terça-feira, 22 de maio de 2012

História: 35 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1977


Após a vitória de Mario Andretti em Jarama, começou uma contagem regressiva para quem teria a honra de conceder a Cosworth sua centésima vitória na F1. Os ingleses se animaram a tal ponto de prepararem um motor especial, com peças novas construídas em titânio, magnésio e alumínio, para a prova em Mônaco, mas apenas três pilotos teriam a honra de usar o novo propulsor, escolhidos a dedo pela Cosworth: Mario Andretti, James Hunt e Ronnie Peterson. Niki Lauda estaria de volta à Ferrari após seus problemas na costela depois de um acidente em Jarama, ainda resquício do acidente em Nürburgring. Na Shadow, ainda traumatizada pela trágica morte de Tom Pryce, o italiano Renzo Zorzi, involuntário envolvido no acidente do galês, perdia a confiança do seu patrocínio e seu lugar na equipe e para substituí-lo, estrearia o promissor italiano Riccardo Patrese. Ninguém sabia no momento, mas Patrese, então com 23 anos, iniciaria uma longe carreira de dezesseis anos na F1.

Os treinos para o Grande Prêmio de Mônaco foram atrapalhados pela chuva e o mais rápido na quinta-feira foi Hans-Joachim Stuck, que substituía muito bem José Carlos Pace. No sábado, a chuva se fez presente novamente, mas antes que o alemão pudesse comemorar o que seria sua única pole, a pista secou na meia hora final e seu companheiro de equipe, John Watson, ficou com a pole, com Jody Scheckter ficando em segundo, mas tendo que recuperar seu carro para corrida, pois no afã de conseguir superar Watson, o sul-africano acabou batendo seu Wolf no guard-rail. A Brabham fez vários testes antes da corrida e o time de Bernie Ecclestone sonhava em adiar o sonho da centésima vitória da Cosworth com seus motores Alfa Romeo. O piloto melhor colocado com os novos motores Cosworth era Peterson, em quinto lugar, separando as duas Ferraris, mas com Reutemann à frente. Lauda ainda mostrava cautela após o seu acidente.

Grid:
1) Watson(Brabham) - 1:29.86
2) Scheckter(Wolf) - 1:30.27
3) Reutemann(Ferrari) - 1:30.44
4) Peterson(Tyrrell) - 1:30.72
5) Stuck(Brabham) - 1:30.73
6) Lauda(Ferrari) -  1:30.76
7) Hunt(McLaren) - 1:30.85
8) Depailler(Tyrrell) - 1:31.16
9) Mass(McLaren) - 1:31.36
10) Andretti(Lotus) - 1:31.50

O dia 22 de maio de 1977 estava nublado no principado de Mônaco, mas não havia a chuva que tanto atrapalhou os pilotos nos dias anteriores. John Watson escolheu largar à esquerda no grid, o que acabaria sendo um grande erro. Naquele local, havia faixas de pedestres e mesmo sem estar chovendo, as faixas ainda estavam úmidas pelas chuvas dos últimos dias. Quando os carros se aproximavam do grid, fizeram um ziguezague estranho na época, mas que depois ficaria conhecido como ‘balé da F1’, com os pilotos tentando aquecer seus pneus para a largada. Como esperado, Watson patinou bastante no seu lugar do grid e Scheckter passou voando pelo piloto da Brabham, mas os demais pilotos na ponta mantiveram suas posições para iniciarem sua longa jornada na pista de Monte Carlo.

Querendo reaver seu lugar, Watson grudou na traseira de Scheckter e andou colado na traseira do sul-africano nas primeiras cinco voltas, tentando pressionar o piloto da Wolf a cometer um erro. Que nunca viria. Com o motor Alfa Romeo superaquecendo, Watson aliviou um pouco, mas jamais esteve mais de 1s longe de Scheckter. Um dos primeiros abandonos importante foi de Peterson, quando o sueco da Tyrrell parou seu carro nos boxes na décima volta com o câmbio quebrado. Reutemann fazia uma corrida solitária na terceira posição, enquanto Stuck se mostrava duro de ceder sua quarta posição a Lauda, que ainda tinha as duas McLarens de Hunt e Mass logo atrás. Porém, na vigésima volta Stuck estacionou seu Brabham com um princípio de incêndio e para melhorar ainda mais a vida de Lauda, Hunt, que vinha imediatamente atrás do austríaco, abandonou cinco voltas depois com o motor quebrado.

Agora correndo sozinho, Lauda ganhou a confiança necessária para aumentar seu ritmo e partiu para cima do seu companheiro de equipe Reutemann. O argentino estava tendo problemas de desgaste no pneu traseiro esquerdo e para não piorar o problema, não brigou muito com Lauda e cedeu facilmente a terceira posição ao vizinho de box. Porém, Scheckter e Watson tinham uma boa diferença para Lauda, quando o irlandês começou a diminuir seu ritmo. Watson estava tendo sérios problemas de câmbio e na 49º volta abandonou após ter sua caixa de marcha travada e rodar em plena pista de Mônaco.

Com 15s de vantagem sobre Lauda, a corrida estava nas mãos de Scheckter, mas o sul-africano passaria por um momento de verdadeiro drama nas últimas voltas. Quando vinha na pequena reta entre a curva do Cassino e da Mirabeau, o motor Cosworth de Scheckter apagou e o piloto da Wolf pensou rápido em utilizar a bomba de gasolina elétrica para fazer o motor ressuscitar. Scheckter diminuiu seu ritmo, pois pensava que o seu problema era na bomba de gasolina e passou a perder mais de 1s por volta para Lauda nas últimas dez voltas. Quando abriu a última volta, Scheckter já tinha Lauda enchendo seus retrovisores, mas o sul-africano segurou a pressão e recebeu a bandeirada com o austríaco já colado atrás dele. Após a corrida descobriu-se que o problema era na verdade de ignição do motor Cosworth ‘convencional’ de Scheckter, que teve a honra de ser o piloto a vencer pela centésima vez com o motor anglo-americano. Mais atrás, Massa chegava em quarto após ter que segurar a pressão de Andretti, a quem ultrapassou no meio da prova, mas não foi capaz de abrir diferença. No último lugar pontuável, Alan Jones conseguia seu primeiro de muitos pontos na carreira. O sul-africano não ficou contente em não receber o novo motor da Cosworth, mesmo estando na luta pelo título, mas Jody Scheckter não teve do que reclamar e ainda ganhou como prêmio pela vitória a promessa do chefe de polícia de Mônaco que iria estacionar de graça em Monte Carlo durante um ano. Um troféu secundário que era a honra de entrar a história gloriosa da Cosworth. 

Chegada:
1) Scheckter
2) Lauda
3) Reutemann
4) Mass
5) Andretti
6) Jones

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