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Normalmente o Grande Prêmio da Inglaterra trazia várias novidades para o circo da F1. Novos carros e pilotos apareciam em Brands Hatch ou Silverstone, pois a esmagadora maioria das equipes tinham sede na Ilha Britânica e era mais fácil trazer atualizações, fora que o automobilismo de base inglês era muito forte, principalmente com o surgimento da F3 Inglesa, em meados da décaca de 60. Sabendo que poderia conseguir seu sonho de alinhar na F1 passava em ganhar experiência no continente europeu (mais especificamente, na ilha), Emerson Fittipaldi deixou sua vida confortável para trás em São Paulo para ralar num pequeno cortiço nos arredores de Londres no início de 1969. Porém, o talento do brasileiro ficou evidente e as vitórias e títulos em pistas inglesas não tardaram a aparecer. Um ano após sua chegada a Inglaterra, Emerson já era piloto da Lotus no fortíssimo Campeonato Europeu de F2 e recusou uma proposta de correr para Frank Williams na F1. Porém, meses mais tarde, Fittipaldi foi convidado por Colin Chapman em pessoa para um teste num carro de F1.
Com Jochen Rindt presenciando o teste, Emerson Fittipaldi fez ótimos tempos mesmo com um carro, propositalmente, mal acertado. Rindt fez questão de sinalizar os bons tempos de Emerson e quando chegou aos boxes, Chapman ofereceu um carro para o brasileiro estrear em Zandvoort, mas Fittipaldi, bem acessorado por Chico Rosa e seu irmão Wilsinho Fittipaldi, preferiu esperar um pouco mais e sua estréia seria em Brands Hatch, uma pista que já conhecia dos tempos de F-Ford e F3. Após mais de dez anos sem ter nenhum brasileiro alinhando num grid de F1, Emerson Fittipaldi quebraria esse tabu e numa das melhores e tradicionais equipes da F1, mesmo que o paulistano tivesse que correr com o modelo 49C, bem mais antiquado que o novíssimo modelo 72 que usariam Rindt e John Miles, o segundo piloto oficial. Mesmo não sendo o primeiro, Emerson fez que o brasileiro passasse a conhecer melhor a F1, a ponto dessa corrida ser transmitida ao vivo para o Brasil, com a narração do seu pai, Wilson Fittipaldi, o Barão. Além de Emerson, também largariam Clay Regazzoni, que voltava ao cockpit da Ferrari, e François Cevert, também em sua segunda corrida na F1. Juntos, Fittipaldi, Regazzoni e Cevert, marcariam os próximos anos e suas estréias, praticamente juntas, também marcariam uma nova era na F1.
Mesmo não sendo muito fã do Lotus 72, devido a segurança, Rindt mostrava o potencial do modelo e marcava mais uma pole. O austríaco começava a trilhar o caminho rumo ao título, mesmo ainda chocado com as mortes de Piers Courage e Bruce McLaren, nas semanas anteriores. Porém, seu maior rival naquele final de semana era Jack Brabham, que marcara o mesmo tempo e estava em ótima forma, mesmo com a aposentadoria marcada para o final da temporada. Emerson marcou apenas o 21º tempo, que o fez largar na última fila ao lado de outras duas Lotus. Porém, bem ao seu lado, largaria seu ídolo de infância Graham Hill. "Se eu morresse naquela hora, morreria feliz", falou Fittipaldi mais tarde.
Grid:
1) Rindt (Lotus) - 1:24.8
2) Brabham (Brabham) - 1:24.8
3) Ickx (Ferrari) - 1:25.0
4) Oliver (BRM) - 1:25.2
5) Hulme (McLaren) - 1:25.6
6) Regazzoni (Ferrari) - 1:25.8
7) Miles (Lotus) - 1:25.9
8) Stewart (March) - 1:26.0
9) Andretti (March) - 1:26.2
10) Beltoise (Matra) - 1:26.5
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O dia 18 de julho de 1970 estava claro e com um sol tímido para a tradicional corrida inglesa, onde não faltou festa e bandinha para marcar a prova em Brands Hatch, que recebia uma enorme público. O grid alinhado em 3-2-3 não ajudava muito quem fazia a pole e por isso não foi surpresa ver Jacky Ickx, na primeira fila, mas em terceiro no grid, assumir a primeira posição, após ficar lado a lado com Brabham na Paddock Bend, a primeira curva de Brands. Enquanto isso, o poleman Rindt, que nem tinha largada tão mal assim, teve que se contentar com o terceiro posto. Mas por pouco tempo.
Ickx tentava abrir uma boa diferença sobre Brabham, mas o australiano estava mais
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A prova tem suas posições estáticas, mas Brabham não saía da traseira da Lotus de Rindt. O grande entretenimento da prova era
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Lá na frente, a equilibrada briga pela ponta dependia do imponderável. Somente um erro ou problema mecânico poderia modificar o status quo. Pois na volta 69 de 80 previstas, Rindt perde uma marcha e Brabham aproveita para assumir a ponta da corrida. O destino parecia cruel demais com o austríaco, mesmo Rindt permanecendo em 2º. Porém, o piloto da Lotus vencera em Mônaco em um golpe de azar de Brabham e agora pareciam quites. Contudo... Brabham se preparava para finalmente vencer quando o seu carro engasgou na última curva. Sinal claro de pane seca! O australiano, repetindo o que fez quando consquistou o título em 1959, pulou do carro e começou a empurrá-lo até a linha de chegada. Como em Sebring, Brabham cruzou a linha de chegada, mas desta vez ele perdeu a vitória para Rindt, que conseguia de forma impressionante mais uma vitória na temporada, disparando no campeonato e ficando com a mão na taça. Nos boxes, um mecânico da Brabham entrava em desespero pelo erro cometido na quantidade colocada no tanque de combustível do carro do patrão. Seu nome era Ron Dennis...
Chegada:
1) Rindt
2) Brabham
3) Hulme
4) Regazzoni
5) Amon
6) Hill
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