terça-feira, 1 de maio de 2012

História: 40 anos do Grande Prêmio da Espanha de 1972


A seca entre os Grandes Prêmios da África do Sul e da Espanha havia mostrado que a Lotus estava numa ótima fase e Emerson Fittipaldi havia vencido duas corridas extra-oficiais na Inglaterra, dando muita confiança ao jovem brasileiro, mesmo que nessas provas a Ferrari e, principalmente, a Tyrrell estivessem ausentes.  O favorito da temporada Jackie Stewart apenas descansou, enquanto a Tyrrell preparava o novo carro que só ficaria pronto no verão europeu. Com o sucesso de Emerson, o Brasil teve o estímulo a levar seus melhores pilotos à F1 e depois de José Carlos Pace, era a vez de Wilsinho Fittipaldi fazer sua estréia na F1 em Jarama, pista próxima a Madri, e tornando os irmãos Fittipaldi os primeiros a correrem juntos na F1. Porém, Wilson seria o único piloto da Brabham na Espanha, já que Carlos Reutemann não havia se recuperado do seu forte acidente numa prova de F2 e não correria em Jarama.

Jarama era um circuito muito duro para os freios e o clima na Espanha naquele início de maio não estava muito firme. Aproveitando o feriado de primeiro de maio, a corrida seria realizada na segunda-feira e Emerson Fittipaldi mostrou sua ótima fase ao ficar com o melhor tempo do primeiro dia de treinos no sábado. Porém, no domingo, Jacky Ickx fez um tempo sensacional e Emerson, com problemas no motor Cosworth, não conseguiu melhorar o tempo do piloto da Ferrari, tendo que se conformar com o terceiro lugar, ainda superado pela McLaren de Denny Hulme. Os demais brasileiros tiveram problemas porque suas equipes se atrasaram na hora de liberarem seus carros da alfândega espanhola e tiveram pouco tempo de pista, significando Wilsinho em 14º e Pace em 16º.

Grid:
     1)      Ickx(Ferrari) – 1:18.43
     2)      Hulme(McLaren) – 1:19.18
     3)      E.Fittipaldi(Lotus) – 1:19.26
     4)      Stewart(Tyrrell) – 1:19.33
     5)      Andretti(Ferrari) – 1:19.39
     6)      Amon(Matra) – 1:19.52
     7)      Beltoise(BRM) – 1:19.57
     8)      Regazzoni(Ferrari) – 1:19.71
     9)      Peterson(March) – 1:19.86
   10)   Wisell(BRM) – 1:19.89
   
     O dia primeiro de maio de 1972 estava nublado e com perspectiva de chuva em Jarama, o que tornava a escolha de pneus crucial para a corrida. Duas horas antes da largada, que seria dada ao meio dia, a chuva havia parado e garoava de instante em instante. Havia três alternativas: pneus para pista molhada, pista seca e os intermediários. A maioria dos pilotos escolheu os pneus para pista seca, enquanto o pole Ickx escolheu os intermediários.  Como naquela época se largava na formação 3-2-3, foi o piloto do meio da primeira fila, Hulme, que largou melhor e ficou na frente, enquanto Ickx sofria com a pista totalmente seca na largada e caía algumas posições. Stewart e, principalmente, Regazzoni largaram muito bem e o escocês subiu para segundo, seguido por Rega, Ickx e Emerson.

      Denny Hulme mantinha a ponta, mas não abriu uma grande diferença, enquanto Regazzoni, apenas oitavo no grid, não segurou muito tempo sua posição e foi caindo de rendimento, sendo ultrapassado quase que imediatamente por Ickx e Fittipaldi. Na segunda volta Emerson sofreu um enorme susto quando, do nada, o extintor de incêndio que fica dentro do cockpit da Lotus estourou e o brasileiro ficou todo coberto de pó químico, mas sem perder o bom ritmo de prova que vinha imprimindo. A liderança de Hulme durou muito pouco tempo, pois o neozelandês passou a sofrer com problemas com o câmbio do seu McLaren e foi ultrapassado por Stewart na quarta volta e por Emerson duas voltas depois. O brasileiro da Lotus tinha claramente o melhor carro daquela tarde fria na Espanha e vinha de ótimos resultados nos últimos dois meses, mas ele ainda não havia enfrentado o mito Jackie Stewart na pista naquela temporada. Aquela seria sua chance. O travado circuito de Jarama só tinha um ponto claro de ultrapassagem, no final da reta dos boxes e foi nesse local que Emerson pegou o vácuo de Stewart e colocou por dentro, efetuando a ultrapassagem ainda na nona volta. Aquela manobra foi uma espécie de divisor de águas na temporada de Emerson Fittipaldi, pois agora ele liderava uma prova válida do campeonato de 1972 e num ritmo muito forte, deixou Stewart para trás. O escocês ainda seria ultrapassado por Ickx bem no momento mais tenso da corrida. Na volta 30, com 7s de vantagem sobre Ickx, Emerson viu uma garoa voltar a molhar o circuito de Jarama. Era tudo que o belga queria!

     Além de ser um excepcional piloto da chuva, Ickx tinha escolhido os pneus intermediários, que funcionaria de forma perfeita naquele tipo de asfalto. Em duas voltas a Ferrari colou na Lotus de Emerson, que se defendia como podia no final da reta dos boxes. Para sorte de Emerson, a garoa durou exata seis voltas e quando cessou, Fittipaldi voltou a aumentar a diferença para Ickx. Quando faltavam quinze voltas para o fim, Emerson tinha 22s de vantagem sobre Ickx e iniciava outro drama para o brasileiro. Ainda quando levava seu Lotus ao grid, Emerson Fittipaldi sofreu com um vazamento em um tanque complementar de combustível, que teve que ser esvaziado de forma rápida para que Fittipaldi pudesse correr. A Lotus calculou que o brasileiro poderia cobrir as 90 voltas sem o tanque complementar, mas teria que economizar combustível nas voltas finais. E assim Emerson Fittipaldi fez para vencer pela primeira vez em 1972, depois de muito sufoco com o suspense de sofrer ou não uma pane seca. Foi a confirmação de que a Lotus era a grande favorita ao título e que Emerson, mesmo aos 25 anos de idade, considerado muito jovem na época, tinha condições de suportar a pressão e levar o carro negro e dourado rumo a glória. O bom dia para o Brasil ainda reservou o primeiro ponto para José Carlos Pace na F1, que fez uma baita corrida de recuperação, mas quando ele chegou no hotel, o paulista sofreu com a triste notícia da morte do pai.

      Chegada:
      1)      E.Fittipaldi
      2)      Ickx
      3)      Regazzonii
      4)      De Adamich
      5)      Revson
      6)      Pace 

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