terça-feira, 18 de outubro de 2011

História: 30 anos do Grande Prêmio de Las Vegas de 1981

A polêmica temporada de 1981 da F1 terminava no bucólico circuito de Las Vegas, construído dentro do estacionamento Ceasars Palace Hotel. A pista era estreita e travada, mas o que os pilotos mais odiaram do circuito era ter sido construído no sentido anti-horário, ao contrário de 95% dos demais circuitos do calendário. Isso faria com que os pilotos tivessem parte da musculatura do pescoço, pouco utilizada no ano, sendo colocado no limite. Antes do final de semana em Las Vegas, três pilotos tinham chances de conquistar o título mundial, apesar de que o terceiro colocado Jacques Laffite (43 pontos) tenha apenas chances matemáticas. Só a vitória interessaria ao francês, sendo que o pesado Ligier-Matra não havia funcionado tão bem em circuitos travados como o de Las Vegas.

O campeonato seria decidido de verdade entre Carlos Reutemann (49) e Nelson Piquet (48). Teoricamente Reutemann era o favorito ao título e havia uma torcida pelo argentino, pois todos sabiam que aquela seria a última chance de Carlos, aos 39 anos de idade, ser campeão e ninguém duvidava do talento do platino. Porém, Reutemann ainda sofria com sua atitude em Jacarepaguá e a Williams não fazia nada mais do que o mínimo necessário para Reutemann ter um carro competitivo e ponto. Além disso, Alan Jones faria sua corrida de despedida em Las Vegas e não escondia de ninguém que queria sair da F1 com uma vitória. Mesmo que isso significasse a derrocada de Reutemann, seu inimigo fidagal desde o não cumprimento das ordens de equipe por parte de Reutemann no Grande Prêmio do Brasil, deixando o clima dentro da equipe Williams muito ruim.

Mesmo com essas adversidades, Carlos Reutemann consegue a sua sexta e última pole na F1, tendo Jones ao seu lado na primeira fila. Isso mostrava claramente que a Williams era mesmo o melhor carro da temporada. Nelson Piquet largaria em quarto, tendo Gilles Villeneuve entre ele e os carros da Williams. Jacques Laffite largaria apenas em 12º e suas chances de título iam embora enquanto o final de semana transcorria. Após todos os treinos, Nelson Piquet, que nunca fora um super-atleta, tem sérios problemas no seu pescoço e tem que ir ao médico. No mesmo hotel e curioso sobre o estado do rival, Reutemann ia constantemente ao posto médico saber da saúde de Piquet, que dizia ao médico para avisar ao argentino que não correria no dia seguinte. Naquele momento, Nelson Piquet começava a ganhar o título, pois via em Reutemann um rival nervoso e inseguro.

Grid:
1) Reutemann(Williams) – 1:17.821
2) Jones(Williams) – 1:17.995
3) Villeneuve(Ferrari) – 1:18.060
4) Piquet(Brabham) – 1:18.161
5) Prost(Renault) – 1:18.433
6) Watson(McLaren) – 1:18.617
7) Tambay(Ligier) – 1:18.681
8) Giacomelli(Alfa Romeo) – 1:18.792
9) Mansell(Lotus) – 1:19.044
10) Andretti(Alfa Romeo) – 1:19.068

O dia 17 de outubro de 1981 estava muito quente no deserto de Nevada, devendo fazer da longa corrida em Las Vegas ainda mais desgastante aos pilotos. Carlos Reutemann chega ao circuito improvisado muito nervoso e após o warm-up, o argentino reclamava com seus mecânicos da suspensão do carro, mas nada é encontrado, para desespero de Reutemann, que ainda tenta uma tacada final. Ele tenta apoio de Jones e pede-lhe desculpas sobre os problemas ao longo do ano, no qual o australiano manda-o tomar naquele lugar. Seria cada um por si! E quando Paul Newman, o diretor de prova, aperta o botão da luz verde, começaria o calvário de Reutemann, com o argentino largando muito mal, sendo ultrapassado por Jones, Villeneuve e Prost. Porém, a sorte de Reutemann é que Piquet também larga mal, caindo para sétimo. Apesar das brincadeiras com seu estado de saúde, o pescoço de Piquet preocupava a todos e um pequeno pedaço de metal é colocado na lateral do cockpit do brasileiro, para ele apoiar a cabeça nas curvas para a esquerda.

Enquanto Alan Jones disparava rumo a uma despedida com chave de ouro, Villeneuve ‘ajudava’ o australiano ao segurar todo mundo atrás de si nas primeiras curvas. O canadense já havia feito milagres com sua desequilibrada Ferrari em Mônaco e Jarama, mas com muitas voltas para o fim da prova em Las Vegas, Villeneuve só segura o segundo lugar por apenas duas voltas, sendo ultrapassado por Prost na marra. Na terceira volta Patrick Tambay dá um enorme susto no público ao bater forte sua Ligier, num acidente que nunca foi filmado. A frente do carro foi totalmente arrancada, com Tambay tendo simplesmente que se levantar para sair do carro, mancando da perna esquerda, mas o francês estava bem. Quem estava mal era Reutemann, que em voltas consecutivas era ultrapassado por Watson e Laffite, saindo da zona de pontuação. Para piorar, quem vinha logo atrás dele agora era Nelson Piquet, que tinha Mario Andretti no seu cangote. Aquele seria o momento crucial da corrida e do campeonato. Mesmo fora dos pontos e ainda perdendo o título para Reutemann, ultrapassar o argentino seria matar dois coelhos com apenas uma cajadada para Piquet. Ele não apenas se aproximaria dos pontos, como humilharia Reutemann. Na volta 17, quando Piquet parecia estar mais próximo de ser ultrapassado por Andretti, o brasileiro retardou a freada e ultrapassou Reutemann por dentro numa ultrapassagem decidida, como era característica de Piquet na época.

Aquilo acendeu a chama de Piquet, que em apenas duas voltas ultrapassa Watson e conquistava o campeonato no momento, pois com o ponto marcado com o 6º lugar, se igualava a Reutemann, mas venceria o certame por ter uma vitória a mais. O argentino, enquanto isso, era ultrapassado por Andretti e Mansell, mas aparentemente o Williams não parecia ter grandes problemas, ainda mais com Jones mais de 10s com relação a Prost em menos de vinte voltas. Laffite ainda acalentava chances remotas de título e ultrapassa Bruno Giacomelli e com o abandono de Gilles Villeneuve na volta 22, com problemas na sua Ferrari, o francês subia para terceiro, enquanto Andretti ultrapassava Piquet e deixava o brasileiro com a mesma pontuação no campeonato de Reutemann, mas o piloto da Brabham ainda era o campeão. Após ultrapassar Piquet, Andretti parte para cima do companheiro de equipe na Alfa Bruno Giacomelli e o inocente italiano acaba se atrapalhando numa tentativa de ultrapassagem do americano e sai da pista, dando mais uma posição para Piquet e Reutemann. Com um carro bem acertado, Giacomelli começaria uma bela corrida de recuperação e mais tarde Andretti abandonaria com problemas na suspensão. Quando Watson vai aos boxes trocar seus pneus, Reutemann retorna à zona de pontuação, mas ainda assim estava perdendo o título para Piquet por causa dos critérios de desempate.

Próximo a metade da prova, Prost vai aos boxes trocar seus pneus e retorna à pista logo atrás de Reutemann, que é facilmente ultrapassado não apenas pelo piloto da Renault, mas também por Mansell. Era impressionante a apatia de Reutemann naquele dia quente de outubro, mas ainda viria mais. Com pneus novos, Prost escala o pelotão e sabendo da situação de Reutemann, Piquet praticamente deixa o francês passar. Prost rapidamente se aproxima de Laffite, que estava tendo problemas de pneus e também é deixado para trás por Prost. O piloto da Ligier perde rendimento rapidamente e é ultrapassado por Piquet e Mansell, que também não importa em ser ultrapassado pelo inglês. Piquet claramente administrava sua situação no campeonato, enquanto Reutemann sofria em posições intermediárias. Para aumentar a aflição do argentino, Alan Jones se aproxima dele para lhe colocar uma volta. Jones diria mais tarde que o momento em que colocava uma volta em Reutemann foi quase orgásmico. Piquet começava a sentir o seu pescoço e nitidamente deitava sua cabeça na pequena proteção que a Brabham improvisou em seu cockpit. Quando Bruno Giacomelli se aproximou dele, com a visão prejudicada pela cabeça deitada, Piquet quase bate na Alfa de Giacomelli, mas ambos saem ilesos, a ponto do italiano buscar Mansell e conquistar o seu primeiro pódio na F1. Nesse momento, John Watson ultrapassa Reutemann e desempatava o campeonato a favor de Piquet, mas o piloto da McLaren, juntamente com Laffite, muito rápido após sua parada para colocar pneus novos, se aproximava de Piquet. Porém, a corrida estava no fim e a Williams não se fez de rogada em comemorar a vitória de Jones, que seria sua última na F1. Após um longo período, Prost recebeu a bandeirada em segundo, seguido por Giacomelli e Prost. Todos esperavam por Nelson Piquet e ele apontou na reta dos boxes para cruzar a linha de chegada em quinto lugar, lhe garantindo o primeiro título na F1 e o terceiro do Brasil. Quando parou o carro, Nelson Piquet tinha vomitado dentro do capacete e estava praticamente desmaiado, com fortíssimas dores no pescoço. Carregado para fora do carro, o brasileiro demorou muito tempo para se recompor e se dirigir ao pódio, onde participaria da festa por ter conquistado o título. Até mesmo Jones, que foi chamado de ‘uma besta’ por Piquet, cumprimentou o novo campeão mundial e parecia mais alegre do que o comum. O australiano estava feliz pela vitória e por ter derrotado Reutemann. Vendo a festa da sua equipe por Jones, Carlos Reutemann ficou furioso e acusou o time de tê-lo boicotado, mas Patrick Head falou que os dois carros estavam rigorosamente iguais, e que o problema era de Reutemann. Após a corrida, Reutemann ainda destilou veneno em cima de Piquet, que dizia que perdera o título “para o garoto que tinha limpado os pneus do meu carro em 1974”. Piquet nunca negou essa história, mas devolveu na mesma moeda. “Está certo, mas adivinha quem comeu poeira agora?” Era a galhardia do mais novo campeão mundial!

Chegada:
1) Jones
2) Prost
3) Giacomelli
4) Mansell
5) Piquet
6) Watson

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pela conquista do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1981, Nelson Piquet!!!
Você soube a hora e momento certo para ficar com a Taça!!!