quinta-feira, 7 de maio de 2009

História: 20 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1989


Os quinze dias entre as corridas em Ímola e Monte Carlo devem ter sido bastante animados na sede da McLaren. Ron Dennis teve que usar toda astúcia para segurar seus dois pilotos, que haviam declarado guerra após o Grande Prêmio de San Marino e foi Prost que iniciou a bateria de críticas via imprensa contra Senna, que permanecia quieto, apenas curtindo o namoro com a Xuxa. Todos ficaram aliviados ao verem Gerhard Berger de volta ao paddock da F1 depois do seu terrível acidente na Tamburello, mesmo ainda não podendo participar da corrida por causa das queimaduras nas mãos. A Ferrari não substituiria o austríaco e apenas Nigel Mansell representaria o time italiano.

Mas o inglês e os demais 36 pilotos viram outro domínio absoluto da McLaren com Senna colocando mais de 1s em cima do seu novo inimigo Alain Prost. Principal opositor a McLaren nesse comecinho de temporada, Mansell teve que se contentar com a quinta posição, ficando atrás da surpresa Martin Brundle, que se aproveitava dos pneus de Classificação da Pirelli, que começava a se mostrar um diferencial para as equipe pequenas.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:22.308
2) Prost (McLaren) - 1:23.456
3) Boutsen (Williams) - 1:24.332
4) Brundle (Brabham) - 1:24.580
5) Mansell (Ferrari) - 1:24.735
6) Warwick (Arrows) - 1:24.791
7) Patrese (Williams) - 1:25.021
8) Modena (Brabham) - 1:25.086
9) Caffi (Dallara) - 1:25.481
10) De Cesaris (Dallara) - 1:25.515

O dia 7 de maio de 1989 estava nublado e havia uma boa possibilidade de chuva para a corrida, algo que seria ainda mais vantajoso para Senna, já conhecido um ótimo piloto no molhado, além de se dar muito bem em Mônaco, mas Prost já havia vencido a prova monegasca quatro vezes e seria um duro adversário. Na teoria. Mesmo mordido pela quebra do acordo por parte de Senna, Prost larga de forma convencional e como o brasileiro também o faz, a dupla da McLarens passa sã e salva pela apertada curva Saint-Devote, assim como os demais 24 carros que compunham o grid naquele dia.

Inicialmente, Senna e Prost andavam colados pelas apertadas curvas do principado, enquanto Boutsen segurava o ímpeto de Mansell, que havia ultrapassado Brundle na largada. O belga era a única esperança da Williams naquele dia frio de maio, já que Patrese havia tido problemas antes da largada e saiu na parte de trás do grid. E logo as esperanças da Williams terminaram quando a asa traseira de Boutsen quebra e o belga caí para as últimas posições. Isso significava que Mansell estava num bom terceiro lugar, mas o câmbio da Ferrari fez mais um dos seus caprichos e o inglês acabou abandonando a prova ainda no terço inicial, deixando a surpreendente Brabham num sólido terceiro lugar. Andrea de Cesaris vinha fazendo uma prova boa, já aparecendo na quarta posição na volta 33 quando ele ia colocar um volta na péssima Lotus de Nelson Piquet. Talvez mal acostumado a colocar voltas em retardatários, o italiano resolveu ultrapassar o tricampeão na apertada Loews e o resultado foi um sórdido acidente entre os dois, com De Cesaris gesticulando desesperadamente para Piquet, que parecia nem ligar muito sobre o que pensava o italiano.

A prova fica estática, com Senna muito à frente de Prost e o francês anos-luz à frente das duas Brabhams de Brundle e Modena, mas o inglês tem problemas na sua bateria e o italiano sobe para um lugar no pódio. Brundle perde duas voltas e mesmo chegando a sair do carro, voltou para conquistar um ótimo sexto lugar. O terceiro lugar de Stefano Modena seria o primeiro o jovem italiano na F1 e, infelizmente, o último da Brabham. Senna ainda tinha nas suas lembranças o amargo abandono no ano anterior e por isso maneirou no final da prova, enquanto Prost ainda era atrapalhado por retardatário, notadamente seu ex-companheiro de equipe e desafeto René Arnoux. Quando o francês se aproximou para colocar uma volta no Ligier, a desvatagem que tinha para Senna subiu de 7 para 31s em uma volta! Senna pôde conquistar sua segunda vitória na temporada e assumia a co-liderança com Prost, que mantinha sua regularidade com três segundos lugares nas três primeiras provas do ano. Era o início da guerra entre o mais rápido e o mais regular, mas essa briga seria muito mais do que isso.

Chegada:
1) Senna
2) Prost
3) Modena
4) Caffi
5) Alboreto
6) Brundle

Um comentário:

Anônimo disse...

A briga no pelotão intermediário foi o mais interessante da prova, principalmente quando Andrea de Cesaris e Nelson Piquet ia fazer a curva "Loews" ao mesmo tempo...