiores.

sábado, 11 de julho de 2009

Se a corrida for assim...


Nürburgring, em seus mais de setenta anos de tradição em corridas, sempre nos trás emoção pelos mais variados motivos. Se a antiga espetacular pista foi praticamente extinta, o inconstante tempo na montanhosa região alemã é que faz a alegria dos amantes do automobilismo com corridas ou, como no caso de hoje, treinos com muita emoção. Num primeiro momento, ver Red Bull e Brawn ficando com as quatro primeiras posições podem nos indicar um treino normal, mas a chuva, fiél seguidor da emoção na F1, fez da Classificação de hoje a melhor do ano.

Como confirmou a previsão do tempo durante a semana, o sábado estava frio e a chuva se fez presente na uma hora de duração do treino, algo que ajudaria bastante a Red Bull. A pole de Mark Webber foi a prova de que o carro de Adryan Newey tem um enorme equilibrio em situações mais frias, mas o australiano teve que lutar muito no Q3 com vários pilotos para conseguir largar pela primeira vez em sua longa carreira na posição de honra na F1. Quando todos pensavam que a disputa ficaria entre a dupla da Brawn e Lewis Hamilton, Webber fez um tempo sensacional e praticamente garantiu a pole, apesar das últimas tentativas de Barrichello e Button, segundo e terceiro colocados, respectivamente. Como falou Button ontem, Webber está se tornando um piloto forte e que poderá incomodar na briga pelo campeonato, mas Vettel esteve estranhamente discreto no dia de hoje. Largando em quarto, não seria surpresa ver o alemão largando com o carro mais pesado.

A Brawn esteve melhor no frio alemão em comparação ao frio inglês e mais uma vez Barrichello superou Button, apesar de uma ótima exibição do inglês no Q2, quando tudo indicava que ele largaria nas posições intermediárias, mas Jenson mostrou porque é o líder do Mundial esse ano e, contra todas as expectativas, marcou um tempo que lhe garantiu no Q3. Button deverá estar pensando cada vez mais no campeonato e como a Red Bull parece ter o melhor carro do final de semana, uma corrida atrás de pontos poderá ser o objetivo de Button. Além da briga pela pole, a grande sacada de Barrichello foi ter esperado até o último momento para entrar na pista no Q2, correndo o risco de ficar de fora, para entrar na pista úmida com os pneus slicks e fazer o melhor tempo. As dezessete temporadas de Rubinho fizeram uma enorme diferença nesse momento. A McLaren mostrou que o melhor tempo de Hamilton na sexta-feira não foi apenas fruto de uma operação de marketing para agradar a Mercedes e hoje brigou, como nos velhos tempos, pela pole-position. Andando na chuva, talvez se esperasse um pouco mais do inglês, mas após várias corridas largando nas últimas posições, o 5º lugar de Hamilton pode ser o indício de uma melhora da equipe para essa segunda metade do campeonato e a posição de Kovalainen, em sexto, aumenta ainda mais isso.

A qualidade de Adrian Sutil quase lhe garantiu um lugar na McLaren ao lado de Hamilton ano passado, mas o alemão acabou permanecendo na Spyker, hoje Force India. Mesmo com um carro ruim, Sutil sempre se destacava em corridas no molhado, como na China esse ano, mas a subida da equipe hindu fez do alemão a grande surpresa do sábado, com ele ficando constantemente entre os primeiros e colocando a pequena equipe pela primeira vez na história no Q3 e, como se não fosse o bastante, ficando à frente das duas Ferraris! Se no passado Sutil já esteve bem cotado, agora ver o alemão numa equipe forte em 2010 chega a ser algo bem sólido, principalmente se ele conquistar os primeiros pontos da Force India, algo que pode acontecer devido as circunstâncias deste final de semana e pelo desempenho do jovem alemão. Giancarlo Fisichella esteve longe de acompanhar Sutil e por isso este longe de fazer algo histórico para a Mercedes. Memso assim, correndo em casa, a marca da estrela de três pontas conseguiu a proeza de colocar cinco carros no top-dez!

A Ferrari fez outro treino problemático, com seus dois pilotos saindo da pista em determinados momentos e longe da briga pelas melhores posições, mas ao menos Kimi e Felipe largarão entre os dez amanhã. Como não poderia faltar, por muito pouco a Ferrari não comete outra besteira ao colocar os pneus errados no carro de Massa. A Renault também mostrou evolução, com Alonso sempre andando entre os primeiros, mas um erro do espanhol no final do Q2 pôs tudo a perder e Nano largará em 11º. Pela primeira vez na carreira na F1, Nelsinho largará na frente de um companheiro de equipe ao emular a estratégia de Barrichello no Q2 e colocar seu Renault no Q3. Pena que, muito provavelmente, essa sua recuperação virá tarde demais, já que Grosjean, após muito se aquecer fora de campo, já assinou a súmula para entrar no lugar de Barrichello daqui a duas semanas e o técnico Briatora não parece muito afim de reverter a troca. Outro na mesma situação, Sebastien Bourdais, fez outra Classificação terrível e sairá em último amanhã. Sinceramente, acho o francês um ótimo piloto e até torcia por ele, mas as circunstâncias fazem da sua dispensa algo justo. BMW e Toyota estiveram longe de empolgar, mas no caso da equipe nipônica, novamente em voltas de um anúncio de sua saída da F1, esse desempenho ruim pode ajudar a fazê-los sair mesmo.

Se a previsão de tempo acertar novamente, a corrida de amanhã poderá ser outra loteria, pois é previsto ainda mais chuva do que hoje. Então, o quarteto que vem dominando a F1 atualmente poderá ser ameaçado por outros pilotos, ótimos em chuva, ávidos por uma temporada melhor, como são os casos de Hamilton e Sutil.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

História: 25 anos do Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1984


A F1 permanecia nos Estados Unidos e Nelson Piquet parecia iniciar mais uma recuperação rumo ao bicampeonato, apesar de Prost estar muito à frente no campeonato. Pela primeira vez na história, a F1 iria para Dallas para fazer uma corrida num circuito de rua interessante, promovido por Chris Pook, que havia sido o cicerone do Grande Prêmio de Long Beach por muitos anos e havia saído do calendário em 1983. Porém, o problema do autódromo improvisado não era a pista, mas a incrível temperatura que se fazia no Texas. Na sexta-feira, com temperaturas beirando os 35ºC, a dupla da Lotus fez o melhor tempo, com Nigel Mansell novamente à frente do seu companheiro de equipe, Elio de Angelis. Martin Brundle, correndo sob liminar pela Tyrrell, sofre um sério acidente nos treinos, quebrando os tornozelos e tendo que abandonar a temporada para tratar dos seus machucados. Conseguindo apenas o 12º tempo, Nelson Piquet queria saber se pista, os pilotos ou os carros quebrariam primeiro por causa do fortíssimo calor.

Por incrível que pareça, o calor aumentou no sábado e a Goodyear registrou a temperatura ambiente mais alto para uma corrida: 42ºC. Como dificilmente alguém melhoraria seus tempos de sexta-feira, a maioria dos pilotos preferiram ficar dentro dos seus motor homes, se refrescando no ar-condicionado. Derek Warwick, que teve problemas na sexta-feira, mostrou que tinha um ótimo acerto com o seu Renault e conseguiu o milagre de marcar o terceiro melhor tempo, enquanto Mansell garantia sua primeira pole na F1.

Grid:
1) Mansell (Lotus) – 1:37.031
2) De Angelis (Lotus) – 1:37.635
3) Warwick (Renault) – 1:37.708
4) Arnoux (Ferrari) – 1:37.785
5) Lauda (McLaren) – 1:37.987
6) Senna (Toleman) – 1:38.256
7) Prost (McLaren) – 1:38.544
8) Rosberg (Williams) – 1:38.767
9) Alboreto (Ferrari) – 1:38.793
10) Tambay (Renault) – 1:38.907

Como não poderia deixar de ser, o dia 8 de julho de 2009 estava muito quente em Dallas e isso causou problemas adicionais. A corrida foi remarcada para largar às 11:00, três horas mais cedo do que o normal, por causa do calor, e o warm-up foi programado para as 7:30, fazendo com que Jacques Laffite chegasse aos boxes de pijama. Porém, o aquecimento foi cancelado por causa de uma corrida de Can-Am, que destruiu o asfalto ainda mais, fazendo com que Lauda e Prost tentassem um boicote à corrida. Consertos de emergência foram feitos até meia hora antes da corrida e a largada aconteceria normalmente. Menos para Arnoux, que teve problemas na volta de apresentação e largaria em último.

Após tanta confusão, a corrida foi iniciada com Mansell ficando em primeiro, à frente de De Angelis e Warwick. Senna fazia uma ótima largada, se aproveitando da vaga aberta por Arnoux, e pula para quarto, mas ainda na segunda volta o brasileiro roda numa parte da pista ainda danificada por causa do calor e caí para último. O motor Renault de Elio de Angelis começa a apresentar problemas e Warwick ultrapassa o italiano, partindo para cima de Mansell, enquanto Lauda ultrapassa a segunda Lotus e parte para cima de Warwick, que não conseguia ultrapassar Mansell. Nigel usava sua tradicional garra para se manter à frente do compatriota e por causa disso segurava todo mundo, fazendo com que vários carros andassem juntos no começo da corrida. Warwick tenta ultrapassar Mansell numa pequena reta, mas fica por fora na freada e na tentativa de ficar à frente, acaba errando e batendo no muro de pneus. Lauda também tem problemas em seu motor e De Angelis assume novamente a 2ª posição. Por causa do calor extremo, os pilotos estavam ficando cansados rapidamente e cometiam erros.

Vários pilotos já tinham batido nos muros de Dallas! Os cinco primeiros colocados (Mansell, De Angelis, Lauda, Rosberg e Prost) estavam andando colados e na volta 14 Rosberg ultrapassou Lauda e partiu para cima das duas Lotus. Enquanto Prost ultrapassava seu companheiro de equipe, Rosberg deixava De Angelis para trás e partia para cima de Mansell. Com dois pilotos tão agressivos disputando a primeira posição, não poderia ocorrer outra coisa do que uma disputa quente, para delírio dos mais dos mais 90.000 expectadores que foram ao autódromo naquele dia. Na trigésima volta Prost ultrapassa De Angelis e também parte para cima de Rosberg, com Mansell fazendo das tripas coração para permanecer na ponta, enquanto o inglês raspava no muro várias vezes, numa tentativa desesperada de segurar a liderança. Rosberg tenta ultrapassar Mansell no mesmo lugar de Warwick e acaba fechado pelo inglês, algo que o finlandês reclamaria bastante após a corrida. Prost aproveita o momento de hesitação de Rosberg e assume a segunda posição, também indo para cima de Mansell. O francês se tornava o quinto piloto a assumir a 2ª posição e pressionar o piloto da Lotus. Contudo, Rosberg não se dá por vencido e ultrapassa Prost e algumas depois ele finalmente deixa Mansell para trás, com o inglês já completamente sem pneus e tendo que ir aos boxes. Mesmo com problemas no motor, Lauda e De Angelis permaneciam em 3º e 4º, enquanto a briga pela liderança se resumia a Prost e Rosberg. Arnoux fazia uma corrida notável e parecia ser o único imune ao calor e já aparecia em quarto após ultrapassar De Angelis!

Na volta 49, Prost assume a liderança da corrida e rapidamente abre 7.5s de vantagem sobre Rosberg, mas passadas uma hora e meia de corrida, o cansaço dos pilotos era enorme e os abandonos eram inevitáveis. Alboreto inaugurou uma espécie de ferro-velho de F1 ao bater no muro. Numa sequencia impressionante, Surer, Boutsen, Prost e Lauda batem no mesmo muro de Alboreto e cinco carros ficam enfileirados ao lado do muro, com todos os pilotos tentando se refrescar. Apenas oito carros permaneciam na pista e Mansell, após liderar boa parte da prova, era quinto e na última curva, ele bate no muro e quebra o semi-eixo. Desesperado em marcar pontos, Mansell sai do carro e começa a empurrar seu carro rumo a quadriculada, para delírio do público, mas o calor e o cansaço foi mais forte e Mansell acabou desmaiando sobre o pneu dianteiro direito. Keke Rosberg vencia pela primeira vez no ano e trazia consigo um ás na manga para tentar agüentar o calor. O motor Honda da Williams tinha dado tanta dor de cabeça, que o finlandês resolveu testar um novo capacete, que tinha um cooler que levava água gelada para dentro do capacete, deixando a cabeça de Rosberg fria, mesmo com o calor. Tão fria, que Rosberg nem parecia sair de uma das corridas mais quentes e dramáticas de 1984.

Chegada:
1) Rosberg
2) Arnoux
3) De Angelis
4) Laffite
5) Ghinzani
6) Mansell

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sandro







Muitas vezes, as vitórias na F1 chegam através da sorte ou da polêmica. O único triunfo de Alessandro Nannini na F1 foi baseada na segunda descrição, mas nem isso impediu que esse italiano simpático e extremamente rápido se tornasse um dos grandes pilotos no final da década de 80 e quando estava se aproximando do auge da carreira, uma tragédia fora das pistas quase põe fim a sua passagem pelas pistas. A mesma tenacidade que mostrou nas pistas, Sandro, como era conhecido, mostrou fora delas ao voltar às corridas um ano depois do seu acidente de helicóptero e se tornou uma estrela das corridas em carros de turismo. Completando cinquenta anos no dia de hoje, iremos conferir a carreira de Nannini.

Alessandro Nannini nasceu no dia 7 de julho de 1959 na cidade de Siena, proveniente de uma família rica, que ganhou dinheiro através das padarias da cidade. A irmã mais velha de Sandro, Gianna Nannini partiu para o mundo musical e se tornou uma estrela de rock na Itália, inclusive cantando a música oficial da Copa do Mundo de 1990. O interesse de Alessandro Nannini pela velocidade começou na metade da década de 70, quando ingressou no motocross e em 1978 partiu para as quatro rodas, mas ainda nas pistas de terra, comprando um Citröen Dyane e competindo no rally. No ano seguinte ele comprou um mais competitivo Lancia Stratos e mesmo conseguindo alguns bons resultados, Sandro decidiu partir para os autódromos em 1980, competindo na Fórmula Itália, onde mostrou um bom resultado em seu ano de estréia, ganhando o campeonato em 1981. Isso chamou a atenção de Giancarlo Minardi, que iria construir pela primeira vez um chassi de F2, após anos correndo com chassis comprados, e este leva Alessandro Nannini para o Europeu de F2 em 1982. O Campeonato Europeu de F2 começava seu declínio e mesmo tendo os potentes motores BMW, a Minardi tinha enormes dificuldades com a confiabilidade, mas Nannini se sobressaía quando tinha oportunidade e conseguiu um segundo lugar em Misano em 1982 e repetiu a posição em Nürburgring, ainda no velho circuito, em 1983.

Enquanto corria na F2, Nannini também iniciava uma boa carreira no Mundial de Esporte-Protótipo, sendo contratado pela equipe Lancia Martini em 1982, estreando com um bom segundo lugar em Mugello, ao lado de Corrado Fabi. Num campeonato dominado pela Porsche, Nannini conseguia apenas resultados regulares, apesar de seu talento ser inerente a todos, como na vitória em Kyalami em 1984, ao lado de Riccardo Patrese. No entanto, a melhor exibição de Nannini com estes carros foi nas 24 Horas de Le Mans de 1982, quando liderou a maior parte da prova, ao lado de Martin Wollek, mas acabou abandonando com problemas de câmbio. Quando Minardi resolve lançar sua equipe na F1 em 1985, a escolha natural recai em Nannini, mas por incrível que pareça, o italiano tem o pedido de Superlicensa caçada e tem que passar a temporada de 1985 toda correndo no Mundial de Esporte-Protótipo e testando os carros da Toleman. Quando finalmente é agraciado com a Superlicensa, Nannini pode finalmente estrear na F1 pela Minardi em 1986, tendo ao seu lado Andrea de Cesaris. Mesmo tendo a mesma idade, De Cesaris era muito mais experiente e apesar de ser temerário atrás do volante, ninguém contestava a velocidade do italiano. Seria um belo teste para Nannini.

Porém, os carros da Minardi ainda sofriam com a pobre confiabilidade, a ponto de Nannini ver a bandeirada de chegada apenas na penúltima corrida, no México, quando terminou a prova em 14º. No entanto, durante as Classificações, Nannini consegue se sobressair a De Cesaris e por isso fica mais um ano na Minardi. De Cesaris saí da equipe e no seu lugar entra o espanhol Adrian Campos, que é facilmente derrotado por Nannini durante o ano, mas o problema de confiabilidade do carro persiste, fazendo com que o italiano só recebesse a bandeirada apenas um vez novamente, em 11º, na Hungria. Porém, Nannini se faz ser notado por boas atuações, como na Alemanha e em Portugal, quando estava em sétimo e oitavo, respectivamente, quando abandonou. A equipe Benetton se tornava uma equipe grande e vendo a habilidade de Nannini, o contrata para 1988. Essa seria a grande chance do italiano!

Tendo ao lado o belga Thierry Boutsen, o contraste de estilo dos pilotos da Benetton fica claro, com Nannini mais agressivo, enquanto Boutsen era bem mais suave. A Benetton tinha um contrato com a Ford, que lhes daria o motor Cosworth aspirado, antes da proibição do turbo em 1989. Contudo, o maior problema da Benetton foi o domínio avassalador da McLaren em 1988, com a equipe conquistando várias dobradinhas ao longo da temporada, sobrando, normalmente, apenas um lugar no pódio. Isso deixava a terceira posição uma briga acirrada entre os pilotos de Ferrari, Williams, Lotus e Benetton. Em comparação a Boutsen, Nannini era mais rápido nas Classificações, mas Boutsen era mais constante em ritmo de corrida. Alessando mostrava que tinha condições de brigar de igual para igual com os grandes pilotos da época, como demonstrou em Ímola, onde marcou seu primeiro ponto com um sexto lugar, mas a Benetton o deixou na mão algumas vezes e sua agressividade custou alguns pontos. Sua melhor exibição foi em Silverstone, onde sobreviveu a uma rodada numa pista muito molhada para conseguir seu primeiro pódio, em terceiro.

Nannini fez algumas corridas positivas no final do ano, inclusive com uma brilhante terceiro lugar em Jerez, numa corrida em que chegou a ultrapassar Ayrton Senna. Para 1989, Nannini seria o primeiro piloto, já que Boutsen tinha se transferido para a Williams, e Johnny Herbert ainda era um novato praticamente desconhecido. Porém, a temporada não começou bem para a Benetton com o atraso dos novos chassis e do novo motor Ford, mas isso não impediu algumas boas exibições do italiano. Após uma corrida discreta no Brasil, Nannini conseguiu um pódio em San Marino em terceiro lugar, o melhor não-McLaren da corrida, e após um oitavo lugar em Mônaco, ele conseguiu um quarto lugar no México. Em Phoenix, Sandro sofreu um forte acidente no warm-up que o fez abandonar a corrida quando estava em 3º e em Montreal ele resolve trocar seus pneus durante a volta de apresentação e quando volta à pista, a largada não tinha sido dada e o italiano acabaria desclassificado por causa da confusão. A volta à Europa e vinda do novo carro faz com que Nannini melhore sua performance, conseguindo pontos de forma regular, inclusive com um terceiro lugar na Inglaterra, imitando o resultado do ano anterior. Após uma corrida decepcionante em Jerez, Nannini vai ao Japão como coadjuvante da emocionante e polêmica disputa entre os pilotos da McLaren.

Senna e Prost duelavam pelo título com direito a diversos truques. Prost tinha sido mais constante durante o ano e era o favorito ao título, mas ninguém poderia duvidar de Senna. A corrida em Suzuka era uma das mais tensas de todos os tempos, já que ambos haviam declarado antes da prova que não aliviariam se ocorresse uma disputa direta. Largando em quarto, Nannini fazia uma prova correta e após uma briga com as Ferraris, ele se encontrou um tranquilo terceiro lugar quando os carros vermelhos abandonaram. Sentindo que era impossível se aproximar das duas McLarens e nem era incomodado por ninguém, Nannini diminuiu o ritmo e apenas esperava pela bandeirada. Quando abria a antepenúltima volta, Nannini se achou em primeiro! Senna e Prost tinham se envolvido na sua famosa colisão, com Prost ficando pelo caminho e Senna voltando à pista como um louco. Num ritmo até 3s mais lento que os líderes, Nannini foi surpreendido por um Senna enlouquecido e foi ultrapassado até com facilidade pelo brasileiro na penúltima volta. Mas havia um problema. Senna tinha cortado a chicane e todos esperavam uma punição e o pódio era atrasado de forma estranha. Minutos depois, Nannini aparece feliz com sua surpreendente e polêmica primeira vitória.

Com um segundo lugar em Adelaide, Nannini acabaria a temporada de 1989 em sexto lugar e a perspectiva para 1990 eram ótimas com as chegadas de John Barnard e Nelson Piquet. Nannini fica muito amigo do tricampeão. Como tinha acontecido no ano anterior, a Benetton atrasou o seu novo carro e Sandro só pontuou na terceira corrida do campeonato, com um terceiro lugar em Ímola, ainda marcando a volta mais rápida da corrida. Nannini lideraria o Grande Prêmio do Canadá, mas um pneu furado pôs tudo a perder. Foi uma primeira metade claudicante, mas em Hockenheim a temporada de Nannini decolou. Largando com os pneus mais duros, Alessandro Nannini partiu para uma estratégia de não parar e por isso liderou a corrida alemã por várias voltas, mesmo sendo pressionado por Senna. Após ser atrapalhado por um retardatário, Sandro é ulrapassado pelo brasileiro, mas termina a prova em segundo. Em Hungaroring, Nannini faz uma ótima corrida, andando por várias voltas em segundo, sempre próximo do líder Boutsen. Senna havia tido um pneu furado e após uma boa corrida de recuperação, pressionava Nannini no final da prova. Numa manobra, no mínimo, otimista, Senna tentou a ultrapassagem em uma chicane e jogou Sandro para fora da corrida de forma até desavergonhada!

Nannini consegue em bom quarto lugar em Spa e quando era um dos mais rápidos em Monza, tem problemas de freios e se envolve numa cena de pastelão com Piquet, com ambos os pilotos da Benetton entrando nos boxes ao mesmo tempo. No GP da Espanha, Nannini retorna ao pódio com um terceiro lugar e com uma folga de três semanas para a corrida no Japão, ele resolve voltar à Itália para descansar. Enquanto se aproximava da fazenda dos pais na pequena cidade de Belriguardo, próximo a Siena, o helicóptero de Nannini sofre uma pane e cai, ferindo outras três pessoas sem gravidade, mas Sandro estava seriamente machucado. Nannini foi submetido a uma microcirurgia para um reimplante de antebraço. Flávio Briatore, na época chefe de equipe de Nannini, ficou chocado, assim como toda a F1. Nannini, segundo especulações, havia acabado de rejeitar uma proposta de US$ 4 milhões para se transferir para a Ferrari, que ainda tentava tirar Alesi da Williams, mas o italiano preferiu trocar o sonho de correr pela Scuderia por um contrato mais longo com Briatore. O dirigente perdeu a sua maior aposta, mas acharia um alemão no ano seguinte. Um tal de Michael Schumacher. Apesar do sucesso na cirurgia de reimplante em seu antebraço, a carreira de Alessandro Nannini na F1. Foram 76 Grandes Prêmios, uma vitória, duas melhores voltas, nove pódios e 65 pontos conquistados.

Após um ano se recuperando do seu acidente, Nannini voltou às pistas no Campeonato Italiano de Superturismo pela equipe oficial da Alfa Romeo e em sua primeira corrida, ele largou em segundo. Nannini ainda venceria três corrida no seu ano de estréia, mas perdeu o campeonato para o seu companheiro de equipe Nicola Larini. Como forma de homenagem a sua força de vontade em voltar a correr, a Ferrari preparou um teste para Nannini no final de 1992, com um carro adaptado as limitações do italiano. Quando a Alfa Romeo se transferiu para o DTM em 1993, Nannini se tornou uma das estrelar do maior campeonato de turismo do mundo na época, mas a Alfa teve que adaptar um câmbio semi-automático para Nannini, que ainda quebrava bastante, impedindo que Sandro conseguisse grandes resultados. Novamente Larini venceu o campeonato, mas Nannini ainda venceu duas corridas e conseguiu várias poles. Sandro tinha tudo para ser o campeão da temporada de 1994 do DTM ao vencer as quatro primeiras corridas do ano, mas quando a Mercedes estreou o novo carro no meio do ano, a marca alemã deu a volta por cima e Nannini ficou para trás. O novo modelo Classe C era tão bom que a Alfa não pôde brigar com a Mercedes em 1995 e Nannini ficou para trás. Em 1996, o DTM acabava para o surgimento do novo ITC. Era um supercampeonato mundial, com Mercedes, Alfa e Opel brigando palmo a palmo pelas melhores posições. Nannini se tornou líder da Alfa contra a Mercedes de Bernd Schneider, que acabaria campeão, e o Opel de Manuel Reuter. Quando a Alfa e a Opel desistiram do campeonato no final de 1996, o ITC foi extinto e Nannini se transfere para a Mercedes para disputar o Campeonato Mundial de FIA-GT, ao lado do alemão Marcel Tiemann. Com problemas no modelo CLK-GTR, Nannini viu Schneider vencer o campeonato, mas o italiano ainda venceria por uma última vez em Suzuka, já no final do ano. Em setembro de 1998, com 39 anos de idade, Alessandro Nannini anunciou sua despedida das pistas. Apesar de todas as limitações que teve na carreira, Nannini sempre encarou a vida com bom humor, o fazendo uma das figuras mais populares do paddock e assim, o italiano é tão admirado dentro, como fora das pistas.
Parabéns!
Alessandro Nannini

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Enquanto isso no domingo...




Apenas uma semana após o Grande Prêmio da Holanda, o circo do Mundial de Motovelocidade cruzou o Atlântico para o Grande Prêmio dos Estados Unidos no espetacular circuito de Laguna Seca. E ao lembrar da corrida no ano anterior, todos esperavam por uma corrida tão espetacular como em 2008, quando Valentino Rossi e Casey Stoner protagonizaram uma das mais sensacionais disputas da história do Mundial. Com Valentino super-motivado com a liderança isolada, era de se esperar que o italiano vencesse novamente, talvez até com mais facilidade em comparação ao anterior. Contudo, o Mundial de MotoGP vem se mostrando tão supreendente como nos anos anteriores.

Daniel Pedrosa estava andando tão mal esse ano, que até o seu até então insubstituível cargo dentro da Honda já estava ameaçado. Sem vencer há mais de um ano e sempre caindo nas corridas, ninguém esperava nada de mais do espanhol, mas Dani fez uma prova surpreendente e venceu pela 1º na temporada. Como nas corridas anteriores, Pedrosa fez uma ótima largada, mas se manteve na ponta até o final, sem ser muito incomodado pelos demais, que estavam ocupados demais brigando entre si. Stoner, Rossi e Doviziozo estavam próximos e trocando de posição, mas quando Doviziozo caiu, foi Lorenzo, que era o pole, mas tinha largado mal, quem entrou na festa. Por um instante Stoner superou Rossi e parecia em segundo, mas seus maus súbitos, que o prejudicaram nas corridas anteriores, fizeram com que ele perdesse facilmente a segunda posição para a dupla da Yamaha. Então, Lorenzo, que estava machucado, partiu para cima de Rossi, mas a ultrapassagem acabou não acontecendo e Velantino se concentrou em Pedrosa, que estava 3s à frente. O espanhol diminuiu o ritmo no final e quase foi surpreendido por Rossi na última curva, mas Dani pôde comemorar, finalmente, sua primeira vitória em 2009, porém suas chances no campeonato são diminutas. Mesmo em segundo, Rossi aumentou sua vantagem para seus mais diretos perseguidores (Lorenzo e Stoner) e parte para o nono título.

Pouco assisti a corrida da Indy. Para ser claro, só vi as entrevistas pós-corridas. Porém a vitória de Justin Wilson prova a qualidade do cumprido inglês, que quando tem carro e está num circuito misto, anda no pelotão da frente e superou as duplas de Ganassi e Penske para comemorar sua segunda vitória na IRL. Briscoe, segundo colocado, é mais líder do que nunca! Na Nascar, a segunda prova em Daytona trouxe outro final emocionante e acidentado. Kyle Busch ultrapassou o líder Tony Stewart na penúltima volta, mas todos sabiam que o reconchudo piloto iria para cima na volta final. Após um zigue-zague perigoso na reta final, 'Bushinho' recebeu um toque de Stewart e estampou o muro com força, causando o famoso 'big one' bem na última volta. Stewart venceu e é mais líder do que nunca, mas Kyle Busch, conhecido por sua agressividade excessiva e suas atitudes vingativas nas pistas, deve estar ancioso para o próximo encontro com Stewart.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

História: 15 anos do Grande Prêmio da França de 1994


A Fórmula 1 estava carente no verão de 1994. Seus "quatro fantásticos" estavam todos, de uma forma ou de outra, fora das pistas. Juntos, Senna, Prost, Piquet e Mansell haviam vencidos onze dos últimos quatorze campeonatos mundiais e eram os únicos que atraíam atenção para a F1. Apesar de sua agressividade já chamar a atenção de todos, Michael Schumacher ainda não era uma estrela do quilate dos citados (apesar de se tornar a estrela única nos anos seguintes. Damon Hill tinha o carisma de uma porta fechada numa sala de escritórios vazia, enquanto a dupla da Ferrari, Alesi e Berger, não encantavam mais ninguém. Procurando algo que não fosse tragédia para se associar a F1, Bernie Ecclestone queria resgatar alguma das suas estrelas para brilhar novamente na F1. Senna havia encontrado seu destino na curva Tamburello, enquanto Nelson Piquet ainda se recuperava do seu grave acidente em Indianápolis no ano anterior. Prost havia prometido nunca mais correr na F1 após a morte de Senna. Então sobrava um. Nigel Mansell se mantinha ativo na F-Indy e acabara de se sagrar campeão da categoria no anterior. O inglês não estava muito satisfeito em sua segunda temporada nos Estados Unidos e Bernie em pessoa fez toda a negociação entre Mansell e a Williams, equipe com a qual o inglês fez mais sucesso.

Mansell não participaria de todas as corridas, mas ganharia uma fortuna na Williams e faria sua estréia em Magny-Cours, país-sede da Renault, que empurrava os carros azuis de Frank Williams. Mesmo prestes a completar 41 anos de idade, o Leão mostrava que sua velocidade ainda estava intacta e brigou pela pole com Schumacher e Hill. Foi uma sessão emocionante, com o a dupla da Williams colocando o alemão na segunda fila, mas Hill, que ganha bem menos do que Mansell, foi que ficou com a pole. Jos Verstappen voltava à Benetton em grande estilo. O holandês bateu seu carro com força na última curva e por muito pouco não sofreu uma contusão séria, já que o braço da suspensão dianteira perfurou o chassi e entrou no macacão de Verstappen, mas errando o joelho do holandês por muito pouco.

Grid:
1) Hill (Williams) - 1:16.282
2) Mansell (Williams) - 1:16.359
3) Schumacher (Benetton) - 1:16.707
4) Alesi (Ferrari) - 1:16.954
5) Berger (Ferrari) - 1:16.959
6) Irvine (Jordan) - 1:17.441
7) Barrichello (Jordan) - 1:17.482
8) Verstappen (Benetton) - 1:17.645
9) Hakkinen (McLaren) - 1:17.768
10) Frentzen (Sauber) - 1:17.830

O dia 3 de julho de 1994 estava quente e ensolarado na região de Nevers, num dia típico verão francês. Dentre as várias suspeitas de irregularidades no Benetton de Michael Schumacher, se dizia que o carro do alemão teria um dispositivo em seu carro que o fazia largar na medida em que a luz ficasse verde no sinal (ou fárol), durante a largada. A suspeita aumentou com a incrível largada do alemão, com Schumacher passando entre as duas Williams e assumindo a ponta da corrida, à frente das duas Williams (Hill à frente de Mansell) e as duas Ferraris (Alesi à frente de Berger).

Hill perseguia Schumacher de perto, enquanto Mansell ficava para trás e era pressionado por Alesi, mas sem o francês conseguir ultrapassar. Já naquela época o problema de ultrapassagens se fazia presente em Magny-Cours e com a volta dos reabastecimentos, a corrida seria decidida pela estratégia. Com o sol forte, parar uma única vez era basicamente impossível e então os pilotos parariam ou duas ou três vezes. As seis primeiras posições ficaram inalteradas por 17 voltas, com a corrida se tornando uma verdadeira procissão, que terminou na volta seguinte. Mansell inaugurou as paradas e ficou claro que ele pararia três vezes. Assim como a maioria que vinha brigando pela ponta. Rubens Barrichello permanecia mais tempo na pista e já aparecia em segundo, enquanto Alesi deixava Mansell para trás na mais pura estratégia.

Quando vai aos boxes, Rubinho tem problemas em seu pit-stop e caí novamente para sexto. Claramente sem ritmo, Mansell é ultrapassado por Berger e Barrichello e fica em sexto, enquanto outra procissão se iniciava com os pilotos esperando a próxima rodada de paradas para verem como ficariam na corrida. Alesi inaugura a segunda rodada de paradas na volta 35, caindo para quarto e duas voltas mais tarde foi a vez de Schumacher ir aos boxes, deixando Hill na liderança. Mostrando seu ritmo forte, mesmo estando mais pesado, o alemão da Benetton se aproximou de Hill em cinco voltas, mas sabendo que o inglês pararia em poucas voltas, Schummy resolveu ficar atrás da Williams. Correndo em casa, Alesi decepcionava novamente ao rodar e perder tempo, mas quando o francês voltava à pista, Barrichello estava passando e o acidente foi inevitável. Rubinho ficou bastante irritado com a manobra de Alesi!

Quando Hill fez sua parada, o inglês ficou 20s atrás de Schumacher e com o abandono de Mansell na volta 45, a corrida ficou praticamente decidida. Mostrando seu carisma, mesmo num país estrangeiro, Mansell foi extremamente aplaudido pela torcida francesa enquanto voltava aos boxes. Schumacher venceria novamente e fazia do campeonato apenas uma questão de tempo. Hill era o único que podia fazer frente ao alemão em 1994, mas Schumacher mostrava que substituiria, e bem, os quatro fantáticos nas próximas quatorze temporadas com vários títulos, polêmicas e vitórias.

Chegada:
1) Schumacher
2) Hill
3) Berger
4) Frentzen
5) Martini
6) De Cesaris

quarta-feira, 1 de julho de 2009

História: 30 anos do Grande Prêmio da França de 1979

A etapa francesa da temporada de 1979 da F1 foi histórica por vários motivos. Primeiro, foi o primeiro triunfo de um motor turbo na Fórmula 1. Segundo, por ter sido a primeira vitória da Renault, que investia há dois anos na categoria. Porém, a corrida disputada no pequeno circuito de Dijon-Prenois entrou para a história por outro motivo. Mais precisamente nas últimas quatro voltas. O que Gilles Villeneuve e René Arnoux fizeram naquele dia de julho foi um dos momentos mais emocionantes da história da F1 e por isso, expressar em palavras o que aconteceu é basicamente impossível. Então é melhor colocar imagens dessa histórica e inesquecível batalha para celebrar os trinta anos dessa corrida. Ah! Com comentários de Léo Batista e Reginaldo Leme.