.jpg)
Didier Pironi nasceu no dia 26 de março de 1952 em Villescrene, filho de um engenheiro que trabalhava para uma empresa pública. Desde jovem Didier se interessa por esportes e suas primeiras competições são nas piscinas francesas, onde se torna campeão de natação. A velocidade sempre esteve na vida de Pironi, com seu primo José Dolhem participando de corridas e chegando à F1 em 1974. Dolhem só participaria de uma

Pironi já havia entrado para a faculdade de engenharia para seguir a carreira do pai, mas o amor pela velocidade falou mais alto e ele trocou as salas de aula pelas pistas francesas. Nessa mesma época a petrolífera Elf patrocinava um campeonato que no futuro se revelaria um verdadeira celeiro de grandes pilotos franceses: Volante Elf. O prêmio da empresa para o piloto vencedor era o patrocínio necessário para disputar a F-Renault no ano seguinte. Pironi não perder a oportunidade e se tornou o "Volante Elf" de 1972, partindo para a F-Renault no ano seguinte. Didier se tornaria campeão francês
.jpg)
Graças a ajuda da Elf Pironi pode estrear na F1 em 1978 com a Tyrrell. O velho Ken Tyrrell mantinha uma parceria de longa data com a Elf e naquele ano teria além de Pironi, Patrick Depailler em suas fileiras. O carro da Tyrrell era bom e a prova

Já mais adaptdo à F1, Pironi entra em 1979 com esperanças de dias melhores, mas o Tyrrell 009 ficou abaixo das espectativas e o francês não pode melhorar muito seus resultados do ano anteior. Correndo ao lado do também francês Jean-Pierre Jarier, Pironi não brigou pela vitória em nenhum corrida, mas conquistou seu primeiro pódio no Grande Prêmio da Bélgica em Zolder. Isso só foi possível porque Gilles Villeneuve ficou sem combustível na última volta. Essa seria a primeira vez que o nome Villeneuve entraria na história de Pironi. A Ligier flertava com Pironi desde 1978, mas como Tyrrell não o liberou na época, Didier esperou até 1980 para poder estrear na equipe francesa, substituindo seu antigo companheiro de equipe Patrick Depailler, que tinha sofrido um acidente de asa-delta em 1979 e tinha sido substituído por Jacky Ickx para o resto da temporada.
A Ligier era uma equipe com muito mais potencial do que a Tyrrell e Pironi poderia sonhar com vôos mais altos. Logo Pironi começa a andar no ritmo do seu já experiente companheiro de equipe Jacques Laffite e a primeira v
.jpg)
No Grande Prêmio da Inglaterra de 1980 a Ligier estava novamente muito forte com Pironi e Laffite dominando a corrida até que o pneu de Pironi se esvazia no começo da corrida. O francês cai para último e começa uma inesquecível corrida de recuperação, marcando a melhor volta da corrida e chegando ao quinto lugar em 24 voltas, mas um novo problema de pneu acabaria com a notável corrida de Pironi. Porém isso marcaria a vida de Pironi. Enzo Ferrari precisava de um piloto para substituir Jody Scheckter, que se aposentaria no final de 1980. Vendo a corrida de Pironi em Brands Hatch, Enzo não pensa em duas vezes e contrata Pironi para ser companheiro de equipe de Gilles Villeneuve a partir de 1981. Era a despedida de Pironi das equipes francesas.
Villeneuve poderia ser um gênio lunático nas pistas, mas era uma pessoal extremamente agradável fora delas. Falando a mesma língua, Villeneuve e Pironi logo se tornam amigos. Porém, Pironi é derrotado de forma clamorosa por Villeneuve na temporada 1981. Enquanto Villeneuve levava o péssimo Ferrari 126CK a duas improváveis vitórias em Monte Carlo e Jarama, o máximo que Pironi tinha feito era um quarto lugar em Mônaco e a melhor volta da corrida em Las Vegas, quando já tinha tido problemas e corria nas últimas posições. Se Pironi quisesse ser o primeiro piloto francês a ser campeão de F1, ele teria que derrotar um piloto formidável e teria que ser logo. A sua antiga equipe Renault já estava no seu quarto ano completo em 1982 e tanto Arnoux como Prost tinham condições de serem campeões.
O Ferrari 126C2 projetado por Harvey Posthwaite era um ótimo carro e 1982 prometia ser o ano da Ferrari. Logo na primeira corrida do ano, Pironi mostra seu lado político ao ser o representante dos pilotos nas reuniões com a FISA na famosa greve dos pilotos na África do Sul em Kyalami. Dentro das pistas, Pironi continuava sendo superado por Villeneuve e nas três primeiras corridas do ano Didier não tinha feito nada demais. Então, a F1 chega à Ímola para disputar o Grande Prêmio de San Marino.
A F1 vivia um momento político único no começo dos anos 80 e Nelson Piquet tinha perdido sua vitória no Grande Prêmio do Brasil por causa de um dispositivo inventado por Gordon Murray e copiado pelo segundo colocado Keke Rosberg da Williams. As equipes inglesas ficam revoltadas com o anúncio da desclassificação e boicotam o Grande Prêmio de San Marino. A greve dos "garagistas" reduziu o grid a míseros 14 carros, deixando apenas a dupla da Renault, Alain Prost e René Arnoux, como adversários para a Ferrari. Os tifosi pressentiram a festa e encheram as arquibancadas, pintando o autódromo de vermelho. Antes da corrida os pilotos de Ferrari e Renault, cientes de que eram os únicos com chances de vencer, se reúnem e decidem manter uma briga limpa até o final. A Renault dominara a primeira fila, como normalmente fazia, com Arnoux na frente. Logo na largada os quatro primeiros disparam na frente. Prost quebra logo no comecinho, enquanto Arnoux, Villeneuve e Pironi disputam a ponta da corrida com várias trocas de posição, mas quando a Renault de Arnoux aparece com o motor pegando fogo antes da Tamburello, Villeneuve assume a liderança com Pironi logo atrás.
Tudo parecia na mais perfeita normalidade para Villeneuve e a cor
.jpg)
Vale aqui um detalhe. Quando Barrichello deixou Schumacher passar em 2002, as ordens de equipe foram crucificadas. Então por que defende-las com Villeneuve? O motivo era muito simples. Em 1979, quando Villeneuve brigava com seu companheiro de equipe Jody Scheckter pelo campeonato, Enzo Ferrari em pessoa foi falar com Villeneuve no grid do Grande Prêmio da Itália que decidia o campeonato e falou para Gilles: “Esse título é de Jody, o próximo será seu”. Gilles cumpriu o prometido e praticamente deixou o seu amigo Scheckter ser campeão. Três anos depois, com o melhor carro, Gilles esperava que a promessa fosse cumprida. Pironi não pensou assim...
A cara de Villeneuve ao chegar ao pódio daria medo em qualquer lutador de Jiu-Jitsu em dia de competição. Pironi comemorava com entusiasmo sua segunda vitória na carreira, enquanto Villeneuve descia do pódio completamente transtornado. Mesmo tendo feito várias loucuras nas pistas, Villeneuve nunca tinha brigado com nenhum piloto. Os dias seguintes à corrida foram de guerra aberta entre Pironi e Villeneuve. Em entrevista à revista Motorsport, Gilles chamou Didier de “traidor” e avisou que “daqui para frente será cada um por si!” Numa entrevista à Nigel Roebruck, Villeneuve disse que Pironi seria um alvo a abater. Pironi fingiu não ligar para aquelas palavras, dando a entender que o canadense era apenas um mal perdedor. “Pediram para que diminuíssemos o ritmo, ninguém falou que era proibido ultrapassar”, justificou-se Pironi, sem convencer. E a Ferrari com isso? Primeiramente ficou ao lado de Villeneuve e emitiu um comunicado criticando Pironi. Mas com o tempo, alguns dirigentes da Ferrari começaram a repensar o que aconteceu em Ímola e ficaram ao lado de Pironi. Afinal, o francês apenas foi combativo demais. Isso aumentou ainda mais o rancor de Villeneuve.
E foi nesse clima "agradável" que a F1 foi para o Grande Prêmio da Bélgica de 1982. Querem uma prova disso? Olha o que disse Villeneuve quando chegou à Bélgica. “De agora em diante vai ser guerra. Guerra total!” Zolder era a pista onde Pironi conseguira ótimos resultados em sua carreira. Nos treinos de sábado, Pironi estava à frente de Villeneuve e o canadense estava bastante incomodado com isso. Por mais que o canadense fosse a pista, não conseguia superar Pironi. E olha que Pironi estava apenas em sexto! Nos últimos minutos da Classificação Vill
.jpg)
Pironi estava saindo dos boxes quando aconteceu o acidente de Villeneuve. Didier foi até o local do acidente e abandonou sua Ferrari. Foi até onde Villeneuve era atendido, olhou e deu a volta. Villeneuve, antigo amigo e principal rival na briga pelo título daquele ano, estaria morto ainda no final daquele dia de maio. A Ferrari não participaria daquele Grande Prêmio e Pironi seria o primeiro piloto da equipe. As pessoas da F1 e toda a opinião pública apontaram o dedo para Pironi, o acusando de ter "ajudado" Villeneuve a morrer. O que Pironi havia feito em Ímola tinha sido crucial para a morte de Villeeuve. A pessoa singela de Villeneuve era querida por todos, enquanto Pironi passou a ser odiado por muitos...
Pouco mais de um mês depois, Pironi recomeçava sua caça ao título e sua pole em Montreal era a prova de que era mesmo o principal candidato ao título daquele ano. Porém, Pironi deixa o carro morrer na largada. As primeiras filas passam sem problemas pela Ferrari parada de Pironi, mas Riccardo Paletti acerta em cheio a traseira do francês. Pironi sai do seu carro rapidamente e é o primeiro a se aproximar de Paletti. Ele põe as mãos na cabeça quando percebe que Paletti estava muito mal e entra em desespero quando o carro de Paletti começa a pegar fogo. Pironi ajuda os bombeiros na extinção do fogo, mas o italiano estaria morto poucas horas depois. Pironi estava perto da morte pela segunda vez em um mês.
Porém, isso não esfria a ambição de Pironi em ser campeão e o francês faz a melhor corrida de sua carreira em Zandvoort, onde venceu com ampla dominação. Depois da corrida, Pironi mexeu com os brios de todos: “essa vai para meu amigo Villeneuve.” A imprensa acusou Pirono de hipócrita e de estar querendo fazer jogo de cena. Após a corrida na Holanda Pironi conseguiu mais dois pódios e começava a disparar na liderança do campeonato. A Ferrari finalmente tinha um chassi equilibrado e o motor Ferrari turbo era tão bom quantos os Renault turbo, então maior rival da equipe italiana. A próximo corrida seria em Hockenheim, uma pista cheia de enormes retas.
Pironi marca a pole provisória na sexta com tempo seco. No sábado, uma chuva monumental cai sobre Hockenheim e Pironi garantira mais uma pole. Com a possibilidade de chuva para o domingo, Pironi vai a pista testar os pneus para chuva e começa
.jpg)
Mas o pior é que mesmo com a pancada, Pironi permaneceu acordado e sentindo todas as dores. Suas pernas estavam deformadas e perna direita teve que ser operada ainda na pista por Sid Watkins. Depois de mais de meia hora Pironi foi levado para o Hospital da Universidade de Heidelberg e graças aos esforços médicos, ele não perdeu as pernas. Porém, o sonho de Pironi se tornar o primeiro francês a ser campeão de F1 estava acabado. O piloto que conseguiu esse feito três anos depois, Alain Prost, ficou tão traumatizado com o acidente que nunca mais se tornou o antigo rápido piloto na chuva que

Os meses seguintes de Pironi foram de cirurgias e demoradas sessões de fisioterapia. Foram 47 cirurgias no total! Mesmo com todo esse sofrimento, Pironi ainda queria “voltar à F-1 e recuperar o título que deveria ter sido meu em 1982.” Em 1986, a AGS ofereceu a Pironi a chance de acelerar novamente um F1. Com cinco quilos acima do peso, Pironi andou relativamente bem com o carro em Paul Ricard, que na verdade era um Renault de 1984 adaptado. Logo após esse teste com a AGS, Pironi foi chamado pela sua antiga equipe, a Ligier, para fazer um teste. E que teste! Andando em Dijon-Prenois, Pironi foi comparado com seu velho amigo René Arnoux e de forma surpreendente foi apenas 1s mais lento que o piloto titular do carro. Didier falou que estava conversando com várias equipes para conseguir um lugar para 1987, mas ele acabou

Desiludido com a F1, a paixão pela velocidade de Pironi permaneceu a mesma e se transferiu para a motonáutica. Com a ajuda da velha parceira Elf, Pironi construiu o Colibri. O Colibri era o primeiro barco construído totalmente em fibra de carbono, tinha dois motores Lamborghini V12 de 780cv e era um dos favoritos ao título mundial de 1987. Pironi era o comandante e para lhe auxiliar, ele chamou o velho amigo Claude Guenard para ser seu co-piloto e o ex-navegador de Ari Vatanen numa das vitórias do finlandês no Raly Paris-Dakar, Bernard Giroux. Pironi vence uma corrida na Noruega e tudo estava indo bem até que o trio parte para a etapa inglesa do Mundial, na Ilha de Wright no dia 23 de Agosto de 1987. Pironi disputava a liderança com outro barco quando foi surpreendido pela onda causada pelo petroleiro "Esso Avon". Pironi vinha a 90 nós de velocidade e atingiu a onda a toda velocidade. Pironi, Giroux e Guenard morreram na hora. Didier tinha 35 anos. Oito meses após sua morte seu primo e incentivador José Dolhem morreu num acidente aéreo. A esposa de Pironi, Johann (mesmo nome da esposa de Villeneuve...) permaneceu ao lado do marido mesmo com a crise do casamento na altura do primeiro acidente e ficou junto com ele até a morte do marido. Ela estava grávida de gêmeos quando Pironi morreu e colocou os nomes que o marido queria: Didier Jr. e Gilles.
Um comentário:
Texto fantástico, sensacional sobre Didier Pironi.
Uma pequena correção: José Dolhem era meio-irmão de Pironi e não primo.
Parabéns!!!
Postar um comentário