sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Confusão!


Quando me perguntam qual a diferença da Nascar para as demais categorias, sempre respondo a mesma coisa. Imaginemos uma pessoa indo para um autódromo para assistir a Stock-Car, por exemplo. Essa pessoa vai com o intuito de ver uma corrida bem disputada e dependendo do andamento da corrida, vê um show, com ultrapassagens, freadas no limite, acidente (sem conseqüências) e muita emoção. Agora, quando um Red Neck sai de sua casa com uma Pick-up em direção a um oval no meio-oeste americano com a intenção de assistir uma prova da Nascar, essa pessoa vai com o intuito de ver um show e dependendo do andamento desse show, ele acaba até vendo uma boa corrida.

Desde o último sábado a Nascar iniciou sua temporada de forma extra-oficial, com várias corridas de apoio para o principal evento do ano da categoria, que acontece nesse domingo: as 500 Milhas de Daytona. A Nascar preparou um verdadeiro show que começou com o Budweiser Shootout, uma corrida de aquecimento com a participação apenas de pilotos que marcaram pelo menos uma pole em 2007. No dia seguinte, começou a Classificação para as 500 Milhas de Daytona. E aí a confusão começa!

Vou tentar explicar o pouco que entendi sobre a intricada Classificação para o próximo domingo. Os 35 carros (não pilotos) melhores classificados de 2007 já estão garantidos no grid de 43 carros para o próximo domingo. Até aí, nada demais. O problema é que a Classificação do último final de semana, que teve a participação de 53 carros, só definiu... a primeira fila! O atual bicampeão Jimmy Johnson ficou com a pole e terá ao seu lado a Toyota de Michael Waltrip. E as outras 41 posições? Pois bem, duas corridas foram realizadas nesta quinta-feira em Daytona, chamadas de Gatorade Duel. Claro, o nome do patrocinador não podia faltar num show desse...

Mesmo garantidos no grid, Johnson e Waltrip fizeram parte da festa que definiria as restantes 34 posições no grid. Quem ganhasse a primeira bateria de 60 voltas, compatilharia a segunda fila com o vencedor da segunda corrida e daí por diante. Claro, com Johnson e Waltrip apenas como café-com-leite. Para quem sabe contar, percebeu que ainda faltam sete vagas para completar o grid. Preparassem e se não estiverem entendendo bem, estou fazendo o melhor possível! Os pilotos que não ficaram entre os 35 melhores classificados em 2007 foram colocados nas duas corridas de ontem e os dois melhores classificados entre esses pilotos se classificariam para as 500 Milhas de Daytona. Mas ainda estão faltando mais três vagas, perguntaria alguém que ainda está conseguindo entender o que estou escrevendo aqui. Pois é, para os pilotos que não estavam entre os carros que ficaram entre 35 melhores classificados em 2007, não conseguiram ficar entre os dois primeiros nas duas corridas de ontem (ufa!), mas conseguiram os dois melhores tempos entre esses pilotos na classificação de domingo, ficaram na 41o e 42o posição no grid. Acabou? Ainda tem mais confusão!

A última vaga para o grid ficou com algum ex-campeão da Nascar (seja ela Winston Cup ou Nextel Cup) que não tenha conseguido ficar entre todas as alternativas anteriores. Mas o problema é que Kurt Busch, o último colocado de domingo, foi o sexto colocado no campeonato do ano passado e não mudou de equipe. Aqui vale outra explicação. A equipe Penske trouxe para a Nascar Sam Hornish Jr., que atuava pela equipe de Roger Penske na IRL. O problema é que Hornish não vinha andando nada nas suas primeiras experiências na Nascar e a equipe ficou com medo de que Hornish passasse o vexame de não conseguir se classificar para as primeiras corridas, Daytona em particular. O que fazer? Simples! Como Busch foi campeão em 2004 e normalmente se classifica bem, os pontos dos seus carros foram transferidos para o de Hornish e assim o americano sempre largará para as corridas, pois seu carro já tem vaga garantida, independentemente de que Hornish e o seu carro nem tenham corrido ano passado. Como Bush quebrou o motor ontem, ele teve a opção de usar a prerrogativa de campeão para conseguir uma vaga para domingo. Ufaaaaaaaaaa!!!!!!

Ontem, as vitórias acabaram ficando para Dale Earnhardt Jr., que tem 100% de aproveitamento na sua nova equipe, a campioníssima Hendricks, e Denny Hamlin, que deu para a Toyota a sua primeira vitória na Nascar, que por sinal agora se chama Sprint Cup. Destaque negativo para os canadenses Jacques Villeneuves e Patrick Carpentier, que precisavam ficar entre os dois primeiros colocados nas baterias de ontem e acabaram batendo, provocando duas bandeiras vermelhas.

Depois de tudo isso, fica uma pergunta: Não seria mais prático uma sessão nesta sexta-feira com todos os carros e que os 43 mais rápidos alinhassem no domingo? A resposta seria sim, se fosse uma categoria normal. Mas como é a Nascar, onde o show deve ser alimentado com muito dinheiro (Budweiser e Gatorade devem ter pagado alguns milhões só para colocarem suas marcas ao lado do nome das corridas) , essa inacreditável classificação está bom demais!

3 comentários:

Anônimo disse...

Olá Joao Carlos
Eu sinceramente nao conheço muito a NASCAR e também nao sou muito fã dela não justamente por esses regulamentos malucos da categoria,mas apesar de ser leigo quando o assunto é NASCAR acho que essas confusões acontecem lá por causa do excesso de intromissão dos patrocinadores e pelo ja citado regulamento.
Voce concorda ou discorda?

João Carlos Viana disse...

Concordo plenamente. Você acha que a Budweiser e Gatorade pagaram quanto para colocarem suas marcas ao lado do nome das corridas? Milhões de dólares! O automobilismo pode ter seu lado business, mas na Nascar isso é levado ao extremo! E o pior é que a Stock brasileira vai seguindo o mesmo caminho (errado) de fazer automobilismo.

Anônimo disse...

Concordo plenamente com o texto!