quarta-feira, 6 de junho de 2007

História: 25 anos do primeiro Grande Prêmio em Detroit




Desde que a F1 saiu do tradicional circuito de Watkins Glen no final de 1980, a categoria se mudou para os travados e apertados circuitos de rua quando se falava no Grande Prêmio dos Estados Unidos. Primeiro veio Long Beach em 1976 e em 1981 apareceu Grande Prêmio de Las Vegas, num circuito improvisado no estacionamento de um cassino. Mesmo longe de ser popular dentro dos Estados Unidos, a F1 procurava expandir seus horizontes nas terras do Tio Sam e por isso surgiu o Grande Prêmio de Detroit a partir de 1982. A idéia de se fazer uma corrida na sede das três maiores montadoras americanas parecia uma boa idéia e isso ajudaria bastante a melhorar a imagem da cidade de Detroit. O local escolhido para ser montado o autódromo era ao redor do Renaissance Centre, bem no centro de Detroit e a pista incluía em pequeno túnel e a uma reta ao lado de um lago. A inspiração estava clara: Mônaco. E logo a administração local vendou a idéia de Detroit ser o "GP de Mônaco nos Estados Unidos". A F1 vinha de três Grandes Prêmios atípicos antes de chegar a Detroit. Em San Marino, apenas 14 carros largaram por causa do boicote das equipes inglesas, ainda com relação a briga entre a FISA e a FOCA. Quando as equipes que se entricheiravam atrás dessas entidades fizeram as pazes, veio a morte de Gilles Villeneuve no Grande Prêmio da Bélgica. Mesmo profundamente traumatizado, o circo da F1 chegou a Mônaco e viu uma corrida que ninguém queria ganhar, mas na última volta a vitória acabou no colo de Riccardo Patrese, sua primeira vitória na F1. Então, passadas seis etapas, a F1 chegava com um equílibrio enorme, mas muito devido as quebras dos potentes motores turbo que equipavam Ferrari, Renault e Brabham. A Ferrari tinha o melhor carro, mas a morte de Villeneuve foi um duro golpe para a equipe italiana. A Renault era muito rápida na Classificação, mas raramente seus carros chegavam até fim, mesmo problema tinha a Brabham o que tirava todas as chances do então campeão Nelson Piquet defender seu título. Alain Prost era o líder com duas vitórias, mas os 18 pontos dessas vitórias eram os únicos do francês graças as quebras da Renault. Em seguida, separados por um ponto, vinha John Watson da McLaren e Didier Pironi da Ferrari.

Quando as equipes chegaram a Detroit, a pista ainda não estava pronta e operários ainda montavam as barreiras de proteção, enquanto os mecânicos jogavam futebol. Como resultado, os pilotos perderam um dia inteiro em que usariam para conhecer a nova pista. Assim, a Classificação foi realizada em duas sessões de uma hora, mas sem treinos livres e isso trouxe algumas anomalias no grid. Lá na frente, nenhuma surpresa, com mais uma pole de Alain Prost da Renault, mas seu companheiro de equipe René Arnoux era apenas décimo quinto. Porém, a maior surpresa foi Nelson Piquet não conseguir tempo para se Classificar e assim foi um mero expectador durante o fim de semana.

Grid:
1) Prost(Renault) - 1:48.537
2) De Cesaris(Alfa Romeo) - 1:48.872
3) Rosberg(Williams) - 1:49.264
4) Pironi(Ferrari) - 1:49.903
5) Winkelhock(ATS) - 1:50.066
6) Giacomelli(Alfa Romeo) - 1:50.252
7) Mansell(Lotus) - 1:50.294
8) De Angelis(Lotus) - 1:50.443
9) Cheever(Ligier) - 1:50.520
10) Lauda(McLaren) - 1:51.026

O warm-up no domingo pela manhã foi horrível para a pequena equipe Osella. Enquanto o carro de Jarier pegava fogo e Riccardo Paletti destruía seu carro na curva do túnel, a equipe só tinha um carro reserva... que Jarier também bateu! Com seus três carros destruídos, a Osella só teve tempo para reconstruir o carro de Paletti, mas quem largou foi Jarier, com o jovem italiano ficando de fora. Os preparativos do carro de Jarier foi tão em cima da hora que ele teve que largar dos boxes.

Quando a largada foi dada, Prost conseguiu segurar os ataques de De Cesaris e Rosberg, enquanto o pelotão passava sem problemas pela apertada primeira curva. No final da segunda volta, o segundo colocado Andrea de Cesaris teve que ir aos boxes para tentar consertar seu semi-eixo, após o italiano tocar de leve numa mureta de proteção. Ele abandonaria ali mesmo. Isso deixava Prost na liderança à frente de Rosberg, Pironi, Mansell, Giacomelli, Cheever e Arnoux, que vinha se recuperando bem. Prost tentava aumentar sua vantagem para Rosberg e quando tinha 3s de diferença para o finlandês, a corrida foi parada. Roberto Guerrero e Elio de Angelis brigavam pela décima primeira posição, quando eles se tocaram. De Angelis conseguiu se safar, mas Guerrero acabou na barreira de pneus e na tentativa de desviar, Patrese acabou rodando e também bateu na barreira de pneus. O vencedor de Mônaco teve que sair correndo do seu Brabham, que começava a pegar fogo. A direção de prova decidiu mostrar a bandeira vermelha e paralizar a corrida.

Depois de uma hora de espera, os 18 carros restantes foram para relargada, com Prost novamente na pole e Alboreto e Salazar fechando o grid. Assim como na primeira largada, Prost se saiu muito bem e permaneceu na frente. Atrás da Renault vinha Rosberg e Pironi, mas o francês da Ferrari começou a ser atacado pelo quarto colocado Bruno Giacomelli. Enquanto Prost já tinha novamente 3s de vantagem para Rosberg, Pironi segurava um punhado de carros atrás dele. Quem vinha fazendo uma bela corrida era os pilotos da McLaren, em especial John Watson. O irlandês havia largado em décimo sétimo e numa tática já vista em Zolder, o veterano piloto da McLaren escolhia pneus mais duros e quando a corrida evoluía, ele ia ultrapassando um a um seus adversários. Depois de algumas voltas, o motor Renault de Prost começou a ter problemas de motor e na volta 21 o francês foi ultrapassado por Rosberg numa manobra audaciosa. Prost foi aos boxes e saiu da disputa. Rosberg começou a aumentar sua vantagem para Pironi e na volta 30, ele tinha exatos 30s de vantagem sobre o piloto da Ferrari.

Então, Watson começou a dar show. Na briga pela quinta posição, ele tocou rodas com a Alfa Romeo de Giacomelli e o italiano se deu mal e acabou no muro, abandonando ali mesmo. Agora, Watson tinha a seu frente uma briga forte pela segunda posição, mas estática que envolvia na ordem Pironi, a Ligier do nativo Eddie Cheever e da McLaren de Niki Lauda. Watson não quis saber de muita conversa e ultrapassou os três pilotos em três manobras distintas em uma única volta! Na volta 33 Watson já estava em segundo lugar! Neste momento, o líder Rosberg começou a ter problemas com seus pneus da Goodyear, o câmbio estava ficando preso e os freios traseiros estavam bloqueando. Watson vinha se aproximando rapidamente e de forma sensacional, Watson assumiu a liderança na volta 37. Três voltas depois Lauda se aproximou de Rosberg e na tentativa de ultrapassagem do austríaco, Rosberg fechou a porta e Lauda acabou a corrida no muro. Quem se aproveitou do incidente foi Cheever, que conseguiu desviar de Lauda e ainda ultrapassou Rosberg, subindo de quarto para segundo.

Rosberg perderia ainda mais rendimento, enquanto o companheiro de equipe de Cheever na Ligier, o veterano Jacques Laffite, vinha forçando muito e na volta 48 assumiu a terceira colocação, mas o francês começou a ter problemas com seus pneus e foi ultrapassado pelo discreto Didier Pironi na volta 52. Watson conseguiu mais uma bela vitória nas ruas de Detroit e com mais um péssimo resultado para Prost, o piloto da McLaren assumiu a liderança do campeonato, seguido por Pironi. Por enquanto, Keke Rosberg vinha num discreto quarto lugar no campeonato, mas sua presença ainda seria sentida. A partir de 1984 Detroit ganhou a exclusividade do Grande Prêmio dos Estados Unidos e a cidade permaneceu no circo até 1988.

Classificação:
1) Watson
2) Cheever
3) Pironi
4) Rosberg
5) Daly
6) Laffite

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